Notas iniciais
Os títulos serão músicas aleatórias que estarei ouvindo, Pearl Jam é a inspiração do dia. Bom capítulo para todos e tentarei postar aos finais de semana.

Duas batidas na porta me tiraram do meu passatempo favorito, escrever no meu diário, eu não sou muito acadêmica, até porque eu mal ia à escola, mas escrever sempre foi minha paixão. O escondi debaixo da cama. Eu sei, típico esconderijo, mas é apenas temporário.

– Entra – respondi, tentando disfarçar minha cara de culpada.

– Você não está pronta ainda ? – Lauren, minha gêmea loura, questionou me olhando como se eu fosse uma alien que acabou de alterar a ordem galáctica.

Virei meu rosto para o lado, vendo meu despertador: 7:21 am. Não entendi para o que diabos eu deveria estar pronta, já que todos sabiam, eu só saia do quarto às 8:50 am, quando todos estavam fora da residência e a única alma que sobrava era a empregada, Mercedes, uma ótima pessoa na realidade.

– Pronta para o quê exatamente ? – rebati com os olhos semicerrados e uma nítida cara de dúvida.

– Colégio! Você começa hoje, aonde você está com a cabeça, Carter, mamãe vai te matar – a loura falou num ar apressado, abrindo meu guarda-roupa, onde passou a escolher a roupa que julgou adequada para eu usar no meu primeiro dia de aula.

– Só se for de novo – resmunguei baixo, suspirando longamente. O temido dia havia chegado, eu voltaria para o ensino médio. Me chamem de burra, eu realmente não me importo, o fato é, eu estava um ano atrasada na escola, MINHA PRÓPRIA GÊMEA ESTAVA NA MINHA FRENTE. Que merda, isso era meio humilhante.

Lauren continuava arremessando roupas sobre minha cama e eu desviava para não receber uma jaquetada na cara. A loura era a pessoa mais eficiente que eu já vi na vida e fazia a linha filha perfeita: notas perfeitas, comportamento perfeito, amigos perfeitos, roupas perfeitas, tinha que perguntar quando ela iria para um convento, e eu poderia jurar, ela meio que brilhava quando entrava no recinto. Fiquei encarando suas costas e imaginando que deve ter sido difícil impressionar Olivia e Hank no meio de tantos filhos, talvez o complexo de perfeição dela viesse daí.

– Carter! Vamos – ela exclamou, me tirando dos meus devaneios.

– Ah, claro – resmunguei mais uma vez e me levantei, observando meu pijama do Star Wars. Dei de ombros. Considerando que já fui para escola de pantufas, aquilo não era nada. Arrumei meu cabelo num coque mal feito, deixando algumas mechas soltas. Puxei o all star mais ferrado que eu possuía e os calcei, detalhe, tudo isso enquanto Lauren ainda enlouquecia sobre alguma teoria louca de que eu iria realmente me arrumar para ir ao colégio. Amarrei uma jaqueta jeans na cintura e puxei minha mochila que parecia ter voltado de alguma guerra, não fazia ideia se tinha sequer um caderno dentro dela, parecia tão sequinha, foda-se. Fato sobre mim: eu não dou a mínima para aparência e viveria em full mode mendiga se pudesse. Agora pasmem, os garotos gostam de mim mesmo assim, vai entender. Deve ser minha inerente simpatia, beleza e carisma. Ou não.

Saí do quarto enquanto Lauren ainda divagava sobre possíveis combinações e fui até o banheiro; escovei os dentes, fiz xixi, passei desodorante e perfume. Os olhos ganharam contornos negros e foi isso. Voltei para o quarto e a loura ainda estava lá, essa garota tem sérios problemas, S.É.R.I.O.S problemas.

– Você vai assim ? – ela indagou tentando não soar muito espantada.

– Você tem sorte por eu estar indo – a respondi sem muito humor e desci as escadas, pondo meu clubmaster clássico preto sobre os olhos. Puxei meu celular do bolso: 7:42 am. Merda, todos ainda estavam em casa, minha cara de sofrimento foi cristalina como água mineral.

Iria me virar e ir logo para a saída, evitando toda a comoção do café da manhã, mas Lindsay muito fofamente, anunciou minha ilustre presença.

– Olha quem resolveu estender sua noite de sono no colégio – falou de forma brincalhona, tendo Justin a segui-la na “zoeira”.

Ergui o dedo médio na direção dos dois, tendo Olivia a me pegar em flagrante. Ela ignorou esse gesto, embora tenha crispado os lábios em desaprovação.

– Kat ... Carter, você sabe que está de pijama, certo ? – a mulher questionou num tom bem contido, já que aquela relação envolvia muitas sutilezas, era como estar pisando em ovos e todos ficavam tensos quando Carter e Olivia tinham que se falar. As últimas experiências não foram exatamente agradáveis, embora tenham sido memoráveis. ÉPICAS.

– Sério ?! Nossa! Você realmente deve ser uma ótima detetive, já me descobriu – respondi com toda ironia que consegui coletar naquele curto intervalo de tempo, meu full mode irônica começa às 9 am, geralmente.

– Se ela quer ir assim, deixamos que ela vá assim – Hank tentou intermediar aquela provável briga e recebeu um revirar de olhos de Olivia, que suspirou longamente.

– Você que os leve então – a morena resmungou e virou-se, sorri ironicamente, me divertindo horrores com aquilo, enquanto os demais apenas me olhavam. Ok, eles não eram grandes fãs meus, NOVIDADE, eu também não era deles.

– Foda-se isso – sussurrei e girei sobre os calcanhares, saindo da casa. Qual seria a dificuldade de achar o maldito colégio ?! Se o ditado “Quem tem boca, vai a Roma” é verdadeiro, eu encontraria o maldito lugar. Fora que eu tinha a tecnologia ao meu favor, Google maps, obrigada seu maravilhoso.

Dei no máximo três passos até ser abordada.

– Nessa cruz eu aceitava ser crucificado – ouvi alguém gritar, me virei sem o menor pudor e pude observar que o dito cujo tinha uma cara até agradável; loiro, olhos cor de avelã, queixo quadrado e um sorriso encantador. Por que não ? Foi a única pergunta que me fiz. Aliás, sobre a referência da cruz, meu coque mal feito revelava minha tatuagem na nuca, uma cruz. Eu sei, eu sei, que clichê Carter, logo você, tão original, mas eu estava bêbada e segundo, é muito fofinha, além do que, essa mesma tatuagem tão clichê iria me descolar uma carona. Observem, pequenos padawan’s.

Girei nos meus calcanhares, me aproximando do carro esportivo dele, acho que ele não esperou essa ação, pois ficou realmente surpreso e com as bochechas coradas; que fofo.

– E por acaso você é Jesus ? – indaguei, debruçando-me na janela.

Ele sorriu um pouco envergonhado e balançou a cabeça negativamente – Achei uma boa piada – admitiu, sorrindo mais largo.

– Eu também, por isso vou deixá-lo me levar para o colégio – respondi e no instante seguinte estava sentada no banco ao lado dele. Sem a menor cerimônia. Nem o nome dele eu sabia para ser honesta, mas minha vida sempre foi regida sobre o lema “Foda-se a lógica, vá pelos seus instintos” e algo me dizia que aquele era um cara legal, embora devesse melhorar e muito nas cantadas.

O louro misterioso me sorriu mais largamente, possivelmente imaginando de qual planeta eu havia saído, retribui o sorriso.

– Carter – falei, estendendo a destra, no meu pulso havia outra tatuagem “free your mind”. No total eu tinha nove tatuagens. Minha mãe maravilhosa me levou para fazer cada uma delas, e óbvio, eu também fiz uma para ela, assim como ela tem uma para mim. Por isso eu tinha total certeza que ela voltaria, ela tinha que voltar.

– Elliot – ele me respondeu e apertou a mão que eu o estendi, para só então dar partida no carro.

Notas finais
Curtiram ? Não curtiram ? Let me know n_n'