Fire

5 Third Chapter - Just a dream... My dream...


Notas iniciais
Este capítulo ficou maior do que o normal, mas cabe a vocês julgar a qualidade. A garota vai (finalmente) mudar de casa neste capítulo, assim que, caso não se lembrem do prefácio, melhor lerem porque lá é contado parte deste capítulo. Na minha opinião está tudo meio "chatinho" neste cap porque lá mais para a frente é que as coisas vão melhorando. Boa leitura e nos vemos nas notas finais!

"- Que você quer, meu bem? — a voz rouca e reconfortante do meu pai acordou-me dos meus desvaneios. Ainda bem, estava precisando de um golpe de realidade.

O interessante é que, mesmo com todo o sonho presente na minha cabeça, as principais imagens que povoam os meus pensamentos são todas de um certo garoto de olhos verdes vibrantes e cabelo em chamas."


Third Chapter — Just a dream... My dream...


Tomei o café da manhã calmamente. Se é que posso dizer café da manhã se estou comendo à hora de almoço e se é calmamente com o meu pai tentando manter uma conversa decente comigo. Mas não me sinto com cabeça para isso. A única coisa boa que me aconteceu hoje é poder faltar à escola, por ordem do meu pai. Provavelmente a sua intenção era que eu fizesse as malas e empacotasse tudo sozinha. Novidade.

Meus pensamentos eram um pouco vagos e mudavam de tema muito rapidamente. Agora que estava um pouco mais lúcida conseguia assimilar as imagens do meu sonho e acho que entrei em choque quando percebi que o garoto de cabelos compridos vermelhos e olhos verdes não me era desconhecido. Não lembro bem onde vi aquele rosto antes, mas sei que aquela não era a primeira vez que o vi. Também não tive muito tempo para realmente pensar profundamente no assunto, pois o meu pai me beliscou, perguntando se eu estava bem. Provavelmente, pela minha cara, parecia que eu ia ter um infarto.

Acho que, quando acabei de comer, tirei o meu prato de comida (a obra d'arte intragável que o meu pai fez) de cima da mesa, arrumei a minha cadeira e subi as escadas para o meu quarto como um automato. Só reparei no percurso que fiz quando dei comigo a chorar, deitada em cima da cama e abraçando uma almofada. Sinceramente, não sei o que me deu. Acho que há algo de muito errado comigo.

– I break down, fear is sinking in; the cold comes racing throw my skin...

Pus a música no máximo e tentei me concentrar no que estava a sentir naquele momento. Senti-me uma idiota por não conseguir identificar o sentimento que me levou a desatar a chorar sem motivo aparente.

Começei finalmente a empacotar as coisas e pouco tempo depois já estava tudo pronto. Fingi escutar quando o meu pai me avisava do perigo de morar sozinha e outras coisas que não consegui perceber, nem queria. Por fim, ajudou-me a carregar as malas para o carro.

Deixei-me adormecer embalada pelos movimentos do carro. Acho que o dia passou demasiado rápido, mas ou mesmo tempo custou a passar. Não fiz mais do que a minha pequena rotina diária, visitei a minha mãe no hospital, comi quando tinha que comer e bebi quando o meu corpo pedia, mas não fiz nada que valesse a pena recordar.

Lembro-me vagamente que recebi algumas chamadas, umas de conhecidos, outras de vizinhos, outras de familiares e algumas apenas chamadas anónimas com pessoas que comentavam o quão fartas estavam de mim e da minha presença naquela cidade.

Peguei no meu celular e nos meus fones de ouvido e pus a tocar uma música aleatória. Sabia vagamente que a banda era "The Donnas" mas não sabia identificar o nome da música nem assimilar verdadeiramente a letra. Não sei como eu tenho essa facilidade em adormecer ouvindo rock, mas é isso que vem acontecendo ultimamente.

No entanto, desta vez não sonhei. Ainda bem que meu cérebro me estava poupando desta vez. Só acordei quando ouvi o motorista perguntando se eu estava bem, provavelmente por já estarmos a chegar.

E estávamos, realmente. Lembrava-me muito bem daquela rua e sabia que faltava apenas um quarteirão para chegar à minha casa. Balbuciei uma resposta incompreensivel (até para mim) ao motorista, que deve ter pensado que eu era louca. Mais uns minutos e havíamos chegado. Reparei no aspeto degradado do jardim e das paredes exteriores, dos muros e do grande portão. Dei o dinheiro ao motorista e falei que ele podia ficar com o troco, mesmo sabendo que me arrependería mais tarde.

Abri o portão e entrei. Senti-me meio extasiada com a sensação de regresso a casa, corri pelo jardim e abri a porta que daría para o hall. Estava tudo igual, tudo exatamente como eu me lembrava. As paredes rosadas, agora com algumas manchas de humidade meio invisíveis, o chão branco de mármore e o espanta espíritos ainda pendurado, tal como eu o coloquei uns anos antes. Não senti nostalgia como pensava que sentiría, apenas um ligeiro frio na barriga e curiosidade por saber como estava o resto da casa. Meu modo automático se ligou sem eu deixar e minutos depois já eu tinha dado uma volta inteira à casa.

Entrei no meu quarto, pronta para ver como ele estava agora. O meu queixo caiu, pois estava completamente diferente do que eu me lembrava: paredes escuras, uma cama grande de casal negra. Um tapete grande e branco era o elemento central e principal do quarto, o que me deixava um pouco melhor por ser uma cor que realmente me agradava. Porém, o resto do quarto estava completamente alterado. Nada daquelas paredes cremes e móveis de madeira a que eu estava acostumada na minha infância, tudo parecia ter sido substituido por algo igual mas mil vezes mais frio e reto.

Meu celular tocou. Era o meu pai. Soltei um suspiro que, pelo menos para mim, pareceu durar uma eternidade. Atendi e fui surpreendida por uma voz apreensiva e meio assustada. O tom de voz dele pareceu acalmar quando ouvi a minha voz.

– O que se passa?

Hesitou um pouco antes de falar, a sua voz realmente transmitia preocupação e aflição.

– Recebi agora um telefonema de um amigo meu. Ele andou a pesquisar um pouco sobre a nossa antiga casa e ficámos a saber que já houve aí incêndios e um assassinato, depois de nos mudarmos. Achamos melhor você voltar ou encontrar outra casa para morar.

Fiquei meio chocada e estática pelo excesso de informação. Era muita coisa para assimilar em só três frases, mas o meu pai é perito em sobrecarregar o cérebro das pessoas. Balbuciei a minha resposta, disse que não me ía embora daquela casa e que não havería problema nenhum. Acho que ele percebeu mas mesmo assim continuou a fazer perguntas (na minha opinião desnecessárias) sobre coisas completamente desinteressantes, nem parecia aquela pessoa largada, desligada e "metida" que é o meu pai. Depois de mais algum tempo ele finalmente desligou.

Pousei o celular em cima da cama e me joguei. Peguei numa almofada e enterrei lá a minha cara. Não restara nada daquele sentimento de frescura e leveza de quando vi a casa pela primeira vez em tantos anos. Agora sentia-me cansada, tanto que não me preocupei com as malas e com as caixas das minhas coisas e adormeci. Desta vez foi um sono mais conturbado, cheio de sonhos, pesadelos e memórias distantes que me são muito vagas. Apenas um sonho ficou verdadeiramente na minha memória, ou talvez até para além dela.

Sonho ON

Abri os olhos à escuridão que cobria todo o espaço em que eu me encontrava. Os meus olhos não conseguiam adaptar-se ao breu em que eu me situava, não como fariam em uma situação normal. Tive de tactear para saber onde estava. Era o mesmo quarto de sempre, com paredes forradas a madeira e estátuas chinesas em toda a parte. Passei a mão pelo que me pareceu ser a maçaneta da porta e abri-a. De facto era uma casa parecidíssima com a casa onde "acordei" no sonho anterior, mas não é ela. Reconheço, não sei como, que nunca estive aqui antes.

Fora daquele quarto negro alguns raios de luz entravam por uma pequena janela. Tinha direito a ligeiros vislumbres do aspeto interior da sala onde me encontrava, mas não conseguia distinguir pequenos pormenores como a cor das paredes ou do chão. As minhas mãos foram parar ao que me pareceu ser a porta de saída daquele local. Tentei abri-la mas não consegui. Tive de fazer um esforço tremendo para conseguir abrir uma brecha sufcientemente grande para eu passar.

"Esta não é a porta de saída", pensei. De facto não era. Eu estava num outro quarto, parecido ao anterior onde eu estivera, mas este tinha uma ligeira luminosidade que deixava visível as diferenças entre os quartos. As paredes não eram forradas a madeira, estavam pintadas de creme, com pequenas molduras pretas vazias em todo o lado. A janela era grande, mas estava completamente tapada com algo preto que não consegui identificar, penso que era algum género de plástico ou tecido. E uma grande cama de casal quase no meio do quarto, onde imaginei estar alguém deitado.

Mesmo com aquela luminosidade quase nula e a minha visão ligeiramente defeituosa pelo sono, conseguia identificar que aquele era um corpo masculino. Era um homem, entre os 15 e 20 anos, sem camisa e com algumas feridas quase invisíveis em todo o corpo, mais principalmente nas costas.

Assustei-me quando consegui ver o ligeiro brilho de fogo emanar do corpo do homem. Não, não era fogo, era o seu cabelo. Disse todos os palavrões possíveis e imaginários, nos meus pensamentos, claro. "Mas... mas COMO ASSIM, ele? Aqui? Ah, do que é que eu estou falando, isto é um sonho!"

Respirei fundo antes de finalmente uma réstia de sanidade chegar até mim e conseguir assimilar o que se passava. "Ok, este é o mesmo garoto com que sonhei anteriormente, está visívelmente machucado e está aqui, à minha frente, deitado numa cama e dormindo".

Estendi a mão para tocar no cabelo dele e ter a certeza que não era fogo verdadeiro. Era definitivamente ele, era o seu cabelo comprido e preso, com aspeto de fogo. E, descobri agora, emite um ligeiro brilho quando está na escuridão. Sem me aperceber realemente do que se passava, a minha mão contornou todo o seu rosto, da sua testa até ao seu maxilar, até se voltar a enterrar novamente naquele cabelo ruivo e macio. A sua pele parecia brilhar quando lhe tocava. Não o mesmo brilho do seu cabelo, um brilho mais discreto e suave, quase impercetível.

Afastei-me um pouco do corpo dele quando o ouvi gemer baixinho, algo que me pareceu ser um gemido de dor. A partir daquele ângulo conseguia observar todo o corpo dele, completamente visível aos meus olhos mesmo com aquela escuridão completamente intacta. Ele estava deitado de costas, com os braços pousados de cada lado do corpo, agarrando o lençol com força. Pelo seu peito e pelo seu abdómen estendiam-se o que me pareceram ser cicatrizes recentes, que chegavam aos seus braços e lhe davam um ar selvagem. De facto tudo nele era selvagem, o seu cabelo, o seu corpo definido, a sua cara agora serena, os seus cabelos de fogo e os seus olhos verdes e vibrantes, agora fechados.

Ele contorceu-se um pouco na cama, mas continuando na mesma posição. As suas mãos agarravam o lençol com tanta força que não compreendi como este não se rasgava. Soltou mais um ou dois gemidos até soltar um grunhido e o corpo dele começar a "sacudir-se" um pouco, em puros gestos de dor. Tinha os dentes cerrados como se estivesse se controlando para não gritar ou algo do género. Parecia estar a ter um pesadelo.

Tal como recuei, aproximei-me dele de novo, como se o corpo dele atraisse o meu. E de facto atraia de uma forma que eu não conseguia explicar. E os grunhidos, os gemidos dele, digamos que dava àquele quarto um certo ambiente... que me fazia pensar coisas impróprias. Toquei-lhe no rosto novamente e ele agarrou a minha mão, puchando para mais perto. Os gemidos pararam durante alguns segundos para recomeçarem em seguida. Tentei puchar a minha mão mas ele não me soltava e acabou puchando tão forte que acabei caindo deitada por cima dele, batendo com a cabeça no teu peito.

Ele me abraçou mais forte, tão forte que pensei que ía sufocar, mas ao mesmo tempo sabia bem. O seu corpo estava ardendo e queimando sob o meu, acho que se estivesse em contacto direto com a minha pele deixaría marca. Soltou mais um ou dois grunhidos antes de finalmente acordar. Os seus olhos verdes foram-se abrindo lentamente e, conforme se abriam, chamas verdes brilhantes nasciam na sua íris. Soltou um grande suspiro de alívio como se tivesse acabado de acordar do pior pesadelo do mundo e só aí reparou em mim.

– O que você está aqui a fazer? — perguntou, visivelmente confuso. Foi a primeira vez que ele me falou sem aquele tom gélido de sempre. O seu tom de voz era melodioso e meio rouco, uma voz incrivelmente sedutora, só agora estava a reparar. Lançou-me um olhar flamejante e penetrante, que me fez sentir desconfortável. Só aí reparei que ainda estava em cima dele, com um braço à volta do seu corpo como quando estava tentando me soltar.

Dei um pulo da cama tão rápido que me senti zonza. Ele se sentou, deixando as suas cicatrizes, parecidas a marcas de chicote, um pouco mais visíveis. Lançou-me um olhar inquiridor e pude reparar que ainda esperava uma resposta da minha parte.

– Eu acordei no quarto ao lado e abri esta porta porque pensava que era uma saída. Depois vi você, parecia... — tentei encontrar palavras para o descrever — Tão... — resmunguei baixo comigo mesma por ter falhado — Fiquei aqui à espera de você para me dar uma explicação.

A última frase saiu de uma forma tão apressada que tropecei nas próprias palavras. Esperei ele perguntar o que eu disse mas, no entanto, ele pareceu ter percebido. Também parecia não acreditar na resposta, mas nem eu mesma acreditaría se estivesse no seu lugar.

– Você era um sacrifício, tal como a outra garota que você conheceu. Bem, era para ser só ela já que era louca e não iria servir para nada aqui, mas você foi condenada — disse ele, tentando avaliar a minha expressão. Pelos vistos eu não devia aparentar estar muito satisfeita com a justificação, já que ele continuou. — No dia em que você pegou na minha katana. Isso é meio que... — e fez uma pausa para tentar encontrar a palavra correta — poibido aqui. Eles pensam que eu sou uma espécie de deus deles por saber fazer umas chamas de merda — na última frase ele revirou os olhos e riu, revelando que era puro sarcasmo.

– Que sítio é esse? — perguntei, querendo saber outra parte da verdade. Ele pareceu ponderar um pouco na sua resposta, mas manteve os seus olhos em fogo virados para mim, prendendo-me, não me deixando desviar o olhar.

– A minha casa, aparentemente. Para que outro sítio você havería de ir agora? — revirou os olhos mais uma vez, assim que talvez esse fosse um hábito dele. — Ainda bem que você não saiu, contei a todos que você estava morta. Se descobrirem que é mentira quem morre sou eu, assim que fica quieta.

Fiquei ali, parada, sem saber que passo dar em seguida. Assim que ele podia perfeitamente sair e eu tinha que ficar naquela bosta de casa, sei lá, para o resto da minha vida? Até acordar deste sonho? Ah, whatever...

Só reparei, quando o voltei a encarar, que os seus olhos estavam fixos em mim. Flamejantes, penetrantes, me deixavam desconfortável. O seu rosto voltou a ficar duro e ele soltou um suspiro, como se soubesse o que eu pensara anteriormente. Pegou numa camisa branca que estava pousada na cama e vestiu-a: era a mesma camisa branca com que o havia visto anteriormente nos sonhos. O seu cabelo, quase como fogo verdadeiro, encontrava-se inalterado e perfeitamente penteado (o que, no caso dele, quer dizer completamente despenteado e desalinhado), embora ele estivesse deitado na cama minutos antes.

Deu um "txau" quase inaudível e, antes de sair, voltou-se para mim, voltando a me atravessar com o olhar.

– Mantenha-se viva — avaliou-me rapidamente e saiu, fechando a porta atrás de si.

Só quando ele saiu é que eu percebi quão a casa ficava "vazia" sem ele. Acho que, o que ocupava a maior parte do volume daquele lugar eram os seus olhos. Olhos em chamas, capazes de transfomar alguém em fumaça rapidamente, dizia a garota de cabelo negro. Acho que isso não é, de forma alguma, apenas uma expressão. Acho que ele disse "eles pensam que sou um deus só porque consigo lançar chamas" ou algo do género. Sei que ele estava a ser sarcástico/irónico/sarcástico de novo mas, mesmo assim, acho que há um fundo de verdade nesta afirmação.

Passei os próximos trinta minutos a olhar para um padrão que cobria o sofá, até fixar completamente os termos da sequência. Círculo, quadrado, árvore, silhueta não identificada, homem, triângulo. Círculo, quadrado, árvore, silhueta não identificada, homem, triângulo. Círculo, quadrado, árvore, silhueta blah blah blah, homem, triângulo. Podia adormecer a fazer isto.

Os raios de sol ameaçavam entrar, mesmo por entre as janelas fechadas e cobertas, ameaçando que o meio-dia estava próximo. Deixei o pouco de sol que conseguia entrar tocar na minha pele, provocando uma ligeira dormência e me fazendo sentir menos sozinha. Ouvi um grito, vindo do lado de fora, dizendo: "ela está dentro daquela casa!"

Em seguida, apenas ouvi o barulho de uma explosão e tudo se envolveu em chamas.

Sonho OFF

Acordei sobressaltada. Desta vez não me sentei na cama de repente e gritei, caí mesmo da cama abaixo e o meu grito foi abafado pelo chão, que fez a minha boca doer durante os minutos seguintes. Depois do susto passar imagens vinham-me à cabeça e o ruivo voltou a ocupar os meus pensamentos. Não sei como eu posso estar sequer a pensar nisto mas... pena que é só um sonho... mas é o meu sonho...

Enquanto massajava o meu nariz e me certificava que este não estava partido, reparei nos raios de sol a entrarem pela janela. Não era o sol da tarde de quando eu me deitei, era um sol mais suave com vestígios de azul... Um sol da magrugada. Será que eu consegui dormir tanto tempo? Adormeci às três da tarde... O meu relógio indica-me que são agora seis e meia da manhã. Dormi exatamente dezasseis horas. Tenho de me dasabituar de dormir tanto tempo, na outra vez o meu pai deixou-me faltar à escola mas agora...

Pára tudo. Escola! Hoje é o meu primeiro dia na escola!


"Você, meu amigo ignorante, quer ter um coração. Dava tudo para ter um coração, para sentir e para viver verdadeiramente o fogo e a dormência do amor. Você não sabe o quão sortudo é por não ter um. Corações nunca serão práticos enquanto não forem feitos para não se queimarem..."

Maya Yamamoto (autora)


Next Chapter: The first day or the last one?

Notas finais
E é isso aí. Agradeço muito a quem já comentou até aqui *-*
Mereço reviews?