Finding Carter

9 From Yesterday


Enfim sábado, o dia de dormir até tarde sem nenhum tipo de arrependimento e era exatamente o que eu fazia, numa forma para lá de incomum e extremamente bagunçada, minha mãe sempre reclamava que eu tomava toda a cama, lençóis e travesseiros. Fazer o que se sou possessiva ?

Senti algo vibrando na altura da minha coxa, ok, aquilo era estranho já que ao dormir meu celular estava na escrivaninha, ignorei por algum tempo, mas ao notar que não era fruto da minha imaginação, tateie a cama em busca do aparelho. Atendi sem nem abrir os olhos.

“Quem é ?” iniciei com mau humor.

“Carter eu cheguei” Max respondeu e parecia muito entusiasmado, fato não acompanhado por mim.

“Me espera aí” recomendei num ar sonolento e bocejei audivelmente.

“Você vai demorar né?” Max me conhecia tão bem, deveria estar casada com ele a essa altura.

“Que bom que sabe” finalizei aquela ligação e me arrastei, literalmente, da cama.

Não tirei meu pijama de coala, com direito a orelhinhas e tudo, e apenas calcei um tênis qualquer, não me dei sequer ao trabalho de olhar meu reflexo no espelho enquanto escovava os dentes e saí do quarto com os cabelos da mesma forma que estavam ao acordar. Como odeio manhãs.

Desci as escadas de forma semiconsciente e desviei de Noah por pouco, enquanto me dirigia até a porta.

– Você não sabe o significado de castigo ? — Hank questionou quando meus dedos tocaram na maçaneta.

Suspirei e me forcei a abrir completamente os olhos – Significa cárcere-privado ? – eu não sairia por baixo né ? Podia não estar completamente sã, mas minha ironia tinha vida própria.

– Exatamente, e seus captores não lhe autorizaram a sair – respondeu com seriedade.

AI COMO EU ODIAVA AQUELA VERSÃO DELE.

Para uma pessoa que nunca teve que dar satisfações, aquilo não era exatamente fácil, quem eles eram para quererem interferir na minha vida ? Dizer o que eu podia ou não fazer ? Por favor, aquilo era patético, mas eu já estava saturada de gritar, brigar e ser tida como a “rebelde” da história.

– Eu iria ver um amigo – falei de forma contida, mas era nítido meu ódio velado. Carter Roxy Stevens não dá explicações! É, até hoje pelo menos.

– Você pode ver esse amigo aqui, todos poderão vê-lo na realidade, ele é extremamente bem-vindo a nossa casa – ele anunciou com um sorriso torto sobre os lábios, me deixando ainda mais irritada, Hank queria que eu explodisse, essa era a intenção dele ?Admito, ele quase conseguiu.

– Acho que ele não está interessado em conhecer um babaca hoje, mas eu te aviso quando ele estiver com a agenda livre, você estará no topo da lista – respondi com o mesmo sorrisinho torto e sustentei o olhar dele.

– Vá para o seu quarto – ele ordenou e eu não esperei ele pedir uma segunda vez.

Fechei a porta e a tranquei, ligando para Max logo em seguida.

“Não me deixaram sair” iniciei num tom cansado.

“Não vai rolar mais a festa hoje ?” ele questionou de forma abatida.

“Nem que eu precise incendiar essa casa para conseguir sair dela, vai ter essa festa e eu estarei lá” anunciei já pensando numa forma de escapar.

“Eu tenho uma surpresa para você” Max mudou completamente de assunto, o que era bem do feitio dele.

“Eu irei gostar ?” questionei, recostando-me na cama e suspirando.

“Acho que sim” odiava surpresas, Max acima de qualquer um sabia disso.

“Fala logo, merda, você sabe que odeio surpresas”

“Essa você terá que esperar” Max não daria o braço a torcer, desgraçado.

“Tanto faz, mas onde você vai ficar ?" indaguei já que Max parecia estar esquecendo de um fato bastante importante.

"Não se preocupa, só esteja na festa no horário marcado" respondeu de forma misteriosa e eu apenas suspirei em resignação.

"Ok"

**

– Lauren, posso entrar ? – indaguei após divagar por muito tempo e me convencer de que a loura seria minha saída perfeita.

– Sim – a outra respondeu num tom meio frio ou talvez fosse apenas minha imaginação.

Me esgueirei para dentro do quarto da mesma, que estudava, nenhuma novidade.

– Preciso da sua ajuda e em retorno você terá a melhor noite da sua vida – falei, sentando no chão, aos pés da loira, que sequer desviou os olhos da página dos livros.

– Ah é, e como seria isso ? – ela indagou arqueando as sobrancelhas, com certo sarcasmo.

Ok, algo estava errado.

– Eu fiz algo de errado ? – quis saber, pois começava a achar aquela relação de irmãs muito complicada para meu gosto.

– Não – ela suspirou e fechou o livro, só então me encarando, com um sorriso cansado sobre o semblante, agradeci aquela mudança de comportamento, odeio DR’s – Qual é o plano ? – ela questionou num ar cofabulador.

– Você vai amar! – exclamei com entusiasmo, embora mantivesse o tom de voz baixo.

P.O.V Lauren

Eu não amei nem um pouco a ideia da Carter. Primeiro, eu teria que mentir, eu nunca menti antes então havia 95% de chance de ser descoberta e tudo dar errado. Segundo, ir a festa de Lisa, significava esbarrar em Elliot, que estaria atrás de Carter, enquanto eu apenas amargava com aquele amor platônico. Terceiro, eu não interagia com nenhuma daquelas pessoas, não seria estranho ? Haviam muitas coisas contra esse “plano” e geralmente eu sou a pessoa da lógica, não ajo por impulso, mas acho que devo essa à Carter, tenho agido como uma idiota pela segunda vez com ela. Elliot pode ficar com quem quiser, e Carter não sabe dos meus sentimentos por ele, então é infantil eu ficar magoada por conta disso, ou teoricamente deveria ser simples assim.

– Mãe, vou ir ao cinema com a Alice, poderia ir me buscar depois ? – indaguei ao me deparar com a mulher, que lia qualquer coisa no escritório.

– Que horas ? –

– Não sei, às 21:00 ? – gaguejei, mas acho que ela não reparou. Carter me disse que eu teria que manter contato visual durante a mentira, mas aquilo era tão difícil!

– Seu pai faz plantão hoje, quem vai ficar de olho na Carter... – a mulher divagou, abaixando os óculos de grau, talvez esperado um pouco de compreensão minha, já que eu era, geralmente, bastante maleável.

– Agora não posso ir ver um filme porque a Carter não pode ficar sem supervisão ?! Deveríamos fazer uma estátua dela e pôr na entrada – esbravejei algo que já estava engasgado a algum tempo na minha garganta. Ok, eu adorava minha irmã, mas meus pais se tornaram minimamente psicopatas após a chegada dela, como se ela fosse fugir ou morrer a qualquer momento, como se a garota tivesse prazo de validade ou sei lá. Se era sufocante para mim, não queria imaginar como deveria ser para Carter.

– Ei, ei – Olivia levantou-se, aproximando-se de mim – Eu darei um jeito, tudo bem ? – falou num ar conciliatório, e fez menção de me abraçar, mas eu apenas me afastei.

Acho que eles não notavam mas aquela “predileção” chegava a magoar, Carter e Noah com certeza eram os “queridinhos”.

– Você vai ficar de castigo até a faculdade, mas eu prometo, não irá se arrepender – Carter exclamou após eu dizer que tudo correu como o previsto.

Olivia, por falta de opções, deixou Lindsay e Justin como meus captores, o que, convenhamos, é um pedido para o desastre.

Saí completamente arrumada do meu quarto após ver a SUV de Olivia deixar a garagem, Hank já havia ido para a delegacia, e os avós, desde o incidente do tapa, não estavam ficando mais tanto tempo na casa, o que eu agradeci mentalmente.

– Onde pensa que vai, mocinha ? – Lindsay iniciou num tom melodioso, encostando-se na parede de forma sugestiva.

– Quanto vocês querem ? – questionei sem delongas.

– Cem – Justin respondeu, com o mesmo sorriso da irmã. Como era ruim ser chantageada. Tirei a cédula da minha carteira, aquelas gorjetas vieram a calhar.

– Cada um – Lindsay emendou com certo sadismo.

Estreitei os olhos, de forma incrédula, aqueles malditos queriam duzentos dólares para fingirem que não me viram fugir ?! Bastardos.

Engoli qualquer xingamento que tinha preparado e pus o dinheiro na mão da garota, marchando para fora da casa. Ainda iria descobrir algum podre deles e eles devolveriam aquele dinheiro, mas por hora iria festejar como se não houvesse amanhã... Isso se Patrick não me desse um bolo.

P.O.V Olivia

A reação de Lauren me pegou de surpresa, admito, talvez eu pudesse usar a carona como um meio de conversar com ela e tentar entender o que estava acontecendo. Nunca a vi agir dessa forma antes. Deixei instruções claras para os gêmeos manterem os olhos sobre Carter e Noah, eu não duvidava que ela tentasse escapar, a garota tinha um espírito difícil de ser domado e não abaixava a cabeça para nada.

Vasculhei com os olhos a entrada do shopping, o ponto onde eu sempre ia buscar Lauren e não a encontrei lá, estranho. Estacionei e caminhei até o local, com o celular em punho e uma preocupação crescente dentro do meu peito, aquele sexto sentido que me dizia que algo estava errado. Disquei o número da adolescente, que me mandou direto para a caixa postal.

Lauren, você não fez isso! cerrei os olhos e me amaldiçoei por ter sido tão ingênua. Era óbvio agora, aquilo era um plano para me tirar de dentro da casa.

“Lindsay” falei de forma apressada ao telefone, já entrando na SUV e dirigindo de volta à casa “Onde está a Carter ?” questionei, comprimindo o volante fortemente entre os dedos.

“No quarto dela” Lindsay era uma boa mentirosa, mas nem tanto.

“Veja se ela está lá mesmo” pedi num ar contido, chegava a ser cômico, eu que fizera aquilo tantas vezes, passava pela mesma experiência. Esperei alguns instantes, até Lindsay abrir a porta do quarto.

“Ela não está aqui” anunciou com falsa surpresa, todos naquela casa estariam encrencados, eu e Hank nos certificaríamos disso. Desliguei ou tinha a impressão que iria gritar com aqueles dois irresponsáveis.

Realmente não queria ligar para Hank imediatamente, me sentia completamente capaz de resolver aquele impasse.

Cheguei em casa em tempo recorde, e, possivelmente, com alguns pontos na carteira, me deparei com Noah brincando na sala, enquanto Justin o assistia numa roupa pouco condizente para ficar em casa.

– Indo para algum lugar ? – indaguei para o jovem, que apenas sorriu de forma confiante.

– Que bom que perguntou, estamos sim – Lindsay foi a pessoa a responder, descendo as escadas num vestido festivo – Conseguimos dinheiro para tirar nosso carro do conserto – anunciou de forma alegre, puxando o irmão pelo braço e saindo da casa. O que eu poderia fazer ?! Nem adolescentes eu conseguia controlar, não seriam dois adultos que me obedeceriam. Suspirei pesadamente, enquanto Noah me olhava de forma sonolenta.

– Oi meu amor – falei, pegando-o no braço – Vamos para a casa da vovó ? – conversava com ele enquanto coletava suas coisas pela casa.

Como diabos eu as acharia ? Não fazia ideia da onde haviam ido.

– MAX! – gritei ao vê-lo. Ele é tão lindo, louro, alto, olhos azuis sedutores, aquela cara de tédio, aquele ar largado, não sei por que terminamos, éramos melhores amigos com ótimos benefícios.

– ROX! – ele respondeu com o mesmo entusiasmo, me rodopiando no ar pela cintura e beijando a curva do meu pescoço.

Passamos mais algum tempo abraçados, nem parecia que só fazia duas semanas que não nos víamos.

– Essa é minha irmã, Lauren – apresentei a loura que manteve-se um pouco afastada durante a comoção.

Ele a abraçou, o que a pegou de surpresa, mas não a mim. Max era a pessoa mais gentil há habitar esse planeta.

– Você não parece com a Rox – anunciou algo bastante óbvio – Mas é igualmente bonita – elogiou e eu o dei uma cotovelada leve.

– Não dê em cima da minha irmã – “briguei”, deixando Lauren completamente vermelha. Aquilo era divertido, peguei cada um pelo braço e adentramos a festa. Havia música ao vivo, tendas espalhadas por todo enorme jardim da Lisa, a piscina também estava sendo utilizada, uma boate improvisada foi montada dentro da casa e tudo estava maravilhoso, me aproximei da anfitriã que era galanteada por alguns garotos.

– Está incrível, Lisa – elogiei sinceramente.

– Obrigada – ela retribuiu timidamente, mas num ar muito nobre, Lisa transmitia requinte pelos poros.

Notei ela encarando Max com interesse e logo tratei de apresentá-los – Minha irmã, que você possivelmente já viu, Lauren, e meu amigo, Max – os introduzi.

– Eu adorei aquela pintura – Max começou a divagar, o que não era incomum, ele era o ser humano mais flutuante existente – É bem psicodélica – começou seu discurso, acho que Lisa apreciou pois riu de forma inocente, os deixei conversando e puxei Lauren comigo.

– Aquele não é seu ex ? – a loura me indagou, apenas confirmei com a cabeça, pegando um copo com algo que eu realmente torcia para ser alcoólico. – Você não tem problema com ele ficando com outra na sua frente ? – ela prosseguiu na sua busca por respostas, eu já havia esvaziado o copo e estava em busca de outro.

– Por que eu teria ? Eu e o Max nunca fomos exclusivos, somos ótimos amigos e tivemos bons benefícios, mas ele... É muito bom para mim – anunciei sinceramente, oferecendo um copo de vodca para Lauren, queria mudar de assunto, não gostava de relembrar dessa época da minha vida.

– Muito bom para você, isso é algo ruim ? – ela inquiriu, bebericando calmamente a bebida, pela careta que fez, acho que odiou, talvez um coquetel fosse mais o estilo dela.

– É sim – declarei num ar distante, descendo mais um copo. Ok, três, já estava num bom estado para começar a festejar!

Carter... – Elliot me interpelou, segurando meu pulso, Lauren desviou o olhar, enquanto os dele se focavam nos meus. Que merda de situação.

– Oi – respondi, tentando sobrepor minha voz ao som da música da boate, um tanto inútil.

– Vamos conversar – ele convidou, falando próximo ao meu ouvido. Todo e qualquer pelo no meu corpo se eriçou ao ouvir a voz dele tão próxima, o calor que ele emanava. Merda, Lauren!

Eu juro que quis declinar, mas a carne é fraca, e eu sou uma péssima irmã, tenho que começar a aceitar isso.

– Você vai ficar bem ? Eu já volto – falei na direção da loura, que apenas concordou fracamente com a cabeça, me observando ir na companhia do amor da vida dela. EU ME SENTIA UM MONSTRO.

– O que você quer ? – indaguei de forma irritadiça, cruzando os braços sobre o torso, quando já estávamos fora da boate.

– Eu quero você – ele cortou as baboseiras e foi direto no nervo.

Senti minhas pernas fraquejarem e meu estômago dar uma volta de 360º. Que mal eu havia feito a Deus ?

– Eu não posso – foi necessária toda minha força de vontade para aquelas palavras saírem, mas até eu notei o quão falsas elas soaram.

– Você pode – Elliot usando poucas palavras era tão sexy que eu não resistiria por muito mais tempo.

– Eu vou me arrepender disso – sussurrei mais para mim mesma do que para ele, mas antes que eu pudesse refletir mais sobre minhas ações, meus dedos já haviam contornado o pescoço do louro, trazendo os lábios dele para os meus. Ele me imprensou na parede, puxando meu cabelo de forma possessiva e prosseguimos naquele beijo caótico até ambos necessitarem de oxigênio.

Ele descia os beijos pelo meu pescoço e roçava os dedos nas minhas costas, me fazendo arfar em expectativa. Era isso, eu iria transar com o amor platônico da minha irmã.

– Vamos para um lugar mais reservado – ele sussurrou no meu ouvido, mordendo o lóbulo da minha orelha.

DESGRAÇADO, ACHOU MEU PONTO FRACO. Eu não protestei e apenas o acompanhei.

P.O.V Olivia B.

Deixei Noah na casa da minha mãe, que se prontificou a procurar as gêmeas comigo, mas declinei, eu faria aquilo só. Elas eram minha responsabilidade.

Primeiro liguei para as amigas de Lauren, Alice e Cassie, nenhuma das duas sabia onde a garota pudesse estar. Era um tiro no escuro de qualquer forma. Não fazia ideia de quem eram os amigos de Carter, nem o “novo” amigo que veio de Chicago até NY só para vê-la, algo me dizia que isso não poderia ser boa coisa. Uma ideia brotou na minha cabeça, mas tentei ignorá-la, seria uma invasão de privacidade e possivelmente um crime, mas pessoas desesperadas, fazem coisas desesperadas e bem, o celular de Carter já era monitorado de qualquer forma.

“Mouse, disfarça” pedi logo que o garoto atendeu, Hank possivelmente estivesse por perto, trabalhando no duplo homicídio que tinha em mãos. O rapaz apenas pigarreou em concordância. Agradeci mentalmente. “Preciso que você rastreie o número da Carter, sem deixar o Hank saber, e me mande as coordenadas por sms, acha que pode fazer isso ?” indaguei com certa urgência.

“Sim, absolutamente” concordou e desligou.

Fiquei sentada no meu carro, me amaldiçoando por ter sido tão ingênua. Então aquela era a sensação que minha mãe tinha durante minhas próprias fugas; a impotência. Fui tirada dos meus devaneios pela vibração do celular, Mouse havia rastreado Carter.

P.O.V Lauren

Carter disse que “logo” voltava, não posso dizer que fiquei surpresa quando dez minutos se passaram e ela não retornou. Aquilo definitivamente não estava sendo a melhor noite da minha vida. Virei um copo inteiro, me sentindo instantaneamente tonta, era como se o álcool tivesse ido para o meu cérebro de uma única vez. Era horrível, o gosto, a forma que queimava minha garganta, como alguém conseguia gostar daquilo ? Fechei os olhos tentando dissipar a vertigem.

– Você está bem ? – alguém me questionou, segurando no meu braço e me tirando do meio da pista de dança.

Concordei fracamente, não queria passar por uma retardada que nunca bebeu na vida. Me forcei a abrir os olhos e lá estava Max, com um sorriso bondoso a preencher seus lábios.

– Procurando Carter ? – chutei, afinal, quem não estava procurando-a ?!

Ele negou com a cabeça, pondo os cabelos louros para detrás da orelha – A única coisa que estou procurando é um pouco de diversão – admitiu e eu acompanhei seu sorriso. Ele era tão adorável.

– Vamos lá pra fora – convidei e ele concordou.

**

Max era divertido, não aparentava, mas era extremamente inteligente, me ditou cada constelação que podíamos enxergar, falava sobre a história de filmes com um entusiasmo contagiante, e era impossível não rir das suas piadas, nem pude acreditar quando ele disse que havia sido expulso da escola.

– Por que você foi expulso ? – indaguei com o cenho franzido, minha cabeça repousava sobre o braço dele, era uma posição agradável, a proximidade não incomodava.

– Carter – ele respondeu e tragou mais uma vez o cigarro que tinha entre os dedos.

– O que ? – tentei compreender, me forçando a experimentar pela primeira vez maconha, tossi quando a fumaça atingiu meus pulmões, mas em comparação à bebida, aquilo era bem melhor.

– Ela costumava me ligar chorando de madrugada, dizendo que não iria aguentar por mais tempo – declarou num ar distante – Não poderia deixá-la só – concluiu.

Como ele era fofo e como Carter era sortuda. Me esforçava para não demonstrar toda minha inveja, mas era difícil quando ela possuía dois caras maravilhosos na sua vida.

– Você acha que ficarão juntos, tipo um casal ? – questionei de forma tímida, esperava não estar sendo muito invasiva.

– Casal ? Não... – riu, como se houvesse acabado de ouvir uma piada – Carter não se prende a ninguém, foi difícil entender isso a princípio, vê-la com outros caras que nunca a tratariam da forma que eu a tratava, mas esse foi o preço para permanecer na vida dela... Rox acha que não merece algo especial sabe? Namorar, ir ao cinema, andar na rua de mãos dadas... Esse tipo de coisa – revelou.

Franzi o cenho em confusão, o que ?! Quem era a louca que não acreditava merecer aquelas coisas ?!

– Por que ? – questionei com incredulidade, parecia até mentira.

– Eu não sei, ela simplesmente mudou, se fechou, ficava drogada diariamente, repetiu de ano... – ditava de forma incerta, a medida que lembrava de algum fato – Ela ficou um pouco melhor com o tempo – finalizou, encarando as estrelas sobre nossas cabeças.

– Você veio de Chicago para NY só para cuidar dela... Ela tinha razão, você é bom demais – comentei timidamente.