Final Boy

2 O último adeus


Eram quase de manhã quando Parker e Dylan chegaram no apartamento de Brand acompanhado dele. Dylan já tinha adormecido e para não acordá-lo, Brand carregou-o nas costas.

O apartamento de Brand tinha dois cômodos (Um cômodo funcionava como quarto, sala e cozinha e o segundo era banheiro). No sala/quarto/cozinha havia um sofá preto de couro, uma cama de casal, um gabinete com um notebook e uma tv pequena em cima de um galpão que delimitava a cozinha improvisada. A cozinha tinha apenas uma mesinha, pia, geladeira e um microondas para esquentar pizza, hamburgers e outros "junkfoods" que Brand adorava.

—Durma o quanto quiser e não se preocupe, aqui é seguro. –Brand sorriu enquanto bebida água do gargalo da garrafa-.

Parker bocejou

—Eu vou aceitar... –bocejou mais uma vez-.

—Ei! –Brand se aproximou de Parker arrancando-lhe um beijo. –Eu vou proteger seu amigo e você-.

Parker balançou a cabeça positivamente dando sinal que confiava. Em seguida foi para a cama e se deitou ao lado de Dylan.

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Fim da tarde

Assustado, Parker acordou com os gritos de Dylan e assim que notou que o amigo se contorcia na cama, tratou de sacudí-lo

—Dylan! Dylan!

Dylan acordou de coração acelerado e respiração ofegante.

—Ta tudo bem, ta tudo bem... Você ta comigo. –Parker acalmava-o-.

A fechadura da porta do apartamento emitiu um som de alguém abrindo a porta, fazendo o coração de Dylan disparou.

—É o Brand, não se preocupe. –Parker continuava tentando acalmar o amigo assustado-.

Assim que a porta abriu, Brand entrou animado com uma pizza na mão.

—Trouxe comida! –Sorria-.

—Ótimo! Dylan vem comer. –Falou Parker puxando Dylan que por sua vez fez um sinal com a cabeça deixando claro que estava sem vontade de comer –Você vai comer, é uma ordem! – Ordenou de forma gentil com um sorriso no rosto. –Brand faz ele comer, por favor. Eu preciso ir à universidade buscar umas roupas para gente e pegar o carro do Dylan.

—Eu vou! –Falou Brand-.

—Brand... Eu não sou indefeso. –Parker falava enquanto conduzia Dylan à mesa. – Eu vou te mandar mensagem de cinco em cinco minutos. Faz o Dylan comer, por favor.

—Você vai de ônibus? –Perguntou Brand-.

—Taxi... –Respondeu Parker-.

Parker saiu e Brand ficou encarando Dylan.

—Ok garoto, você precisa comer! –Brand serviu Dylan com uma fatia de pizza mussarela-.

Dylan encarou o prato e com as mãos trêmulas segurou o garfo e a faca tentando cortar a pizza...

—Ok, vou bancar a babá por hoje... –Brand pegou a cadeira, posicionou do lado dele, cortou a pizza de pedacinho em pedacinho, levando à boca dele. Uma fatia para Dylan foi o suficiente. —

—Quer ver tv? Jogar no notebook? –Brand coçou a cabeça-;

Dylan apenas balançou a cabeça acenando negativamente.

—Quer tomar um banho? –Brand fez outra sugestão-.

Dylan balançou a cabeça de novo, mas dessa vez concordando.

No banheiro Brand esperou Dylan tirar a roupa ficando de costa até ele entrar na banheira.

—Como tudo isso aconteceu? –Brand questionou sentado ao lado da banheira já com Dylan dentro dela-.

Dylan começou a tremer quando tentou relembrar e Brand se levantou segurando-o no ombro.

—Não seja dominado pelo medo! Olha pra mim! –Brand tocou Dylan no rosto para ele olhá-lo-.

Dylan olhou-o

—Se concentra em mim, seus amigos vão protege-lo, não precisa ter medo. –Brand tentou acalmá-lo-.

“Amigo? Eu realmente chamei o cara de amigo”, Brand pensou

Dylan levantou-se totalmente pelado a vista de Brand e o ruivo imediatamente tratou de enxuga-lo, pondo-o em um roupão de banho em seguida. Após o banho Brand guiou-o até a cama e o vestiu com uma roupa limpa dele.

Sentado na cama, Dylan desviou o olhar e dirigiu seus olhos na direção de Brand pela primeira vez.

—Eles queriam me matar por ser homossexual e ter sangue judeu. –Falou Dylan tentando se esforçar para concluir a fala-.

Brand deu-lhe um cafuné

—É a primeira vez que ouço sua voz, fale mais e eu vou caçar esses desgraçados! –Brand sorriu-.

—Sabe o engraçado? –Perguntou Dylan-.

—hum...? –Brand olhou-o-.

—Eu estava perto de morrer, mas parece que eu sabia que o Parker viria...Ele tem essa intuição aflorada, sabe? Pressente quando algo ruim vai ocorrer, as intenções das pessoas. Na primeira noite que nos conhecemos, de cara ele me tirou de uma furada quando puseram droga em minha bebida. –Dylan explicou-

Brand ficou pensativo e era como ele desconfiava, Parker tem algum dom especial.

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Com a mala fechada, Parker se preparava para sair do quarto até ouvir passos nos corredores. Sentiu uma daquelas sensações que acontecia quando algo ruim iria ocorrer. Então esperou e quando os passos foram se distanciando sentiu-se aliviado por hora, até seu celular tocar, fazendo a pessoa que estava do lado de fora retornar. Desligou o celular rapidamente e começou a revirar as gavetas.

—Cadê?! Ah!... Achei! –Retirou uma soqueira-.

Ficou próximo a porta e quando a pessoa entrou, deu um soco certeiro no nariz do suspeito, Olhou para trás e eram homens encapuzados bem similares aos da noite anterior.

—Eles nunca desistem?!

Seguiu até o fim do corredor e novamente teve um mau pressentimento, não ia abrir aquela porta. Tentou abrir todas as portas dos quartos sem sucesso.

—Festa todo dia? Ninguém aqui?! –Sentiu um pouco de desespero, mas tentou manter a calma-.

Retirou um grampo do bolso e começou a improvisar para tentar abrir a tranca. O homem que foi socado em seu quarto já havia se levantando e estava furioso correndo em sua direção, ele e um outro que tinha surgido na porta ao fim do corredor.

—Droga! –De repente ouviu o barulho da tranca dando sinal que estava destrancada. Abriu a porta e a trancou com um trinco interno. –Isso não pode estar acontecendo –. Pegou o celular e discou.

—Alô ambulância, meu amigo acabou de ter uma overdose, veiam rápido. Universidade Greenhill, campus 3, prédio 2. Por favor, chamem a polícia, alguém que o drogou.

Parker sabia que a polícia estava calejada com o número de trotes, por isso demoraria a vim, então apelou para esse recurso. Mandou uma mensagem para Brand dizendo que estava tudo bem, não queria assustar Dylan. Os mascarados que até então tentavam derrubar a porta, pararam, mas ainda sim continuava sendo perigoso ir lá fora.

Parker começou a vasculhar o quarto e viu que era de um dos atletas odiosos da universidade e surpreendeu-se ao achar uma pistola.

—Está carregada? Como é que se faz mesmo? –Mexeu na arma –Ah lembrei! –Carregou a arma e apreciava-a até o momento que alguém bateu na janela do quarto, assustando-o. –Imediatamente empunhou a arma e seguiu até a janela-

—Sou eu, mané. –Brand apareceu com um sorriso no rosto-.

—Como subiu aqui? Tão alto! E você deixou o Dylan sozinho?-Parker perguntou eufórico-.

—Não se preocupe com o Dylan, Agora vem aqui! –Disse Brand-.

—Na janela? –Parker ficou confuso-.

—Sim! Vem! –Brand elevou o tom de voz-.

Parker foi até a janela e esperou.

—Me abrace firme! –Falou Brand agarrando Parker-.

Parker atendeu ao comando e segurou-o. Com Parker firme nele, se jogou para trás, fazendo-o gritar. Então Brand lançou o “hookshot”, uma arma que atira um cordão longo com um gancho Com capacidade de penetrar superfícies e prender-se.

—Ok... Sem mais surpresas por hoje. –Parker sentia-se zonzo após a decida-.

—Você está bem? –Dylan surgiu atrás pondo a mão em seu ombro-.

—Dylan! –Ficou contente ao vê-lo, mas ao ouvir o som da ambulância, mudou a feição para sério. – Estou muito feliz em vê-lo, mas... Vamos dar o fora daqui!

—Vamos pegar aqueles safados! –Sugeriu Brand alterado-.

—Não podemos gerar um alvoroço na faculdade! Vamos! –Puxou os dois pelo braço-.

—Por que a pressa? –Perguntou Dylan-.

—Correr primeiro, perguntar depois. –Parker começou a correr e os outros acompanharam-.

—Onde está seu carro? –Perguntou Parker-.

—Só continue me seguindo! –Gritou Brand-.

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Você é mesmo um filho da.... –Reclamava Brand, enquanto dirigia. Parecia furioso-.

—Vamos apenas esquecer isso por hoje? Estaciona em um bar, preciso beber... –Parker pôs a mão na cabeça e abaixava-a para descansar. A arma que segurava, tratou de guardá-la.

—Onde conseguiu essa arma...? –Perguntou Brand-.

—Roubei... –Falou em voz baixa-.

—Eu topo ir pro bar! –Dylan animou-se levantando a mão, desviando o foco do assunto-.

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Fazia tempo que não me divertia tanto. –Disse Dylan aos risos-.

Após beberem, Parker e os outros voltavam para o apartamento. No momento estavam bêbados “alegrinhos”.

—Meus deus, fui atacado por grupos nazistas! –Dylan ria e os outros acompanhavam.

De forma repentina, Brand parou e olhou os dois de forma séria.

—Brand? Sente-se bem ou o álcool bateu? –Perguntou Parker rindo-.

—Se beijem... –Disse Brand surpreendendo -.

—Como?! –Parker fez uma cara de perplexo-.

Dylan congelou e só observava.

—Brand... –Parker tentava entender. –Isso é um fetiche seu? Isso é alguma brincadeira, ne? -No fundo Parker sabia que não era-.

—Quero uma relação a três. –Brand foi direto-.

—Oh deus... –Parker coçou a cabeça. –Essa é a coisa mais louca que já ouvi... –Respirou fundo. –Eu preciso por meus trabalhos da faculdade em dia... –Abriu a porta e saiu-.

Brand o seguiu.

—Ei, foi apenas uma ideia...

—Você me pediu em namoro ontem...

—E você não quis aceitar.

—Eu realmente nem posso olhar para você agora. Preciso ficar umas horas sozinho... –Parker desceu as escadas com o telefone celular no ouvido, já chamando um táxi-.

—Parker! –Voltou a segui-lo-.

—Por favor, respeite a minha vontade... –Interrompeu a chamada-.

—Beleza, amanhã vamos nos reunir com a Eva as 8h, não se atrase, ok? Vamos ouvir o seu depoimento e do Dylan.

—Cuide do Dylan... –Voltou a discar o número do táxi, enquanto descia o resto das escadas-.

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—Eu fui surpreendido do lado de fora e arrastado até o jardim por dois homens mascarados e encapuzados. A primeira coisa que eles disseram é que iriam limpar a sujeira da terra eliminando gays e qualquer raça impura como judeus, negros, mestiços... Eu não pude ver muitos detalhes, pois fui vendado, mas o pouco que eu vi pude notar que um deles tinha por volta de 1,82 de altura, o outro era um pouco menor, tipo 1,76; o de 1,82 devia pesar 88 kg, o outro uns 79 kg; o mais baixo tem braquidactilia que é um encurtamento dos dedos das mãos, é genético. E o outro tinha um cheiro de cigarro acentuado, com certeza fuma malboro vermelho.

—Poucos detalhes?!

Dylan contava detalhes do que ocorrera com ele na noite anterior e a mulher que ouvia-o ficara surpresa. O nome dela era Eva Lopes. Uma mulher nitidamente de origem latina pois seu corpo voluptuoso, seios fartos, olhos castanhos amendoados e boca carnuda não mentiam. O cabelo cor caramelo cheio de ondas era tinta e babyliss mesmo. Ela tinha formação policial, mais tarde tornou-se agente do governo e agora coordena a agência Sombra. Uma agência que não é secreta, mas também não está nítida para todo o público, neste lugar trabalha-se com investigações mais complexas. Na sala de reunião Eva bebericava seu café enquanto ouvia o depoimento de Dylan. Na sala também estavam Parker, Brand e Liam Pearce, o parceiro de investigações de Brand. Liam aparentava ser mais maduro que Brand. Ele era alto, cerca de 1,85 de altura, corpo musculoso sem exageros, os olhos eram azuis cobaltos, os fios dourados formavam pequenas ondulações e eram dourados tão claros que pareciam quase brancos. Todos trajados conforme o estereótipo de agentes do governo, ternos escuros. A única diferença é que Brand não abotoava o blazer e nem usava gravata, também deixava vários botões da camisa desabotoados , enquanto Eva usava um salto agulha vermelho para quebrar a neutralidade terninho feminino. Liam vestia-se conforme mandava o figurino, mas as vezes parecia mais um modelo em uma campanha publicitária de moda do que um agente. De cara ele era considerado o agente mais bonito e consequentemente o mais assediado.

—Dylan tem memória aguçada ligadas aos cinco sentidos. Ele consegue lembrar de sons, gostos, detalhes visuais, cheiros e estímulos táteis como ninguém. –Explicava Parker, pois percebeu que Eva tinha ficado um tanto chocada com a memória de Dylan-.

Brand e Eva ainda demonstravam-se bem surpresos. Liam não esboçava muita reação e Parker se mantinha apenas atencioso.

—Mas então... Aí Parker apareceu e te salvou? –Perguntou Eva e Dylan respondeu balançando a cabeça positivamente. –Um garoto tão baixinho e magrinho derrubou dois homens de massa corpórea elevada?

—É... ele é um cara de talento. –Disse Brand orgulhoso-.

—E como você fez isso? –Perguntou Eva-.

—Quando eu vi Dylan em perigo, a primeira coisa que eu pensei foi encontrar algo que pudesse usar como arma... Eu achei uma pedra de tamanho considerável e acertei a cabeça de um deles. Quando o outro veio correndo atrás de mim, usei minha arma de eletrochoque e acertei-o no pescoço... Corri até Dylan, usei minha arma novamente no que estava caído e rapidamente o libertei e saí correndo junto com ele. –Quando Parker explicou, distraída Eva tentou dar mais golada em seu café sem se dar conta que tinha acabado-.

—Isso é normal do Parker ele faz improvisações surpreendentemente rápidas e é ótimo em julgar pessoas, dificilmente alguém o engana, é impressionante... –Brand Olhava-o sorrindo. Parker tentava sorrir de volta-.

—Eva tentava esconder o quanto tinha ficado surpresa. Até Liam que olhava apenas para frente, não conseguiu disfarçar, olhou para Parker e Dylan por um segundo.

—Esses garotos são fodas! –expressou Brand sem conseguir disfarçar o seu orgulho.

—A questão é que precisamos descobrir isso o quanto antes... –Parker era geralmente expressivo, mas desta vez, falava apenas o necessário-.

—Nós não, O “Sombra” vai ser responsável pelo caso a partir de agora. –Falou Eva barrando a sugestão de Parker-.

—É claro que vocês conseguem fazer isso sozinhos, mas demoraria muito mais tempo e com isso mais assassinatos podem acontecer. E de qualquer forma, eu apenas pretendo facilitar a vida de vocês puxando fichas estudantis e apontando possíveis suspeitos para vocês investigarem. Lembre-se que estou na faculdade todos os dias convivendo com todo tipo de pessoa, a não ser que você tenha uma ideia melhor... Essa é mais viável. –Parker munia-se de vários argumentos. –Eu preciso ir agora. -Levantou-se-.

—Espere! –Falou Eva de forma imperativa-.

—Hum? –Parker parou-.

Eva ficou parada olhando sua xícara, perdendo o foco do assunto.

—Ai pelo amor de deus, alguém pode me trazer mais café –faltou alto para a secretária ouvir do outro lado. –E então, vamos escalar um segurança para cada um... Brand você acompanha o senhor Matthews e Liam acompanha o senhor Reichert.

—O que?! Eu posso continuar cuidando dos dois como já tenho feito, não precisa incluir o mala! –Brand manifestou-se irado-.

—Vocês são quadri gêmeos siameses?! Vão andar grudados o tempo todo?!–Eva Aumentou o tom de voz-.

Liam continuava sem esboçar reações.

—Está tudo bem para você? –Parker dirigiu seu olhar para Liam-

—É apenas um trabalho. –Disse com um tom seco-.

—E outra coisa... –Eva deu uma pausa. –Gostaria que vocês se alojassem em quartos de hotel, é mais seguro.

—De jeito nenhum! –Brand se intrometeu-.

—O que está dando em você?! Você está ultrapassando todos os limites hoje, basta! Quero que fique quieto ou será retirado do caso! –Gritou Eva pondo Brand no lugar-.

“Liam e Parker em um mesmo quarto! Merda!”, pensou Brand.

—Vou ter que recusar sua oferta... No dormitório pode ser o momento perfeito para detectar culpados. -Disse Parker-.

—Você tem razão, por enquanto vamos manter esse plano até eu pensar em algo. Só me prometam que vão estar sempre em contato. Agora saiam, menos você Liam.

A medida que os garotos iam se afastando, Eva encarou-o. “Esses garotos”, pensou

—Como posso ajudá-la?

—Liam... Esses garotos definitivamente tem algum potencial... Sobre as duplas que eu escalei, tem uma razão...

—Você não precisa justificar, o importante é cumprir minha tarefa. Interrompeu Liam-.

—Apenas ouça, homem! Parker não me parece o tipo que obedece regras, Brand é pior ainda. Parker e Brand juntos são um perigo para eles mesmo. Dylan por outro lado, é um pouco mais submisso e com isso pode manter o Brand sob controle. Por isso o escalei para ficar com o Parker. Por isso mantenha-o sob controle.

—Como queira... –Comentou Liam antes de se retirar-.

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Aquela mulher! Não acredito que ela vai te deixar sob os cuidados do boneco da neve sem coração! E o que será que ela queria com ele, ein,?! Conspirando sobre minhas costas!

Resmungava Brand dirigindo, Parker estava sentado no banco carona da frente e Dylan atrás.

No primeiro momento, Parker não pretendia aceitar a carona de Brand, porém resolveu agir o mais normal possível. Nesse momento ele apenas fazia umas anotações no seu bloco de notas.

—Ela só está tentando ser responsável. –Dylan tentou amenizar. –A não ser que o motivo da sua inquietação seja por ficar longe do Parker. Se quiser pedimos para trocar. –Sorriu-.

Ao ouvir Dylan, Parker fechou seu bloco.

—Vocês realmente querem discutir a respeito de duplinha, de quem vai com quem, como se fosse o colégio? Vidas estão em jogo, isso é o de menos! –Disse Parker irritado. –Desde que eu os reencontrei pela manhã, eu vi estampado em seus rostos que fizeram sexo, mas estou aqui, tentando manter a calma, mesmo meu “melhor” amigo –gesticulou o sinal de aspas com as mãos para se referir a "amigo". –Mesmo meu melhor amigo tendo dormido com, sei lá, quase namorado? –Riu. –Piada, ne?

Brand saiu da pista e freou o carro bruscamente.

—Sempre tentando manter a calma, tentando ser racional, bancando o difícil... –Começou a rir. –Eu o pedi em namoro, corro atrás de você que nem um idiota! Sim, eu fodi com ele a noite toda e qual o problema?! Não somos nada além de amigos! –Cutucou-o-.

—Eu tive dúvidas a respeito de não ter aceitado o namoro, mas vejo que fiz a escolha certa...–Falou tentando manter a calma, saindo do carro logo em seguida.-

Dylan ficou sem reação.

O sangue de Parker subiu, sentia-se humilhado. Fechou os olhos e contou de um até dez mentalmente para se acalmar, Normalmente dava certo. Brand saiu do carro, correu atrás de Parker e quando o alcançou, segurou-o pelo braço.

—Que merda ta acontecendo, Parker?!–Perguntou furioso-.

Parker movimentou o braço bruscamente para soltar-se dele.

—É sério que você está perguntando isso?!

—Cara, você parece uma garotinha boba. –Falou como se tivesse decepcionado-

Parker olhou-o com ódio e descontrolado deu-lhe um soco na cara. Rangendo os dentes superiores nos lábios, Brand retribuiu o soco fazendo Parker cair no chão.

—Não vou trata-lo como uma garota que acha que pode bater no cara sem levar também!

Dylan assistia a cena paralisado e assustado, não tinha coragem de sair do carro.

Sem mencionar mais uma palavra, Parker levantou e deu as costas. Andando, apoiava o machucado do rosto com a mão.

O coração de Brand disparou e parecia que iria sair da boca a qualquer momento. Ficou observando Parker se afastar sem nenhuma reação e imediatamente o sentimento de culpa veio à tona. Como pôde ter batido em Parker?

Parker andava sem rumo, sentia vontade de chorar. Contudo por um lado sentia um imenso alívio. Sentiu o seu amor por Brand dissipar, era como se livrar de um veneno que intoxicava todo o corpo. Respirou fundo e abafou a vontade de chorar, não era hora para isso.

O celular tocou e sentiu-se feliz quando viu o número no identificador de chamada

—Adam...-Atendeu feliz. Atencioso, escutava o que o amigo tinha a dizer. –É claro, estou disponível sim para cobrir o aniversário do seu filho.

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—O que fizemos...? –Lamentou Dylan quando Brand voltou para o carro. -

Nesse momento o carro continuava parado na estrada e Brand mantinha-se com a cabeça inclinada para trás de olhos fechados

—Vamos atrás dele! –Sugeriu-.

Brand voltou o seu olhar para frente, ligou o carro e voltou a dirigir sem falar nada. Sem Parker por perto, Dylan não sentia-se tão protegido.

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Agora junta, última foto!

Disse Parker entusiasmado, enquanto tirava fotos na festa do filho do seu amigo Adam Kriger.

Parker conheceu Adam quando fez uma viagem para Jerusalém, lugar onde Adam foi guia turístico. Até então nunca tinha trocado contato, na cabeça de Parker pelo menos, apesar de terem se dado tão bem, seria apenas uma pessoa aleatória que iria encontrar uma vez na sua vida.

Contudo, um ano depois, quando Parker decidiu cursar fotografia na universidade Greenhill para aprimorar suas técnicas, acabou reencontrando Adam que fazia intercâmbio na universidade. Após o estrangeiro ter se envolvido amorosamente com uma americana decidiu ficar e casar-se, principalmente depois de descobrir que ela tinha ficado grávida. O nome da garota era Cindy Schultz. Cindy era uma estudante de arquitetura, filha do reitor da Universidade. O filho Aaron tinha apenas alguns meses, era o primeiro do casal.

O local que a festa acontecia era um chalé alugado pelo casal. Lá estavam parentes tanto por parte da esposa quanto parentes de Adam que viajaram para prestigiar esse o primogênito do casal, contudo apenas os pais de Adam estavam presentes. De acordo com Cindy que era órfã de mãe, o pai vivia muito ocupado.

—Será que as fotos ficaram boas? –Perguntou Adam ironicamente querendo tirar sarro da cara do Parker-.

—Mas é claro que ficaram! Mesmo o pior fotógrafo conseguiria captar o melhor ângulo desse gatinho aqui. –Disse Parker pegando Aaron no colo-.

—E hey... O que foi isso no seu rosto? –Perguntou Adam ao ver o inchado no rosto de Parker-.

—Nada demais... Eu caí... –Respondeu vagamente. -

—Com metade do rosto? –Questionou Adam-.

—Claro que sim, não é impossível, sabia? –Sorriu tentando disfarçar-.

Repentinamente, Aaron fez cocô na fralda, desviando o foco da conversa. Parker agradeceu mentalmente.

Cindy e Adam tiveram uma reação de surpresa, dando gargalhadas no final-.

—Eu troco! –Parker se voluntariou-.

—Uau, que disposição! Adam, se você não passar a ser prestativo assim, vou chutar sua bunda e conquistar o Parker. –Disse debochando-.

—Sabe que pensei o mesmo? –Falou puxando a esposa para dar-lhe um selinho-.

—Sem brigas, vocês já me conquistaram. –Parker se divertia.

Na entrada do salão onde a festa ocorria, surgiu o reitor Joseph Schultz, o que surpreendeu Cindy e Adam.

—Falando no diabo... –Comentou Adam-.

—Adam! –Cindy chamou seu nome com um tom de repreensão-.

—Vá lá falar com ele, eu observarei daqui. –Disse Adam, pegando um salgado do garçom que circulava pela festa-.

—E eu vou trocar a fralda do Aaron. –Parker andou sorrindo com Aaron no colo, até o momento que um garçom distraído esbarrou no braço dele, fazendo-o parar. O garçom não se pronunciou, nem pediu desculpas. Quando tocado por ele, Parker sentiu uma sensação ruim, contudo deveria ser apenas por causa da falta de educação do sujeito, pensou-.

—Parker, está tudo bem? –Adam foi até ele.

—Eu estou bem sim. Estamos bem, não é mesmo Aaron? –Falou Parker com um tom de voz infantil. –Mas definitivamente podemos ficar melhor. –Sentia o cheiro de fezes-.

—Quem será que contratou essa agência de garçom? –Resmungou Adam-.

—Relaxe, gente mal educada encontramos em todo lugar. Já volto! –Parker sorriu tentando amenizar a situação-.

Em apenas alguns minutos, já tinha acabado de trocar a fralda e nunca se sentiu tão orgulhoso, sentia-se um super tio. Em seguida desligou o flash da sua máquina, tirando uma foto de Aaron.

—Quem é o garoto mais lindo universo. –Fazia careta para ele-.

Definitivamente estava se divertindo, para Parker, crianças eram terapêuticas. Contudo a sua expressão facial foi de sorridente a assustado. Sentiu novamente uma terrível sensação, só que mais intensa, tanto que perdeu a ar por alguns segundos. Ele já teve sensações ruins, mas nada comparado com aquilo.

Momentos depois, o chalé explodiu completamente.

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Milagrosamente Parker conseguiu escapar e nesse momento, trêmulo dirigia com apenas um braço, mantendo Aaron seguro na outro. Após a explosão Aaron não parava de chorar. Até que uma viatura surgiu com um policial dando sinal para ele parar. Imediatamente Parker parou e apesar de ter sido parado por alta velocidade ou estar dirigindo com um bebê no colo, sentiu-se aliviado por um policial ter surgido. Estava salvo.

Sem pensar duas vezes, o policial apreendeu-o e levou para delegacia.

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Momentos depois Parker deveria prestar depoimento na delegacia, contudo estava tão chocado que não sentia nada a sua volta, apenas permaneceu calado.

—Algo muito feio aconteceu com essa criança... –Comentou a policial que foi encarregada de colher o depoimento dele-.

—Qual criança? –Questionou o policial que apreendeu Parker-.

—As duas... –A mulher olhava-o fixamente. Nesse momento Aaron estava com uma assistente social-.

—Oficial Diana, Lionel...

Surgiu o delegado chamando a dupla. Enquanto ele cochichava para os dois. Assim que contou o que aconteceu, expressão dos policiais mudou completamente. Então Diana e Lionel alguns minutos depois.

—Garoto... Você presenciou a exlposão de um chalé perto da rodovia Victoria?

Nesse momento, o olhar de Parker que estava apático dirigiu-se para a mulher.

—Eu quero ligar para uma pessoa. –Parker pronunciou-se-.

Ao lado do telefone, uma memória recente veio a cabeça de Parker

Flashback

—Aqui...

Liam jogou um cartão no ar e este caiu certeiramente no bolso da camisa polo de Parker que por sua vez ficou sem reação. Devido a assertividade do agente. Como Alguém que era capaz de fazer isso?

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Apenas uma hora foi suficiente para Liam usar sua perspicácia para tirar Parker da delegacia, afinal ele era formado em direito. No carro dele, enquanto dirigia, Parker segurava Aaron no colo no banco carona de trás.

—Obrigado...–Disse Parker com uma voz inexpressiva e Liam apenas prestava atenção no volante sem esboçar reação. –O que será de você agora, ein...? –Parker olhou para Aaron, enquanto ele dormia-.

—Quando as marcas da morte nos acompanham, não há outra opção a não ser seguir em frente... –Disse Liam sem desviar o olhar da frente-

Parker olhou-o.

—Não queria que ele fosse forte, só queria que ele fosse feliz... -Parker engoliu a saliva e limpou a garganta. –Para onde você está me levando? –Perguntou Parker sem esboçar ânimo algum-.

—Para minha casa... –Respondeu Liam conforme usual-

Parker ficou surpreso. O policial aparentemente impenetrável iria levá-lo para a sua casa?

—Preciso mantê-lo a salvo por ordem da chefe, não vou para um quarto de universidade... -Explicou-.