Fire starter
2 It's just the beginning
Notas iniciais
“Save your advice cause I won't hear
You might be right, but I don't care”
Um sorriso ainda tomava conta de meu rosto quando encontrei a porta do 406.
– Você deve ser Annabeth Chase.- o loiro sem camisa vinha caminhando pelo corredor com um meio sorriso e olhos brilhando.- Luke. Luke Castellan. Adorei o que você fez com Jackson.
– Jackson?- perguntei ao analisá-lo novamente. Ele bagunçava seus cabelos curtos com uma das mãos enquanto a outra segurava uma blusa vermelha com “ Subcapitão Castellan” estampadas em um tecido vermelho. Seus olhos azuis eletrizantes corriam por todo meu corpo. – Ah, claro. O playboy idiota.
Jackson. Passei algumas vezes seu nome em minha mente. E sorri sem perceber. Ia ser extremamente divertido brincar com aquele garoto.
– Todos falam de você por aqui. Você é bem diferente do que estamos acostumados. – ele se aproximou lentamente. Como se eu soubesse do que diabos ele estava falando. – Então, eu estava pensando que você poderia ir comigo amanhã na festa.
– Festa?- perguntei confusa quando percebi que ele estava praticamente me imprensando contra a porta. — Não achei que faziam essas coisas por aqui.
– Digamos que não podemos fazer esse tipo de coisa. — ele se aproximou de meu ouvido sussurrando lentamente- Mas... Eu te espero lá.
Afastei seu rosto com as duas mãos:
– Se eu aparecer você logo vai perceber, querido. – lhe dei um beijo na superfície de sua cicatriz e adentrei o quarto, deixando um garoto surpreso para trás. Obviamente qualquer garota que ele conhecesse por ali, o atacaria com garras e dentes. Um jogador de futebol dando em cima delas? Provavelmente pulariam de alegria ou qualquer coisa do tipo. Digamos que eu não sou esse tipo. Sorri assim que fechei a porta. Eles iriam se surpreender com o que eu faria com esse lugar.
O quarto era muito espaçoso. O melhor que eu tive durante todos esses anos. Era acostumada com um cubículo com apenas uma cama e um banheiro, na melhor das possibilidades. Porém, aquilo era mais como uma casa. No seu centro, havia uma mesa com duas pilhas enormes de livros e cadernos. Ao seu lado direito localizava-se uma cama coberta por bichinhos de pelúcias totalmente cor-de-rosa. Olhando um pouco mais acima, se via um quadro branco gigante com diversas fotos espalhadas por sua superfície. Em todas as fotos a garota de cabelos pretos estava lá. O que me fez pensar que eu teria que dividir o quarto com ela, Silena. Em cada uma das fotos ela tinha um grande sorriso no rosto. Em sua maioria eram com Thalia ou a mulher que me havia “mostrado o quarto”, que era sua madrasta, ou com um garoto moreno extremamente gato.
Ao lado esquerdo havia uma cama idêntica, porém sem nenhum bicho de pelúcia, além do quadro branco completamente vazio. Minha mala localizava-se ao seu lado. Um pouco mais a esquerda, havia uma pequena cozinha e um banheiro. Pelo menos eu não viveria mal por aqui. Só precisava aturar a Silena. Se bem que Thalia tinha dito que ela não era uma vadia. “ Espero que não.” Foi tudo que eu pude pensar antes de adormecer. E o pesadelo foi o mesmo de sempre.
Eu podia vê-la. Seus olhos eram acinzentados. Idênticos aos meus. Seus cabelos negros estavam escondidos debaixo de um capuz negro. As lagrimas rolavam por seu rosto. Ela andava entre as sombras dos becos escuros. Até que um homem de cabelos negros e olhos verdes a abordou.
– O que você está fazendo aqui?- ela perguntou com os olhos mareados por lágrimas.
– Ela é linda- ele olhou para o bebê que estava em seus braços.
– Eu sei. – uma das lagrimas caiu no rosto da criança.
– Você tem certeza do que está fazendo?
– 100 %. Eu sempre tenho um plano, certo?- a mulher sorriu amargamente.
– Claro. Eu já fiz o que me pediu. — os olhos do homem demonstravam tristeza diante de toda a situação. – E... tem certeza que ela vai ficar bem?
– Eu tenho meus contatos. E ela é forte. Vai ficar tudo bem.
A mulher deixou as lágrimas rolarem enquanto colocava a criança em um pequeno cesto.
A cena mudou. Um quarto escuro. Apenas uma luz pendia na cabeça da garota. Não podia ver seus olhos. Provavelmente tinha, pelo menos, 14 anos. Seus pés e mãos estavam presos a uma cadeira metálica por cordas apertadas. Apenas seus cabelos pendiam em seu rosto. Um homem alto, provavelmente de um metro e oitenta, adentrou o aposento. Seus olhos eram de um dourado brutal, seus cabelos pretos encaracolados pendiam em seu rosto enquanto um sorriso frio e distante tomava conta de sua expressão.
– Você realmente não vai responder?- o homem se aproximou, fuzilando a menina com seu olhar.
– Eu não sei de nada!- a garota gritava com toda a sua força.
O homem se aproximou com uma navalha em suas mãos. Ele cortou as cordas e segurou a garota pela garganta.
– Você não vai sair daqui ilesa. — ele dise cuspindo em seu rosto.
– Isso é o que você pensa.- ela retrucou entre fôlegos cortados.
A cena mudou novamente.
A garota corria entre ruas escuras. Ela ouvia gritos distantes. Passos a seguindo. Lágrimas tocando seu rosto. E ela corria.Quando uma pressão atingiu o seu braço.
– Você não vai escapar ilesa,....
E o nome da garota foge de meus ouvidos.
O suor corria por meu rosto ao acordar. Meu corpo tremia por inteiro e, por um segundo, esqueci onde estava. Imaginei-me no pequeno quarto do orfanato. Onde eu poderia ter um surto em paz.
No orfanato, eu estaria passando o pesadelo em minha cabeça. Detalhe por detalhe como fazia toda a noite. Eu tinha aquele sonho toda o dia desde que eu me lembre. Sempre procurei algum significado para aquilo. Alguma conexão com o homem, a mulher ou qualquer um dos lugares. Mas tudo parecia tão aleatório.
– Você está bem?- ouvi a voz de Thalia interrompendo meus pensamentos.
Ela usava a mesma saia de pregas preta do dia anterior com um cropped preto e uma bota da mesma cor. Ao seu lado, pude ver Silena com lágrimas escorrendo por seu rosto.
– Eu estou ótima. – tentei parecer convincente – Só foi... um pesadelo.
Thalia sorriu voltando a se concentrar em sua prima.
– Ei, Silena. Olha para mim. Vai ficar tudo bem. Você não precisa delas. Eu estou aqui.
– Elas falaram que eu tenho que escolher entre você e elas. Eu... não posso fazer isso. Calipso...disse...que eu tenho que terminar com o Beck se eu continuar andando com elas. – Silena gritava entre soluços.
Thalia tentava fazê-la parar, mas parecia que nada fazia efeito. Me levantei e aproximei-me de Silena. Ela parecia uma boa pessoa. E por alguma razão maluca eu queria que aquelas pessoas gostassem de mim.
– Eu sei que vocês só me conhecem há um dia. Provavelmente minha palavra não significa nada. Mas se elas te fazem sentir desse jeito elas não podem ser suas amigas de verdade. Não que eu seja a melhor pessoa para falar disso. Eu nunca... Tive amigas de verdade. – lembrei de todas as “amigas” que tive em todos os lugares que passei. Lembrei em como não podia confiar nas pessoas.
Tive a impressão que os olhos de Thalia brilharam com lágrimas, mas não pude ter certeza. Ela virou a cabeça rapidamente. Deveria ser alguma coisa da minha cabeça. Por que ela choraria com algo assim?
– Ninguém na prisão?- Silena me perguntou quando as lágrimas tiveram fim. Então era isso que estavam falando de mim por aí. Não pude deixar de rir.
– Prisão? Isso é sério?
– É o que falam por aí. – Silena enxugou seu rosto já com um sorriso no rosto.
– Acho que vou falar para aquelas garotas que eu vou aparecer a noite no quarto delas com uma faca na mão se elas te fizerem chorar de novo.
Nós três rimos alto quando ouvi uma batida na porta.
– Esperando alguém?- perguntei enquanto seguia para atender a porta.
O mesmo garoto das fotos com Silena estava parado na porta com uma expressão desesperada estampada em seu rosto.
– a Silena...?
Thalia apareceu pelas minhas costas:
– Sim, Beckendorf. Annie já deu um jeito.
– E só para você saber eu nunca estive na prisão.
Ele deu um meio sorriso enquanto adentrava o quarto:
– Foi o que eu pensei. As va... Rachel e Calipso inventam, bastante coisa.
Antes que qualquer uma de nós pudéssemos abrir a boca, Silena veio correndo e se agarrou no pescoço do tal garoto, que eu supus que fosse seu namorado.
– Eles estão namorando há dois meses e já parecem dois chicletes ambulantes- Thalia me puxou até a pequena cozinha de nosso quarto – E é por isso que eu não tenho um namorado.
– Concordo plenamente. – eu sorri enquanto ela abria um pequeno armário embutido em uma das paredes – Achei que aqui tinha essa idiotice de garotos para um lado e garotas para o outro.
– Tecnicamente, tem. Digamos que não seguimos nenhuma das regras por aqui.
– Percebi- falei enquanto esperava ela achar o que estava procurando – Um tal de Luke apareceu por aqui ontem para falar comigo.
– Já?- Thalia me deu uma saia da mesma cor da dela – Não me entenda mal, ele é um ótimo amigo. Mas ele só procura por toda garota nova que aparece nesse colégio, Annie. Posso te chamar assim, né? Agora vai se arrumar logo. Temos aula daqui a 10 minutos. E eu não quero ficar aqui vendo essa cena.
Selina e Beckendorf. Eles estavam realmente se divertindo. Em um beijo realmente não-legal de ver.
– Eu nao quero ver isso. Acho que vou ser extremamente rápida. E, Thalia. Eu consigo me virar sozinha.
– Eu sei. Mas até agora você só brincou com fogo. Percy, Luke. Só toma cuidado pra não se queimar, garota.
– Pode deixar- me virei para o banheiro- Mas só para. Você saber. Eu AMO fogo.
....
Não, eu não queria namorar nenhum dos dois. Eu não conhecia nenhum deles. Provavelmente eram tão idiotas quanto todos os garotos do mundo. Percy Jackson. Eu só queria incomodar a sua vida. E a da ruiva idiota. Apesar dos lindos olhos e do jeito que ele me olhou, ele era um playboy metido como todos os outros. Luke Castellan. Acho só a sua aparência falava por si mesma.
Eu só gostava de brincar. Posso dizer que eu aprendi isso durante os anos. Brincar. E não me aproximar. Não precisava de mais problemas na minha misteriosa e cheia de segredos vida.
A única coisa que eu queria era mostrar para garotas como Rachel que elas eram patéticas, idiotas e entediantes. Garotas como elas achavam que o mundo girava em torno de suas unhas, cabelos e namorados. Então não faria mal nenhum mostrá-las que estavam completamente erradas. Eu poderia colocar seu mundinho perfeito dela de cabeça para baixo. Ou seja, diversão. Enquanto eu não era expulsa desse lugar.
Deixei de lado esse pensamento quando vi minha figura no espelho. Tinha encurtado a saia um pouco fazendo- a ficar bem acima do joelho, uma blusa curta branca com os dizeres “ eu reciclo garotos” em vermelho contrastava com a cor escura da saia. Para finalizar, coloquei meus coturnos e prendi meu cabelo em um coque desleixado.
Quando abri a porta, o quarto estava muito mais vazio.
– Eu achei que você não ia demorar.- Thalia revirou os olhos enquanto andávamos pelo corredor.
– È tudo uma questão de ponto de vista, Thalia. Mas então, o loiro gostoso...
– Luke.- Thalia revirou os olhos novamente. Eu estava começando a realmente gostar daquela garota.
– Claro. O loiro gostoso disse que vocês vão ter uma festa hoje a noite.
– Não precisa espalhar para toda a escola.
– Ta, mas aonde...
–Thalia Grace!- um grito chegou aos nossos ouvidos.
– Ai, o que ela quer agora?- Thalia se virou para observar a garota ruiva vindo em nossa direção. – Rachel, eu não tenho nada a ver com a vida eu as decisões...
– Isso não tem nada a ver com seu irmão. E meu namorado.- ela deixou seu olhar cair sobre mim – Isso tem a ver com ela.
Um meio sorriso surgiu em meu rosto:
– Então fala, coisa irritante.
– Olha aqui, você não tem o direito de chegar aqui há menos de um dia e falar qualquer coisa de mim. Você não tem o direito de roubar o meu namorado. Nem de chegar perto dele. – ela tentou abrir a boca novamente, mas logo a cortei.
– Desculpa, querida. Eu não vi uma etiqueta com o nome de pesadelo ruivo nele. Então acho que você não pode dizer nada. Eu falo com quem eu quiser. Na hora que eu quiser. E vê se acha outra pessoa para meter medo, Darling. Porque eu não tenho medo dessas suas unhas rosas e muito menos dessa sua cara de nojenta. Fui, honey.
Puxei Thalia e retomamos o caminho para a sala.
– Olha o que eu to falando. Você está se metendo com fogo. – ela disse com um brilho no olhar.
– E eu digo de novo. Eu sempre amei fogo. Você até pode estar certa, mas eu não ligo.
– Eu estou certa, mas eu adorei a resposta. Ela tava precisando de um choque de realidade.
– E por que você nunca fez isso?
Ela sorriu fracamente, como em uma ironia melancólica:
– O namorado dela. Percy Jackson. É meu irmão.
Eu estava com uma resposta na ponta da língua quando senti um puxão em meu braço. Repentinamente, os pares de olhos esverdeados estavam a poucos centímetros dos meus.
– Cabeça de algas, quanto tempo. Já estava com saudades. – fiz uma falsa expressão de carinho.
– Você se acha muito inteligente, não é?
– Eu não me acho. Eu me tenho certeza.
– Você é a garota mais mimada que eu já conheci. Só fica longe da Rachel.
–Querido, você não me conhece. Mas eu A-D-O-R-A-R-I-A que você conhecesse. Mas só pra adiantar, você não tem ideia da caixinha de surpresas que eu sou. E nem a sua namoradinha.
– Percy, para com isso. Pelo amor dos deuses, vai encontrar a...
– Você não devia andar...
– Você sabe que ela é o mais próximo de uma melhor amiga que eu vou achar . Você pode negar o quanto quiser, mas é a verdade. – fiquei surpresa com o fato dela me chamar de melhor amiga ou futura melhor amiga, apesar de nós conhecermos há tão pouco tempo.
– Eu não quero saber.- ele cobriu meus braços com as duas mãos apertando-os até ficarem marcados- Você não vai estragar...
– Jackson, solta ela.
Parecia que o loiro além de lindo, jogador de futebol e gostoso era metido a herói.
Fale com o autor