Fire And Ice
12 Capítulo 11 - Let the Fire burn The Ice
Notas iniciais
Sentiu o vento gelado bater contra a pele, aquela sensação térmica tão simples em meio aos humanos, chegava a ser engraçada quando aquele ser de asas a sentia. Mesmo que o corpo humano não fosse a melhor coisa do mundo para aqueles que não foram feitos para ele, ainda assim tinha seus benefícios. Só com ele conseguia sentir cada uma das coisas que o mundo lhe oferecia, cada pequena sensação se tornava nova.
O moreno suspirou ao chegar a um portão grande de ferro, este enferrujado e gasto, as plantas já trilhando caminho pelo portão, deixando o casarão abandonado ali atrás ainda mais escondido. Era uma casa linda, enorme, porém caindo aos pedaços pela falta de uso e cuidado. Aoi abriu o portão e logo caminhava por um caminho de pedras grandes, havia se perguntado o motivo de ter aceitado aquele convite, logo no meio da noite e logo naquele lugar.
Existiam muitos lugares no mundo como aquele. Aquela casa era uma das poucas que expelia espíritos, nada entrava naquele lugar em forma espiritual, por isso o moreno agora abusava de sua forma humana para atender aquele pedido. Não se sabia ao certo o porquê de lugares como aquele existirem, talvez só Deus soubesse, mas era um segredo que não queria compartilhar.
Após atravessar o jardim tomado pelas ervas daninhas, Aoi se posicionou no hall de entrada esperando por qualquer ruído, qualquer coisa que o fosse receber, coisa que não aconteceu, resolvendo então empurrar a porta grande feita de cedro, escutando o rangido ecoar pela casa toda. O moreno não sabia ao certo onde ir, estava tudo escuro e ainda por cima existia aquele cheiro ruim lhe tomando as narinas.
Até que, no meio da caminhada incerta pela sala enorme, escutou um ruído vindo da parte superior da mansão e logo que procurou pelo foco, encontrou uma fonte de luz mínima vinda da escada. A mesma sendo grande, feita de madeira, encontrava-se logo ao fim da sala; Aoi não tardou em seguir para aquele local, subindo as escadas rapidamente, vendo a luz se tornar mais forte a medida que subia os degraus.
No fim das escadas encontrou um corredor estreito, porém longo. No final deste, estava o foco de luz que seguia; uma porta aberta revelava alguns candelabros de aparência antiga. Aoi hesitou por um momento, mas logo cortou o corredor em uma caminhada lenta até o último quarto.
Não foi surpresa nenhuma vê-lo do outro lado do quarto, sentado a uma poltrona cor vinho tinto, observando a paisagem além da janela. Aquele quarto parecia o único lugar da casa que não estava tomado pela sujeira, diria até que era um quarto de uma casa normal se não fosse a mobília gasta pelos anos.
– Por um momento achei que você não viria. – O loiro se pronunciou em voz baixa, sem tirar os olhos da janela.
– Por um momento eu achei a mesma coisa. – Aoi respondeu, dando apenas alguns passos em direção ao maior.
– Mesmo? – Uruha virou o rosto para fitar o do moreno em meio a luz precária. Fazia pouco mais de duas horas que havia mandado um bilhete indicando o endereço onde estava, pedindo para encontrar Aoi. – O que te fez vir até mim, Aoi? – O loiro perguntou encostando o rosto na palma da mão, observando o menor.
– A curiosidade. Quero saber o que você tem para me dizer.
– Não tenho muito a dizer, desculpe te decepcionar. – Uruha falou em voz baixa antes de se levantar e encurtar a distância que havia entre ele e o moreno. – Eu só queria te ver.
– Que brincadeira é essa? – O moreno estreitou o olhar em direção ao loiro, que sorriu.
– Não se faça de idiota. Você percebeu e eu também. – Uruha ergueu uma das mãos, tocando o rosto do moreno com algum cuidado. – Eu não sei o que vai acontecer daqui em diante, mas eu não quero perder a única coisa que eu sei que realmente é minha.
– Uruha...
– Não vou deixar roubarem mais coisas de mim, eu não vou deixa-los tirarem você das minhas mãos, Aoi. – O loiro se adiantou selando os lábios do moreno, mantendo-os próximos mesmo após o contato. – Eu te trouxe pra cá porque sei que ninguém vai nos encontrar aqui, ninguém vai nos incomodar enquanto estivermos em forma humana. Eu não quero perder isso que nós dois ganhamos Aoi, e você?
– Isso não tá certo, Uruha... – O moreno negou com a cabeça tentando se desvencilhar dos braços de Uruha, mas o loiro não deixou que aquilo acontecesse, apertando um pouco mais o abraço.
– O que não tá certo? Isso é errado por acaso? – O loiro voltou a unir os lábios aos do moreno para então encará-lo. – É errado isso ser tão bom? É errado isso o que estamos sentindo? Porque se ainda assim achar que errado, eu vou embora e você não precisa mais se preocupar em me ver.
Aoi não respondeu, mas era óbvio o que pensava. Aquilo não podia ser errado, tudo o que sentia perto de Uruha era certo, era algo que queria sentir e era algo que lhe fazia muito bem. O uso de palavras naquela situação foi completamente desnecessária, Aoi apenas se entregou ao beijo mais intenso até aquele dia, Uruha guiando os lábios do moreno, assim como o guiava em direção à cama no meio do quarto, a mesma estando coberta por lençóis brancos e rodeada por candelabros.
Uruha caiu sobre o moreno na cama, quebrando o ósculo, os lábios agora se ocupando em beijar e mordiscar a curvatura do pescoço do moreno e aproveitando o máximo que conseguia de cada pedacinho de pele que encontrava. Os dedos encontravam lugar debaixo da camisa de Aoi, tocando a pele quente, sentindo a mesma se arrepiar ao toque. Aoi era delicioso em seus mínimos detalhes, era assim que o loiro o via. Talvez se amaldiçoasse a algum tempo atrás por ter aqueles tipos de pensamentos, mas agora apenas ele, aquele moreno que agora gemia seu nome, lhe importava. Era tudo que tinha.
O loiro afastou-se um pouco do moreno, que reclamou a ausência do calor do corpo alheio, mas Uruha logo voltou a unir os corpos após retirar a camisa de Aoi, continuando com a serie de mordidas e beijos que lhe deixava pelo pescoço. Naquela noite pelo menos, nada iria afastar o calor que um sentia perto ao outro.
†
Depositou mais um beijo sobre os lábios fartos ao mesmo tempo que tinha um sorriso formado nos próprios, aquela sensação era tão viciante que o loiro não sabia fazer nada além de repeti-la. Aoi já não se importava em estar com o loiro naquela situação. Sabia que dali pra frente era incerto, que estava se arriscando muito ficando tão próximo a Uruha e se permitindo entregar.
– Já está amanhecendo. – O moreno murmurou após tocar mais uma vez os lábios de Uruha com os próprios.
– E você tem que voltar para o Akira, certo? – O loiro perguntou exibindo um sorriso calmo. Nunca havia estado em tamanha calma, era como se tudo estivesse andando da forma que deveria ser.
– Sim... – Respondeu deitando a cabeça sobre o ombro do maior. – Akira acorda cedo e eu preciso ir para a loja também.
– Pode mos conversar um pouco antes de você ir?
– Claro, temos alguns assuntos pendentes. – O moreno começou, sentando-se sobre a cama. Uruha fez o mesmo, encostando as costas na cabeceira de metal.
– Daqui para frente não vai ser fácil, você mais do que ninguém sabe o quão rápido eles vão descobrir o que estamos fazendo, provavelmente seremos julgados ou até mortos. – Uruha comentou em um tom decidido.
– Estamos praticamente praticando suicídio. – Aoi comentou o que já estava bem claro na cabeça dos dois, não seriam perdoados pelo o que estavam fazendo.
– É perigoso, é incerto. Eu posso te dar mais garantias de tragédia do que de um final feliz para nós dois. Mas, pela primeira vez, desde que fui criado... eu tenho certeza de algo e eu quero continuar.
– Você tem certeza?
– Agora, se você não quiser continuar, acabamos com isso agora mesmo antes que seja tarde demais.
– Eu vou ser sincero... – Aoi começou, soltando um longo e cansado suspiro. – Até chegar aqui nessa casa, eu não tinha certeza de nenhuma outra coisa.
– E agora?
– Eu não vou mentir Uruha, eu gosto de você, gosto de um jeito que não deveria. – O moreno passou a mãos pelo rosto nervoso, não era nada confortável falar aquelas coisas na frente do loiro.
– Eu sou um demônio, Aoi. Eu não deveria gostar, sentir afeto, nada, por ninguém. Eu sempre fui alguém que correu atrás de uma liberdade estranha, que não tinha nome, não tinha face, não tinha nada; eu estava sempre andando em círculos e mais círculos.
– O que quer dizer com isso?
– Que você me mostrou o que era o que eu tanto queria, não foi com palavras, não foi com gestos e nem com nada do tipo, foi apenas... a sua presença. O simples fato de você estar por perto. Era como se eu não precisasse de mais nada. – O loiro encostou as costas da mão no rosto do moreno, percorrendo a bochecha com suavidade enquanto encarava aqueles olhos negros que tanto gostava. – É como se existisse dois Uruhas... um é o que um dia já foi um anjo, ele queria ter conhecido essa sensação a mais tempo.
– E o seu lado demônio que quer me ver longe, acertei? – O moreno começou, recebendo um sinal negativo do rapaz maior.
– Meu lado demônio me amaldiçoa por querer estar com você, mas ao mesmo tempo, ele é a parte que mais te ama e quer que você seja apenas meu.
– Porque logo com nós dois, Uruha? Nós passamos tanto tempo juntos e logo agora que isso foi começar?
– Ou Deus está aprontando com nós dois, ou algo muito sério aconteceu. Mas vamos parar de falatório já está quase de manhã. Vamos nos encontrar por aqui evita que sejamos descobertos por um tempo, pelo menos. Eu te mando um sinal quando eu puder aparecer... E outra coisa, nossos períodos de encontro serão bem pequenos. Se eu ficar demais por aqui, posso chamar atenção e isso não é bom para nenhum de nós. Uma vez Masashi percebeu nossa ligação... – O loiro começou, porém não continuou. Apenas deu as costas ao moreno sentando-se na beirada na cama.
– O Masashi sabe de alguma coisa?
– Não, eu neguei tudo e o Masashi não vai alarmar ninguém com certeza, eu e ele temos muito tempo juntos, ele não faria isso comigo.
– Vocês dois são demônios, como pode confiar nele?
– Porque até entre demônios existe uma coisa chamada “fidelidade” e o Masashi é o demônio com mais senso de cavalheirismo que eu conheço.
– Ah claro, ele...
Aoi começou, porém não terminou após notar duas marcas horizontais e finas nas costas nuas do demônio, era quase impossível enxergá-las a pouca luz.
– Uruha... – O moreno chamou, ainda olhando as costas do loiro.
– Hum?
– O que é isso nas suas costas? Que cicatrizes são essas? – O moreno perguntou, recebendo um riso baixo como resposta.
– Qual é o maior tesouro de um anjo? A coisa que você recebe quase como um símbolo de honra? – O loiro perguntou, virando-se para encarar os olhos negros do moreno.
– Suas asas...? – Comentou em uma voz fraca, quase perplexo. Uruha já havia comentado sobre aquilo antes, sobre não poder voar, mas não achou que fosse por aquele motivo.
– No momento que fui expulso ao lado de Lúcifer e todos os seguidores, eu as perdi. Aliás, foram arrancadas de mim, eu nunca havia sentido dor até aquele dia. – Uruha apenas comentou casualmente, não havia se conformado com a perca das asas no momento em que elas foram tiradas, mas depois de um tempo não havia mais sentido sentir falta delas. Sorriu ao ver o moreno se aproximar e tocar as cicatrizes com as pontas dos dedos, como se fosse machucá-lo com o toque.
– Dói? – Perguntou.
– Não mais. – Sentiu os braços de Aoi contornarem a própria cintura e logo sentiu os lábios bonitos contra os lugares marcados pelas cicatrizes.
– Eu não vou deixar isso acontecer de novo, eu não vou deixar ninguém machucar você da forma que for, é uma promessa.
As fichas estavam lançadas.
Notas finais
As coisas vão começar a esquentar a partir de agora, porque apesar do Açúcar ainda estamos no meio da fanfiction. 8D
e desculpem a demora ç_ç eu li todos os reviews e amei todos, até consegui responder alguns, mas pretendo responder todos vocês logo. ♥
Valeu a Shima, Conceived Dream, aboutagirl, Liza Cavendish, Tomoyuki, Frau, Maknae chan, TOXIC MaBh, Shiro e Yukari-chan.
Agradecimentos especiais a funfufufu beta linda. ♥
Então vejo vocês logo. ♥
reviews?
Fale com o autor