Fire Starter
35 Two Pieces
We'll never fall apart. 'Cause we fit together right. These dark clouds over me, rain down and roll away. We'll never fall apart, 'cause we fit together like. Two pieces of a broken heart.
Eu odiei o meu dia a partir do momento em que fui acordada, enjoada e tonta, pela minha tia para receber a notícia maravilhosa de que o meu tio estava a caminho de Chicago. Estaria tudo ótimo se ele estivesse a caminho de Chicago a trabalho, mas não, ele estava a caminho de Chicago por minha causa e eu nem sabia o que tinha feito para merecer sua honrosa visita.
Eu tive que escutar o sermão da minha tia sobre ter sumido e aguentar a Thalia falar e brigar comigo por ter dado calmantes para ela dormir, até que finalmente me vi livre para a minha consulta com a minha ginecologista barra obistreta.
Eu tinha esperanças de que os altos níveis de hormônios que os exames feitos pelo Mason deram eram algo relacionado ao meu estado frágil e sensível, ouvi dizer que exames de sangue nem sempre eram exatos para provar uma gravidez.
Por isso marquei consulta antes de vir para Chicago novamente, se tinha alguém para me responder isso, esse alguém era Nice. Ela havia pedido o exame de Mason e reclamou um pouco da falta de açúcar no meu sangue, então finalmente partiu para o ultrassom, que iria responder com precisão as minhas dúvidas e acalmar meus nervos.
– Olha, Annie, um coração batendo — ela sorriu olhando para o monitor e eu bufei.
– É lógico, o meu coração bate, sou humana. — revirei meus olhos e ela riu, espalhando mais o gel pela minha barriga.
– Além do seu, querida — ela soltou um suspiro contente, olhando para mim. — É bem aqui, pequeno ainda e pelo o que me falou, não deve nem ter três meses exatos, mas o coração bate — ela sorriu apontando para a tela uma mancha indecifrável. — Pelo tamanho e formação, eu diria que você está com doze para treze semanas, dois meses e meio praticamente... Foi bom vir aqui cedo, querida, se demorasse um pouco mais iria ser difícil saber o tempo exato de gestação e fazer as contas de quando ele nasceria.
Ela continuou a falar, a passar remédios e vitaminas para mim, querendo fazer o meu pré-natal inteiro, mas ela ficou meio decepcionada quando contei que provavelmente iria voltar a morar em Londres.
Logo após sair do consultório, eu fui almoçar com a Sally e com a Chloe no shopping, enquanto Margo brincava com Posêidon no playground, tentei achar a minha maior sanidade para contar a elas a verdade.
Não achei um momento apropriado para revelar que a minha gravidez era certa, Chloe acreditava no marido e no exame de sangue, já havia dito para a mãe no final de semana que estava grávida e havia guardado o meu pequeno segredo desde então. Eu queria que elas ficassem em silêncio por pelo menos um segundo para que eu falasse, mas elas tinham assuntos demais e nunca paravam de falar.
– Eu estou grávida — apertei meus olhos, cortando a conversa delas e percebendo o silêncio que se fez na mesa. Repirei fundo e abri meus olhos, vendo os olhos arregalados de Sally na minha direção e depois percebendo um pequeno sorriso se formar nos lábios de Chloe — Fui na medica hoje, estou com doze semanas e meia e...
– É do Percy? — Sally finalmente perguntou, me cortando e piscando atônita. Eu balancei a minha cabeça, concordando e então vi um sorriso se formar nos seus lábios. — Meus dois bebês estão me dando... bebês.
– Sally, ele não sabe ainda... E eu nem sei como contar, o Percy não suporta me encarar por mais de quinze segundos — murmurei mantendo meus olhos nos dela.
– Bobagem, ele te ama, eu sei. — ela sorriu até com os olhos para mim, indicando o colar com o dedo. — Ele não daria isso se não tivesse certeza, assim como você não usaria se não correspondesse.
– Não sei como contar para ele... Não sei como chegar para ele e dizer que estou grávida... Ele vai achar que sou uma vadia dando o golpe da barriga — suspirei piscando para as lágrimas não caírem.
– Se o Percy for assim, eu viro a vadia e chuto aquilo que ele chama de pênis — eu ri com a frase da Chloe, mas ainda estava assustada e apavorada.
Sally pegou a minha mão e apertou ela com força, dando o sorriso mais radiante que um dia já havia visto no seu rosto.
– Faça isso agora, Annie, eu te ajudo a encontrar um método de contar para ele, mas conte hoje, agora... Eu quero meu filho feliz, e sei que você deixa ele feliz.
❤
Respirei fundo olhando para os números dos andares que mudavam conforme o elevador subia. Eu batia meu salto impacientemente no metal do chão, com os meus dedos tremendo e respirando com dificuldade.
Soltei um suspiro quando a porta se abriu e então comecei a caminhar o mais tranquilamente que conseguia em direção a secretária do Percy. Ela era uma uma loira artificial, com o cabelo preso em um rabo alto e bem puxado, o conjuntinho social cinza colado ao seu corpo e os primeiros botões da sua blusa social mostrando os seus seios, que provavelmente seriam silicones.
Ela me olhou de cima abaixo, me analisando e depois encarou meu rosto, com um sobrancelha arqueada. Seus lábios estavam em uma linha fina e seus olhos castanhos continham maquiagem demais.
Como ele conseguia trabalhar com ela?
– Posso ajudá-la? — ela disse olhando para o meu corpo mais uma vez. Não me arrependia nem um pouco de ter colocado um short curto azul e uma blusa peplum branca de tomara-que-caia, abusando do salto Christian Louboutin azul mais escuro e de veludo.
– Lógico que pode — joguei um cacho do meu cabelo para trás do ombro. — Eu desejo falar com o Percy.
– Tem hora marcada para falar com o Sr. Jackson? — ela murmurou, se deliciando com o sobrenome dele.
– Não, mas creio que não preciso. Avise ele que Annabeth Chase veio tratar de negócios — dei de ombros, sorrindo e ouvindo ela bufar.
Ela abriu a boca para dizer algo, mas foi calada pelo barulho da porta se abrindo, e de lá saiu dois homens já de idade, John e, por fim Percy. O que me animou, e o que me deixou mais despreparada ainda, foi o sorriso dele que se ampliou quando ele me viu.
Sorri de volta, não só para ele, mas para a secretária peituda e ridícula que ele tinha. Aguardei ansiosa ele se despedir dos senhores e então dar uns tapinhas nas costas do John.
– Olá, Annabeth — John deu um sorriso largo. — É bom revê-la.
– Não sei se digo o mesmo sobre você, John — tentei soar gentil, mas estava nervosa. Logo desviei meu olhar para o Percy. — Muito ocupado?
– Não, já estava indo embora, para dizer a verdade... — ele franziu o cenho — Entra, tenho um tempinho para você.
– Sr. Jackson — sua secretária chamou a atenção dele. — Os diretores da filial de Londres ligaram, eles precisam marcar uma reunião com o senhor e querem saber se devem vir até aqui ou se o senhor vai para lá, afinal, tem que conhecer a empresa de lá.
– Resolvo isso em um outro horário, Marlee — ele disse colocando a mão na minha lombar e empurrando meu corpo para dentro da sala. Eu esperei ele fechar a porta e passar por mim para segui-lo até a mesa dele, tendo a visão do seu grande escritório com uma das paredes de vidro, deixando a iluminação do final da tarde entrar. — Estou surpreso com a sua visita.
– É, eu estou surpresa por ter me recebido — disse virando meu rosto para ele. O mesmo estava com o quadril encostado na mesa de madeira escura, com os braços cruzados e os olhos fixos em mim. Puxei meu lábio para um lado, sorrindo torto, vendo que ele ficava sexy dessa maneira.
– Veio se despedir dessa vez? — ele arqueou a sobrancelha, decepcionado.
– Não estou indo embora, Percy, não por enquanto... Eu bem que queria voltar para Londres, mas não posso. — murmurei me aproximando dele. Deixei a minha bolsa sobre a cadeira de couro e fui na sua direção, parando com os nossos corpos separados por míseros centímetros. — Não posso ir embora sem antes te contar.
Peguei a mão dele, assustando-o, mas ele não puxou de volta. Com meus olhos presos nos dele, levei sua mão até o meu ventre e encostei ela ali, deixando a sombra de um sorriso se formar em meu rosto e os meus olhos encherem d'água.
Ele franziu o cenho, desentendido e eu revirei meus olhos, sorrindo melhor e deixando algumas lágrimas caírem. Ele havia me dado tanto e eu nem sabia como retribuir.
– Parabéns, papai– murmurei abaixando meu olhar para a sua mão e então encarando ele novamente. Seus olhos se arregalaram e eu concordei com a cabeça, piscando para que as outras lágrimas parassem de atrapalhar a minha visão. — Eu juro, eu juro pela minha vida, Percy, que não estou mentindo... É estranho ouvir e aceitar esse fato, a minha fixa ainda não caiu, mas eu estou grávida e não há como reverter isso. Quer dizer, há, mas eu não quero.
– Grávida?
– É, se quiser eu te mostro os exames...
– E é meu?
– Percy, é lógico que é seu! — arregalei meus olhos. — Você era o único idiota que transava comigo sem camisinha e, nos últimos meses, foi o último cara com quem eu quiser ter uma relação sexual. Nem com o Cameron isso acontecia, foram poucas vezes, no começo da nossa relação e...
– Cala a boca — ele deslizou o braço pelo meu corpo e me colou contra o corpo dele, me fazendo ficar quieta e prender o ar. Olhei para ele, vendo um sorriso se formar nos seus lábios e, instantaneamente, eu sorri também, passando meus braços no seu pescoço. — Me perdoa! Eu senti tanto a sua falta nos últimos meses, eu odiava as vezes que quase apertava o botão errado do elevador e odiava te amar tanto! Não importa o que você faça, quem você mate, eu ainda irei te amar e eu ainda te amo... Eu me odeio por ter desistido de você, eu não deveria ter feito isso...
– Shi! Eu te perdoo, sempre te perdoarei porque eu te amo e para mim esses meses foram horríveis, foram como a sete anos atrás. Mas, me deixe apegar no nosso futuro, no futuro que nós três podemos ter! Não aqui em Chicago, é claro, mas em qualquer outro lugar de mundo... Percy, eu descobri que a minha vida sem você é um grito no vácuo e não quero continuar deste jeito — toquei o colar, sorrindo e com os olhos lacrimejando, de novo. — Eu te amo com todas as forças que um dia alguém foi capaz de amar. Você pegou todas as minhas partes quebradas e as colou, mesmo sabendo que a cicatriz ficaria ali, você as colou e eu sei que eu também concertei as partes quebradas do seu coração. Eu te dei a Chloe de volta, eu fiz você enchegar quem a Rachel realmente era e aceitei você com todas as suas qualidades e defeitos... Você foi a melhor coisa que me aconteceu, você me fez viver de novo, me fez querer uma família, me ensinou a amar e... Eu sou imensamente grata a você por tudo isso, eu sou egoísta, orgulhosa e até mesmo uma ninfomaníaca, mas eu te amo e...
– Eu sei, chega, eu quero você para mim, mas do qualquer coisa e eu aceitaria ir com vocês para qualquer lugar do mundo. Eu te amo, Annabeth Chase, amo cada parte que ainda é quebrada e amo todas aquelas partes que já se tornaram cicatrizes. — ele encostou sua testa na minha, sorrindo e eu retribui, umedecendo meu lábio por instinto. — Você é a única garota defeituosa, vingativa, sexy e ninfomaníaca que eu amo.
Me inclinei para frente e toquei meus lábios nos ele, deixando que ele aprofundasse o beijo e deixando todos os meus hormônios explodirem. Unhei a sua nuca sentindo a pressão dos lábios dele nos meus, no nosso beijo voraz e cheio de sentimentos.
Ele me virou e sentou meu corpo na sua mesa, colocando seu corpo entre as minhas pernas e segurando meu rosto com uma das mãos, enquanto a outra estava firme na minha cintura. Deixei meus dedos deslizarem pelos seus fios escuros e sedosos, correspondendo seu beijo que começava a ficar mais lento.
Ele puxou meu lábio com o dente, soltando ele em seguida e descendo seus lábios para o meu pescoço. Tombei a minha cabeça para trás, dando melhor acesso do meu pescoço para os seus beijos, mordidas e chupões, até chegar a minha tatuagem, onde ele beijou cada um dos pássaros.
Ele me olhou novamente, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, com um pequeno sorriso nos lábios e com o olhar brilhando. Suas mãos deslizaram pelo meu corpo e chegaram até a barra da minha blusa, entrando por baixo dela e tocando o meu ventre. Eu ri, jogando a minha cabeça para o lado e vendo seus olhos presos no meu ventre.
– Pai?
– Pai. — concordei, recebendo outro beijo dele. — Temos que tratar de negócios, então pare de tentar transar comigo nessa mesa.
– Eu ouvi direito? — ele arqueou a sobrancelha. — Annabeth...
– Eu te entendo, eu também fiquei dois meses sem transar com você, quase três na realidade. Mas você vai ter um filho e ele está dentro de mim, acho que precisamos discutir isso não? E eu tenho que falar, odiei a sua secretária.
Fale com o autor