Finding Carter
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– Cadê ela ? – Hank questionava num ar meio desesperado, apesar de já saber a resposta.
– Ela entrou no carro de um estranho nesse exato momento – Justin o respondeu e sorriu em divertimento, Carter definitivamente não era do tipo que se enquadrava naquela família, mas nem por isso deixava de ser divertido tê-la por perto. Nunca vira outra pessoa desafiar Olivia da forma que ela fizera.
– O que ?! – Olivia, Hank e Lauren gritaram em uníssono, aproximando-se da janela na qual Justin estava, para observarem o carro vermelho, nada sutil, partir, levando a adolescente.
– Eu anotei a placa – Hank anunciou, já pegando o celular, possivelmente para discar para algum policial.
– Não precisa, aquele é o Elliot, ela ficará bem – Lauren sussurrou num ar infeliz e cheio de ressentimento, embora soubesse que Carter não fazia ideia da sua “queda quilométrica” pelo louro irresistível.
– Nossa, você quer esse cara a três anos e no primeiro dia que ela põe o pé fora de casa ela o ganha ? Isso que é azar, maninha – Lindsay, sempre muito “carinhosa”, falou, fazendo Olivia olhá-la com censura e Justin gargalhar, aqueles gêmeos também não batiam muito bem da cabeça.
– Calados – Hank ralhou e com apenas um olhar os morenos, que, pareciam bem mais gêmeos do que as duas garotas, já estavam no carro. Eles faziam faculdade e quem os deixava lá era Hank, já que Justin fizera o favor de bater o carro da dupla, Lindsay cursava arquitetura e Justin engenharia. Como dito. Realmente gêmeos.
Olivia deixava Noah na escolinha primária e no caminho também deixava Lauren, com todos preparados, saíram.
†
– Então Carter, apenas Carter, está em qual ano ? – o louro indagou, virando-se brevemente para me encarar, acho que gostou do que viu, porque sorria feito um abobalhado.
– Primeiro – admiti, pondo os óculos sobre os cabelos e revelando meus, modéstia a parte, belíssimos olhos azuis-violeta. Eram realmente bonitos, incrivelmente azuis com alguns pontinhos violetas, minha mãe costumava dizer que eram raros, assim como eu.
– Eu estou no segundo – ele falou, mesmo que eu não houvesse perguntado.
– Hm – sussurrei – Mesma sala da minha irmã eu suponho – divaguei, pois se eu estava no primeiro, ela estava no segundo, certeza.
– Irmã ? – Elliot pareceu confuso, afinal, nunca havia me visto antes e agora até irmã eu tinha naquele colégio – Quem é ? –
– Lauren Benson-Voight – respondi e fiquei aguardando a reação que ele teria, como esperado ele fez a maior cara de surpresa do mundo, foi impossível não gargalhar.
– Meu Deus, você é a garota sequestrada – ele exclamou.
– Yeh, só espero receber outro apelido – resmunguei e suspirei, sabia que aquele tipo de reação seria bem constante dali em diante. Lide com isso, é a vida, briguei comigo mesma.
– Me desculpe, e sinto muito – o louro se retratou da forma mais fofa possível.
Ele foi a primeira pessoa a dizer que “sentia muito” pela minha situação, FINALMENTE alguém que realmente notou o quão difícil, bizarra e sufocante aquilo era.
Agradeci dando-o um beijo sobre a bochecha – Obrigada – demorei mais tempo do que o necessário, fitando-o antes de saltar do carro, afinal, já havíamos chegado a vistosa e nada discreta “Manhattan High School” ou para os íntimos, MHS, que era o slogan estampado na blusa de praticamente todos ali. Principalmente dos esportistas e das líderes de torcida. Deus, como odeio ensino médio, refleti com certa amargura.
Elliot saltou do carro – Ei, eu posso pegá-la amanhã também... – ele falou quase incerto de qual seria minha resposta.
Virei-me na direção dele, com um sorriso a preencher meus lábios – Claro, Elliot, apenas Elliot – brinquei com nossa nova piada interna. Explicando, quando me recusei a revelar meu sobrenome, ele também se recusou a dar o dele, fim do mistério.
Estava perdida naquele lugar, mas minha cara de tédio não dedurava isso. Alguém esbarrou em mim, possivelmente devido a minha lerdeza existencial.
– Desculpa, desculpa – um magricelo, de cabelos cacheados ruivos falava, nem me encarou enquanto eu o ajudava a coletar todos aqueles livros que ele havia derrubado.
– Ei, sem problemas, carinha – o respondi, entregando-o o último livro (o mochileiro das galáxias) e só então ele me encarou, parecia surpreso com aquele tipo de resposta e pude notar que ele parecia saído de algum desenho animado. Era ruivo, com cabelos cacheados volumosos, olhos azuis, diversas sardinhas sobre as bochechas e lábios finos que me sorriam timidamente.
– Obrigado – ele, mais calmo, enfim me respondeu, levantando-se com todos aqueles livros nos braços, me ofereci para ajudá-lo e ele aceitou – Você é nova aqui – ele pontuou e eu apenas concordei.
– É, busted – brinquei.
– Sabe qual é sua sala ? – outra pergunta do ruivo.
Balancei a cabeça negativamente, enquanto notava alguns olhares na nossa direção, estranho.
– Por que estão nos olhando ? – perguntei na direção do garoto.
– Nerd and hot girl – ele respondeu e corou no mesmo instante.
Sorri com a inocência dele, fazendo duas covinhas brotarem ao lado dos meus lábios – Obrigada pelo elogio, mas eles notaram que eu estou de pijama ? – indaguei em divertimento.
Ele deu de ombros, como se isso fosse irrelevante.
– Vai me ajudar ou não, nerd ? – questionei o encarando num ar falsamente chateado.
– Sim, e meu nome é Patrick – ele falou, sorrindo com a minha reação.
– Eu sou Carter – declarei e o lancei uma piscadela de canto.
†
– Srta. Benson-Voight – uma mulherzinha meio ranzinza iniciou, num tom efusivamente escroto. Já a odiamos, anote aí também.
– Stevens, Srta. Stevens, não cometa esse erro novamente, Sra. Humphrey – a corrigi e entoei o mesmo tom usado por ela ao pronunciar esse sobrenome ridículo.
Ela pigarreou de forma inconfortável e me avaliou de cima a baixo. Ah se eu tivesse uma tesoura, uma faca, uma navalha, qualquer coisa pontiaguda! Iria arrancar aqueles olhos desdenhosos daquela cara de pudim de passas.
– Como queira – respondeu cínica – Vejo pelo seu boletim que você terá muitas matérias para recuperar, não sei como passará para o segundo ano dessa forma, Srta. Stevens – prosseguiu, ajeitando o óclinhos meia-lua naquela cara feia e parecia quase feliz por me dar essa notícia – Ficará dois anos atrás da sua irmã Lauren – concluiu sem nenhuma misericórdia à minha autoconfiança.
– Olha aqui, Sra. Eu não dou a mínima para o seu sobrenome, não me diga o que eu vou ou não vou fazer, nem me diga que eu não irei passar, porque você não me conhece, mas eu já lhe adianto um fato sobre mim, eu não entro no jogo para perder! – falei pausadamente a última parte, quase cuspindo as palavras na cara daquela bruxa. Quem aquela mulherzinha achava que era para me dizer do que eu era ou não capaz ?!
– Agora pegue esse arquivo e enfie na bunda, passar bem – finalizei meu épico discurso, me levantando em seguida e abandonando a sala. Maldita, eu ainda faria da vida dela um inferno, ela que esperasse para ver! Só torcia para ela não me expulsar no meu primeiro dia de aula, realmente foi um pouco exagerado mandá-la enfiar o arquivo na bunda, mas muito prazeroso, devo salientar.
Me encaminhei até minha sala, que bela recepção eu tive, ignorei esse pensamento e entrei na sala, a aula já corria, o que deixou ainda mais embaraçosa aquela situação, mas engoli qualquer medo e o reprimi, adentrando ao cômodo num ar altivo e quase esnobe.
– Licença, professora – falei polidamente, afinal, minha mãe me ensinou educação, mas também me ensinou que eu só deveria usá-la com quem merece.
– Claro, Srta. Benson – a professora sorriu na minha direção, não sei se eu retribui, acho que não.
– Srta. Stevens por favor – pedi e suspirei, não sei por quanto tempo suportaria aquele “Benson” me perseguindo.
A negra de feições gentis apenas concordou com a cabeça, sorrindo-me novamente – Gostaria de apresentar-se para a turma ? – ela questionou quando eu já estava indo me sentar. Fechei os olhos e engoli qualquer xingamento que tinha preparado.
Voltei para frente da turma. Todos, ABSOLUTAMENTE TODOS, me encaravam com certo espanto e curiosidade, resolvi usar isso ao meu favor.
– Meu nome é Carter Roxy Stevens, eu fui sequestrada, ou sei lá, tenho dezesseis anos, minha irmã gêmea faz o segundo ano e a coordenadora acabou de me dizer que eu não passaria de ano novamente, possivelmente eu ainda esteja no ensino médio quando Lauren conseguir o diploma da faculdade, mas quem liga ?! E sim, estou de pijamas – falei num ar completamente informal e sorri inocentemente.
Até a professora pareceu meio insegura e apenas me indicou a carteira, me dirigi até ela com um sorrisinho irônico sobre os lábios.
– Oi, eu sou a Lisa – uma garota latina, muito bem arrumada e de olhos brilhantes, falou comigo.
Sorri em retorno – Olá, Lisa – a cumprimentei baixo, já que a professora havia “começado” a aula.
Lisa estendeu a mão no ar, como se me mandasse esperar, eu apenas concordei, recebendo um bilhetinho instantes depois.
“Eu vou dar uma festa, você quer ir ?” — L
Sorri mais largamente, festa, sim, sim, por favor! É tudo que preciso.
“Com certeza, levo Molly ?” — C
“Você é das minhas, garota, leva” – L
Pisquei em resposta e a dei meu número, ela me enviaria o endereço.
Voltei minha atenção para aula, afinal, eu queria realmente passar.
†
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