Fire Starter
12 This Is Real. This Is Me.
To dream about a life. Where you're the shining star. Even though it seems. Like It's too far away. It's the only way.
– Admito, fiquei surpresa com a ligação — falei me encostando na parede e olhando para os olhos verdes da Rachel. Tão falsa, tão idiota, tão manipulável que até da dó. — Não é do tipo que liga avisando que está vindo.
Ela respirou fundo e entrou no meu apartamento. Hera tinha voltado para Londres e Thalia estava já delegacia, trabalhando na investigação da morte do Dionísio.
Por azar da Calypso, havia saído já autópsia o alto nível de veneno no sangue dele, mas seria impossível identificar ela, pois a mesma usava luvas na festa, então sobrou para mim. Minha digital estava na taça, tive que mentir e falar que havia pegado da bandeja de um garçom e, por sorte, a dele também estava lá.
– Houve alguma coisa? Parece abalada — fechei a porta, arrumando o ombro caído da minha blusa.
– É o Percy... Ele está se afastando de mim, novamente.
– Já aconteceu isso alguma vez?
– Na faculdade — ela mordeu o lábio, se sentando no sofá — A gente namorava e ele tinha um caso com uma garota do curso dele.
– Acha que ele tem uma amante de novo?
Ela maneou a cabeça, então soltou um suspiro e massageou suas têmporas, com as pontas dos dedos. Pisquei, me sentando ao seu lado e esperando sua resposta, que não demorou a vir.
– Não duvido muito, ele é bonito e é sexy, além de ser fácil de seduzir — disse jogando o cabelo para trás do ombro. — Coloquei um detetive atrás dele, mas nada diferente.
– Talvez ele só esteja sobrecarregado com o trabalho, Rach — falei cruzando as minhas pernas, tranquila por ainda não ter sido descoberta sobre o caso com o Percy. — Vocês vão se casar, vão viajar de lua de mel... Ele só não quer deixar processo parado ou para trás.
– Eu espero que seja isso, Annie — ela disse com um suspiro. Ela nem gosta dele e está preocupada. — Mas mudando de assunto, os convites da festa de noivado estão prontos!
Prendi meu ar, então soltei ele. Meu tempo estava acabando, precisa fazer algo para que isso corresse mais rápido e pudesse impedir o Percy de se casar, não queria mais uma vítima.
– Será no começo de março, então tenho um mês para escolher um vestido para usar e tem que sair tudo perfeitamente bem. — ela disse me estendendo o convite, no qual tinha a inicial dos dois gravada em dourado. — Queria a sua ajuda, você tem um estilo tão fofo e meigo, é muito fashionista.
– Graças a minha tia, pode ter certeza — disse colocando o convite na mesa de centro — Mas te ajudo... Pode usar dourado ou...
– Não! Eu quero algo mais calmo — ela disse e eu revirei meus olhos — O que me diz?
– Conheço uma loja ótima, vai adorar — disse dando um sorriso falso. A Rachel iria brilhar tanto na festa dela.
Tinha meus planos para o seu noivado, seria a ocasião perfeita para colocar tudo em jogo, isso apenas colocaria mais lenha na minha fogueira. Eu iria incendiar tudo que estivesse no meu caminho, sem medo, sem dó ou piedade. Eles merecem isso.
A ruiva a minha frente ainda estava apreensiva, pensativa e distante. Rachel sempre mantinha os cachos volumosos controlados, com os fios ruivos lisos na raiz e com os cachos feitos por babyliss nas pontas, nunca volumosos.
– Posso te fazer outro pedido?
– Claro.
– Quer ser a minha madrinha? — ela mordeu o lábio marcado por um batom rosa, sempre rosa. — Eu já tinha escolhido a Calypso, quero você agora... E preciso ir atrás de mais uma, tenho muitas amigas e ficar complicado escolher apenas três.
Concordei com a cabeça, falsamente animada para isso. Não iria ter casamento depois do que eu iria mostrar no noivado, pelo menos eu esperava que não. Me distrai com o toque de mensagem vindo do meu celular, que estava sobre a mesinha de centro e atraiu a atenção da Rachel.
Peguei ele rapidamente e li a mensagem, mas rapidamente ainda. Soltei um suspiro carregado e respondi um "Não" para a mensagem do Percy perguntando se podia vir aqui, coloquei o celular na minha coxa e esperei a sua resposta, encarando a Rachel com um sorriso nervoso.
Ele respondeu a mensagem em seguida, perguntando o porque. Fui sincera, disse que a Rachel estava aqui e que estávamos falando de coisas de menina.
– Você está tão diferente...
– Já me falou isso algumas vezes — disse, colocando o celular no silencioso e o deixando em cima da mesa de centro novamente. — Não sei porque ainda está surpresa.
– É que você não era assim. Você era calada, aceitava tudo tão tranquilamente, não opinava... Você era completamente o oposto do que é hoje.
– Qual você prefere? -arqueei a sobrancelha, curiosa e desafiando a ruiva a minha frente. Ela engoliu em seco e desviou seu olhar do meu. — Rachel, eu sou hoje o que eu sempre quis ser. Acha que eu gostava de ser como era antes? Praticamente muda, sem opinião própria e medrosa? Acha que eu não dava a minha opinião porque achava a de vocês boas o suficiente? Desculpe de acha isso, mas está completamente enganada. Essa sou eu, essa é a minha verdadeira imagem e acredite, lutei e sofri muito para conseguir me tornar o que sou hoje.
Ela mordeu o lábio inferior, me encarando depois com os olhos verdes indecisos, sorri para ela. Não era um sorriso confortável, era um sorriso mais irônico, com sarcasmo, um tanto ameaçador.
Seus dias como princesa da Elite de Chicago estavam contados, Rachel Elizabeth Dare, eu iria destruir tudo o que seus pais e você construiram no decorrer dos anos, assim como vocês destruíram a minha vida e a mina família.
– Eu já vou indo — ela se levantou, graciosamente e com um sorriso nervoso estampando no rosto. Respirei fundo e me levantei também, esticando a minha blusa que ia até o meio das minhas coxas.
– Tudo bem — soltei o ar, aliviada. Caminhei até a porta tranquilamente e a abri, dando um beijo na sua bochecha e esperando ela entrar no elevador.
Dei um aceno rápido e sorri, vendo a porta se fechar e a figura ruiva da Rachel desaparecer. Aliviei os pesos dos meus ombros e umedeci meus lábios com a ponta da língua, montando um novo jogo de xadrez na minha mente. Agradeço por ter uma boa memória, por decorar as coisas facilmente, assim não foi preciso ter muitas aulas de xadrez para que pudesse aprender.
Fui empurrada brutalmente para dento do meu apartamento, a porta foi batida fortemente e antes que pudesse me dar conta de quem estava aqui, os lábios macios de Percy se juntaram aos meus e mais um dos nossos beijos vorazes começou, preenchendo meu corpo inteiro com um calor infernal.
Fui dando passos, porém aproximei ainda mais meu corpo do dele. Quente, ele estava fervendo e isso só fez o meu calor interior subir mais ainda. Se eu estivesse com um termômetro agora, estaria perdida, pois eu estou quente.
– Oi — disse ofegante, separando nossos lábios por falta de ar.
– Oi — ele disse com um sorriso, também ofegante. Ele passou seus braços pela minha cintura e me jogando sobre o seu ombro, fazendo um grito agudo de surpresa escapar dos meus lábios.
Gargalhei em seguida, tendo uma visão privilegiada da sua bunda redonda e consideravelmente grande. Estiquei meu braço e apertei sua bunda com a ponta do dedo, fazendo ele dar um pequeno pulo e dar uma risadinha.
Pude ver a tela do meu celular começar a brilhar antes de entrarmos no corredor, então belisquei sua bunda com mais força e com isso fiz ele me colocar no chão.
Não esperei ele reclamar, corri até a sala e peguei meu celular, atendendo ele rapidamente, antes que Nico desligasse. Atendi ele ofegante.
– A Rachel estava ai?
– Ela acabou de sair — respirei fundo, passando os dedos no meu cabelo — Por que?
– Ela colocou uma escuta ai, ta dando interferência no seu sistema– ele disse tranquilo demais. Engoli em seco e encarei o Percy. — Procura, vai dar interferência na ligação, não é de qualidade.
Comecei a procurar no lugar onde ela estava sentada, por sorte o meu sofá era claro e o pequeno objeto de escuta era escuro. Deu de fato interferência na ligação quando peguei ele, fazendo aquele horrível chiado ecoar no meu ouvido e o Nico exclamar algum palavrão.
– Encontrei, o que eu faço?
– Se livra dele, joga pela janela que ele vai se desfazer quando chegar ao chão.
– Tudo bem — desliguei a ligação e joguei meu celular no sofá, dando um sorriso para o Percy e indo em direção a sacada. Empurrei a porta e cheguei perto do parapeito, olhando para baixo e vendo a fraca movimentação, e a Rachel entrar no seu carro.
Esperei ela sair de vista e joguei o pequeno objeto prédio abaixo, sorrindo ao ver ele sumir do meu ponto de vista. Depois de um certo momento ele deve ter chegado ao chão e se quebrado, agora pessoas iriam terminar de quebrá-lo para mim.
– Sua noiva estava querendo ouvir as minhas conversas — disse me aproximando de Percy novamente, agradecida por Nico viver de olho no meu sistema. Se a Rachel descobrisse meu caso com o Percy agora, eu estava ferrada. — Talvez alguém queria terminar o que começou a anos atrás.
– Por que ela iria querer fazer isso? — ele arqueou a sobrancelha, dando mais uma olhada para ver se não tinha nada.
– Não só ela, seus pais também podem me querer morta — suspirei mê jogando no sofá — Sei de muita coisa, Percy, você não tem noção... Meus tios disseram que voltar para cá era um risco. Em Chicago tudo se resume em uma gerra de elite, todos querem o poder e a riqueza.
Ele se sentou ao me lado e sorriu, me puxando para perto dele e me beijando novamente. Dessa vez foi mais curto, mais tranquilo e mais romântico.
Eu estava certa, Chicago girava em torno do poder. Se você era poderosa demais, corria o risco de morrer, se não era poderosa era tratada como um nada. Aqui era as cidades das cinzas. Tudo se resumia em cinzas aqui. Não iria me apaixonar.
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