Fire And Ice
6 Capítulo 5 - Ich warte hier
Notas iniciais
Pouco mais de três dias haviam se passado desde que Yutaka havia reaparecido na vida de Reita e Aoi não podia estar mais certo que aquilo o ajudaria a superar tudo que já havia passado. Mesmo que agora soubesse que não havia perigo de Uruha levá-lo para o inferno, ainda assim tinha que tomar cuidado para que Uruha não percebesse que Akira era diferente e, segundo o que Kamijo havia lhe dito, Lúcifer não deixaria aquela alma voltar ao céu se fosse descoberta, faria de tudo para destruir a Segunda alma.
O moreno estava em sua forma humana, em seu “trabalho” ao lado de Akira e o novato, Yutaka. O moreno não falava, apenas escutava os dois rapazes comentarem coisas referentes a época em que estudavam juntos. Falavam de amigos e situações pelas quais já haviam passado e tudo que Aoi fazia era apenas acenar a cabeça positivamente quando eles lhe dirigiam a palavra.
Yuki observava tudo de longe, Aoi não conseguia conversar muito com aquele outro anjo, mas era algo normal. Anjos não tinham necessidade de se conhecerem, manterem algum vinculo de amizade ou conversarem, isso era coisa de humanos, coisa dispensável para os anjos.
– Boa tarde! – Asuka Eriko, a gerente, chegou ao setor com vários papéis nas mãos aproximando-se dos funcionários. – Trabalhar que é bom nada, né?
– Não tem cliente nenhum, deixa de reclamar. – Akira respondeu.
– Não tinha, olha lá. – Ela falou fazendo um breve menear de cabeça em direção a entrada do setor.
Aoi arregalou o olhar ao ver quem era. Uruha entrava no lugar vestindo um terno risca de giz e com um meio sorriso que o moreno teve certeza que era para ele. O que aquele idiota estava fazendo ali no meio do dia? Uruha era um ser noturno, um anjo caído, não podia usar sua forma humana para exercer seu poder sobre os humanos durante o dia, a noite era seu território.
– Akira, atenda o cliente. Yuu e Yutaka, vocês vem comigo, chegaram coisas novas no estoque e vocês vão conferir. – Eriko ordenou. Aoi já ia correr na direção daquele loiro e impedi-lo de chegar próximo a Akira, mas diante daquela ordem não podia fazer nada além de rezar e esperar.
– Boa tarde, posso ajudá-lo? — Akira disse se aproximando de Uruha exibindo um sorriso leve. Uruha retribuiu o sorriso, porém nada disse, apenas continuou fingir interesse em uma agenda pequena de couro sobre uma das prateleiras repletas de material de papelaria.
– Só tem essas agendas aqui? – Perguntou.
– Tem outras marcas no balcão. – Respondeu. – Senhor Takashima, certo? – Perguntou exibindo um sorriso largo, suspeitava que conhecia Uruha de algum lugar, acabou confirmando ao escutar a voz do outro loiro.
– Me conhece? – Fingiu estar surpreso olhando o menor desconfiado.
– Claro que sim, você tomou um café na lanchonete onde eu trabalho durante a noite.
– Ah... – O loiro aproximou-se um pouco mais até estar a poucos centímetros do outro. Logo segurou o crachá que Akira trazia próximo ao peito lendo com atenção. – Suzuki Akira. – Falou em voz baixa. – Agora podemos ser apresentados de forma descente.
– Ainda prefiro que use Reita. – Akira respondeu e o loiro riu.
– Você não está em condições de me exigir nada, senhor Akira. O cliente aqui sou eu, novamente. – Respondeu calmo voltando a andar pela loja o olhar calmo passeava pelos produtos oferecidos.
– E o que o senhor cliente quer? – Akira exibia o mesmo tom calmo, ao mesmo tempo em que ficava atento aos atos do loiro.
– Por enquanto só material para escritório. – Uruha falou em tom baixo enquanto olhava uma ou outra caneta em meio a uma variedade em uma prateleira larga.
– Não quero que pense que eu sou curioso ou algo do tipo, mas no que você trabalha?
– Me diga um bom motivo para que eu te responda isso? – Perguntou olhando o loiro pelo canto dos olhos.
– Você conhece meus dois trabalhos e meu nome verdadeiro, nada mais justo do que me dizer no que trabalha, Senhor Takashima. – Akira falou calmo.
– Sou advogado do inferno. – Falou simplesmente enquanto passeava por entre as prateleiras, acabou por escutar um riso debochado de Akira, mas o que lhe chamou mesmo atenção foi Aoi que observava tudo silenciosamente de longe, um tanto preocupado. Uruha exibiu um sorriso irônico em direção ao moreno, sabia que ele não poderia fazer nada, pelo menos parecia não poder fazer.
– Advogado do inferno? Me diz então o que você faz?
– Negocio almas para o inferno. Não estaria interessado em me vender a sua?
– E quanto você acha que minha alma vale? – Akira perguntou em tom divertido.
– Hum não tem um valor certo... depende do que você quer, posso te dar tudo em troca dela. – Uruha virou-se em direção ao loiro sorrindo.
– Tudo?
– Tudo.
– Akira! – A voz de Yuu fez com que os dois virassem em direção ao moreno que agora estava próximo aos dois. – Você tem que ir com a Eriko-san no estoque,
só você sabe onde guardar aqueles produtos novos. Não se preocupe, eu cuido do cliente.
– Tudo bem. – Akira se dirigiu ao demônio. – Foi bom te ver de novo, Kouyou.
– Igualmente. – O maior respondeu vendo o loiro se distanciar até que só restasse ele e o moreno.
– Você ficou maluco? – Aoi perguntou tirando os cabelos escuros de frente do rosto.
– Boa tarde para você também, Aoi. Que chato você, atrapalhando sempre na melhor parte.
– Eu sou chato? Você se arrependeria muito de ter existido se fizesse algo com Akira.
– Mesmo? Eu pensei que era isso que eu deveria fazer. Sabe, foi por isso que eu fui criado.
– Conhece as regras. Não me provoque durante o dia, Uruha. Se algo acontecer enquanto a luz do sol cobrir essa superfície da terra, pode ter certeza que eu mesmo te mando de volta para o lugar de onde você veio. – Ameaçou sério, Uruha apenas observou em silêncio para que no final de todo o falatório começasse a rir.
– Aoi, mais engraçado impossível.
– Não acha que eu sou capaz?
– Me diz você? – Uruha finalmente parou de rir pondo-se em frente ao anjo. – Eu não ia fazer nada com o Akira, sabe que não gosto de trapacear. Agora tente fazer algo comigo e você vai ver quem é que vai fazer uma visita mais cedo ao inferno. – Uruha rebateu a ameaça em meio ao olhar estreito do moreno.
– Não me importo comigo, sou diferente de você que só pensa em si próprio.
– Quem disse que eu falava de você?
– Eu nunca deixarei Akira ir para o inferno, pode escrever isso. Se depender de mim, você volta mais uma vez de mãos abanando.
– Porque tem tanta certeza de que ele não vai? – Perguntou. – Me parece certo demais.
– Não é nada que seja da sua conta.
- † -
O moreno havia ficado um tanto perturbado com o que aconteceu com Uruha mais cedo. Mesmo que Akira vendesse a alma para o demônio de forma inocente, achando ser algum tipo de brincadeira, ainda assim Uruha não conseguiria levá-lo para o inferno, Akira estava preso naquele plano até que sua vida se esvaísse e Deus recolhesse sua alma. Mas ainda assim Uruha poderia descobrir que Akira não era comum e era o que Aoi mais temia.
Kai estava na casa de Reita naquele dia. O loiro havia convidado o amigo para que conhecesse o lugar onde morava, já que naquele dia Akira não trabalharia na velha lanchonete. Akira e ele se davam bem e assim a conversa se desenrolava fácil, coisa que deixava o anjo feliz de alguma forma.
Enquanto isso Yuki observava os quatro cantos da casa de Akira boquiaberto. O fato é que tudo na terra era novidade para Yuki, diferente do que havia dito para Uruha e Aoi, aquela realmente era sua primeira vez na terra. Poucas semanas atrás, quando a alma de Akira foi descoberta, foi enviado para a terra e acabou por substituir o anjo de Kai e, para que Aoi não descobrisse a farsa das trocas de anjos, modificou as lembranças de Aoi. Já que o Kai era um dos poucos amigos de Akira, a chegada do moreno ao trabalho do velho amigo não foi por acaso. Na verdade muita coisa já havia sido planejada há muito tempo.
– Aoi, porque eles estão fazendo aquilo? E o que são essas coisas que eles estão segurando? – Yuki perguntou de olhos arregalados. Já observava a algum tempo enquanto os dois jogavam videogame. Aoi olhou desconfiado para o anjo, não era possível que alguém depois de passar tanto tempo na terra e não soubesse o que era aquilo.
– Tá brincando, né?
– Claro que não...
– Ah... – O moreno estreitou o olha em direção a TV, mas logo se pós a falar. – Aquilo é uma caixa dimensional criada pelos humanos, incrível né? – Aoi mentiu vendo o olhar do outro se arregalar ainda mais e assentir freneticamente. – Então, aqueles que aparecem na tela são outros humanos e eles usam aqueles chamados “controladores de mente” para fazer esses humanos da tela brigar entre si até a derrota de um deles. Depois, o que perde tem que ser finalizado, chegando enfim à morte, ou o chamado Fatality.
– Mas isso é terrível! – Yuki exclamou enquanto Aoi segurava o riso.
– Sim, os humanos chamam isso de Mortal Kombat.
– Mas dessa forma não vai haver salvação para os humanos. – Falou perplexo e o moreno não pode mais segurar o riso.
– É brincadeira, Yuki! Isso é um jogo, nada do que acontece na tela é real. – Aoi respondeu em meio ao riso. – Mas é sério que nunca viu uma televisão e um videogame?
– Eu me mantenho longe dos humanos o máximo que eu posso, por isso não conheço muito sobre eles. – O outro anjo respondeu.
– Isso é bem suspeito. – A voz conhecida dos dois anjos acabou por soar bem próximo a eles.
– Ele sempre tem que aparecer assim? – Yuki perguntou olhando para o loiro sentado próximo aos dois humanos com um sorriso largo no rosto bonito.
– É a entrada triunfal dele, você se acostuma depois da sétima ou oitava vez. – Aoi falou exibindo um sorriso debochado em direção ao demônio.
– Yuki, você realmente não conhece quase nada do mundo dos humanos? Se isolou tanto assim? – O loiro perguntou olhando fixamente nos olhos castanhos do anjo.
– Não conheço muito, eu sempre observei o Kai de longe, me atentando apenas as mudanças de humor que ele sofria na época da escola. Eu nunca realmente precisei saber sobre os humanos. – Mentiu, mantendo-se imparcial diante do olhar treinado de Uruha. Se fosse qualquer outro mentindo, Uruha saberia. Mas Yuki não era apenas um “anjo da guarda” como Aoi era. Uruha não saberia distinguir o que era mentira ou verdade nas palavras de Yuki.
– Acho que já tá na hora de voltar para casa. Foi bom passar um tempo contigo, Reita. – Kai falou, deixando o controle do console de lado e se pondo de pé tomando a atenção dos outros presentes.
– Mas já? – Akira imitou o movimento alheio se pondo de pé também.
– Sim, já está meio tarde.
– Quer que eu te acompanhe até o metrô? – Kai já estava se direcionava à saída, seguido pelo loiro e pelo anjo. – Talvez seja perigoso você ir sozinho.
– Não se preocupe com isso, eu sei me cuidar. Até amanhã, Reita!
Depois de trocar algumas palavras com o amigo, Kai saiu deixando apenas Akira e seus dois acompanhantes invisíveis. Akira logo se deitou no sofá olhando para o teto como se fosse a coisa mais interessante do mundo, se afundando em pensamentos diversos.
– Porque ele é tão idiota? Ele tem tudo para ficar bem, mas ainda assim está agora mesmo pensando na pessoa que perdeu. – Uruha inclinou-se para observar melhor o loiro, vendo as linhas do rosto se acalmarem aos poucos, era como se ele estivesse prestes a pegar no sono.
– Se importa com isso?
– Não, eu só estava pensando sobre isso.
– Não parece não se importar. – O moreno concluiu se aproximando do loiro. – Eu notei que está sempre observando ele, ocultando sua presença para que eu não perceba que está aqui durante os últimos dias que você supostamente não deu as caras.
– Como sabe disso? – O loiro virou-se espantado olhando o moreno.
– Não tem como você se esconder totalmente de mim, Uruha. – Ele sorriu. – Mas porque faz isso?
– Hum... – O loiro fez uma pequena pausa antes de continuar. – É como se algo me puxasse para perto todas as noites. – Respondeu desviando o olhar. Não era mentira o que falava, mas não era só por causa de Akira que aparecia todas as noites naquela casa, aquele anjo tinha sua parcela de culpa. Ainda não entendia o porquê de Akira se tão diferente dos outros humanos, mas também não entendia o que estava acontecendo entre ele e Aoi ultimamente.
– Ah... Só isso mesmo? – Aoi não duvidava do que Uruha dizia, aliás, desde a visita de Kamijo já não estranhava o comportamento de nenhum dos loiros. Akira deveria afetar Uruha de alguma forma, mas porque Aoi nunca sentia nada? Era estranho que fosse apenas com Uruha.
– É lógico que é apenas isso. – Uruha balançou a cabeça de forma negativa tentando espantar os pensamentos que o rodeavam a algum tempo. – Eu vou indo, ele não vai sair hoje, então não tenho mais o que fazer.
– Não vai embora. Fica, por favor.
Aoi e Uruha se olharam espantados, isso porque foi a voz de Akira que disse aquelas palavras, logo voltaram a atenção ao loiro deitado sobre o sofá, ele agora estava sentado e olhava na direção que os dois estavam.
– E-Ele me escutou? – Uruha gaguejou.
Notas finais
Então, e só uma coisa pra falar sobre os comentários de vocês >>>>>>>>>> [ http://3.bp.blogspot.com/--44H8nAjlOA/Ti7vDWEz07I/AAAAAAAAAGc/ic90d6agMzY/s1600/me-gusta+-+C%25C3%25B3pia.png ]
GENTE QUE LINDO, E LEITORES NOVOS ♥3333333333333 comecei a responder hoje, amanhã terminarei. *caindo de sono*
Brigada a Conceived Dream, valeu pelo o apoio, serio. ♥ A Su Shibasaki, a daaniiie (espero que cê tenha melhorado ;A;), Tomoyuki, TOXIC MaBh, Chunnia(GENTE, CHOREI COM O SEU REVIEW ♥3333333), Natinha ♥, Kotori, helligkeit (Mio goxxxxtosa), Sooky e Shiro. Responderei os reviews, porque eu realmente gosto de manter contato com vocês e saber o que estão achando, não se acanhem em mandar criticas sinceras.
Então é isso, beijos a todos os lindos e nos vemos semana que vem com coisa legal pra vocês.
Ps: Yuki é o do Versailles.
Fale com o autor