Fire Starter
11 Counting Stars.
I feel something so right. Doing the wrong thing. I feel something so wrong. Doing the right thing. I could lie. Everything that kills me make me feel alive.
Não saiba mais diferenciar o correto do errado, apenas sabia diferenciar meus sentimentos enquanto fazia as coisas erradas, sentindo que fazia o certo e quando fazia as coisas certas, sentindo que estava tudo errado.
Talvez eu devesse ter sido assim desde o início. Desconfiada, falsa e sangue frio o suficiente para não envolver meu particular com o meu exterior.
– Aqui — Calypso me estendeu uma taça de champanhe. A festa de Natal na casa da Rachel, nada melhor do que isso para matar alguém — Aquele ali com bigode enrolado na ponta, o nome dele é Dionísio.
– O que vai fazer com ele?
– Na taça contem veneno, não se preocupe eu acabei de colocar e ele não tem gosto e se tem, é muito fraco — concordei. Por que estava fazendo isso? Porque ele era acionista e melhor amigo dos Dare, na investigação do meu tio apareceu que ele se infiltrou na empresa dos meus pais para dar informações aos Dare.
Me aproximei dele o mais sorridente possível e agradecendo por meu vestido ter o decote em V até meu umbigo, apertando bem meus seios e chamando a sua atenção.
– Para o senhor — sorri estendendo a taça cheia de champanhe. Ele sorriu e aceitou, colocando a vazia em cima da bandeja de um mordomo que passava.
– Não me chame de senho, não sou tão velho assim — ele sorriu dando um gole e estendendo a sua mão para mim. Estiquei e recebi um beijo nas costas da minha mão — Dionísio.
– Annabeth — pisquei adoravelmente, percebendo que Calypso tinha razão sobre o veneno não ter gosto, ele nem havia notado enquanto dava pequenos goles — Por acaso ainda trabalha com os Dare?
– Oh, não não não — ele balançou a cabeça, sorrindo mais ainda — Vendi as minhas ações ano passado, sou apenas amigo da família.
– Entendi — sorri sem mostrar os dentes — Quando era menor você trabalhava para os meus pais.
– Seus pais? Quem são eles? — ele franziu o cenho.
– Frederick e Atena Chase — respondi fechando o sorriso — Morreram na explosão do prédio.
Ele arregalou os olhos e se engasgou com nada, engolindo em seco em seguida e depois dando um sorriso amarelo, correspondi o seu sorriso e franzi o cenho, vendo ele começar a tossir e terminar o líquido da taça.
– Senhor está tudo bem?
– Sim — ele tossiu, tentando se apoiar no vento. Começou a tossir mais ainda e agora saia sangue de seu nariz e na palma da mão que ele usava para cobrir a boca. Efeito rápido, sem deixar sinais.
Calypso sorriu quando olhei para ela e acabei soltando um grito quando o senhor caiu aos meus pés, entrando em estado de convulsão. Todos se assustaram com o meu grito e ao ver Dionísio em convulsão, também gritaram.
Cobri meus lábios com a mão, ouvindo o Sr. Dare mandar todo mundo se afastar do Sr. Dionísio, mas eu fiquei paralisada vendo ele ter um crise de convulsão, não que eu não sabia do veneno, mas eu achei que seria algo calmo, que ele simplesmente cairia aos meus pés depois de alguns minutos tossindo, cairia morto.
Todavia, Calypso nunca iria querer algo calmo para um cara que contribuiu para a morte da sua mãe. Ela não iria se vingar apenas dos Dare, os principais culpados, ela iria se vingar de todos que contribuíram. O jogo de xadrez voltou a minha cabeça.
Os cúmplices eram os guardas do rei e da rainha, Dionísio era um deles. Rachel era um dos cavalos e quem seria o outro? Não havia parado para pensar nisso, mas se eu estivesse correta — coisa que eu sempre estou — o outro cavalo era o Luke.
Meu braço foi puxado, me fazendo cambalear para trás e perceber que algumas lágrimas caiam nas minhas bochechas. Quando o forte cheiro de maresia me atingiu me assustei e comecei a procurar Rachel com o olhar, e lá estava ela, me encarando como se fosse me matar.
– Respira, Annie, você está pálida — Percy disse me virando para ele e limpando minhas lágrimas. Suspirei, colocando uma grande quantidade de ar para dentro dos meus pulmões logo em seguida — Isso... Fica calma, já chamaram a emergência.
– Ele estava ao meu lado, conversando comigo e quando falei o nome dos meus pais ele começou a tossir sangue e depois... Entrou em convulsão — murmurei, pasma. Acho que seria uma grande atriz de Hollywood.
– Tudo bem, Dionísio não podia beber muito e era visível que ele já havia passado do limite — Percy colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha — E o assunto dos seus pais assusta mesmo, é bem trágico e Chicago inteiro conhece...
– Eu sei — murmurei, abaixando o olhar. Ele levantou meu queixo e umedeceu os lábios com a ponta da língua, olhando depois para algo atrás de mim e me dando um beijo na testa.
– Não esqueça de respirar — ele sorriu um pouco e depois saiu andando, em seguida senti braços fortes me envolvendo e senti o cheiro de Nico.
Supostamente, a gente voltou com o relacionamento aberto, mas é só supostamente mesmo, uma desculpa minha para a falta de atenção do Percy com a minha pessoa.
Afundei mais meu rosto no seu pescoço e senti sua mão acariciar meu cabelo, ele era o meu melhor amigo, era impossível fingir ter algo com ele dessa maneira, isso era meio visível para os olhos de pessoas espertas, coisa que a Rachel não é não. Se você olhar bem para nós dois juntos se nota o carinho e as brincadeiras de dois amigos, não o fogo de dois amantes.
– Ainda quer ir mais fundo com isso? — ele murmurou minutos mais tarde, quando o ritmo das batidas do meu coração se normalizaram.
– Nem que tenha que ir tão fundo, a ponto de perder o ar, Nico — disse encarando seus olhos negros — Descobri algumas coisas com esse acontecimento... Mais tarde te conto e eu preciso da sua ajuda.
– Mais ainda — ele resmungou — O que foi?
– Você sabe jogar xadrez?
– Sou nerd, claro que sei.
– Ótimo, você vai me ensinar então — dei de ombros, não estava pedindo, estava obrigando.
– Claro, querida — ele murmurou e me deu um beijo entre as sobrancelhas, depois saiu andando.
Procurei Calypso com o olhar, mas não a achei e comecei a me preocupar com o que aquela maluca desmiolada estava tramando para a próxima jogada. Se eu queria jogar esse jogo, tinha que aprender para não ser apenas mais uma peça de Calypso. A última coisa que eu seria era peça dos jogos de alguém.
Encontrei Rachel, se exibindo com seu vestido vermelho brilhoso e se achando o máximo, mas na verdade ela só se perdia combinando o vestido com a cor do cabelo, resultando na aparência de um tomate e ridicularizando ela mesma. Ela fingia preocupação, mas era apenas fingimento, tinha se livrado de um dos guardas, mas existia todos os outros para proteger a sua família e à ela.
Decidi que para mim aquela festa já tinha dado como suficiente, me despedi de todo mundo, alegando estar sem cabeça para comemorar o resto da noite e peguei meu casaco na saída, jogando ele por cima do meu vestido rosado e indo em direção ao carro, onde um motorista contratado pela minha Tia me esperava.
Hera, ela tinha conseguido encontrar um meio de se divertir no Natal, já que o marido estava em Madrid e o filho recusou voltar para a casa, passaria as festas no campus de Oxford, então ela decidiu ir até a Califórnia na festa de uma amiga dela, que não via a muito tempo. Thalia havia ido acompanhar a mãe, dizendo a essa amiga dela tinha um filho gato. Eu estaria com a casa ao meu favor.
Retirei meus saltos dentro do elevador e ao bater a porta da sala abri o zíper do meu vestido, deixando ele cair ao meu pé, pegando-o e deixando ele no closet enquanto a minha banheira enchia. Precisava relaxar, esquecer os acontecimentos de hoje e me preparar para o dia tedioso de amanhã.
– Te procurei pela casa inteira — Percy falou, me dando um baita susto e me obrigando a abrir os olhos. Lá estava ele, com a gravata afrouxada e sem o paletó do terno que usava na festa — Foi embora cedo.
– Minha cabeça iria explodir se eu continuasse lá — respondi passando meus dedos pela pele do meu joelho, desviando meus olhos dos dele — Não ia ficar com a sua noiva? É um dever seu.
– Podemos esquecer por essa noite que a Rachel é a minha noiva? Que ela existe e que mora em Chicago? — ele pediu se sentando na beira da banheira de hidromassagem — Por favor... Vamos ser só nós mesmos.
– Não é uma má ideia, mas não estou afim de transar essa noite — falei me afundando dentro da banheira e levantando logo em seguida, saindo com a toalha na mão.
Me enrolei ali e ainda molhada caminhei para o meu closet, batendo a porta antes que Percy pensasse em me seguir. Vesti uma lingerie qualquer e coloquei o pijama que eu havia roubado da Thalia, ele era quente o suficiente para que eu perdesse qualquer vontade de tirá-lo.
Penteei meu cabelo e o deixei molhado mesmo, saindo para o quarto e vendo Percy ali, já sem gravata e com toda a camiseta aberta. Encarei ele com os braços cruzados e sem um pingo de paciência.
– O que você quer, afinal?
– O que eu te fiz, afinal?
– Não respondeu a minha pergunta — dei costas, abrindo a porta do quarto e caminhando até a cozinha, a procura de doce.
– Você não responde nenhuma das minhas — ele disse no mesmo tom que eu. Me virei para encará-lo, mas me arrependi, perto demais — O que eu te fiz, afinal?
Parei para pensar sobre o que ele tinha me feito, então virei as costas e abri o armário, pegando uma caixa de cookies e caminhando em direção a sala. Me joguei no sofá e liguei a televisão, deixando em um canal qualquer enquanto fingia prestar atenção e comia meus cookies.
– Por que sempre foge das pergunta, Annabeth?
– Não fujo — respondi. — Olha, acabei de responder uma, então respondo sim as suas perguntas.
– Seja menos sarcástica — ele se jogou do meu lado, tirou a caixa de cookies da minha mão e puxou o meu pulso, me jogando em cima do seu corpo. Antes que eu pudesse escapar ele abraçou minhas pernas com as dele e me abraçou apertado, não soltando até que a tensão do meu corpo desaparecesse — Mais calminha, leoa?
– Vai se fuder — encarei ele, tentando levantar as minhas costas para encarar seu rosto. Ele afroxou um pouco o aperto — O que você quer de mim em?
Ele riu e enfiou um dos meus cookies na boca, me apertando com as pernas e com o braço direito. Seus olhos verdes estavam divertidos e ele mantia o sorriso maroto na face, como se a minha raiva e a minha relutância o animasse.
– Ainda é Natal — ele cantarolou me puxando mais para cima e nos ajeitando no sofá confortável.
– Detesto o Natal — resmunguei encarando o lustre do teto.
– Esse é o motivo da sua raiva.
– Quem sabe?
Nosso assunto acabou ali, em um silêncio confortável e desconfortável ao mesmo tempo, como se cada vez que o seu peito subia o meu coração saltava. Não era amor, não mesmo, havia tomado uma vacina para combater o amor quando decidi me vingar, havia construído muralhas em volta do meu coração e jurado desviar de todas as flechas do cupido.
O meu coração saltava por insegurança, pois eu queria contar todos os meus segredos para o Percy, contar a ele como alguém que conta o número de estrelas que existe no céu... Nunca conseguiria contar isso ao Percy, ele era justo demais para isso e, por mais que eu buscasse justiça, estava agindo de maneira incorreta ao matar todos os meus inimigos. Todavia, eu não tinha nada a temer, não tinha nada a perder.
Se eu perdesse a minha vida, beleza, eu a perdi tentando fazer o certo, pois mais alguém vai acabar da mesma maneira que os meus mais nas mãos dos Dare. Não desejo a ninguém isso.
– Pensando em que? — Percy murmurou e eu encarei a longa janela de vidro, vendo as estrelas e a neve cair em pequenos flocos.
Não. Iria esconder a verdade de Percy até que tudo estivesse resolvido e, só contaria antes disso caso achasse que fosse um caso de vida ou morte, seria o melhor para nós dois.
Mentiria o quanto fosse necessário, mudaria de assunto sempre que algo sobre a minha vida começasse a ir longe demais, fugiria dele caso algo acontecesse.
– Estou contanto... Contando as estrelas — murmurei por fim.

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