Final Destination - You Never Know
11 Capítulo 11 - Durch den Monsun
Notas iniciais
O título do capítulo é uma homenagem ao single debut da minha banda favorita chamada Tokio Hotel.
Durch den Monsun significa algo como ''ir pela monção''.
"Durch den Monsun"
James e Julie seguiram em silêncio para casa, sabendo que mais tarde teriam de comparecer na polícia para dar depoimento, mas nenhum dos dois queria. De fato, ninguém quer, mas teria de ser assim mesmo.
James entrou na casa e subiu em silêncio. Por que a morte tem que ser tão cruel? Ninguém poderia morrer de um simples infarto, uma doença? Tá certo que ele tinha lido sobre isso, quando se evita uma morte ruim, ela volta com mais raiva ainda. Pensou no quanto estariam ainda mais encrencados se Michael não estivesse lá. E por que Michael foi procurar Oliver e não James se fora ele quem teve a visão?
"Algumas perguntas nunca serão respondidas" James pensou.
Por um breve momento ele relaxou, mas logo tudo foi substituído pela sensação de culpa. E se Peter estivesse certo, e se as pessoas só morressem quando ele estivesse por perto, então ele teria que se afastar dessas pessoas? Nada fazia sentido mesmo.
Levantou da cama e se dirigiu ao banheiro, lavou o rosto e observou seu reflexo distorcido no espelho. A vida dele não era mais o que fora um dia, isso ele poderia concluir dormindo. Todos os problemas de uma vida inteira ele estava enfrentando em menos de um mês. Colegas morrendo por uma força sobrenatural e ele não poderia fazer nada? Estava desarmado no meio da guerra.
Revirou a mente até descobrir que o próximo era Peter. E agora? Nesse momento Peter deveria estar se cagando de medo, inclusive de James, e como falar pra ele que "ele" era o próximo?
James estava num buraco imenso, sem fim, e parecia que quanto mais que ele tentasse escapar, ele caia.
As horas se foram. Havia combinado com Julie e Michael para deporem juntos. E claro, inventar uma desculpa pelo qual estavam na casa de Oliver. Não poderiam falar daquilo tudo pra polícia.
A morte de Oliver teria que parecer uma grande coincidência, e nada mais. Sem contar que, nenhum dos três havia causado a morte de Oliver, era quase um suicídio não intencionado. Ele estava fora de si, inconscientemente e instintivamente ele puxou o garfo de seu olho, matando a si mesmo, e praticamente, qualquer um que tivesse um garfo enfiado em seu olho, faria de tudo pra arrancar logo, sem medo do pior.
Talvez a presença de James atraísse mesmo a tal da morte, por que Oliver e os outros poderiam ter morrido antes, em qualquer hora ou lugar. Mas estranhamente, a morte tinha esperado a presença de James. A morte era mais do que uma maldição, naquelas circunstâncias.
Mas como se afastar de Susan ou Peter? Esse era um grande problema.
Seguiu de táxi até a delegacia, e mal tinha falado com Christine, que fumava o dobro de cigarros atualmente. Chegando lá, esperou Julie e Michael.
Michael veio a pé, virando a esquina e outro táxi parou na frente da delegacia. Julie pagou o taxista e desceu, tinha aquela mesma expressão triste no rosto, abatida. Michael se aproximou dos dois.
–E agora meninos? -Julie perguntou e se apertou em seu casaco.
Estava extremamente frio, de novo.
–Oi Julie. -Michael disse visivelmente abalado.
–Oi. -James disse.
As árvores em frente à delegacia se moviam lentamente com o vento que começava a soprar mais forte.
–E agora James? –Julie perguntou de novo, exclusivamente a James agora. Seus olhos se encheram de lágrimas.
James a abraçou. Um calor percorreu seu corpo quando a tocou. Sentiu que poderia ficar horas assim no vento.
–Acho melhor deixar vocês sozinhos. -Michael disse e se afastou.
James não soube o que dizer. Todos aqueles sofrimentos daqueles dias, que ele havia guardado, escondidos no fundo, se soltaram. Chorou também.
–Tudo vai ficar bem Julie. Tudo vai ficar bem. -James disse automaticamente, sem mesmo ter pensado em dizer isso.
Julie se desvencilhou dele e disse com a voz trêmula.
–Ok, confio em você James. – Mas ela não confiava. Há alguns dias James havia dito o mesmo, e até agora, nada. Ela o abraçou de novo.
A chuva começou a cair. Ambos se soltaram e correram até a área da delegacia, onde Michael já estava escondido, os esperando. James secou o rosto com a manga do casaco e disse:
–Não digam nada daquilo. Eles não iriam acreditar.
–Ok. — Ambos disseram.
–Acho que daremos os depoimentos separados não é? -Julie perguntou.
–Com certeza.
E foi. Os três foram interrogados separadamente. Houve algumas contradições, mas pequenas e irrelevantes, afinal, eles eram adolescentes, e o pai de Oliver confirmou que todos eram amigos, não haveria nenhum motivo pra terem feito aquilo e ele mesmo vira seu filho "puxando o garfo". Não eram amigos, mas isso ajudou um bocado pra limpar a barra dos três.
Julie foi à última a depor, voltou com os olhos marejados de lágrimas do gabinete e James teve certeza de que foi devido ao fato de ter que descrever a morte de Oliver. Foi aterrorizantemente confuso para os três. Ainda mais que, Julie era uma mulher.
Despediram-se, James pegou o número de telefone de Michael e vice-versa. Michael logo foi embora a pé.
James e Julie voltaram no mesmo táxi. No caminho, James se lembrava mais e mais da morte de Oliver. Foi, no mínimo, idiota. Talvez houvesse como reverter isso, ele só precisava saber como.
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