Finding Carter
13 Runaways
A aula foi... Informativa ? Minha cabeça doía como se uma bola de boliche houvesse caído sobre ela e só então compreendi porque eu me drogava antes de vim para o colégio, aquilo era o inferno na terra.
– Os exames finais estão chegando, você quer estudar ? – Patrick sugeriu, possivelmente ciente da minha situação desesperadora.
– Você quer vim também, Lisa ? – convidei a latina ao meu lado e essa apenas sorriu, como se pensasse naquela possibilidade.
– Sem policiais invadindo meu grupo de estudo dessa vez ? – retrucou com humor.
– Haha – respondi e ergui o dedo médio na direção dela – Pode ser na minha casa, quer dizer, na casa dos Benson – me retratei rapidamente.
– Amanhã depois da aula ? – ela perguntou, já guardando suas coisas.
– Ok – concordei e saí da sala.
Uma já havia ido, mais seis à frente. Eu conseguiria... Perseverança sempre.
**
– Alguém me mata, por favor – eu havia chegado ao intervalo, Deus sabe como, porque eu não fazia a menor ideia. Minha cabeça doía com toda aquela informação desnecessária e na minha bandeja só havia água.
– Não seja tão dramática, eu amo a escola – Lauren respondeu e sorriu baixo. Era impressionante como ela sempre estava impecável, estávamos à quatro horas naquele colégio e a maquiagem dela estava exatamente igual a de quando nós saímos de casa. Os cabelos completamente alinhados, a roupa deslumbrante... Alguém tinha que trazer a NASA pra estudar aquela criatura.
– Como você consegue ? – quis saber, roubando uma das maçãs da loura.
– Eu realmente gosto, não estou mentindo – admitiu e deu de ombros – Por que me chamou até aqui ? – tratou de mudar de assunto.
– Somos as gêmeas mais estranhas da história – divaguei e dei uma mordida na maçã antes de prosseguir – Eu vi a minha mãe – assumi de forma neutra, enquanto os olhos azuis de Lauren se esbugalhavam na minha direção.
– O que ?! – falou alto, cerrando os punhos.
– Não foi hoje, já faz um tempo... – tentei acalmá-la – Mas não é por isso que te chamei aqui – continuei, suspirando antes da revelação.
Olivia não queria que eu contasse, mas um dos 12 passos da reabilitação, mais exatamente o oitavo, diz: “Fazer uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos prontificarmos a reparar os danos a elas causados.” Eu realmente achava que deixar Lauren no escuro era um erro, e eis que eu iria repará-lo.
– Você é, biologicamente falando,... Filha dela também – falei sem rodeios e esperei uma reação, que, como eu previ, não foi das melhores.
– O que ?! – dessa vez ela gritou e depois riu, um riso nervoso que eu bem compreendia – Nós fomos adotadas ou alguma coisa ? – tentou achar alguma lógica naquela situação.
– Doadora de óvulos – respondi pacientemente.
– Então Lori doou os óvulos, Olivia os comprou, Hank os fertilizou, fomos parar no útero da Olivia, daí nascemos ? – ela realmente gostava de listas e pôr as coisas em ordem, mas aquilo era meio nojento.
– Detalhes desnecessários – falei com asco e fiz uma careta. – Olha, não faz diferença, Olivia queria ser mãe, ela fez o que foi necessário – falei, segurando a loura pelos ombros, forçando-a a me encarar.
– Foi por isso que ela te levou ? – quis saber com a voz embargada.
Concordei com a cabeça – Lori também queria ser mãe – revelei.
– Eu pareço com ela ? – a pergunta me pegou um pouco de surpresa, mas foi impossível não sorrir.
Tirei o celular do bolso e rapidamente pus numa das inúmeras fotos que tinha de Lori – Você é a mini-cópia dela, sério – a entreguei o aparelho e Lauren sorriu de canto.
– Nós realmente parecemos – se deu por vencida, um pouco mais calma. – Eu sempre estranhei ser a única loura na família, tenho certeza que a vovó pinta o cabelo – falava de forma distante, como se pela primeira vez as peças da própria vida se encaixassem.
– É, ela definitivamente pinta o cabelo – concordei e sorri fracamente.
– Por que eles mentiram para mim ? – tirou os olhos da foto e me encarou, Lauren era tão adorável.
– Eles estavam te protegendo – afirmei. Para mim era bastante óbvio do que eles gostariam de protegê-la.
– Me sinto traída – suspirou e foi um pouco dramática.
– Não seja uma idiota com eles por isso – pedi e Lauren deu um riso nasalado.
– Obrigada por me contar – falou por fim e me entregou o celular, distanciando-se em seguida.
– Ok, só mais uma pessoa com a qual preciso me retratar – sussurrei e enchi meus pulmões de ar antes de retornar ao colégio, para mais um round do meu martírio.
**
As aulas pareciam não passar, ou talvez fosse meu ócio que me impedisse de compreender qualquer coisa que era dita. Eu precisaria de um milagre para passar de ano, e bem... Milagres nunca acontecem comigo.
– Como foi a aula ? – Elliot me esperava na saída da minha sala.
O lancei um olhar de canto – Sério ? – resmunguei.
Ele sorriu largamente e deu de ombros – Eu não sei nem como cheguei ao ensino médio – admitiu e eu sorri pela sinceridade dele.
– E eu não sei o que farei para sair dele – revelei, enfim alcançando a parte externa do colégio. O sol era ameno, agradável para um dia no parque, até as nuvens cinzentas, tão comuns, deram lugar a nuvens branquinhas e convidativas.
– Você quer ir ao Central Park ? – convidou, praticamente lendo minha mente.
– Eu não posso – bufei, com raiva de mim mesma por estar dizendo aquilo, era o que eu queria fazer e estava sendo contida por um castigo idiota que alguém havia me posto ? – Estou de castigo – sentei num dos degraus da escada, emburrada.
– Ligue para ela e peça, diga que estará na companhia do cara mais responsável de NY – ele falou, como se fosse uma coisa bastante óbvia. Eu não estava familiarizada com aquele lance de castigo então não fazia ideia de como aquela dinâmica funcionava, mas se ele estava mandando eu ligar, eu ligaria, o que eu tinha a perder mesmo ?
– Ela vai achar que comecei a dar pro Desembargador – respondi com humor e logo peguei o celular. No segundo toque, ela atendeu.
“Carter, está tudo bem ?” ela parecia assustada, talvez tenha sido pelo fato de eu estar ligando para ela, acho que aquela era a primeira vez.
“Sim, eu estou” respondi rapidamente “Olha, eu só tenho uma dúvida, eu ainda estou de castigo ?” indaguei com genuína curiosidade.
“Sim” a outra respondeu com uma voz engraçada... Ela estava rindo?!
“Mas e se eu quiser ir ao parque com um amigo ?” prossegui, ignorando a diversão que Olivia estava tendo com aquela conversa.
“Você não pode, porque está de castigo” respondeu pacientemente.
“Mas eu realmente quero ir, e o dia está tão bonito” choraminguei, de forma minimamente dramática.
“Quem é o amigo com quem irá?” questionou, amolecendo um pouco.
“Elliot” tratei de responder.
“Eu irei deixar SE você prometer conversar com o seu pai, ele sente sua falta” revelou e barganhou comigo.
Revirei os olhos e bufei “Tanto faz” falei com má vontade, vendo Elliot a gesticular na minha frente, me mandando calar a boca, ou algo do tipo.
“Sim ou não, Carter?” Olivia, pacientemente, tentou mais uma vez.
“Sim, está feliz agora?” odiava aquela situação, odiava com todas as minhas forças.
“Sim, estou, esteja em casa antes das 8 pm” ordenou e eu apenas suspirei em resignação.
“Ok” concordei antes de desligar. Sorrindo de forma vitoriosa.
– Acho que consegui – anunciei para Elliot.
– Você não pode tratá-los assim, você tem que bajulá-los para ganhar as coisas, se fingir de bonzinho, dar eventuais abraços... Sabe ? – ele comentava enquanto caminhávamos até o carro dele.
– Não, eu não sei – admiti, achando no mínimo estranho ter que fingir uma relação – Então eu tenho que ser uma mentirosa para ter o que eu quero ? – questionei, refletindo um pouco sobre aquilo. Eu era uma ótima mentirosa, me daria muito bem nesse quesito, o problema é que eu não gostava realmente de mentir, era cansativo demais.
– Exatamente! – ele concordou e sorriu, levando a mão até a minha coxa.
– Isso é patético – opinei fracamente, com os olhos sobre a mão dele. Don’t freak out. Você vai ficar bem. Minha voz interna muito sabiamente me acalmava, mas ao notar toda minha rigidez ele decidiu tirar a mão e mantê-la onde deveria estar, no volante, embora nada tenha dito sobre o episódio. – Podemos passar num lugar antes de irmos para o parque ? – perguntei quebrando o estranho silêncio que se instaurou ali.
– Claro – ele concordou e eu sorri em agradecimento.
**
Pedi para Elliot me esperar no carro enquanto criava coragem para atravessar a porta do Red Mango. Eu estava falando sério sobre aquele lance de “reparações” e definitivamente, Pablo era uma das pessoas com a qual eu precisava me desculpar.
Entrei no estabelecimento com a cabeça baixa, alguns dos clientes cochicharam ao me ver ali, possivelmente lembrassem da minha cena épica, eu, infelizmente, também lembrava.
– Oi, Pablo – iniciei num tom respeitoso.
– Estou trabalhando, Carter, o que você deseja ? – ele forçou uma educação que não queria me agraciar, não o culpava por isso.
– Me desculpar – admiti e só então ele foi capaz de me olhar nos olhos – Me desculpe por ter posto meus problemas pessoais acima das minhas responsabilidades, você me deu uma chance e eu o desapontei, sinto muito por isso – assumi com uma seriedade nova até para mim.
– Tudo bem, desculpas aceitas – Pablo enfim parecia ter voltado ao seu estado de descontração normal e me ofereceu um sorriso fraco, assim como uma daquelas amostras grátis que eu tanto adorava.
– Obrigada – agradeci, genuinamente grata, e saí, com a sensação de ter tirado um gigantesco peso das costas. Não era meu emprego de volta, mas era o suficiente por hora.
†
P.O.V Olivia B.
– Esse sorriso se tornou raro por aqui ultimamente – Amanda avaliou, tirando os olhos dos arquivos que lia por alguns instantes.
– Ela está melhor... Eu estou melhor – admiti num ar confiante. Fazia muitos anos que não me sentia plena daquela forma.
Se não fosse aquele caso grotesco estaria nas nuvens.
– A garota já acordou? – questionei, mudando de assunto, falar de Carter era bom, mas os pais de Alicia Smith mereciam que sua filha tivesse atenção integral. Depois do que aquela garota havia passado... Era o mínimo que podíamos fazer.
– Não ainda – Amanda suspirou e me encarou, eu conhecia muito bem aquele olhar. Ela me falaria algo que eu não gostaria de ouvir. – Morena, dezenove anos, violentada... – ditou as características da vítima e eu não precisei ouvir o resto para saber onde ela queria ir com aquilo.
– Bate com a descrição dos dois homicídios que o Hank está investigando – busquei na memória as conversas que andávamos tendo à noite, Voight estava focando todos seus esforços nesse caso, era quase pessoal para ele. – Múltiplos golpes na cabeça, com uma arma não identificada... – completei com pesar.
– Mesma forma que nossa vítima foi encontrada, ela apenas teve sorte de estar viva – Amanda concluiu, fechando o arquivo.
– Eu não usaria sorte para descrever a situação dela – murmurei com cansaço. Obviamente que todos os casos eram importantes e tratados com o mesmo empenho, mas alguns... Simplesmente me fazem duvidar do futuro da humanidade, me fazem questionar se esse é o mundo no qual eu gostaria que meus filhos cresçam.
– Eu realmente não queria dizer isso, mas estamos lidando com um errático serial killer – a loura enfim soltou as palavras tão temidas.
Suspirei pesadamente e concordei com a cabeça. Negar os fatos seria estúpido da minha parte.
– Tenha certeza que o quarto de Alicia tenha policiamento 24h, ela é nossa única pista até agora, vou falar com Hank, ver se as informações que coletamos das nossas testemunhas batem com as deles... – levantei, me postando diante da janela de vidro que se estendia até o chão, a vista de NY era deslumbrante dali... Me lembrava do porquê de eu querer protegê-la. Para muitos aquela era a cidade caótica, que nunca para, mas para mim ela era também conhecida como lar.
– Ok – a loura suspirou pesadamente antes de sair do meu escritório.
†
– Merda, tenho que voltar, olha a hora! – exclamei de modo apressado. Estava confortavelmente acomodada no colo de Elliot, que me fazia um agradável cafuné sobre os cabelos, seria um típico encontro romântico, CASO, friso bem, eu fosse material para romantismo.
– É tão bom aqui – ele avaliou com um sorrisinho amarelo sobre o semblante. Eu tinha vontade de bater nele todas as vezes que ele agia tão fofamente.
– Anda – o puxei pelo braço, praticamente o arrastando até o carro.
“Admito, a companhia de Elliot não era das piores, ele foi engraçado, um pouco lerdo, mas não ao ponto de não entender meu sarcasmo ou minhas piadas. Quem é que gosta de um sabichão no final das contas ? Ele me tratou bem, mas não foi pegajoso ou piegas. Não é um narcisista que só sabe falar de si... E não foram os efeitos das drogas que me fizeram acreditar que ele beijava bem, ou a bebida que me fez acreditar que ele fodia bem, ele realmente fazia muito bem os dois. Ele é basicamente o sonho de toda garota, menos essa aqui... Sem apego.”
Cheguei em casa faltando cinco minutos para as 8 pm, estava até ofegante ao atravessar a porta. Necessitava urgentemente iniciar alguma atividade física ou iria ter um ataque cardíaco dali a alguns dias.
– Muito pontual – Voight parecia estar me esperando, tinha um jornal nas mãos enquanto me avaliava com certas reservas.
– Obrigada – agradeci, ainda puxando o ar até os pulmões.
– Você está bem? – indagou um pouco incerto do que dizer/fazer.
– Eu pensei que cocaína só fosse para o cérebro, mas aparentemente ela fode com tudo – revelei e me joguei na poltrona ao lado dele, largando minha mochila no chão.
Ele crispou os lábios e suspirou pacientemente, sim, eu havia dito aquilo para irritá-lo um pouco... Podem me culpar?
– Se divertiu? – aquela conversa estava muito embaraçosa. Logo Hank, o cara que eu sempre me dei melhor naquela casa... Quase me senti mal, QUASE.
Dei de ombros – Eu acho que sim – respondi mais calmamente, vendo a manchete da primeira página, falando sobre os dois homicídios – É por isso que está trabalhando tanto? – perguntei ao apontar para o jornal.
Ele confirmou com a cabeça e suspirou novamente, me encarando enquanto o fazia. Não entendia qual era o problema, ele me olhava como se eu fosse morrer, ou fugir, deixando toda aquela situação ainda mais bizarra.
– Sim – enfim pareceu ter encontrado a própria voz e me respondeu de modo arrastado – Me perdoe por não estar passando tanto tempo em casa, por não estar tão presente durante sua... – acho que ele procurava pela palavra reabilitação/desintoxicação, mas ficou com – Melhora –
– É meu rito anual, não ponha muitas esperanças que permanecerei limpa, eu tenho um humor oscilante – revelei e foi a minha vez de suspirar. Não estava mentindo, desintoxicação era meu rito trimestral praticamente... Algo estava muito errado com a minha cabeça, era a única explicação que eu encontrava para gostar de me torturar tanto.
– Eu, Olivia... Seus irmãos, estaremos aqui de qualquer forma – me ofereceu um sorriso terno.
– Obrigada – agradeci genuinamente grata com aquele “suporte”.
– Papai! – foi possível ouvir Noah gritar do topo da escada, com ambas as mãos agarradas na grade de proteção.
Sorri com a graça daquela criança e me levantei também, seguindo Voight que “libertou” Noah, enquanto eu passei para o meu quarto.
Banho. Alimentar Nyx. Tarefa de casa. Dormir. Eu tinha um plano traçado na minha cabeça, mas obviamente nada do que eu planejo dá certo, nesse caso eu só cheguei até a segunda atividade.
– Lauren, você poderia...- entrava no quarto da minha irmã com uma quantidade absurda de papéis em mãos, realmente necessitava de ajuda naquela questão em particular, mas gelei logo que pus os olhos sobre Max ali, eles estavam se beijando! – D-esculpa – gaguejei e fechei a porta com a mesma velocidade com a qual a abrir.
Meus passos de volta ao quarto foram erráticos, de alguma forma eu me sentia traída, mesmo que soubesse que eles estavam juntos... Mas como já mencionei, odeio dividir, odeio perder, odeio o fato de Max não ser mais meu amigo!
Lauren não me seguiu, graças a Deus, e eu pude apenas me trancar no meu minúsculo cubículo... Permitindo que minhas incoerentes e difusas lembranças surgissem e desaparecessem com a mesma facilidade.
– Hora do jantar! – Voight exclamou no corredor.
Lindsay e Justin, que ficavam no segundo andar, assim como eu, foram os primeiros a saírem dos seus quartos. Seguidos por Lauren e Max, Noah já estava por lá, Olivia tinha acabado de voltar do trabalho, sabia disso pelo simples fato do meu quarto ficar sobre a garagem... E acho que só faltava eu naquela linda reunião em família.
– Carter, por favor, hora do jantar – Hank bateu na porta, me chamando mais uma vez.
Revirei os olhos antes de me levantar e acompanhá-lo. Sentei com má vontade à mesa e suspirei, mantendo meus olhos sempre sobre os talheres, copos, pratos... Sem fazer contato visual com nenhum dos presentes.
– Algum problema, Carter? – Olivia soltou a pergunta, me passando à travessa da salada.
Balancei a cabeça negativamente, de forma pouco convincente.
– É, Carter, algum problema? – Lauren questionou com presunção, comprimindo a mão de Max a olhos vistos.
Sorri fracamente, um riso que mais indicava cansaço do que diversão.
– Não, tudo ótimo – respondi sem me deixar abalar... Ou pelo menos sem me deixar abalar MAIS.
O jantar, depois desse pequeno embate, transcorreu sem nenhum problema. Max era o tipo de cara que todos sonhavam em ter como genro; educado, respeitoso, com ótimos modos à mesa, engraçado... E o principal, parecia fazer Lauren muito feliz, então era óbvio que todos o amavam, mas admito, assistir aquilo de camarote foi terrível. Se ele ainda agisse como meu amigo... Talvez minha dor de cotovelo fosse menor.
†
P.O.V Lauren
Eu realmente amo minha irmã, sério, eu a amo, acho que compartilhamos coisas demais para não me sentir dessa forma em relação a ela... Mas eu mereço ser feliz também, por que tenho que ser uma telespectadora dos dramas de Carter? E além do que, ela mesma confirmou que eles não namoravam. Era minha vez de ser um pouco egoísta e ter algo que eu realmente queria, mesmo que isso significasse machucar outro alguém com o qual me importo.
– Ela vai ficar bem, Carter é ótima em esquecer – Max me tranquilizou, sentando-se comigo na varanda. O jantar havia sido o mais estranho possível e eu me sentia terrível por tê-la provocado daquela maneira.
– Eu não entendo, ela não quer que sejamos felizes? – acomodei minha cabeça no ombro do louro ao meu lado, esse rapidamente me enlaçou naquele abraço torto, mas igualmente acolhedor.
– Ela quer – só Max parecia compreender como a mente de Carter funcionava, porque eu, até agora, não fazia a menor ideia. Ela conseguia ir do 8 à 80 sem nem ao menos se esforçar para essa mudança, era algo estarrecedor. – Ela só não sabe como expressar isso... Dê um tempo para ela – me aconselhou de forma terna.
Max é quase um budista, na realidade, ele segue essa política na vida e é tão maravilhoso vê-lo ajudando às pessoas, sendo gentil, Max é a pessoa de caráter mais íntegro que conheço... No que depender de mim, eu nunca mais o deixarei partir, a vida ficaria cinza novamente, da forma que era antes de Carter surgir e pôr uma aquarela diante de mim.
– Vocês se conhecem desde? – nunca havíamos tido aquela conversa, agora, além da curiosidade que eu tinha sobre Lori, parecia um bom momento para conhecer um pouco mais a minha inconsistente irmã.
– Desde que tínhamos sete anos – respondeu com um sorriso nostálgico – Ela era uma força da natureza, tinha a personalidade mais encantadora do mundo, parcialmente louca... Ficamos amigos de cara, sério, foi como destino ou sei lá – revelou e ainda sorria com as boas lembranças daquela época, onde a vida era tão simples. Apenas duas crianças, desbravando o mundo. – Eu era meio nerd na época, esquisito, as crianças costumavam fazer brincadeiras maldosas... Eu nunca me importei, mas Carter, ela ficava tão brava, e ela saia batendo em todo mundo, ela era a menor da sala e a mais temida também, porque ela era completamente louca – gargalhou e foi impossível não acompanhá-lo. Tão diferente de mim, eu era o Max na história, com certeza, nunca tive tanta coragem para confrontações.
– E Lori, como ela reagia? – perguntei tentando não soar tão interessada.
– Lori nunca brigou com Carter, ela podia ser suspensa, receber advertências, pegar mais detenções que o Bart... – ditava com humor – Ela a amava mais qualquer coisa no mundo, Carter era seu mundo, eu entendo que o que ela fez foi errado... Mas ela realmente a amou e foi uma boa mãe – suspirou, me encarando de soslaio – Por que quer saber? –
Dei de ombros, ficando um pouco inquieta sobre o sofá – Não sei, curiosidade – admiti um pouco sem graça.
– Você parece muito com a Lori – ele falou como quem não quer nada e eu apenas o olhei de forma espantada.
– Você sabe?! – questionei, encarando-o de forma surpresa.
– Você é uma cópia dela – revelou, ainda sorrindo.
Era isso que eu amava no Max, ele nunca exigia nada de mim. Não me pressionava para dizer o que se passava na minha cabeça... Mas no momento que eu decidisse contar, ele seria a pessoa mais compreensiva do mundo. Ele me daria o melhor conselho e se eu não quisesse, ele nunca mais tocaria no assunto.
Ele deixa a vida fluir, nunca amarga o passado, porque sempre está com a cabeça na possível doçura do presente.
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