Notas iniciais
This.

29 de maio de 2008

James acordou tenso na manhã seguinte. A imagem da morte de Oliver o entristeceu ainda mais, e subitamente o fez proteger seu olho de uma ameaça que nunca existiu.

Agora era Peter e Susan. Não era só correr atrás, ele deveria pensar melhor sobre cada passo que iria dar dali em diante. Deveria ir avisá-los ou deixá-los ir? Agora, ele começava a dar crédito à teoria louca de Peter. E se ele, James, fosse a própria morte?

Resetou sua mente no café da manhã, mas logo Christine disse:

–Ficou sabendo da morte do Josh?

–Sim mãe, foi horrível.

–Como?

James se engasgou.

–Ah sim mãe, me disseram que foi horrível – James disse, contornando a quase situação errada.

– James, o que tá acontecendo filho?

James pulou.

–Errr. . . Nada mãe. — James disse, sem tirar os olhos do copo do café com leite.

–Você está escondendo algo de mim James, eu sei disso. — Christine disse o desafiando. — e de qualquer jeito eu vou ficar sabendo, então me conta logo.

James realmente ficou tentado a contar tudo pra Christine. Ela já tinha ouvido falar na história do voo 180, e claro, sobre Erin, mas ele também sabia que sua mãe ficaria super nervosa. Ou, acharia que James andava se drogando, ou iria simplesmente, teria um infarto. James não queria mais mortes, e todos os indícios o levavam a não dizer nada.

–Oliver morreu ontem mãe, na minha frente.

–O quê?

–É -Nesse momento, James teve uma forte impressão de que sua mãe começaria a desconfiar dele e disse:

–Eu e Julie fomos ontem. . . Ver se ele estava bem, Michael também estava lá.

-Desde quando vocês são amigos de Oliver e o quê aconteceu?

-O fogão, uma panela, sabe lá o que explodiu.

-Meu Deus do céu. — Christine se sentou na cadeira com a mão na boca. James teve certeza de que não seria bom contar os detalhes da morte.

-Mas o que aconteceu depois, alguém estava na casa, POR QUE NÃO ME FALOU ANTES? — irritada.

-Eu estava nervoso mãe, e o pai dele estava na casa. Os vizinhos chamaram o socorro, mas já era tarde demais.

Talvez James pudesse justificar um pouco de sua tristeza com aquilo:

–É por isso que tô estranho mãe.

–Ah sim, desculpa qualquer coisa então. . Eu nem imaginava. . . — Christine o abraçou — e a polícia nada?

–Eu, Julie e Michael demos depoimento ontem a tarde. Eles não nos trancaram nem nada, e o pai dele, é. . . ele viu a morte de Oliver. Não temos culpa nenhuma.

–Eu sei que não Jay, eu sei que não. — Christine o abraçou de novo.

Tomaram o café da manhã em silêncio, James estava muito mal, mas não poderia mais faltar ao trabalho.

A manhã se foi, James almoçou e foi em direção ao shopping pensando em Peter e Susan. Ele teria que evitar a morte deles de qualquer jeito, mas como se a morte estava em. . . "todo lugar"?

James subiu as escadas em espiral, evitando lembrar-se de Sarah.

–Rapaz, é com você mesmo que eu quero falar.

James se virou, estava prestes a entrar na loja. Era Marcus, sério.

–Sinto muito senhor.

–Não sente nada rapaz, você foi avisado — respirou fundo — Está despedido

–Ok. — James disse rouco, ele bem que entendia Marcus, ele estava sendo um péssimo funcionário aqueles dias.

–Você é um bom funcionário James, mas eu já tinha te avisado e você faltou ontem. A loja estava cheia, mais do que costume e ficamos apertados sem você. Venha acertar suas contas.

Seus pais tinham dinheiro, e não era pouco, e mesmo que seu pai mal ligasse pra eles, ele depositava dinheiro todos os meses sem falta e bastante, mas James, diferente da maioria dos caras de sua idade, sentia vergonha em pedir a sua mãe, dinheiro pra alimentar sua obsessão por CDs, livros e DVDs, pagar a sua internet, e suas roupas. Além disso, era um ótimo emprego, perfeito pra ele, mas já era tarde demais.

Entrou em silêncio na loja, atrás de Marcus. Pelo jeito, os outros funcionários já sabiam, por que estavam apreensivos.

–Foi bom te ter como empregado. — Marcus disse e estendeu a mão pra James, que a apertou. -Depois daqueles acidentes — suspirou — você mudou muito, faltava, vivia distraído, assim não deu.

–Entendo muito obrigado.

James se despediu de cada um dos funcionários, e por último Lilly, que pra James, pareceu que estava levemente abalada.

James saiu da loja, desceu num fast food ali perto, comprou um super lanche, uma Coca-cola, e se empanturrou numa mesinha, pensando em tudo aquilo que a morte tinha tirado dele. Seus colegas (não que ele gostasse muito deles), seu sossego, sua juventude, seu emprego, seus sonhos. Mesmo que ele escapasse daquilo tudo, as cicatrizes ficariam pra sempre. Ele não poderia deixar o resto ir embora. Não mesmo.

30 de maio de 2008

James ainda não havia falado com Susan e Peter. E estava muito preocupado com isso.

Contou a Christine sobre a perca do emprego. Ela já sabia que aquilo iria acontecer, cedo ou tarde. James achou que ela iria se irritar, o que não ocorreu.

James subiu e ligou o computador. Talvez achasse alguma novidade sobre a morte. Era estranho pensar assim, mas era verdade mesmo. Abriu a mesma página que havia marcado alguns dias antes. Tudo o mesmo. Nem comentários, nem nada, mas agora reparou num link que não havia percebido dias antes. "180".

–Não custa nada. — Disse sozinho, e clicou no link.

"O número 180 é um número qualquer. Mas nesses casos, ele tem algum sentido diferente. Policiais e agentes do FBI perceberam uma breve relação entre esse número e os acontecimentos, desde o voo 180 até o Devil's Flight. Estranhamente, esse número foi visto em inúmeros locais onde houve os acidentes, dos grandes até os pequenos, que se seguiram. Desde o voo 180, até o metrô 081, no qual Wendy, Kevin e Julie desapareceram. Seria esse o número da morte, seria o 180 a própria morte?"

-180? -James se perguntou: — Não vi esse número ultimamente.

"Esse número sofreu algumas variações, como 18; 1800; 18h00min; 108; 81; 081; 0081, mas sempre contava com o um e o oito."

–Tenso.

"Andei dando uma pesquisada na net, porque assim como você que está lendo esse artigo, eu também me viciei nessas histórias.. " e eu queria? -James pensou ". . . e descobri alguns fatos interessantes. 360º graus, é um círculo completo. 180º graus, é metade de um círculo. Será que é isso? Significa a quebra de um círculo. Seria o círculo uma forma de representar uma vida? Meus devaneios na época logo se confirmaram quando descobri que em algumas culturas e religiões pagãs, o próprio círculo representa a vida. Tive certeza de que era isso, mas sozinho me toquei sobre outro fato. Nesses casos, a morte está literalmente atrás de você. O 360, é uma volta completa, o 180 é apenas meia-volta, ou seja, o que está atrás de você. E a morte estava atrás deles. Outro fato que descobri sozinho;o mundo, a terra gira (360), se ele parar de girar (180), significa morte total, toda a humanidade morre. É como se a morte estivesse no meio do giro. "

–Caramba. . . -James disse, tentando se lembrar do 180 em algum lugar. Não conseguiu.

Geralmente, antes daquele dia, James buscaria novidades na internet sobre séries, filmes, música, mas ele já não tinha mais vontade de fazer aquilo tudo. O que foi interessante um dia como ficar horas na frente do PC, discutindo sobre o final alternativo de um filme de terror, uma sequência ruim de uma "trilogia" boa, aquilo tudo soava tão... idiota.

Imprimiu as folhas e as deixou ali mesmo, na impressora. Desligou o computador. Havia tantas coisas a se fazer agora, e metade daquilo, ele não sabia se deveria fazer ou não, e a outra metade, ele não sabia como fazer.

Almoçou e voltou ao seu quarto, puxou uma cadeira em frente à janela que lhe dava uma boa visão da cidade, e ali ficou. Passaram se horas e James acordou assustado, babando no peitoril da janela. 18h00min horas no relógio da parede.

Desceu, Christine havia saído mais cedo. Ligou a TV: as mesmas drogas de sempre, nem um filme de terror o prendia mais. "De terror estou cheio" disse, desligando a TV. Acabou por tirar um cochilo no sofá.

Logo Christine voltou, cheia de sacolas e fumando, acordando James, que estava assustado novamente, e pediu ajuda pra guardar as compras.

Ajudou no jantar também, jantou, enxugou a louça e subiu.

Agora as coisas mudaram um pouco, 10 minutos na cama, pareceram horas. "É muito cedo" Pensou, olhando para as 20h00min horas no relógio.

Vestiu um casaco e saiu, precisava tomar um ar. Christine não disse nada, já tinha se acostumado com as idas de James ao café. Quando James se deu conta, estava na frente do Golden Gate Coffee. Seu corpo seguia o caminho automaticamente, praticamente sem precisar do cérebro. Entrou.

Era tão estranho entrar lá sem algum dos outros três, isso era fato. Como estava sozinho, não viu motivos pra procurar "sua" mesa. Sentou naquelas banquetas que ficam perto do local de servir e pediu o de sempre. O de sempre era café com leite e Wafers. Era o de sempre para os quatro. O tempo os mudou, mas não tirou isso deles.

–Hey!

James ouviu, mas nem virou o rosto, assoprou o pó em excesso de cima do Wafers e o mordeu.

–Er. . . Jay? — a voz dela ficou tensa.

James olhou, não era uma voz conhecida, nem uma pessoa que conhecia James o bastante para chamá-lo de Jay.

–James? — Uma garota que James tinha visto no café alguns dias antes, estava ali o chamando. Aparentava ter uns 20 anos, usava um longo vestido florido. Uma típica "hippie".

James colocou o dedo no próprio peito e perguntou:

–Eu?

–É sim, você.

James estranhou.

–Sim? — Disse, sem sair do lugar.

–Vem aqui! — Ela disse calma.

Era um convite então? James ficou embasbacado. Ela era bonita, mas mesmo assim era um convite estranho.

–O quê?

–Senta! — ela disse segura de si.

James colocou o prato de Wafers em cima da mesa e se sentou.

–Eu te conheço? — James perguntou curioso e percebeu como ela era bonita.

–Provavelmente não. Escuta há alguns dias eu ouvi...

Ah não, ela iria encher o saco, rir dele, sei lá. Provavelmente tinha ouvido a conversa tensa que tinha tido com Julie, Susan e Peter, algumas noites anteriores.

–Olha, estávamos falando de um filme — começou a se levantar.

–Não é um filme – ela disse — Eu sei de tudo, você teve uma visão, salvou "alguém", e esse "alguém" morreu ou está morrendo?

James congelou, ela tinha ouvido tudo.

–Não, é que. . . — James tentou enrolar. Mais alguém o achando louco não era preciso.

–Eu sei de tudo. . . Eu, eu tive amigos que passaram por isso.

–Como assim? -James parou de lutar, voltou a sentar-se.

–Eu ouvi você dizer aquilo, e na hora lembrei-me de. . . dos meus amigos. Já ouviu falar do Devil's Flight?

James sentiu que ela não estava brincando.

–E como. . . Minha prima morreu naquela época. -James disse.

–Quem era sua prima? — Ela perguntou interessada.

–Erin, Erin Ulmer. -James disse sem entender.

Ela pareceu que tinha descoberto o mundo, ficou maravilhada diante daquilo.

–Nossa, conheci ela, estudei com ela, foi triste.

–Afinal, quem é você? -James perguntou.

–Ah sim, eu era colega dos caras que sobreviveram ao desastre do Devil's Flight, no dia em que foram comemorar no parque, eu fiquei doente, mas fiquei sabendo da história toda, do começo ao fim, Wendy, a garota que teve a visão, era minha melhor amiga.

James realmente acreditou nela, mas sabia que aquilo era uma grande coincidência, ela ter ouvido tudo, e, além disso, ela era de McKinley, do outro lado do país...

–E. . . o que você quer? — James perguntou.

–Você sabe como enganá-la?

–Quem? — James perguntou confuso.

–A morte, dããr.

–E você sabe? — James a desafiou.

–Posso ajudar.

–Como? — James perguntou, mais alto do que o normal.

–Já disse, fui amiga da Wendy, pouco antes dela. . . desaparecer no metrô, ela me contou tudo.

–E?

–E é muito difícil de fazer isso, uns caras vivem inventando regras pra acabar com a lista por aí, mas isso nunca dá certo. Vocês a evitaram, mas não escaparam, vão ficar marcados pra sempre. Mas descobri que mudanças não são o forte dela. Ela tem um esquema a seguir.

–As mortes em ordem. . . -James se lembrou.

–Isso! E existem maneiras de desviar o esquema.

–Como? – Perguntou alto de novo. Todos no café ouviram, James precisava de uma luz. Mesmo que uma luz pequena, o que viesse, seria lucro.

–Fuja, corra, evite a morte de alguém. .

–Como?

–Chegue antes do que ela possa pensar em agir, desconfie do improvável. Grandes percas irão se transformar em grandes lucros, você ganha mesmo quando perde. Faça coisas que a morte não imaginaria que você é capaz de fazer.

–Como?

–Apenas faça o que eu disse e a morte irá desistir de você, faça com que você mereça viver. Vai ser como se você nunca tivesse estado na lista.

Ela falava muito, James queria ter um bloquinho naquele instante pra anotar tudo o que ela dizia.

–Como?

–Faça coisas diferentes, descubra os sinais e quando perceber, tudo não terá passado de um grande pesadelo, você saberá o que fazer na hora certa, mas corra, antes que ela seja mais rápida, fuja do óbvio, e sentirá na hora em que tudo acabar.

James decidiu que iria mudar suas táticas, ela poderia ser louca, mas tudo tem um fundo de verdade. Ele iria fazer as coisas do seu jeito agora.

–Muito obrigado! -James disse sorrindo e se levantou muito confuso, mas confiante.

–Ponha na minha conta! E o dela também!

O garçom confirmou com a cabeça.

–Muito obrigado mesmo! -James disse e saiu, mas logo voltou. Como ele pode esquecer daquilo?

–Como é seu nome?

Ela sorriu e disse:

–Ming.

Notas finais
Então, a pessoa que vocês desconfiam que é essa Ming, é essa mesma! *TCHARAM*
Não sabe quem é Ming? Pesquise um pouquinho e vai descobrir...Obrigado!!!