Fire And Ice
7 Capítulo 6 - I fall in the sky... forbidden gate
Notas iniciais
– E-Ele me escutou? – Uruha gaguejou.
– Isso não é possível... – Aoi murmurou, pedindo internamente para que tudo fosse apenas um engano. Aquilo seria o suficiente para que Akira chamasse a atenção de Lúcifer caso Uruha contasse, algo que não duvidava que acontecesse.
– Eu não sei quem você é. – Akira continuou e Aoi engoliu a seco. Parecia que Akira tinha certeza que não estava sozinho naquela sala e Aoi sabia que aquelas palavras não eram dirigidas a ninguém mais além de Uruha. – Eu não consigo escutar ou enxergar, eu só sei que você está aqui.
– Como isso é possível? – Uruha perguntou com a voz fraca, o olhar logo se pousando sobre o moreno, suplicando por alguma resposta.
– Pode ser idiota, mas eu só consigo dormir completamente em paz quando você está aqui. Eu sei que não estou louco ou que estou imaginando coisas...
– Isso está errado, Aoi... Ele não pode... – Uruha parecia perdido sobre o olhar do moreno, Aoi não sabia o que fazer naquelas circunstâncias.
– É, ele não pode, ele deve estar imaginando coisas. – Aoi concluiu tentando fazer com que Uruha acreditasse naquilo, mas a cabeça do loiro estava bagunçada demais e estava mais do que óbvio que havia algo de errado.
– Eu não posso ficar mais tempo aqui...
- † -
Os passos rápidos ecoavam pelas paredes escuras de pedra do castelo, o frio do local e o ambiente em si eram quase agonizantes. Estava mais nervoso que o normal, também pudera, as coisas não estavam como deveriam. De uns tempos para cá, muita coisa havia mudado, principalmente quando se tratava de seu próprio comportamento. Sempre teve certeza de tudo que fazia, mas agora nem sabia por que fazia certas coisas. Podia chamar do mesmo nome que o moreno havia dito da última vez? Impulso? Não estava longe de ser aquilo, algo havia mudado dentro de si e sabia.
Deu mais alguns passos pelo corredor escuro até chegar a uma grande porta de madeira, seguiu a presença de alguém ali dentro e torcia para que fosse Lúcifer, precisava que alguém lhe desse respostas e, se havia alguém que poderia responder suas perguntas, esse alguém era Lúcifer. Abriu a porta, porém não avistou nem sinal do demônio menor. Ao invés dele, um homem alto de cabelos compridos e muito negros estava sentando em uma poltrona grande. Os olhos exibiam um tom vermelho escuro, esses mesmos olhos fitavam Uruha com interesse.
– Você aqui... estou surpreso, porém não poderia haver surpresa melhor. – O homem mais alto falou e logo as feições do rosto de Uruha se suavizaram, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.
– Eu não esperava te encontrar tão cedo, mas já acho até melhor que eu tenha te achado ao invés de ter encontrado Ruki. – Uruha falou o que estava em sua cabeça dando poucos passos até estar na frente da poltrona onde o moreno estava sentado. Masashi foi sua companhia por muito tempo desde quando viveu como anjo, ainda se lembrava do dia que havia dito ao moreno que viria para o lado de Lúcifer. Ele não pensou duas vezes, acabou seguindo Uruha e Lúcifer.
– Tem algo te incomodando tanto assim para preferir vir ao inferno a ficar na Terra? Sei que não gosta daqui. – O homem perguntou, erguendo um pouco a coluna para poder, assim, fitar melhor o loiro. – Está inquieto, posso sentir de longe.
– As coisas estão ficando fora do meu controle. – Uruha respondeu, ficando ao lado da poltrona e passando a mão pelos cabelos loiros de forma nervosa enquanto o corpo se encostava a parede de pedra. – Vou ficar louco, Masashi.
– Porque não tenta me contar o que aconteceu? – Masashi perguntou, levantando-se e colocando-se em frente ao loiro. Observava as feições bonitas de Uruha preocupado, o loiro não era de ficar daquela forma. Na verdade, nunca o havia visto daquela maneira.
– Tudo começou com um humano, eu não sei exatamente o que aconteceu, eu já o acompanhei anos atrás. Apesar de sempre me sentir estranho na presença dele, nada disso havia acontecido antes. – Uruha suspirou.
– Hum... Explique-me melhor. – O moreno perguntou, afastando os fios claros do rosto do loiro.
– Explique melhor mesmo, Uruha, também não estou entendendo. – Antes mesmo que os dois demônios dessem por si um terceiro já estava junto a eles. Lúcifer. Masashi se virou rapidamente, Ruki não gostaria nada de ver Masashi próximo a Uruha e o moreno não era burro de contrariar Lúcifer.
– Achei que demoraria a voltar da Terra. – Masashi comentou recebendo o olhar estreito de Lúcifer.
– E eu ia mesmo, até sentir a presença do Uruha por aqui. Imaginei que fosse algo sério, já que não posso sempre contar com a presença dele. Então voltei imediatamente. – Ruki se pronunciou em voz baixa.
– Não pode contar com a presença de ninguém além da minha, Ruki. — Masashi falou cruzando os braços. – Infelizmente, afinal age como se eu não existisse todas as vezes que venho aqui.
Ruki nada disse, apenas sentou-se na poltrona antes ocupada por Masashi, cruzando as pernas em um ato rápido. Era verdade o que Masashi dizia. Apesar de o inferno ser cheio de demônios, Lúcifer não gostava de ficar na companhia de todos, poucos eram permitidos dentro daquele castelo e, dos poucos que tinham a entrada permitida, Masashi era o que mais ficava na companhia de Ruki. O moreno tinha seus motivos para ficar ali, mas Ruki realmente não ligava, era um ser solitário.
– Como se eu apreciasse sua companhia, Masashi. – Ruki ironizou e deu de ombros voltando a fitar o loiro. – E então Uruha, porque veio até aqui? Sei que não foi por causa do Masashi muito menos por minha causa.
– Não sei se ainda lembra do Aoi. – Uruha falou, Ruki continuou com sua expressão inabalável enquanto Masashi estreitou o olhar ao lembrar daquele nome.
– Aoi? Quem é Aoi? – Ruki perguntou.
– Masashi lembra dele? – Masashi rapidamente desviou o olhar ao notar a pergunta do loiro, fazendo um gesto negativo com a cabeça.
– Eu o acompanho como demônio desde que fui mandado à Terra pela primeira vez. Eu sempre acabo pegando os mesmos humanos que ele. – Uruha falou usando um tom de voz calmo, mesmo que internamente gritasse por respostas. – Enfim, o humano dessa época é o mais problemático que Aoi já teve, mas também é o único sobre o qual eu não tenho poder algum.
– Como assim?
– Ele não sente medo, nada do que eu diga surte efeito sobre ele. E hoje aconteceu outra coisa...
– O que aconteceu, Uruha? – Masashi perguntou sério.
– De alguma forma, ele sabia que eu estava do lado dele, mesmo que eu não estivesse visível aos olhos humanos. – Uruha completou, achou que teria algum tipo de reação mais concreta vinda de Lúcifer, mas não. O menor na apenas continuou olhando para Uruha da mesma forma imparcial de sempre.
– Isso pode ser explicado... Certo, Ruki? – Masashi perguntou, passando a olhar o mais baixo assim como Uruha fazia.
– Ruki? – Uruha chamou após alguns segundos de silêncio por parte do menor.
– É só isso que está te incomodando, certo? – Ruki finalmente perguntou encarando os olhos cor âmbar do loiro, algo lhe dizia que não era apenas aquilo.
– É, só isso. – Mentiu, o olhar fugindo de Ruki e se pousando na janela grande do outro lado do aposento. Além dela só a escuridão podia ser alcançada pelos olhos do demônio, o inferno era como um grande buraco negro, nada além de esquecimento e o sofrimento era o destino das pessoas que chamavam aquele lugar de lar, se é que podia ser chamado dessa forma. Não podia dizer toda a verdade, não saberia como explicar a confusão que Aoi e Akira haviam feito em sua cabeça e nem explicar os próprios atos.
– Então não se preocupe, humanos que tem uma ligação maior com seu anjo acabam sendo mais sensíveis a corpos espirituais, esse é o porquê desse humano conseguir te sentir. – O demônio menor informou com calma, logo se levantou caminhando em direção a mesma janela que Uruha olhava. – Os casos são raros, mas reais. De onde você acha que saíram essas histórias de fantasmas e coisas do tipo?
– Eu já ouvi falar disso. – O maior se pronunciou pousando a mão sobre o ombro do loiro. – Não se preocupe, Uruha.
– Não estou preocupado. – Falou retirando a mão do maior de cima do próprio ombro com um movimento brusco. – Fiquei perturbado com a possibilidade de ter algo errado.
– Não tem nada de errado, Uruha. Tire isso da cabeça.
- † -
Aoi ajudou a retirar mais uma mala grande de dentro do pequeno carro vermelho que pertencia a sua chefe. Após pousá-la no chão, o olhar foi direcionado ao céu. Estava limpo, quase nenhuma nuvem podia ser vista, a temperatura mais fria tão típica da época do ano levou a direção da loja onde trabalhava com Akira a marcar uma reunião mais intima com os funcionários da empresa com o intuito de promover a interação entre eles. Tratava-se de um pequeno acampamento no fim de semana, a temperatura mais fria deixava tudo bem mais aconchegante ainda mais com visual que aquele lugar apresentava.
O lugar reservado pela loja era lindo, em meio a muitas árvores. Afastado da confusão da cidade estava aquela pequena vila formada por várias casas de madeira no mais verdadeiro estilo rústico. Todas haviam sido alugadas para a ocasião. Contribuía ainda mais para o visual aconchegante um grande lago cercado por uma copa de árvores a poucos metros da vila.
– A Eriko já dividiu as casas entre nós, vão ser dois por casa. – Akira informou se aproximando com Kai ao lado.
– E como ficou a divisão? – Aoi perguntou, entregando a mala do loiro. Ele apenas a pegou e a colocou ali no chão mesmo.
– Eu e o Kai vamos dividir uma e você vai dividir outra com um amigo meu. – Akira exibiu um sorriso largo antes de pegar o celular e conferir se havia uma mensagem nova, rapidamente respondendo-a.
– Que amigo? De que setor da loja ele é?
– Ah, ele não é da loja. Eu o conheci a pouco tempo, convenci Eriko a abrir uma exceção e deixá-lo entrar no acampamento.
– Eu e o Akira conversamos sobre ele e temos certeza que você vai adorar a companhia dele, Yuu. – Kai completou sorridente, trocando olhares cúmplices com o amigo.
– Do que diabos vocês dois estão falando? – Aoi perguntou, um tanto irritado com a atitude dos dois.
– Cala a boca, Yuu, ele chegou. Finge ser legal, pelo menos.
O moreno estava muito desconfiado sobre a história. Tudo bem que nem sempre acompanhava Akira por onde ele ia, mas ainda era estranho todos aqueles atos e esse amigo do qual nunca ouvira falar. Resolveu deixar de lado e voltou a atenção para onde Akira apontou. Um carro negro havia acabado de estacionar ao lado dos outros e em poucos segundos o dono dele saiu pela porta do motorista, usando uma camisa preta de mangas compridas e um jeans azul grosso trazendo uma mochila nas costas. Aoi engoliu a seco quando viu que aquele homem era Uruha.
– Mas como...? – Yuu murmurou baixinho, de modo que só ele pode escutar. Não sabia o que Uruha pretendia com aquele tipo de aproximação, mas já estava extremamente irritado com aquilo.
– Demorei? – Uruha perguntou usando um sorriso largo ao se aproximar do pequeno grupo, o olhar prendendo-se no moreno por alguns segundos, mas logo voltando a atenção para Reita e Kai. Fazia quase um mês desde a última visita que havia feito a Reita, ou pelo menos a última visita na qual Aoi estava presente. Esperava pacientemente pelo momento que Aoi deixava de acompanhá-lo para poder se aproximar de Akira, o que acabou dando certo. Pouco tempo se passou e depois de muita conversa já estava sendo chamado de “amigo” pelo loiro.
– Que nada, chegamos a pouco. Ah, antes que eu me esqueça, Takashima Kouyou esse é o Shiroyama Yuu, o cara de quem falei antes e esse é o Uke Yutaka ou Kai, falei dele também se não me engano. Meninos, sejam legais com o Kou. – Akira fez uma breve apresentação exibindo um sorriso largo aos amigos.
– Muito prazer em conhecê-los. – Uruha falou inclinando-se em uma reverência breve imitada apenas por Kai.
– O Kou é advogado, então tenham cuidado com o que dizem. Ele adora usar minha palavras contra mim. – Akira riu acompanhado por Kai e Uruha. Já Aoi se mantinha em um quase estado de choque, ainda não podia acreditar no que Uruha estava fazendo. – O que foi Yuu? Você ‘tá bem? Parece até que viu um fantasma.
– Eu estou bem, não se preocupe. – O anjo confirmou em voz baixa.
– Shiroyama-san, se estiver sentindo alguma coisa me avise, minhas habilidades médicas são ótimas, modéstia parte cursei medicina por algum tempo até me decidir por direito. – O loiro falou usando um tom calmo.
– Muito modesto, claro, mas não deveria se meter em áreas que não são de seu total conhecimento, Takashima-san. – Aoi rebateu estreitando o olhar.
– Eu me meto quando quero e nesse caso posso dizer que entendo bastante da área, anjo. — Uruha frisou bem a última palavra.
Mas o que era apenas uma troca de bem comum entre Uruha e Aoi, foi curiosamente interpretada de forma boa por Akira, que já sorria de orelha a orelha esperando que algo pudesse surgir daquele encontro. Desde que havia conhecido Uruha, não podia olhar para ele sem lembrar-se do amigo, algo lhe dizia que os dois combinavam de alguma forma e, quando falou de Uruha para Kai, o moreno concordou. Viu ali a oportunidade perfeita para apresentá-los devidamente. Aquilo deveria ser bom e suficiente para que os dois se conhecessem melhor. Já havia conseguido que os dois ficassem na mesma cabana e o final de semana seria bem longo; três dias dentro de um lugar totalmente afastado da cidade e com um visual perfeito. Akira já havia recebido tanta ajuda de Yuu quando precisou que pelo menos uma vez queria ajudá-lo de alguma forma.
Notas finais
Essa semana vou postar mais de um chap, porque me empolguei com o outro, não vou dizer com certeza quando ele sai, mas é antes de quinta-feira.
Tô correndo pra postar isso aqui então serei rápida ♥
Brigada pelos comentários que foram MUITO bons no último chap, vocês estão chegando muito perto nos palpites, obrigada a Shiro, Conceived Dream, helligkeit, TOXIC MaBh, Zess, Tomoyuki e daaniiie. ♥
Então é isso, a gente se vê depois e leitores fantasmas, pfv apareçam. :/
Reviews (^-^)/♥
Fale com o autor