Fire Starter
42 Sugar

I'm right here, 'cause I need. Little love and little sympathy. Yeah, you show me good loving. Make it alright. Need a little sweetness in my life.
Respirei fundo, puxando meus fios de cabelo para o alto e usando o elástico no meu pulso para prendê-lo em um rabo de cavalo, não me importando com os fios que caiam na minha nuca ou então com a franja que incomodava meus cílios.
Eu tinha problemas maiores para lidar. Como por exemplo, os meus pais e todo o seu empenho para não destruir a família.
Ainda parecia loucura tudo o que eu havia ouvido ontem, tudo o que minha mãe havia me contado, coisas que pouquíssimas pessoas sabiam, coisas da nossa família que poderiam destruir laços. Principalmente o meu com Annabeth, caso ela descobrisse o que levou a nossa família idealista a fazer, tanto tempo atrás.
As vezes era nojento fazer parte dessa família.
Abri gaveta por gaveta do armário do banheiro, procurando uma tesoura para que eu pudesse me livrar desse incomodo, mas acabei achando uma outra coisa. Mas, afinal de contas, quem escondia uma arma no banheiro?
– Nico? — gritei olhando para o objeto na minha mão, analisando ele para que eu pudesse chegar as devidas conclusões. Era uma calibre trinta e dois, preta e o número de série não estava raspado, o que me fez acreditar que ela não havia sido roubada, mas ainda me preocupava saber de quem ela era e por quê ela estava na gaveta do banheiro. — Nico, vem cá!
– Céus, Thalia, você é impaciente — o moreno apareceu com um xícara de café na mão, ainda usando pijamas e com o cabelo todo bagunçado. — O que foi?
– O que é isso? — arqueei a minha sobrancelha, mostrando a arma para ele e fazendo o mesmo revirar os olhos, como se aquilo não fosse importante para aquele momento. — Responda, Nicholas!
– É da Annabeth... Ela comprou duas armas um ano atrás, essa trinta e dois e a outra, que é vinte e dois. — ele respondeu tranquilamente, tirando a arma da minha mão. — Uma ficou com ela, lá em cima, a outra ela pediu para que eu guardasse.
– Por que duas armas?
– Não sei, conhece sua prima, quando ela cisma com alguma coisa é difícil de convencê-la o contrário. — ele falou calmo, guardando a arma no mesmo lugar que antes. — Perguntei diversas vezes o porque disso, mas ela nunca respondeu, quer dizer, ela respondia um "Cuidado nunca é demais" e colocava o assunto por encerrado.
Ele olhou para mim mais uma vez, percebendo que eu ainda estava desconfiada com aquele assunto, só que eu conhecia Nico, ele nunca havia mentido para mim antes, não tinha porque ele mentir agora e, infelizmente, ele estava certo sobre Annabeth, ela é cabeça dura e dificilmente desiste de alguma coisa.
E é isso que me apavora, pois ficou para mim o terrível papel de contar a verdade para ela, o que fazia a pequena chave no bolso de trás da minha calça pesar toneladas imaginárias. Era apenas uma chave, que guardava grandes segredos, mas ainda assim era apenas uma chave.
– Tudo bem — soltei o ar dos meus pulmões, dando um sorriso leve para ele. — Eu tenho um almoço com o corretor hoje, provavelmente vamos assinar o contrário da casa, você vai ir?
– Está de brincadeira? É lógico que eu vou — ele sorriu se aproximando de mim e pegando a minha mão, para me puxar para fora do banheiro. Aquela altura, minha franja um pouco longa demais nem sequer me encomodava mais. — Está parecendo que nos casamos e não sabemos.
– Não, não está... Apenas estamos nos mudando para New York, para uma casa que vai estar no nome dos dois. — dei de ombros. Casamento não era bem a mina praia e Nico sabia disso. — Vai ser bom sair de Chicago.
– Sim, passei maior parte da minha vida aqui, é hora de respirar novos ares...
– E morrer com o excesso de poluição — sorri me aproximando e dando um leve beijo nos seus lábios. — O almoço é as duas, passa pra me pegar no departamento, tudo bem?
– Claro — ele respondeu e me deu mais um beijo. — Já resolveu aqueles problemas?
– Já! Só falta eles aprovarem, posso receber a notícia a qualquer momento — respondi pegando as minhas coisas. — Até depois, Nico.
– Até depois, Thals, tente não morrer. — ele falou e eu sorri, já estava acostumada a ouvir essa frase todas as manhãs e, quem dera todas as manhãs serem como essa.
...
Tirei a chave do bolso da minha calça e rodei ela nos meus dedos, vendo o chaveiro indicando o número treze do armário. Céus, tinha mesmo que ser o número treze? Um infinito de números e a bomba tinha que estar no armário treze.
O departamento estava um loucura desde o momento que eu havia voltado do almoço, depois de assinar toda a papelada da casa com o corretor e finalmente começar a pensar em nós dois como "apenas um". O que eu realmente não conseguia, já havia sido complicado demais concordar em passar a morar junto com ele, em me mudar para New York com ele, agora, onde iria parar a minha sanidade quando eu passasse a pensar em nós dois como um casal?
Mas esse não era o alvo do problema, era outro, completamente diferente do meu egoísmo e medo de me entregar para ele. O motivo maior estava guardado e trancado em um armário, cujo a chave se encontrava na minha mão e o endereço estava em uma mensagem no meu celular... Meu pai só me arranjava dor de cabeça.
Olhei para o horário na tela do meu computador e respirei fundo, por mais que o departamento estivesse uma loucura de policiais e viaturas saindo a todo momento, a minha área era homicídios e se eu ainda não havia sido chamada para a sala do delegado, era porque não havia homicídio acontecendo, mas mesmo assim eu estava curiosa, tantos policiais saindo e tantos outros andando para cima e para baixo com caixas de evidências. O que havia acontecido, afinal?
– Ei, Bill, qual é a da agitação? — questionei para o policial que passou ao meu lado, carregando duas caixas de evidências.
– A prisão de segurança máxima feminina explodiu... Literalmente, não sobrou nenhum pedaço sequer dela e, o pior de tudo, é que veio de dentro. — ele disse me olhando. — Os canos de gás explodiram, pareciam estar velhos, por isso a agitação, o departamento está com uma lista de todas as criminosas que morreram e estamos pegando as evidências arquivadas para saber o motivo pelo qual elas foram presas, são muitas mesmo.
– Alguém sobreviveu? — questionei franzido o cenho, me levantando e enfiando a chave no meu bolso novamente.
– Algumas detentas em estado crítico e policiais que estão passando por cirurgias ou então na UTI. — ele respondeu caminhando até a mesa dele e deixando as caixas ali. — Se quiser ajudar, irá fazer um favor.
– Por onde eu começo? — perguntei e ele indicou a mesa com vários papéis espalhados, então foi ali que eu fui.
Basicamente, era uma lista no computar com vários nomes de detentas e na mesa estava espelhada a ficha criminal. Alguns nomes estavam riscados, poucos comparados aos que ainda não estavam e, aquele nome se destacou entre tanto, me fazendo procurar a ficha dela rapidamente.
Rachel Elizabeth Dare havia morrido. Annabeth lutou tanto para colocá-la atrás das grades, ela perdeu tanto para fazer justiça, sofreu tanto, para no fim Rachel Elizabeth Dare morrer dentro da prisão, depois de poucos meses, em uma explosão.
Ela, pelo menos, pode ter sentindo na pele o que Atena e Frederick sentiram a tantos anos atrás, quando os pais dela explodiram a Chase Memorial e fizeram daquele dia um atentado terrorista, não como o das Torres Gêmeas, mas da mesma maneira um atentado terrorista.
Abri o nome dela e deixei o arquivo carregando enquanto procurava sua ficha no meio dos vários papéis, me deixando irritada com a desordem da mesa e então, ao mesmo tempo que eu procurava, eu colocava os papéis em uma pilha, tudo por causa de um TOC ridículo.
– O crânio foi esmagado por uma parede de concreto que caiu sobre a cabeça dela, deixando-a desmaiada, a causa da morte foi asfixia por gases tóxicos. — murmurei para mim mesma, lendo o laudo médico da sua morte. Bem, pelo menos foi lenta e tortuosa. — Bem feito, Dare.
Deixei a ficha dela de lado e coloquei o resto dos papéis em uma pilha, puxando a outra primeira ficha e levando as duas para o arquivo. Fingi ler a primeira ficha, uma uma mulher que cumpria pena por assassinato em série e que se não tivesse morrido, ficaria lá até a velhice.
Procurei as caixas pelos números de série, achando primeiro a da assassina e depois a da Dare, que eu ainda me lembrava perfeitamente de guardá-la naquele lugar e desejar que juntasse pó, até que alguém precisasse limpar para liberar espaço e então tirá-la dali, para mandá-la para o porão e lá ser devorada por roedores, até se minimizar ao nada.
Mas era óbvio que isso não iria acontecer, o destino era cruel demais, traiçoeiro demais, deixava uma pessoa de pé para depois derrubá-la e minimizá-la ao nada, para então o ciclo vicioso e cruel recomeçar.
Nós estávamos de pé agora, e Rachel estava morta, o que era um golpe do destino, pois ninguém esperava isso, nem mesmo ela. Por quanto tempo iriamos ficar ilesos das peças traiçoeiras do destino? Quanto tempo levaria até que tivéssemos que começar a correr para não cair?
Eu realmente esperava que fosse muito.
Quem nos derrubou um dia, foi derrubado pelas nossas mãos, com um empurrãozinho do destino e, hoje, eles estavam mortos. Pouco aos poucos fomos derrubando um à um, como quando empurrávamos a primeira peça do dominó e ela só parava de correr e cair quando chegasse na última peça. E era ai que estava a minha pergunta: Rachel era ou não a última peça?
E isso voltava a chave no meu bolso, que iria me incomodar até que eu abrisse o maldito armário.
...
E eu realmente abri o armário, tirando de lá uma maleta preta e dizendo a mim mesma que apenas iria abrir ela quando estivesse no carro... De preferência quando estivesse longe desse aeroporto minúsculo e sombrio.
Mas a realidade foi que eu cheguei em casa e ainda não havia conseguido abrir aquela maldita maleta preta, eu estava apavorada com o que tinha dentro dela e ainda tentava engolir que a Rachel havia morrido, parecia surreal demais, a tarde toda trabalhando em um caso que levou a morte centenas de mulheres, inclusive aquela que um dia eu queria ver velha e acabada.
– Olá — Nico disse me puxando para um beijo, no qual eu fiz questão de corresponder com toda a intensidade possível.
Enfiei meus dedos nos seis fios escuros e macios, aproximando meu corpo do dele e sentindo o seu calor me aquecer, aos poucos, fazendo uma névoa crescer sobre os meus problemas conforme as coisas entre nós dois iam esquentando cada vez mais.
Pulei no seu colo, envolvendo sua cintura com as minhas pernas e pouco tempo depois sentindo ele apoiar as minhas costas contra a porta, de modo que eu ficasse melhor sustentada enquanto ele descia os lábios para o meu pescoço, de maneira voraz.
– Isso... É... Para comemorar... New York — disse ofegando, enquanto procurava com os dedos a barra da sua camiseta.
– Não existe forma melhor de comemorar então — ele disse me ajudando a tirar a sua blusa, para então pegar a minha jaqueta e jogar no chão.
Me livrei da blusa rapidamente, ficando apenas de sutiã para o moreno, enquanto descia meus dedos e abria a minha calça, tirando um riso do moreno. Revirei meus olhos, sorrindo, e puxei ele pelo pescoço, voltando a beijá-lo de maneira voraz enquanto suas mãos apalpavam minha bunda coberta pela calça, dando leves apertões, enquanto eu unhava sua nuca e hora ou outra separava nossos lábios para morder e puxar o dele.
Quando ele me deitou no sofá espaçoso, eu me separei dele e fiz uma cara de nojo, me lembrando do que havia acontecido naquele sofá meses atrás, a quase um ano na verdade, o que fez o rapaz me encarar desentendido.
– Percy e Annabeth transaram aqui, caso não se lembre, quando nos mudamos para Chicago. — respondi sentindo os dedos dele afastar o cabelo do meu rosto.
– E nós vamos transar quando estamos prestes a ir embora. Esse sofá terá ótimas lembranças para os próximos moradores nunca descobrirem — ele sorriu abertamente e sinceramente, me fazendo sorrir também. — Foi um ano longo, que passou lentamente e dolorosamente, perdemos amigos e inimigos, mas é hora de recomeçar novamente, deixando memórias e mágoas, pensando apenas no nosso futuro...
– Nem ouse terminar essa frase com um: "Quer Casar Comigo?", Nico — cortei ele antes que o mesmo tivesse a chance de me dizer tais palavras. — Eu te amo, quero passar a minha vida com você, mas casamento é só papel e uma aliança no dedo... Não precisamos disso.
– Eu não vou desistir, Thalia Grace... A vida é boa, mas curta demais para se desistir facilmente. — ele respondeu e, antes que eu pudesse contradize-lo, o mesmo voltou a me beijar.
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