Fire starter

1 I really don't care


Notas iniciais
Espero que vocês gostem! :)

" I might look all innocent, but I'm a sweet disaster "

Você acha que sua vida não pode piorar. Claro que você acha. Talvez seja o ditado " pior que está não fica ". Esse é o problema do mundo. Ele faz você se agarrar em todas as esperanças possíveis. O grande problema é que nem sempre essas esperanças são reais. A verdade é que tudo pode piorar.

Mas vocês não querem perder tempo sabendo todas as coisas " horríveis" que eu vivi ( não tentem entender as aspas). Vocês querem saber com quem estão falando, certo? Annabeth Chase, esse é meu nome. Cabelos loiros, olhos acinzentados, 16 anos, não sou a melhor pessoa do mundo.Onde estou? Isso é algo extremamente relativo. Os vidros são muito esfumados para eu realmente ter uma noção de onde estou. A única coisa que eu sei é que as 6:30 da manhã eu fui colocada em uma limusine revestida por couro e brilhantes. Eu não sei para onde estou indo.

Eu sei que me jogaram aqui com uma mala contendo todos os meus pertences. Eu sei que você está morrendo de vontade de saber por que meus pais me jogariam em um carro sem me dizer aonde estaria indo. É o seguinte: eu não tenho pais. Longa história. E não é da sua conta no momento.

O carro para. Então as portas se abrem. Por um momento, fico paralisada. O que...?

– Bem vinda a Goode High School, senhorita Chase. — uma mulher loira com os olhos azuis mais profundos que eu já vi se aproxima. — Todos estão sabendo de sua chegada. Espero que se sinta em casa. Eu vou lhe fornecer um tour pela propriedade mais tarde. Por enquanto, apenas mostrarei o caminho para seu quarto.

Uau. Foi a única palavra que passou pela minha mente. Aquele lugar fez com que meu cérebro parasse de trabalhar. Uma placa dourada brilhava sob a luz do sol. Goode High School- melhor disciplina em escala global. Logo depois, via-se diversos caminhos bifurcados feitos com rochas e pedras distintas. O caminho central levava até uma grande fonte dourada com detalhes entalhados em prata.

– Senhorita Chase?- a mulher falou comigo novamente.

Me recompus totalmente e voltei para a minha expressão de poucos amigos.

– O senhor K vai levar suas malas até seus aposentos.

Assenti como se aquilo tudo fosse banal para mim. Ela m conduziu até a grande fonte e seguiu um caminho à direita entrando em um grande prédio, semelhante aos outros seis prédios que formavam um círculo perfeito lado a lado. O prédio era tão imenso e deslumbrante quanto a entrada. Primeiro avistei uma grande sala com inúmeros sofás, mesas, também havia um restaurante ou mais de um.por uma porta aberta podia-se ver uma sala com televisões, videogames, aparelhos de som e inúmeras outras coisas.

– Antes que eu me esqueça, meu nome é Dite, subdiretora da instituição. E estamos no Grande Salão onde a maioria dos alunos se encontram para conversar.- a mulher loira me informou.

Foi nesse momento que percebi que todos os olhos estavam voltados para mim. Centenas de garotas e garotos com o uniforme mais idiota que eu já tinha visto em toda a minha vida. Prefiro não comentar agora. Args.

Claro, não era pra menos. No meio de centenas ou até milhares de ricos esnobes, aparecia eu. Não era a figura mais semelhante, podemos dizer.Uma calça jeans completamente rasgada, coturnos e top preto. Meus cabelos estavam presos em um coque malfeito, sua cor clara contrastava com a maquiagem pesada que eu havia aplicado antes que pudessem me arrastar para essa possilga.

Não que o lugar não fosse deslumbrante, mas eu conhecia esse tipo de pessoas. Todos eram filhos de ricos que não tinham tempo para eles. Todos pensavam que o maior problema do mundo era o dinheiro. Só pensavam em si mesmos e no quanto os outros estão abaixo deles em qualquer perspectiva.

Pude perceber os sussurros por cada centímetro que andava. A mulher não parava de tagarelar sobre como esse colégio era lindo e maravilhoso...bla blá blá. Pelo menos era só isso que eu conseguia escutar. Peguei meu iPod no bolso traseiro de minha calça e coloquei discretamente nos ouvidos.

Todos me olhavam com um ar impressionado. Como se fosse um crime ouvir música. Deixei de prestar atenção nisso enquanto subíamos uma longa escadaria em espiral com degraus de vidro. Porém, tudo que estava a minha volta se apagou. Tudo que eu podia pensar ou sentir era a batida da música hot blooded que explodia em meus ouvidos. Até que, repentinamente, a música parou.

– Ei- me ouvi dizer quando percebi que tanto o iPod quando os fones estavam nas mãos da mulher.

– Senhorita Chase, nós somos os melhores por uma razão. Não toleramos desobediência por aqui. Apesar da senhorita ter me ignorado, eu lhe expliquei. Sem celulares ou qualquer aparelho eletrônico exceto no fim de semana.

– Tem uma sala de aparelhos eletrônicos lá embaixo.

– A mesma que só é aberta aos fins de semana, senhorita.

– Ótimo. Isso é pior que prisão perpétua.- revirei os olhos enquanto percebia (NOVAMENTE) os olhares abismados em minha direção.

– O que disse, senhorita?- Dite me congelou com seu olhar.

– Posso encontrar meu quarto sozinha, dona. É 403, certo?- peguei a chave que pendia em sua mão que não estava ocupada com meu iPod- Obrigada pela ajuda.

Sai andando sem esperar por uma resposta ou qualquer reação.

– Vadia.- sussurrei quando estava longe o suficiente.

– Finalmente alguém que concorda comigo. – uma garota com cabelos negros curtos e olhos azuis eletrizantes se aproximou com um meio sorriso no rosto. Ela usava o mesmo uniforme que todos os outros: uma sai de pregas azul marinho, porém, ao invés das blusas de botão brancas que todos usavam, ela usava uma blusa preta do Guns’n’Roses com um coturno idêntico ao meu.- Thalia Grace. Dite sempre vai ser uma vadia. Não se preocupe. Ela é meio que minha tia. Madrasta da minha prima. Tanto faz. Ela é meio que a psicóloga por aqui. Não que ninguém fale a verdade para ela. Minha prima é a de cabelo preto ali no canto. Silena.- ela apontou para um grupo de três garotas que olhavam fixamente para nós.

Silena tentava tirar sua atenção mostrando-lhes algum tipo de maquiagem, mas seus olhos continuavam grudados em nós. Uma das garotas, com cabelos cor de mel, sussurrava no ouvido da terceira garota. Uma ruiva de olhos verdes que me fuzilava com o olhar.

– Annabeth Chase. – disse em um sussurro tentando me encontrar nas informações que ela havia fornecido.

– Eu sei. Todos sabem. As notícias correm rápido por aqui.

– Percebi pelos olhares das patys por aqui.- olhei para elas.

Thalia sorriu:

– Silena é a única não-vadia, sabe. Não é como essas idiotas. Só anda com as pessoas erradas. Calipso é a fofoqueira que deve estar falando que você é uma delinquente juvenil fugitiva européia. Digamos que ela boa em inventar histórias. Ainda mais com os comentários sobre você por aqui. — levantei uma sobrancelha, tentando imaginar o que diabos havia chegado aos ouvidos dessas pessoas — E a outra é a Rachel. Acho que você pode descobrir por você mesma que ela não é flor que se cheire. Sabe Chase, gostei de você. Depois você pode me contar a sua história de verdade. Passo no 406 mais tarde pra te levar para conhecer a galera.

Ela saiu esbarrando “sem querer” na tal de Rachel que ainda me olhava com um olhar de “ vou te meter a porrada. Opa, não posso. Acabei de fazer minhas unhas”. Revirei os olhos e segui por um corredor que dizia: 400-499.

Olhei novamente para chave. Meu cérebro dava voltas em inúmeras perguntas. O que estou fazendo aqui? Quem me mandou para cá? E por quê? Por que alguém pagaria tanto por mim? Eu nunca conheci ninguém que poderia ter tanto dinheiro. Ninguém que faria isso por uma garota órfã. Respirei fundo tentando me acalmar. As possibilidades de ter algo a ver com meus pais repassavam-se em minha mente. Pelo menos uma das pessoas não era o que eu pensava. Thalia parecia ser diferente. Além disso, só precisava sobreviver aqui por um tempo. Provavelmente me mandariam embora como todas as outras vezes em que eu me mudei. Com isso pude me acalmar. Olhei novamente para cima. Sorri quando avistei um garoto com uma camisa pendurada em seus ombros. Seus olhos eram azuis, cabelos loiros cortados, tinha uma cicatriz em um dos lados do seu rosto que se estendia desde a parte inferior de seu olho até o queixo, dando-lhe um ar furtivo e misterioso. Seu porte atlético também ajudava muito. Thalia conversava com ele e logo apontou para mim. Ele se virou imediatamente e sorriu. Eu sorri por cima de meus ombros com um olhar provocador. E me virei para o corredor novamente.

“Isso pode até ser divertido.” Era o que eu estava pensando quando senti um impacto contra meu corpo.

E um líquido quente se espalhou pela minha blusa. Olhei para cima para descobrir quem tinha sido o babaca que tinha jogado café em mim e me perdi nos olhos mais lindos que já tinha visto em toda a minha vida. Verdes como o oceano mais claro do mundo. Seus cabelos caiam delicadamente em torno de seu rosto. E sua expressão... era como ele já tivesse me visto antes. Alguns minutos depois pude me recompor e voltar a “Annabeth que não vai com a cara de playboys babacas que jogam café nas pessoas.” — Por acaso você tem problema de visão, querido? Ele parou por alguns minutos e deu um sorriso amargo: — Você deve ser Annabeth Chase. — Me sinto honrada pelo fato de que o playboy filhinho de papai saiba o meu nome. — Parece que as pessoas realmente estavam certas sobre você. Ou talvez você só queira chamar atenção. — ele disse ainda com um sorriso no rosto. Tive a impressão que ele estava tentando ser o mais educado possível ( não que estivesse dando certo). Não me deixei levar por isso. Eu não estava de bom humor. Olhei para os lados e percebi que o grupo de patys estava ali novamente. A ruiva sem sal me fuzilava com o olhar. Como se ela estivesse disposta a estragar suas unhas feitas para me matar. Provavelmente ela gostava do garoto de olhos verdes que parecia ser um idiota. E uma boa discussão não ia fazer mal a ninguém. Dei um passo à frente e aproximei minha boca de seu ouvido- Não precisa ser grosso, sabe.Acho melhor falar mais baixo. Suas amiguinha paty não está gostando. Acho que foi nesse momento que ele resolveu esquecer que estava tentando ser educado. — Diga-se de passagem. Elas são melhores do que uma garota mimada achando que a vida é tudo o que ela quer. Mas tudo o que você realmente está fazendo é mostrar para todo mundo que é... — Uma vadia? Bom querido, sinto te decepcionar, mas eu não sou uma filhinha de papai mimada e muito menos uma vadia. Eu sei que você só conhece esses dois tipos de pessoa. Posso perceber pela ruivinha sem sal ali no canto. Acho que ela é um misto das duas coisas, certo? Mas pode apostar: você vai se surpreender comigo. Cabeça de algas.- então saí andando pelo corredor novamente, não esquecendo de esbarrar nele. — Cabeça de que?- ele se virou com um olhar seco e uma expressão confusa. — A gente se vê por aí. Quem sabe um dia você entende. — Você se acha tanto. Mas não sei se percebeu. O corredor das garotas é do outro lado. Percebi o sorriso no rosto de todas as garotas babacas que estavam nos observando. Principalmente a ruiva. Ela me olhava como se tivesse ganhado alguma competição. E bom, digamos que eu sou muito competitiva. — Que pena pra você. Vai ter que dar mais voltas para poder me encontrar. E eu sei que vai querer, cabeça de algas. – o sorriso dela se desvaneceu. Assim pude me virar e entrar no primeiro corredor que dava na ala feminina. Isso realmente poderia ser divertido.