Fire And Ice

11 Capítulo 10 - Calling you I'm Calling you


Notas iniciais
Cocoon - Matenrou Opera. Boa leitura ;3;~♥

Havia algum tempo desde a última visita que havia feito ao moreno. Não que precisasse ficar tanto tempo sem vê-lo, queria vê-lo. Apenas tinha medo que, por conta de seu desejo, alguém descobrisse e que tudo tivesse um fim. Mas mesmo assim nada aconteceu. Ou ninguém havia percebido o ocorrido entre Aoi e Uruha, ou não se importavam. O loiro, depois de pensar muito, só conseguia achar a primeira opção viável. Não havia como um anjo e um demônio ficarem naquela situação e ninguém se importar, não era normal.

Ao chegar à casa de Akira, não sentiu a presença nem de Aoi muito menos de seu protegido, apenas Yuki. Estranhou que o anjo estivesse ali sem Kai por perto, mas mesmo assim entrou no apartamento. Yuki estava no quarto de Suzuki, os olhos vidrados na tela pequena da televisão que o enfaixado tinha. Assistia um dorama em uma concentração que deixou o loiro entre a vontade de rir e a curiosidade.

– Yuki, o que faz? – O demônio perguntou, sentando-se ao lado do anjo.

– Aprendendo um pouco sobre comportamento humano, Aoi disse que isso me ajudaria. – Respondeu sem ao menos tirar os olhos da novela.

– Aoi, hm? – O loiro perguntou ficando pensativo por um momento. – E sabe onde ele está?

– Saiu com Kai e Reita, já devem estar voltando. – Respondeu antes de arregalar os olhos com uma das cenas do dorama. – Eles terminaram?! Mas tá tão na cara que foi armação!

– Yuki, não vai aprender nada assistindo essas coisas. É só lixo para entretenimento, nada muito real. – O loiro resmungou levantando-se e indo até a estante que dispunha alguns filmes. Já estava com um em particular em mãos, esse estava mais escondido que os outros. Jogou a caixa sobre a cama, indicando ao anjo. – Assista isso, um resumo sobre comportamento humano.

– Você é legal, Uruha. Diferente dos demônios que tanto ouvi falar.

– O que? – O loiro ergueu o cenho para então rir. – Não fale isso cedo demais. Vou esperar pelo Aoi na sala.

E seguiu até a sala que já lhe era tão familiar. O loiro não se lembrava de ter passado tanto tempo assim em outro lugar e nem se lembrava de qualquer outro lugar que gostasse tanto quanto aquela casa. A convivência com Aoi havia mudado bastante, antes era totalmente neutro em relação ao moreno, por anos fora dessa forma, e agora... Agora não estava sendo fácil se manter longe daquele anjo.

– Olha quem apareceu. – A voz do moreno tirou Uruha de seu mar de pensamentos e deixou que um sorriso gêmeo ao do moreno se formasse nos lábios bonitos.

– Olha só quem apareceu do nada. Querendo assustar alguém, Aoi?

– Aprendi com alguém. – E se aproximou do loiro, sentando-se ao lado dele no sofá.

– Criei um monstro, então. – E riu, acompanhado do mais velho. – Onde estava?

– Kai e Reita saíram pra comer, já estão no metrô, em breve chegam por aqui. Aliás, vou avisar ao Yuki.

– Yuki vai ficar bem por alguns minutos, me dê um pouco de atenção, sim? Tenho pouco tempo antes de ter que ir recolher uma alma. – E segurou o moreno pelo pulso impedindo que o mesmo fosse até o quarto onde estava Yuki. – Apenas cinco minutos, não dará tempo de Reita chegar.

– Já que insiste.

E logo se beijaram. Aoi e Uruha não falavam sobre o que faziam e o que se passava na cabeça de cada um, apenas faziam o que queriam. Ainda era extremamente confuso na cabeça de cada um, mas aquilo que não entendiam, estava além das obrigações de anjo e demônio.

– Uruha... Eles já estão aqui perto, é melhor parar. – O moreno sentenciou, deixando um último selar nos lábios cheios do maior. – Hora de avisar o Yuki.

Uruha soltou um suspiro descontente enquanto via o menor se levantar e entrar no quarto de Akira.

Aoi travou na porta com a cena que presenciou. Yuki estava de olhos arregalados enquanto assistia televisão, os dedos apertavam o tecido fino da calça que usava e as bochechas exibiam um tom rubro digno da vergonha que sentia. E tudo isso por quê? Por um filme pornô nítido na tela.

– Yuki... o que você tá fazendo? – O moreno perguntou, correndo em direção a TV e desligando a mesma com rapidez. – Eu te mandei ver outro DVD e não esse!

– Uruha disse que era um resumo sobre comportamento humano... – Yuki se defendeu tentando se recompor do que havia acabado de ver.

– E você confiou nas palavras de um diabo? – Aoi perguntou incrédulo, já guardava o DVD na caixa que lhe pertencia e o escondendo no mesmo lugar de antes.

– Vai dizer que é mentira? Isso é puro comportamento humano– Uruha agora já acompanhava os dois na conversa, próximo ao batente da porta.

– Você deu um filme pornô para o Yuki assistir! – Acusou.

– Ah, jura? Melhor assim, perder essa inocência dele de uma vez. – Uruha completou como se fosse uma das coisas mais normais a serem ditas. – Desfaz essa cara emburrada, até parece que não sabe disso..

– Isso é tão ruim assim? Essas pessoas parecem estar machucando essa garota. – Yuki perguntou olhando os dois rapazes.

– Não é ruim, certo Aoi? Eles estão se divertindo. – O demônio lançou um olhar malicioso ao anjo, rindo. Aoi estava envergonhado com a cena, não sabia ao certo o que responderia.

– Não é que seja ruim... é só que... é como eles se reproduzem. – Aoi lançou um olhar estreito ao loiro, que sorriu.

– E como eles se divertem também. – Uruha completou. – Então, já tenho que ir. Espero que tenha gostado do filme, Yuki.

E o loiro simplesmente desapareceu, deixando um Yuki confuso e um Aoi envergonhado. Não sabia como iria tentar explicar aquela parte que envolvia os humanos. Por mais que fosse completamente normal ao ver deles, ainda não conseguia tirar as cenas da cabana de sua cabeça e aquilo deixava o moreno extremamente constrangido.

– Então, como vou dizer isso....

– Eles chegaram! – Yuki falou ao sentir a poucos passos dali o elevador se abrir.

– Está tudo no lugar, não se preocupe. E geralmente o Reita não é bom quando se trata de lembrar dos lugares aonde deixa as coisas. – Aoi começou suspirando pra então se jogar na cama, escutando os passos pela sala. – Queria que fosse tão fácil assim achar coisas perdidas na cabeça.

– Do que está falando? – Aoi não respondeu. Ao invés isso soltou um longo suspiro. – Uruha né?

– Tão óbvio assim? – O moreno perguntou sorrindo sem graça.

– Não ia falar nada, mas está praticamente escrito no seu rosto. – Yuki riu baixo, um riso que foi acompanhado por Aoi. – Não sei por que sua cabeça está assim, Aoi. Não é meio óbvio o motivo de tudo?

– Se você puder esclarecer essa confusão na minha cabeça, eu agradeceria muito.

– Não sei exatamente o que se passa na sua cabeça, sei apenas o que eu vejo. – Aoi estreitou o olhar em direção ao anjo. Yuki não deveria saber muito, certo? – Você e ele sempre estão juntos, e não venha me dizer que é por causa do Akira; é a última coisa com que você e o Uruha parecem se preocupar quando estão juntos.

– Você não fica muito com nós dois, por que acha isso?

– Porque não é preciso muito para notar o quanto vocês estão envolvidos. Eu não sou cego, Aoi. – Yuki completou olhando-o sério. – Se quer saber realmente o que se passa na sua cabeça, é só se imaginar um pouco mais “humano”.

– Me imaginar como humano? – Aoi voltou a se sentar olhando o outro anjo. – Porque eu deveria me imaginar como um humano e não como anjo, que é o que eu sou?

– Vou lhe dar apenas uma dica. Suas emoções atuais não tem nada a ver com sentimentos de um anjo. Se você pensar como um humano ao tentar resolvê-las, pode ter certeza que a confusão na sua cabeça vai desaparecer. – Yuki parecia saber bem mais do que aparentava. Aquela imagem inocente que tinha do anjo aos poucos perdia sentido na visão de Aoi. – Não se preocupe, eu não vou contar nada a ninguém. Fica entre nós dois, certo?

– Certo.

Após a resposta do anjo moreno, Yuki se despediu saindo junto com Kai que já havia decidido ir para casa. Aoi ficou sozinho ali no quarto enquanto Suzuki começava a fazer a própria comida. O anjo voltou a se deitar na cama, fitando o teto do quarto, fazendo ali o que Yuki havia dito, pensando como humano. E Yuki estava certo, já não havia duvidas e nem confusões em sua cabeça, apenas a certeza de que estava se apaixonando por Uruha... Mas como aquilo era possível?

- † -

Kai estava no balcão da loja, só havia ele por ali. Akira e Aoi estavam conferindo o estoque enquanto o moreno tratava de atender algum cliente, caso alguma alma viva aparecesse no horário do almoço, o que era bem raro. Ficou lá observando a entrada quando um rosto conhecido se aproximou e não evitou que um sorriso enfeitasse os lábios ao ver quem era.

– Kou! Que saudades, cara. – O loiro sorriu ao escutar as palavras do moreno mais baixo, aproximando-se dele.

– Estive bem ocupado. Como vai, Kai?

– Bem, um pouco cansado, mas isso é normal. – Kai respondeu animado. Sentia falta de Kouyou, apesar da estranha sensação desagradável que tinha perto dele. Era normal assim gostar e ao mesmo tempo desgostar de uma pessoa? – E você?

– Bem, muito bem. Onde estão os outros? Akira e Yuu estão de folga?

– Bem que eles queriam, mas não. Estão lá atrás no estoque, é só esperar um pouco que eles já voltam.

– Certo.

– Né, você saiu tão repentinamente do acampamento que achei que havia algo de errado com você. Aconteceu algo com o Aoi? Ele também ficou bastante estranho quando perguntamos sobre você. – Kai perguntou encarando os olhos castanho âmbar de Uruha. Se o demônio não fosse tão bom com mentiras, vacilaria com a pergunta alheia.

– Não foi nada demais, apenas um compromisso, algo importante que aconteceu no escritório, não teve como fugir. – Mentiu exibindo um sorriso calmo.

– Mas é sério que não tem nada com vocês dois? – Kai perguntou um tanto descontente. – Vocês são tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes que eu e Reita achamos que daria certo.

– Somos mais diferentes do que parecidos, pode ter certeza.

– Sabe o que vocês me lembram? – Kai começou.

– O que?

– Yin e Yang.

– Yin e Yang? O que seria isso? – Uruha por mais que acompanhasse os avanços da terra por muito tempo, ainda havia coisas da qual desconhecia.

– Como assim você nunca ouviu falar? – Kai riu baixo pra então continuar. – Yin e Yang é uma lenda chinesa. Dualidade. – Kai fez uma pequena pausa, contemplando o rosto pensativo de Uruha. – Yin e Yang é simplesmente tudo que existe, é o equilíbrio. Por exemplo, Frio seria Yin e calor seria Yang.

– Opostos?

– Isso! Mas tudo isso se completa de alguma forma. É mais ou menos o que eu penso de você e de Yuu. – Kai completou.

– Não pense besteiras, eu e o Yuu juntos é algo da sua cabeça e da cabeça do Akira, os dois andam tão entediados que acabaram usando a mim e ao Yuu como distração. – Uruha completou fazendo-se de ofendido. Mas a verdade é que Yin e Yang havia mexido com o loiro, afinal, lembrava-se da época do primeiro beijo dos dois.

– Não sei, mas acho que você ficou nervoso. – Kai brincou fazendo um gesto de rendimento em seguida. – Não se preocupe, eu não vou me meter. Mas acho que vocês dois estão perdendo muito tempo dessa forma.

– Não estamos perdendo tempo, como eu disse, não é nada disso que vocês andam imaginando. – Uruha desconversou. – Enfim, eu já vou. Diga aos dois que volto depois.

– Não precisa fugir, Kouyou.

– Eu não estou fugindo!

– Ah não? E porque está tão nervoso e do nada resolveu que era hora de ir? – O moreno perguntou, exibindo um sorriso largo.

– Não, eu não estou fugindo.

– Para de negar, Kouyou. Você gosta do Yuu, assim como ele gosta de você que eu sei. Eu e o Akira não somos cegos

– Estão imaginando coisas. – Uruha começou, mas logo travou quando viu o moreno seguido de Akira entrando na loja pelos fundos. – E já tá na hora de ir. – E saiu rapidamente pela porta quando os seus olhos e os olhos escuros de Aoi se encontraram.

– O que deu nele? – Akira perguntou a Kai ao ver a forma com que o loiro havia saído.

– Pergunta para o Yuu.

– O que eu tenho a ver com isso? – O moreno perguntou aproximando-se do lugar onde Uruha estava antes.

– Ele ficou nervoso quando te viu e saiu quase correndo. Porque vocês não abrem logo o bico e falam o que aconteceu depois que eu os encontrei no lago?

– Porque não aconteceu nada. – Aoi cortou de forma quase seca olhando o moreno.

– Se você diz... Acho que terei que me desculpar com ele, fui um tantinho mais persuasivo.

– Presumo que quase inconveniente. – Akira brincou.

– Podem parar com isso, vocês dois. Vai ficar extremamente chato entre eu e o Takashima se essa situação continuar.

E saiu de perto dos dois. Queria muito ver Uruha, conversar com ele, mas teria que esperar até que o loiro resolvesse aparecer na casa de Akira. Tudo bem, não faria mal esperar um pouco antes de revelar os sentimentos que tinha por Uruha e tentar resolver o que fariam dali para frente. Mas, ainda assim, não via futuro nenhum quando pensava nos dois juntos. Perigoso e incerto demais.

Notas finais
Que reviews lindossss, e desculpe a falta de tempo ç-ç eu sou organizadora de um evento aqui no meu estado, e como falta pouco pra ele e eu sou responsável por muita coisa, o tempo tá corrido. Mas não esqueci de vocês, de jeito nenhum.
Obrigada a aboutagirl pelo review e pela recomendação ♥,Tomoyuki, Conceived Dream, daaniiie, Sooky, TOXIC MaBh, Liza Cavendish e Shiro. Amei cada review. *o*
Então dependendo dos reviews, prometo um momento bem amor pra vocês, ou então........... 8DDDD parei u_u
Beijos e antes que eu comece a falar merda. ♥
Beijos e reviews? ♥