What did I do to deserve this? Tell me the truth, and don't lie. You're pretty good at that, but no this time. You walk around like you run the world. But they gonna see everything, so get back.

Não era fácil esconder alguma coisa. Principalmente esconder alguma coisa de Annabeth Chase, ela parecia ter um radar que, toda vez que ela passava ao lado de um segredo, ele começava a soar e não parava até ela descobrir o que era esse maldito segredo.

Mas eu consegui fazer isso, por incrível que pareça.

Não queria deixá-la preocupada, ainda mais agora que ela estava na fase final da gravidez e todo cuidado era pouco. Só que existia um porém desde o momento que eu tive a certeza que iria morar em New York com ela: eu precisava de uma vez por todas me ver livre da Rachel.

Existia pessoas, principalmente Luke Castellan, lutando a meses e meses na justiça pela licença para conseguir visitá-la, mas não acho que tenha sido um privilégio meu conseguir isso em dois meses e meio. Eu tinha que colocar os pingos nos is e, por fim, colocar um ponto final na história de terror que eu vivi ao lado dela.

Isso iria ser, definitivamente, um recomeço.

E, agora, aqui estou eu, batendo os meus dedos na mesa de metal e esperando a chegada dela para a única visita, além da do advogado dela, que a mesma havia tido desde que a sua prisão fora decretada. Não iria ter contato físico com ela, estávamos separados por um grosso vidro blindado, o único meio de contato era por um telefone preso ao meu lado.

Enquanto esperava por ela, procurei pensar em coisas boas e agradáveis dos últimos meses. Tais coisas como: a animação da Annabeth com a mudança, voltar para New York, ter a minha família inteira ao meu lado e, é claro, Aaron, o mais novo bebê da família, segundo neto de Sally Jackson, que apenas tinha duas semanas.

Logo eu estaria com o meu filho, ou filha, nos meus braços, sentindo seu cheiro de bebê e o calor do seu corpo pequeno. Annabeth realmente havia conseguido esconder de mim o sexo do bebê por oito meses, ela era ótima nisso e, felizmente ou infelizmente, era uma aspecto que eu adorava nela.

Ouvi o barulho da porta e rapidamente desviei a minha atenção para a mesma, vendo pelo outro lado do vidro Rachel Elizabeth Dare aparecer ao lado de dois policiais armados e, por incrível que pareça, seu estado não era nada parecido com o que eu imaginava.

Ela ainda estava bonita, sem toda aquela camada de maquiagem que todos eram acostumados a vê-la usando, com os fios vermelhos intensos presos em um rabo-de-cavalo alto, usando o macacão laranja do presídio da melhor forma que ela havia conseguido improvisar. Eu realmente esperava vê-la surtando, em estado insano, totalmente destruída e acabada.

– Apenas não digo que você é a última pessoa que eu esperava ver aqui, porque realmente não é. — ela deu um sorriso sínico, sentada de frente para mim e segurando o telefone com apenas uma mão. Arqueei a minha sobrancelha para a postura dela, que ainda assim era elegante e, ao mesmo tempo, imprevisível. — O que te trás aqui, Perseu Jackson? Veio zombar da minha cara ou...?

– Eu vim atrás de algumas respostas, Rachel, finalmente quero desfazer os laços que nos ligam. — respondi firme, vendo seus olhos verdes brilhando insanamente.

– Oh, lógico, mas é claro... Para isso teve que esperar dez meses? — ela soltou um leve riso carregado de sarcasmo. — Você continua lerdo, é impressionante... Mas, antes, me tira uma dúvida que vem me matando desde que eu vim para esse lugar sem conexão com o mundo? — ela pediu virando um pouco o ângulo da sua cabeça e fazendo um leve bico com os lábios, implorando com o olhar.

– Diga.

– Verdadeiro ou falso: Annabeth Chase não tem medo do perigo e, ops, ela trouxe quem não devia para onde não devia? — ela disse arregalando os olhos de maneira teatral e, logo em seguida, soltando um riso leve. — Ouvi boatos de que Chloe Jackson está viva e que, graças a sua amada, corre o risco de morrer de verdade.

– Nas mãos de quem? Você está completamente isolada nesse lugar.

– Meu pai ainda tem seus contados com o mundo real, Percyto. — ela disse apoiando o queixo na mão livre.

– Seu pai se suicidou a dois meses atrás, Rachel. — respondi sem piedade, vendo ela parar o seu joguinho no mesmo estante e me olhar apavorada. — Nossa, você não sabia... Achei que eles tinham liberado você para o velório dele, mas pelo jeito não houve, eles devem ter queimado o corpo de uma vez.

– Você está blefando. — ela disse com a voz falha, me encarando com um carranca nada medonha. — É advogado, seu papel é inventar histórias.

– Eu nunca mentiria para você, Rach — sorri com sarcasmo e ironia, vendo a expressão dela mudar mais uma vez, falhando por alguns minutos antes de finalmente voltar a postura dura que ela queria passar.

Eu corrijo o que disse antes, Rachel Elizabeth Dare não está tão bem assim quanto ela aparenta estar, talvez a loucura esteja vindo aos poucos, junto com os meses de prisão totalmente solitária, sem direito a visitas.

Sua aparência, em pelo menos alguns aspectos, estava ótima, mas a sua sanidade mental começará a ser questionada daqui a algum tempo — se é que ela já não estava começando a se tornar uma hipótese na parte dos psicólogos da prisão, é óbvio. Ela estava se estabilizando e desestabilizando com muito facilidade e isso realmente poderia se tornar em uma doença mental, ou mais uma para o kit de problemas psicológicos que eu imagino que Rachel tenha.

– Faça logo as suas perguntas. — ela pediu por fim, deixando os lábios secos em uma linha fina e firme.

– Por que seus pais, a nove anos atrás, resolveram mexer com a minha família, em New York? Nós nem sequer pensávamos na probabilidade de um dia se mudar para Chicago quando vocês sequestraram a Chloe e a mim. — falei firme, essa era uma pergunta que me corria a anos.

– A empresa do seu pai, naquele ano, era maior que a Chase Memorial, no sentido financeiro... Por que não tirar alguns míseros milhões da conta bancária de Poseidon sem causar muitos danos? — ela arqueou a sobrancelha para mim, como se esperasse uma resposta. — Realmente, meus pais iriam devolver a Chloe, mas seu pai resolveu envolver a polícia nisso e tudo ficou mais complicado... Você era o mais velho, era o homem, não havia sentido ficar com você, já a Chloe... A garotinha adolescente de New York, menininha do papai. Eles criaram uma cena, na qual ela realmente foi estrupada e realmente levou um tiro, no ombro, não no coração... Você acreditou que ela estava morta, seu pai pagou pelo resgate e em vez de devolver dois, foi apenas um e a certeza de que a bonitinha estava morta.

– Quanto... Quanto seu pai pediu pelo resgate? — respondi ainda firme, mas esse realmente era um assunto delicado para mim.

– Não me lembro direito, mas acho que foi meio bilhão. — ela falou o preço com tanta naturalidade que eu realmente acreditei que aquilo era pouco para ela.

– Por que se aproximou de mim quando a empresa do seu pai estava crescendo tão bem?

– Eu realmente não queria, Percy, eu juro que não queria... Mas meu pai insistiu tanto e mentiu tanto para mim que eu não vi outra escolha. A Dare Connections estava crescendo, mas ela podia voltar a cair a qualquer momento e, se isso acontecesse, não seria alguns milhões, seria tudo e, acho que você já percebeu que eu não nasci para ser pobre. — ela esboçou um sorriso e respirou fundo. — A ideia no geral foi do meu pai e do Luke, algumas coisas eu realmente criava, porque eu precisava me manter atada a você e, desde o início ficou bem claro que isso não era para acontecer. Então veio a falsa gravidez, logo depois o falso acidente e a perda do falso bebê, mas eu realmente entrei em uma pequena depressão, no qual eu não lembrou o motivo e, na época, foi um ótimo jeito de me prender a você... Então você me pediu em casamento e pouco tempo depois a empresa começou a falir, e foi um problema atrás do outro.

"A minha ideia com o casamento era juntar as duas empresas, mas meu pai não queria isso e Luke não queria que eu me casasse, então eles uniram o útil ao 'agradável' e tiveram a ideia do acidente que resultaria a sua morte.

Mas então a Annabeth voltou e ela foi apenas um problema a mais para lidar com toda aquela crise... Ela sempre soube a verdade sobre a Chase Memorial, mas não tinha como provar, pelo menos não sete anos atrás e, eu realmente estava com medo dela ter provas naquela época e eu acabar na prisão.

Fiz o que o ditado diz: mantenha os amigos próximos e os inimigos mais próximos ainda."

– Mas, de uma forma ou de outra, você acabou presa, pelo resto da sua vida.

– Elas usaram o mesmo ditado comigo... Ela e a Calypso. — ela respirou fundo, olhando para o policial alguns metros dela. — Eu realmente acredito em física hoje, tudo que vai realmente volta.

– Acredito que essa lei de Newton demorou tempo demais para se aplicar a sua família, Rachel. — respondi vendo que ela havia começado seus joguinhos novamente. — Hoje você está pagando pelos seus pecados e não irá sair daqui tão cedo.

– O que te faz acreditar nisso, hein? Você não acredita no "Felizes Para Sempre", não é? — ela arqueou a sobrancelha, incrédula. — Para um relacionamento que durou quatro anos, Percy, você esqueceu do detalhe mais importante sobre a minha pessoa: eu não me dou por vencida tão cedo... Esse campeonato é estilo Jogos Vorazes, só acaba quando apenas um coração bate na arena.

– Está dizendo que vai começar um massacre? Finalmente está dando aviso prévio para os competidores? — ri sem humor. — Acorda, Dare, você está presa caso ainda não tenha percebido. A única competição que você vai participar é a corrida para a ducha quente.

Ela soltou uma risada fraca de novo, me olhando como se eu fosse o pote de ouro no fim do arco-íris.

Ela realmente era engraçada, alguns minutos atrás dizia que não queria se envolver com tudo isso e agora estava dizendo que o joguinho dela havia se tornado um verdadeiro Jogos Vorazes.

Maluca era a maneira perfeita de definir a mulher na minha frente, ela podia parecer um anjo endemoniado ou um demônio angelical, mas o fato é que se qualquer um tivesse a chance de conhecer Rachel novamente, como se não soubesse da sua verdadeira história, iria cair de joelhos por causa dos seus olhos intensos e do sorriso adorável.

Eu havia me encantando por ela por causa dessas mesmas características, todavia, ela havia me apresentado um protótipo pirata enquanto o seu verdadeiro eu fazia todas as coisas malignas por toda Chicago.

Afinal de contas: isso era algo dela mesmo ou fora por causa da influencia dos seus pais?

– Eu queria te afirmar que tudo vai ser como você quer que seja, Percy, mas não vai ser... Mesmo quando a chama apaga, as cinzas ficam para mostrar a destruição causada. — ela falou olhando nos meus olhos, com a voz firme e ao mesmo tempo, tranquila. Infelizmente o que ela dizia era verdade. — E apenas uma faísca volta a reacender tudo.

– Eu realmente não entendo o que você está querendo dizer.

– Você sabe tudo o que a Annabeth fez, e mesmo assim ficou com ela... A Annabeth não é muito melhor do que eu, pelo contrário, era para nós duas sermos colegas de prisão. — ela respondeu diminuindo o som da sua voz, depois de olhar para o policial distraído. — Ela, a Thalia e o Nico deveriam estar atrás das grades, Percy, até eu poderia dizer isso, só que eles não acreditam em mim.

– É impossível alguém acreditar em você depois de tantas mentiras que você contou, Rachel.

– É, eu sei... Mas não é ai que eu queria chegar, o que eu quero dizer é que, mesmo a Annabeth tendo feito todas as coisas terríveis que ela fez, ela ainda é a coitadinha da história. Você ainda perdoou ela.

– Eu amo ela, quando você realmente ama uma pessoa, ama todas as decepções acabam sendo perdoadas. — respondi sinceramente, vendo ela contrair os lábios e concordar com a cabeça. Eu sabia que expressão era essa, ela estava tentando não chorar. — Além do mais, eu e ela somos duas partes quebradas que, por mera conhecidencia, acabou se encaixando.

– Achou que não era assim com o Luke? Os pais dele não foram sempre ricos, quando eu conheci o Luke, aos meus quatorze anos, ele era bolsista de um colégio particular da outra extremidade da cidade... Só havia um pequeno problema com nós dois: somos gananciosos, foi isso que acabou conosco. — ela respondeu por fim. O policial levantou dois dedos, indicando que a visita estava acabando e eu concordei. — Minha advogada me conta algumas fofocas do mundo real, do outro lado desses muros altos, a vários quilômetros de distância daqui e, em uma dessas conversas, ela deixou escapar que a Annabeth estava grávida.

– É, ela está, mas isso não é da sua conta. — respondi duro, não queria que a Rachel se envolvesse ou ficasse sabendo de algo a mais da minha família. Isso não iria ser um desastre. — Espero que você sobreviva, Rachel.

– Meu coração será o último a continuar batendo, Percy. — ela puxou os lábios em um sorriso maldoso. — Bons jogos vorazes, Percy.

...

Afrouxei o nó da minha gravata, jogando o terno sobre a cama e soltando um suspiro carregado. Rachel possuía as minhas energias e, isso misturado a reunião e ter feito duas pontes aéreas no mesmo dia, havia me deixado esgotado.

– Oi, não ouvi você chegar. — Annabeth sorriu saindo de dentro do closet e vê-la foi o suficiente para o mundo sair de cima dos meus ombros.

Sou suspeito a dizer, mas ela realmente estava linda. O cabelo dourado caia com cachos pesados e molhados pelos seus ombros, o seu rosto estava natural, sem maquiagem, revelando as sardas douradas da sua bochecha e no seu nariz, seus lábios rosados estavam esticados em um sorriso aberto e sincero.

Sua barriga estava enorme, revelando os oito meses de gravidez. Ela havia cuidado bem do corpo, seguido a dieta de forma rígida e se derretido com cada uma das sensações, era incrível estar presente em cada um desses momentos e ver a mulher que eu conheci um anos atrás amadurecer.

– Imaginei que estava trancafiada naquele quarto. — respondi me aproximando dela. A mesma estava descalça, usando uma longa camisola branca, que marcava bem a sua barriga. — Você quase sempre está lá.

– Eu estava com dor nas costas, resolvi tomar quente na tentativa de amenizar um pouco... Esse frio não contribuiu muito. — ela respondeu enquanto eu acariciava a sua bochecha com o polegar. — Como foi em Chicago?

– Cansativo, ainda bem que foi a última reunião do ano. — respondi depois de beijar seus lábios. — Agora sou todo seu e desse bebê... Acho que já passou da hora de me falar se é ele, ou ela.

– É, eu realmente fiquei o dia todo pensando nisso... Seis meses escondendo o sexo do bebê foi realmente muito bom, porém, você merece saber, está fazendo um ótimo trabalho de pai e "marido" — ela respondeu fazendo aspas com o dedo, se afastando de mim e voltando para o closet sem dar explicação alguma.

– Tudo isso foi um teste para saber se eu realmente iria ser um bom pai? — disse abrindo os botões da minha camisa social e me livrando dela rapidamente, enquanto esperava ela voltar. — Não acreditava em mim?

– Não, acreditava que você seria um péssimo pai e tudo mais — ela revirou os olhos, segurando uma chave com um chaveiro de sapatinho de bebê branco. — É melhor você aproveitar o meu bom humor, ou então eu desisto de uma vez e você só descobre o sexo mês que vem.

Ela se afastou sorrindo misteriosamente, mas por causa do peso da barriga, ela havia passado a andar mais devagar, enquanto seus cachos batiam nas suas costas e a barra da camisola nos seus calcanhares.

Segui ela, na direção do fim do corredor, até a porta escura onde ela sempre se trancava, passando horas e horas lá, as vezes o dia todo, as vezes apenas algumas horas da noite, quando lhe dava na telha, era para lá que ela ia e se isolava de tudo.

Quando ela abriu destrancou a chave e girou a maçaneta, senti meu coração bater mais rápido e tudo pareceu como um filme em câmera lenta. O quarto era tinha as paredes cinzas, mas todo o resto era em azul e branco, com alguns ursos de pelúcia espalhados por cima dos moveis, alguns quadros vazios pendurados nas paredes e outros com fotos do ultrassom ou de nós dois.

O berço branco estava no centro do quarto, envolto por um véu azul bebê, o carpete fofo era em um azul mais intenso, mas não escuro e nas maçanetas das portas tinham pequenos leões, como se fossem filhotes, pendurados.

– Nem em mil anos nosso filho se chamaria Ocean, Percy. — ela respondeu caminhando até a cadeira de balanço e ali se sentando, pousando a mão sobre a barriga gigantesca. — Faz meses que venho acostumando ele com o nome que eu escolhi e, esconder o sexo do Ashton por tanto tempo foi o seu castigo por duvidar de mim.

– Fez um ótimo trabalho, ficou incrível — sorri ascendendo a lampada do quarto, que era baixa e deixava o ambiente sereno. Peguei o primeiro urso de pelúcia que vi, um elefante cinza com as orelhas rosadas, que estava sobre o sofá médio e branco com detalhes e almofadas azuis que tinha encostado em uma parede ao lado da porta. — Tanto o quarto quanto o segredo.

Notas finais
TANARAM! È, season two foi confirmada people!!!!!!! Chegamos aos 700 comentários, bem redondo, e eu trouxe esse capítulo tenso e ao mesmo tempo fofo para vocês! Ashton, eu sei que tem pessoas que não gostam desse nome, já me disseram nos comentários, mas, sns, é um menino e ele se chama Ashton. Felicidade em dobro para vocês, mereço muitos comentários e recomendações, o que acham hein? Eu esqueci de comentar no capítulo anterior, mas dia 27 de março é aniversario de FS e tudo mais, por isso irei postar com muita frequência para ter uma surpresa dia 27. AAH! Vocês me perguntaram bastante quantos capítulos faltavam e para alguns eu disse 5, para outros 6, mas tirando esse capítulo, falta apenas mais três e o epilogo, então, crying. Beijos e comentem bastante, vou escrever os próximos. Lolla