Notas iniciais
Outro capítulo difícil de escrever.

26 de maio de 2008


As aulas ainda não haviam voltado e o dia era frio como os anteriores. Não era novidade nenhuma pra ninguém. De algum modo James se sentia mais forte cada vez mais, e não havia motivos pra isso. Isso, James nunca entenderia.

Normalmente ele deveria se sentir mais fraco e acabado com aquilo tudo, e ele estranhamente estava de pé. Pronto pra ir em frente.

"Tudo vai ficar bem" Aquilo se impregnou em sua mente, James não teria certeza se aquilo seria um fato a ocorrer mais tarde, mas agradecia mentalmente por manter aquele pensamento vivo. Pensamentos positivos não eram o forte dele.

Enquanto se espreguiçava na beira da cama, lembrava do que Christine tinha lhe dito no dia anterior. Erin evitou a morte dele, isso era um fato, e devia ser por fatos assim que a morte estava atrás dos outros peões.

–Julie? – James disse rouco, no telefone.

–Han. . ? Oi James? –Julie disse com um ar de sono, James havia a acordado. – E ai?

–Julie, descobri algo importante.

–Me conta então, o que está esperando?

-Erin evitou minha morte.

–Han? – Julie perguntou assustada.

–Lembra da festa na escola, há uns dois anos atrás, em que houve uns assassinatos, uma chacina na rua de baixo da minha casa?

–Hum?

–Quando minha mãe estava saindo pra me pegar, Erin ligou pra acertar uns negócios da viagem que ela faria pra cá.

–E. . ? – Julie disse sem entender.

–E lembra que eu te contei que tivemos que mudar o trajeto de casa pra escola?

–Como eu me lembraria disso James? Afinal, faz dois anos não é? – Julie disse meio irritada. "TPM" ecoou na cabeça de James.

–É não haveria como você lembrar, inclusive me assustaria se você lembrasse isso. – Julie chacoalhou a cabeça do outro lado da linha. –Então, quando chegamos ao local, um policial nos disse que aquilo tudo tinha acontecido uns 10 minutos antes e a polícia havia chegado bem rápido.

–Peraí. – Disse Julie.

–E Erin havia ficado conversando no telefone uns 10 minutos com minha mãe.

–E se Erin tivesse morrido na montanha-russa, você e sua mãe poderiam ter morrido? –Julie completou.

–Na verdade acho que só eu teria morrido.

–Tomara então né James, senão sua mãe também tá na lista.

James não queria nem pensar nisso.

–Tomara Julie, tomara, mas eu tenho a sensação de que ela não tem nada ver com isso.

–Se o garoto da visão do futuro tá falando. . . – Julie disse.

–Sério Julie, sinto que ela não tem nada com isso.

–Tomara James.

–Julie, você não sabe de nenhum parente seu que passou por isso?

–Não James, não conheço nenhuma daquelas pessoas que morreram.

Silêncio que persegue as conversas deles.

–Soube do Peter? – James perguntou.

–Ah sim, liguei pra ele ontem. Ele está com medo de você?

–Como assim? – James perguntou.

James ouviu Julie tomar um fôlego imenso.

–Sabe James, ele ficou chocado, e depois da morte de Josh, ele acredita em você, mas acredita também que você atrai a morte.

–Han? – James perguntou de novo.

–Qualquer um estaria James. Mas eu sou sua melhor amiga, e sei que isso não é sua culpa. Você reparou que Sarah, Stephanie e Josh morreram perto de você?

–Han? – James perguntou de novo, mas já havia reparado naquilo.

–Ele acredita que as pessoas morrem quando você está por perto. Que você é a morte, mas você não sabe.

–Que idiota...

–Conversei um tempão com ele ontem e ele acha isso James. E não ignore, mas não é estranho as pessoas morrerem quando você está por perto?

–Sim, é estranho Julie, mas temos que avisá-los.

–Eu sei James. Vamos avisá-los, mas vamos tomar cuidado.

–É claro que vamos dessa vez Julie, você está certa. Na verdade, eu até poderia ter evitado a morte de Josh.

–Viu James, é disso que eu to falando. Existe como evitar, temos que tomar cuidado.

–Ficou expert hein Julie? – James perguntou, realmente Julie estava bem firme falando aquilo tudo.

–Estudei aquelas folhas que você trouxe.

–Você pegou as folhas? – James perguntou, ele realmente tinha se esquecido delas, e nem tinha visto Julie farrapiá-las.

–Peguei sim James. Aquele dia eu percebi que não é brincadeira.

–É questão de vida ou morte Julie, fico feliz que está esperta com tudo isso.

–Estou vestida pra matar James.

–Como deve ser. – James riu.

–E Julie, como vamos contar tudo pro Oliver? Ele é o próximo.

–É mesmo – Julie disse. –Tem que ser o quanto antes James.

–E com muito cuidado. – James completou.

–Com certeza.

–Olha Julie, você vai fazer algo agora cedo?

–Não James.

–E se fossemos a casa de Oliver conversar com ele?

–Ele deve estar muito mal mesmo James. Não sei se deveríamos.

–Devemos sim Julie, e ele tem que acreditar na gente.

–Você é quem sabe então.

–Pode ser agora? – James perguntou: ele estava com muita pressa.

–Ok então, na frente do café, daqui à uma hora? – Julie perguntou.

James pensou nas milhares possibilidades de Oliver morrer em uma hora.

–Claro – James olhou no relógio, eram 8 horas da manhã.

–Te vejo daqui a pouco então. Beijo Jay.

–Beijo Julie.

James desligou. Estava feliz porque Julie estava esperta e logo pensou na idiotice de Peter. Ele lidava com Peter depois. Oliver era o próximo, e não havia tempo nenhum a perder.

Desceu pra tomar um café e conversou um pouco com a mãe dele, mas sua mente se concentrava no que dizer a Oliver. Ele já deveria saber um pouco da história e ficado apreensivo com a morte de seus dois melhores amigos, então não seria muito difícil de fazê-lo acreditar.

James ainda teria que trabalhar naquele dia, então a conversa com Oliver tinha de ser rápida e objetiva, o suficiente para alertá-lo. Mesmo que a realidade eminente não pudesse ser evitada e James não pudesse ficar 24 horas por dia com Oliver. Nem se ele quisesse.

Dessa vez ele teria que ser solidário com um de seus inimigos, James pensou no quanto aquilo o tornaria mais humano. E, além disso, não iria fazer nada além de sua obrigação. James nunca havia desejado a morte pra algum de seus inimigos, pelo que ele lembrasse, não.

Oliver já poderia estar morto, James sabia disso, mas e se fosse como Peter havia dito? E se as pessoas realmente morressem quando James estivesse por perto? "Se realmente for assim, Havaí me espera" James riu sozinho, mas no fundo ele levaria a sério o seu pensamento. Ele não queria causar mais mortes e fugiria pra outro lado do mundo se fosse necessário pra poupar a vida de seus amigos. Mas no fundo, de novo, ele sabia que ele não era a carta maior.

Vestiu um casaco e se dirigiu em frente ao café, na hora marcada. Chutou as pedrinhas da construção ao lado enquanto Julie não chegava.

–Vamos? – Julie disse alto, assustando James que arremessava pedras num cartaz qualquer ali no chão.

–Vamos. – James disse se recompondo do susto.

–Te assustei, não foi? – Julie disse rindo.

–Imagina, você ta falando com o cara da morte. – James brincou.

–Ah é, tinha me esquecido disso. – Julie disse. — Então morte, quando vai me pegar?

–Não disse que sou a morte, sou o cara da morte. – James cutucou. – Quando chegar a sua hora. – Forçou uma voz grossa.

Os dois se engancharam e saíram andando pela calçada afora, ambos olhando pro chão.

–Sinto que você está melhor um pouco Julie.

–Não James. Não estou. Só quero tentar viver melhor o que me restar.

–Não fale assim Julie. – James parou e a encarou. – Acredite em mim Julie, vamos encontrar a solução.

Voltaram a andar.

–Ninguém sobreviveu James. – James iria começar a falar dos três possíveis sobreviventes e Julie o cortou. – Esses três que sumiram devem estar mortos. O corpo deles não foi encontrado, assim como vários outros corpos. – Julie disse.

–Sei disso Julie. Mas algo me diz que podemos mudar esse destino, somos nós que fazemos as regras. Eles seguiram o atalho errado, só isso.

–Os três seguiram o atalho errado, por que nós conseguiríamos achar o caminho certo? – Julie perguntou.

James parou por um instante, mas não disse nada, Julie estava certa.

–Por que nós vamos. – James disse, ele não tinha argumentos pra justificar aquilo. – Por que nós vamos.

Andaram mais algumas ruas em silêncio, Julie o guiava.

–Já conversou com o Michael? — Julie perguntou.

–Amanhã sem falta. – James fez parecer que estava tudo planejado em sua cabeça mas não tinha idéia de como encontrar Michael, nem sabia se ele estava na cidade, ou se o próprio estava vivo.

–Tudo bem. – disse Julie. – Se precisar eu vou com você.

–Obrigado Julie. Obrigado mesmo.

Entraram numa rua fechada e escura, devido as árvores, que rodeavam as calçadas, dando um leve ar de terror. James nunca tinha reparado naquela Rua em Nob Hill.

–É por aqui. – Julie disse, entrando no terreno de uma das casas. Era uma casa bonita, típica do bairro.

–Como sabe que ele mora aqui? – James perguntou curioso.

–Emma morava nessa rua há alguns anos atrás. Eu vinha quase todo dia pra brincar com ela. Óbvio que eu vi Oliver em frente trocentas vezes. Mas já faz tempo.

–E se ele não mora mais aqui? – James perguntou a alcançando e subindo os degraus californianos.

–E daí ué? – Julie disse, e apertou a campainha.

Ouviram passos se aproximando da porta e um senhor alto e gordo abriu-a e encarou James e Julie.

–O que vocês querem? – Perguntou ríspido.

–Por favor, o Oliver mora aqui? – James perguntou;

–Ah, outros amigos dele? – Antes que respondessem o homem gritou – Oliveeer!

"Calma ai pai" Ouviram a voz de Oliver lá de dentro.

–Ele já vem. – O homem disse e entrou num dos cômodos qualquer, deixando ambos sozinhos e com a porta aberta.

James e Julie se olharam.

–Que foi pai? – Oliver apareceu na porta e viu os dois. Oliver era um afro-americano alto e distinto. Os olhos escuros e expressivos eram capazes de assustar qualquer um. – O que vocês dois querem aqui?

–Precisamos falar com você, é sério.

Oliver chacoalhou a cabeça e começou a fechar a porta, Julie foi rápida e a segurou:

–É sobre Josh e Stephanie – Julie disse. – Deixe-nos entrar.

Oliver parou por um momento.

–Ok. – Ele disse seco. – E fechem a porta. – Disse e entrou, Julie foi atrás e James fechou a porta e se apressou atrás deles.

Oliver entrou na cozinha e um cheiro de bife que James e Julie gostavam invadiu a narina de ambos, que disfarçadamente inspiraram aquele ar gostoso. Oliver se dirigiu ao fogão e começou a mexer numa panela.

–Deve ser o mesmo assunto que Michael me contava. – Oliver disse e apontou pro canto da cozinha.

James e Julie olharam e viram Michael, tão assustado com eles, ao se encontrarem ali.

–Michael? – James perguntou.

–E aí cara. – Michael falou. – Acreditam na minha história agora?

–E como. – James respondeu. Michael havia chegado ao ponto certo. – Uma das sobreviventes do Devil's Flight era minha prima.

–Assim como Tod e George – Michael disse, coçando o queixo. – Como assim?

–Você ficou sabendo do Devil's Flight, não ficou? – Julie perguntou.

–Vi ontem na internet. – Ele disse. – Será que é algum tipo de laços sanguíneos? – Michael perguntou.

–Nada a ver. – James disse. – Descobri que se minha prima não tivesse saído do Devil's Flight, eu não estaria vivo.

–Como assim? – Michael perguntou mais confuso ainda.

James explicou a historia de Erin a Michael. Oliver não falava nada.

Michael pensou por um tempo e disse:

–Não me lembro de ter sido salvo por Tod.

–Você deve não ter percebido. – Julie disse.

–E o que eu e minha casa temos a ver com isso? –Oliver perguntou enquanto tirava alguns bifes da panela com o garfo, e colocava outros dois enormes para fritar.

–Bom, achamos que você é o próximo – James disse, sem rodeios.

Michael perguntou a Julie baixinho:

–Ele é o próximo?

Julie concordou com a cabeça.

O cheiro de feijão cozido começou a encobrir o cheiro de bife, o que era estranho.

Oliver acendeu outro fogo e enquanto colocava a panela começou a dizer:

–Cara, meus melhores amigos. . . — o fogão começou a emitir um som estranho, todos pararam, e olharam pro fogão, assustados, Oliver, que ainda falava, se virou e houve uma explosão.

Houve um clarão, o barulho de viro quebrando e Oliver cambaleou tonto para trás.

A panela de pressão havia explodido, Michael e James correram até Oliver que se encostou à parede meio tonto. O garfo que estava na panela de bife foi arremessado na explosão, e estava agora enfiado fundo no olho de Oliver.

As panelas haviam caído, o vidro do fogão estava estilhaçado e o pai de Oliver entrou na cozinha. Oliver deslizou as costas na parede até sentar-se no chão, e o olho ainda sangrando com o garfo preso.

James e Michael se retorciam de uma dor que sabiam que Oliver estava sentindo. O pai dele e Julie gritavam.

Oliver lentamente levou a mão até o garfo e antes que alguém pudesse dizer algo, ele puxou. O sangue espirrou pelo soquete do olho e o corpo dele tombou no chão da cozinha.

Acidentalmente, além de tirar seu olho com o garfo, retirou um fragmento de seu cérebro junto. Morto.

Julie gritou muito alto e tapou os próprios olhos, James e Michael fizeram o mesmo e saíram correndo da cozinha. O pai dele ficou firme lá, gritando algo. Julie apagou com o tênis um pequeno incêndio que começara a iniciar lá dentro e saiu correndo logo atrás.

Michael se sentou no chão da varanda, James tropeçou nas escadas e caiu de joelhos na grama, em frente à casa, Julie desceu os degraus pequenos e caiu no chão.

Os vizinhos que ouviram o barulho da explosão e agora viam os três caídos ali fora, atravessavam o gramado correndo e entravam na casa e gritavam ou saiam correndo quando viam a cena. Ninguém, além dos quatro, sabia como aquilo havia ocorrido.

A ambulância e a polícia chegaram logo e só depois de um tempo, Michael começou a tentar explicar o que havia acontecido. James e Julie ficaram em silêncio, e confirmavam a historia confusa de Michael, quando fora necessário, ou quando a polícia os encarava.

O corpo de Oliver saiu num saco preto numa maca e foi levado ao IML. O pai dele saiu logo atrás e chorando, todo vermelho e entrou na van, sem olhar para os três, que ali ficaram em silêncio por um longo tempo.



Notas finais
Eu gostei dessa morte..E escrevi com o maior cuidado, pra não acontecer o que houve na morte do Josh...
E na verdade essa morte não é totalmente minha, há uns meses atrás eu tava conversando com um fake americano do Sam no facebook e estávamos falando da morte da Samantha, contei a ele da minha história e bolamos essa morte, então créditos ao senhor Sam Lawton.
Mais tarde descobri que essa morte é quase idêntica a uma morte do livro End Of The Line. :/
Muito obrigado!