Finding Carter
7 Young Folks
“A semana transcorreu sem problemas, Elliot ia me buscar e as vezes, Lauren também aceitava a carona do rapaz. Óbvio que notei a quedinha que ela tinha por ele, era até meio óbvio, mas acho que ele não está interessado, terei que ajudá-los. Patrick se tornou meu único amigo nerd, até porque ele é o único com o qual eu consigo manter uma conversa, os demais eu simplesmente não entendo nada, mas o grupo do Elliot, Mavi, Alexander... Com certeza tenho mais em comum com eles. Lisa também é uma garota legal, ela me convidou para casa dela depois da aula, e cara... Aquilo sim é uma mansão! Mas tão vazia, meio assustador ficar lá só, quando eu perguntei onde estavam os pais dela, ela desviou e não me disse, não acho que ela seja feliz, embora ela tente transmitir isso. Os pais de Olivia chegaram de viagem, eles viajaram dois dias depois de eu ter “retornado”, num cruzeiro ou sei lá, foi uma semana de paz, que acabou. Pelo menos eles trouxeram presentes, embora a necessidade deles em fazer perguntas me irrite um pouco. Nenhuma briga com Olivia e eu estou arrasando no meu novo emprego.”
— Você é uma espécie de celebridade – Pablo comentou, ele estava comigo no caixa e tecia suas divagações num ar bem compenetrado.
— Você deveria tentar ser sequestrado qualquer dia desses – brinquei e ele me deu uma cotovelada leve.
— Isso não tem graça – resmungou e eu apenas sorri.
Pablo era um chefe legal, e eu podia comer o tanto de sorvete que meu estômago aguentasse, para minha infelicidade, eu enjoo rápido das coisas e já havia passado a comer na concorrência.
O trabalho era relativamente fácil, eu sempre ficava no caixa ou servindo as mesas, e o Red Mango sempre estava lotado, então eu conseguia bastantes gorjetas. Acho que necessitarei de todo dinheiro que puder coletar nesse curto intervalo de tempo.
Me despedi de Pablo quando acabou meu turno e fui até a ponto de ônibus, eram apenas dez minutos de ônibus, enquanto andando eu levaria mais do que o dobro. Cheguei em casa às 8:20 pm, e bastou cruzar a porta para sentir o climão estabelecido no lugar. Agora sim deu merda.
— No meu escritório, por favor, Carter – Hank falou, o encarei sem emoção. Ele nunca falava dessa forma comigo, tão sério e frio.
O acompanhei até o cômodo, enquanto via Lauren esbugalhar os olhos na minha direção, a única coisa que inferi daquilo foi que eu estava bem fodida, e o único motivo que eles teriam para estarem tão bravos era se houvessem encontrado minhas drogas, então é... Eu já sabia no que estava me metendo antes de atravessar a porta do escritório.
Em cima da mesa, em frente à Olivia, estava o saquinho repleto de pílulas azuis, cerca de vinte a trinta comprimidos, conseguiria facilmente $600 pelo que a morena tinha em mãos. Prossegui olhando de forma imparcial para o saquinho, erguendo meus olhos para Olivia logo após.
— Gostaria de dizer algo ? – a mulher questionou, tentando não soar tão irada.
Balancei a cabeça em negativa. Estava puta, muito puta por eles terem mexido nas minhas coisas, maldita invasão de privacidade, mas eu não os daria o gostinho de me ver irada. Engoli toda minha fúria e apenas a fitei com desdém.
— Você é viciada ? Está vendendo ? – Hank tentou, aproximando-se da poltrona onde eu estava sentada. Ele parecia quase implorar para eu dar-lhe um motivo coerente. Será que ele preferiria que eu o dissesse que era uma viciada ?
— Eu tinha antes de vir para cá, pareceu um desperdício jogá-las fora – respondi friamente.
— Pois é justamente o que faremos, iremos jogar todas fora, você pôs drogas dentro da minha casa, Carter, você tem noção da situação que nos colocou ?! Se o Noah houvesse achado ?! – Olivia inquiriu, me olhava num misto de sentimentos que não eu consegui realmente traduzir, mas raiva, com certeza, estava entre eles.
— Diferentemente de vocês, Noah não mexe no que não é dele – respondi calmamente, umedecendo os lábios – E sinta-se a vontade para jogá-las, estamos em NY, achar drogas é mais fácil que achar mendigos – falei e sorri sarcasticamente – Sua casa, seus filhos, não correm perigo – concluí dando bastante ênfase ao que ela julgava importante.
— Você é nossa filha e nos preocupamos com você, mas Carter, drogas ? Não aceitaremos isso, estamos tentando aqui, mas você não parece facilitar, acho que teremos que entrar no seu jogo e torcer para que você veja que estamos fazendo tudo ao nosso alcance para que essa relação dê certo – Hank deu seu discurso, que sinceramente ? Não me causou nenhum efeito – Passará a ir conosco à terapia familiar e você está de castigo; colégio, emprego e casa, eu irei lhe buscar todos os dias a partir de hoje e isso vai ser sua rotina até que possamos confiar em você – ele finalizou.
Eu queria gritar, queria mandá-los para locais nada agradáveis, queria quebrar todo aquele lugar e principalmente, eu queria chorar, mas não fiz nada disso, minha reação foi um pouco mais assustadora. Eu dei um riso nasalado e arqueie as sobrancelhas – Entrar no meu jogo ? – repeti ainda me divertindo um pouco – Mas eu nem comecei a jogar – respondi com todo sadismo possível, lancei uma piscadela para os dois e me levantei – Aliás, nunca mais mexam nas minhas coisas, não esqueçam que fui criada por uma sequestradora desequilibrada – aconselhei e saí dali.
“Sequestradora desequilibrada, essa foi a forma que Olivia se referiu a minha mãe btw. Eles nunca acompanhariam um jogo meu. Tentei passar fora do radar, cuidando da minha vida, sem me intrometer nos assuntos de ninguém, sendo quase onipresente nessa casa, mas, aparentemente, não é o suficiente. Então que um pouco mais de Carter Stevens viesse a tona, dou três dias para eles estarem implorando para eu me tornar invisível novamente.”
Precisaria de uma nova remessa de Molly, esperei até chegar ao meu quarto e mandei uma mensagem para meu amigo e ex-namorado, Max.
“Preciso de smurfs “ C
“Iniciou seu próprio negócio em NY ?” M
“Engraçadinho, preciso para daqui a três dias, vai conseguir ou não ?” C
“O que eu ganho ?” M
“O de sempre” C
“Fui expulso da escola, viajar vai ser legal, posso ficar na sua casa ?” M
“Não, tudo que você não quer é ficar aqui, mas te arrumo um lugar” C
“Beleza, até sábado então, vou levar um pouco de House e oxi também” M
“Você não tem jeito” C
Nunca deixaria Max vender vicodin e oxicodona para aquelas crianças, ou a festa da Lisa ficaria conhecida como a festa da overdose. Só queria fazer algum dinheiro, não causar a morte de alguém.
“E que os jogos comecem!”
†
Choquei os calos dos meus dedos contra a porta do quarto de Lauren, e em dez segundos ela o abriu.
— Posso usar seu banheiro ? – questionei e suspirei entediada – Seus avós devem ter tido um derrame dentro do outro – resmunguei e não esperei ela responder, mas acho que ela disse ok, sei lá, meu humor pela manhã é terrível. Me dirigi até o banheiro de qualquer forma – Obrigada – falei antes de fechar a porta.
— Eles descobriram suas drogas – Lauren falou, eu podia ouvi-la claramente, mas realmente não me sentia no humor de responder – Admiro sua coragem por ter trazido drogas para casa de dois policiais – concluiu, diferentemente de mim, Lauren já estava pronta e impecável. Eu, como usual, estava atrasada e com preguiça.
Saí do banheiro, enrolada na toalha, e a encarei – Deixe-me lhe dar um conselho de irmã mais velha, nunca guarde todo seu dinheiro debaixo do colchão, nunca se sabe quando um cano vai estourar e inundar toda sua maldita casa – dei minha melhor metáfora e sorri cheia de malícia, indo me trocar no meu quarto – BTW, você tá linda – elogiei e fechei a porta às minhas costas.
— Meu Deus – ouvi alguém gritar quando cheguei ao segundo andar, era Jane, a avó. Ela estava com a mão no coração e parecia realmente assustada.
A olhei com confusão e até pensei em continuar caminhando, ignorando aquilo.
— Essa caveira nas suas costas, menina, quem te deixou fazer isso ?! Só poderia ser uma desequilibrada mesmo, sequestra uma criança e a deixa fazer tatuagem, usar drogas ... – ela falava, destilando mais um pouco de veneno contra minha mãe.
Acho que já aturei demais né ?! Desde ontem ando engolindo sapos, meu momento zen acabou.
— E vergonha na sua cara, você tem ? – eu iniciei e ela gelou – Seus comentários preconceituosos são frutos da sua ignorância, que vamos combinar, não é pouca, e não abra a boca para falar da minha mãe novamente, nem você ou ninguém nessa maldita casa sabe nada sobre a minha vida, e eu agradeço todos os dias por ter sido sequestrada, muito melhor crescer com uma “desequilibrada” que me deixava “fazer tatuagens e usar drogas” do que com vocês – fiz aspas no ar enquanto vociferava e sim, eu recebi um tapa como resposta. Não foi lá uma surpresa, acho que exagerei, mais uma vez.
— Mãe! – ouvi Olivia gritar, ela com certeza pegou a cena do tapa. A mulher fez menção de ver meu rosto, mas eu apenas a empurrei para o lado, enfiando-me no quarto. Minha bochecha parecia brasa, eu nunca havia recebido um tapa antes, sério, eu nunca apanhei na vida, talvez por isso tenha uma língua tão comprida, com certeza vou pensar um pouco mais antes de sair gritando com as pessoas, esse tapa realmente doeu.
Tentei controlar as lágrimas, mas foi em vão, elas desceram pela minha face do mesmo jeito. Vesti uma roupa qualquer; calça jeans justa e rasgada, uma cropped de mangas compridas branco e coturnos pretos, pus uma touca cinza sobre meus cabelos acobreados e fiz questão de deixar o vermelhão bem visível no meu rosto, enxuguei as lágrimas, respirei fundo, peguei minha mochila e saí.
— A senhora não pode sair batendo nos meus filhos, mamãe – Olivia ainda “discutia” com Jane no quarto do casal.
— Aquela menina é muito insolente, sem um pingo de respeito pelas pessoas – Jane rebatia, igualmente furiosa.
— E a senhora pretende ensiná-la algo batendo nela ? – a outra retrucou.
Ficaram em silêncio, por um momento – Ela me tirou do sério – a mais velha revelou – Tem o mesmo espírito que você, Olivia – admitiu e eu notei que elas iriam sair do quarto, então apressei meus passos até a escada, descendo-a na velocidade do Flash, e antes que ambas despontassem na sala, eu já havia saído pela porta. Batendo-a com toda força disponível ao sair.
†
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