Final Boy

3 Marcas que ficam


Parker se sentia encantado com a arquitetura em volta, era como estar dentro de uma fotografia em movimento, mesmo ele sendo o fotógrafo. Virou-se para trás e viu-se seguido pelo olhar acinzentado e penetrante de um jovem israelense. O sorriso encantador, aquela barba e bigode bem aparados, mãos um pouco ásperas sentidas quando ele o cumprimentou com um aperto de mão, indicando que era alguém que deu duro na vida. Apesar da cara de bom moço, tinha impressão que por trás daquele sorriso, Adam escondia algo que só poderia ser revelado a dois. Parker não resistiu e acabou tirando uma foto dele em um momento desprevenido.

-Preciso guardar uma lembrança do melhor guia turístico que conheci. –Sorriu andando a lentos passos em direção a pessoa que o guiou pela cidade-.

—Não é a paisagem mais interessante, mas obrigado. –Sorria-.

—Esse é o último ponto? –sorriu de volta-.

—Já experimentou a culinária típica daqui?

—Ainda não...

—Então esse é o penúltimo. Gostaria de comer o melhor da culinária daqui?

Surpreso com o pedido, Parker ficou sem reação por alguns segundos.

—Claro, se não for invadir o seu espaço...

—Não, imagina, eu apenas pensei que essa viagem tem sido bem legal. –Sorriu-

Durante o sonho, Parker recordou-se do momento que conheceu Adam e sentiu-se extremamente deprimido por pensar que nunca mais o veria.

Quando acordou sentiu-se nauseado com uma ressaca extremamente forte. Ainda sonolento, olhou o local e finalmente notou que o ambiente que estava não era o quarto dele, era o apartamento de Liam. Era um apartamento de dois cômodos, o maior funcionava como um grande escritório e quarto com uma cama de solteiro e um sofá cama. Também Tinha dois gabinetes, uma estante grande com livros de advocacia, um frigobar e uma cafeteira. O outro cômodo era o banheiro. O apartamento era bem similar ao de Brand, parecendo ser um padrão da região.

No geral, o ambiente era muito bem organizado e limpo. Parker comparou com o apartamento tão bagunçado de Brand e percebeu como a dupla era diferente.

—Aaron! –Assustou-se quando não viu a criança. –Ouviu a porta da sala se abrir e foi correndo ver. –Aaron! –Era Liam com Aaron no braço. Parker correu até eles-.

—Hum... Seu hálito está horrível, tem uma escova extra no banheiro, aproveite e tome um banho também. –Falou Liam se dirigindo a uma das mesas da sala. Pôs as sacolas de compras em cima e pegou uma mamadeira já aprontada com leite-.

Apesar do jeito seco que o agente tinha de tratar as pessoas, Parker sentia uma energia boa vindo dele.

Com o hálito fresco e de banho tomado, Parker saiu enrolado em um roupão de banho. A sensação era boa e revigorante.

—Desculpa, não quero ser abusivo, mas você tem máquina de lavar roupa ou qualquer local que eu possa lavá-las?

—Eva antecipou-se e cuidou de enviar umas roupas limpas para você, estão naquela sacola. –Apontou para um canto da sala sem fazer contato visual-.

Eva realmente se comportava como uma mãezona. Era notável pela forma que ela tratava todos, principalmente com Brand ao tentar discipliná-lo.

Com uma calça jeans e camisa polo branca, Parker voltou à sala enxugando o cabelo com outra toalha.

—Obrigado por tudo Liam... E sim, eu sei que é o seu trabalho e não há motivos sentimentais. –Parou de falar e ficou pensativo, então suspirou. –Preciso encontrar algum parente de Aaron... –Falou com certa dificuldade-.

—É o mais sensato. –Concordou Liam, enquanto balançava Aaron suavemente deitado em seu ombro para que pudesse arrotar-.

—Preciso ir à casa do Adam e da Cindy, eles mantinham uma agenda com números de amigos e parentes. Mais uma vez sem querer ser abusivo, mas você pode cuidar do Aaron enquanto faço isso? –Perguntou com cautela-.

—Negativo, minha missão é proteger você.

Parker ficou chateado por Liam ter dado prioridade a ele e não a uma criança que era obviamente muito mais indefesa.

—Podemos deixa-lo sob os cuidados da agência... –Completou-.

Parker balançou a cabeça concordando. “Ele realmente pensa em tudo”, pensou, mudando para uma expressão sorridente.

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Na casa de Adam, Parker conseguiu localizar rapidamente a agenda com os números de telefone, contudo quis adiar um pouco as ligações.

—Preciso de um momento. –Falou a Liam que apenas manteve-se parado. Antes de tudo, precisava ir ao quarto de Adam-.

No quarto, Parker controlava-se para não ficar emotivo. Sentou na cama e em cima do criado mudo ao lado dela havia uma foto dele, Cindy e do filho com ele no colo. Abriu a gaveta do móvel e dentro tinha uma foto de Adam e dele. Era a foto que haviam tirado na noite que foram jantar.

Após o momento emotivo, voltou à sala e Liam permanecia na mesma posição. O garoto pegou a agenda, se dirigiu ao telefone e discou. Era o telefone de uma tia que o Adam falava muito.

—Alô. Posso falar com a Amalia? Aqui é um amigo do Adam...

Após ter contado todo o caso e desligar o telefone, Parker soltou o ar, podendo voltar a respirar novamente.

—Pobre mulher, eu liguei para despejar uma bomba como essa. Ela vai pegar o voo mais próximo. –Respirava tentando voltar ao seu fôlego usual. –Bem... Eu não temo pela minha vida, mas tenho medo pelo Aaron... Posso ficar no seu local até ele estar seguro?

—Hum... Vamos ver quais serão as instruções de Eva. –Respondeu Liam-.

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Na academia da agência Sombra, Brand descarregava toda sua tensão batendo em um saco de boxe, enquanto Dylan assistia entediado com a mão no queixo, sentado na banca do ginásio. Perdendo a paciência, levantou-se e virou as costas caminhando para longe.

—O que está fazendo? –Brand parou-.

—Vou procurar o Parker, eu prometi que iria ajuda-lo com o caso.

—Em outra ocasião, eu deixaria você se matar, mas preciso seguir ordens da minha chefe dragão.

—Você é realmente um idiota, não vai me surpreender se morrer sozinho. –Lágrimas começaram a vazar dos olhos de Dylan. Choramingando correu e parou ao esbarrar em Parker no corredor-.

—Me disseram que você estaria aqui. –Parker o segurou-.

—Parker! –Chorou abraçando o amigo–. Eu sinto tanto, fui um péssimo amigo, não te procurei porque fiquei com medo de você estar com raiva de mim e ser grosseiro comigo.

—Dylan... Depois falamos sobre isso, eu preciso da sua ajuda –Olhava-o nos olhos-.

Na porta do ginásio, Brand apareceu e encarou Parker que por sua vez retribuiu com um olhar de reprovação. O machucado no rosto de Parker, cada vez que ele lembrava, sentia seu coração corroer de arrependimento, era uma marca que mesmo que sumisse do rosto do garoto, sempre que o olhasse, veria. Parker virou as costas e se distanciou do ruivo, impulsionando Dylan para acompanha-lo fazendo uma leve pressão em suas costas.

Brand voltou a treinar e enfurecido deferia golpes mais fortes no saco de pancada.

flashback

Fumando um cigarro, Brand caminhava pelas ruas. As luzes dos postes estavam enfraquecidas e os locais por onde passava estavam bastante desertos. De repente avistou de longe um garoto encurralado por outros três. Pareciam ser assaltantes e estavam armados com facas. Brand logo correu para poder ajudar.

—Eu não tenho dinheiro, apenas cartão. –Mesmo nervoso, Parker tentava manter a calma, mas não parava de pensar que não deveria ter sido teimoso. Algo dizia a ele que tentar seguir um atalho para cortar caminho iria dar errado-.

—Quero essa máquina então, parece valer muito! –Disse um dos assaltantes-.

A máquina de Parker era seu bem mais precioso, foi a primeira máquina profissional que pôde comprar, não era questão de dinheiro, era valor sentimental.

—Ok... Respondeu ele, mas vocês não querem saber como ela funciona? –Fez uns ajustes, Levantou a máquina e apontou na direção deles. Assim que fechou os olhos, disparou um flash tão luminoso que cegou todos. –Desculpa não poder ficar mais, mas eu acordo cedo amanhã. –Correu rapidamente para longe-.

Quando os assaltantes se recuperaram, deparou-se com Brand olhando-os.

—Ladrões nojentos que não querem trabalhar!

—Quer morrer, filho da puta?!-Falou um dos assaltantes apontando a faca-.

Partindo para o ataque, um deles correu até Brand para atingi-lo com a faca. Brand por sua vez, desviou e deu-lhe um soco na cara, quebrando seus dentes fazendo o assaltante desmaiar instantaneamente. Outro tentou golpeá-lo usando a mesma estratégia da faca, mas errou quando Brand se abaixou. Em seguida, ainda agachado, o ruivo deu uma acrobacia para trás acertando o queixo do inimigo com uma das pernas. O assaltante que sobrou, para tentar pegá-lo de surpresa, atirou a arma para acertá-lo, mas falhou quando a faca foi agarrada ainda no ar por ele.

—Traiçoeiro... –Sorriu-.

Brand encarou o último assaltante e este assustado tentou correr. Saltando da posição que estava, Brand deu um pulo bem alto e posou nas costas do ladrão, fazendo-o cair e deslizar pelo cimento com ele por cima das costas como se fosse uma prancha.

Acabado toda a ação e tendo se divertido, Brand acendeu um cigarro para relaxar. Contudo apagou-o logo em seguida, algo tinha lhe veio à mente.

—Ei! –Brand correu para alcançar Parker que andava calmamente, dessa vez em uma rua bem iluminada com bares em volta-.

Parker virou e visualizou Brand. Teve dúvidas se tinha sido para ele, mas seu olhar estava tão fixado nele.

—Sim? –Andou e parou a uma distância suficiente apenas para ouvi-lo-.

—Quer tomar uma cerveja?

Parker sorriu sem conseguir as palavras certas para responder

—Mas você nem me conhece...

—Eu gostei do truque com o flash. Corri para ajuda-lo, mas você se virou bem.

—Cerveja parece uma boa sugestão nesse momento. –Continuou sorrindo, indo até Brand-.

Fim do flashback

Enquanto se enxugava após a ducha, Brand recordava-se do momento que conheceu Parker. Sentia falta dele, mas era orgulhoso demais para admitir.

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—O que você procura? –Perguntou Dylan em frente a um computador-

—O meu primeiro pensamento foi puxar os suspeitos que poderiam estar envolvidos com os acontecimentos nazistas, mas acho que a melhor medida agora é enviar um e-mail para todos, colocando os grupos de riscos que devem tomar cuidado. Você consegue fazer isso?

—Claro, entrar no sistema do computador do próprio diretor da faculdade é muito fácil. Alias, onde você aprendeu a abrir trancas assim? –Perguntava, enquanto digitava-.

—Manual de internet. –Parker respondeu-.

—Ta brincando, ne? –Dylan ficou surpreso-.

—É verdade, dá pra aprender tudo pela internet atualmente.

—Pior que é verdade. –Continuou a digitar. –E onde você esteve durante esses dias? –Perguntou puxando assunto-.

—Resolvendo as coisas pro Aaron, empacotando as coisas do Adam e da Cindy. –Respondia olhando pela tela do computador-.

—Parker, sinto muito... –Por um momento Dylan segurou a mão dele-.

—Eu estou bem. –Sorriu para ele-.

—E onde está o Liam? Ele conseguiu te deixar vim sozinho?

—Na verdade não... Ele está me esperando de carro lá fora.

—Você parece estar bem confortável com isso agora. –Sorriu. –Eu quero resolver tudo isso de uma vez e apesar de tudo, ele é um homem inteligente, facilita as coisas para mim. E... –Deu uma limpada na garganta. –E o Brand?

—O que tem ele? –Respondeu angustiado-.

—Você está apaixonado por ele? –Perguntou sem expressar tensão-.

Dylan teve um certo receio de responder.

—Pra falar a verdade, eu não sei... E você?

—Eu o que?

—Você o ama?

Pensou antes de falar

—Depois de tudo que aconteceu, percebo que foi apenas uma paixão louca... –Respirou fundo. –Eu acho que eu amei apenas uma pessoa mesmo. –Inspirou e soltou o ar. –Se quiser algo com ele, tem a minha aprovação.

—Quer falar sobre isso?

—Uma outra hora... –Os olhos de Parker saltaram quando observou algo na tela do computador. –Olha isso! Uma lista de alunos que simplesmente saíram de Greenhill sem motivo específico, não é estranho terem desistido no meio do semestre?

-E todos eles encaixam-se como alvos... –Completou Dylan-.

Dylan deu enter e finalizou o processo.

—Pronto! Só demorei por causa dessas luvas grossas que estamos usando. –Olhou para as mãos-.

—Não vamos arriscar deixar nossas impressões digitais.

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Pela manhã na faculdade, o e-mail recebido era o assunto mais comentado pelos alunos.

“A minha família por parte de pai tem origem judia. Será que sou um alvo?”

“Em uma faculdade com tanta tradição... Nunca pensei”.

Alguns alunos, principalmente os que se encaixavam como possíveis alvos ficaram aterrorizados.

Parker e Dylan caminhavam pelos corredores da universidade observando os alunos.

—O que estamos procurando, Parker?

—Observe todos os alunos que não esboçam reação de surpresa ou medo ou que pareçam suspeitos.

Com a ajuda de Dylan, Parker foi capaz de levantar uma lista com alguns possíveis suspeitos. Para não haver perda de dados, Parker fotografou todos eles.

—Parker... Não acha que está correndo riscos demais? –Perguntou Dylan, enquanto tomava o seu suco em uma lanchonete perto da universidade-.

—Sim... Mas é isso que eu quero. –Respondeu enquanto tomava seu cappuccino. –Continue firme no plano. E Dylan... –Sorriu-. Confio em você. Agora vá, entregue essas fotos e conte aos outros o nosso plano.

Flashback

—Eu vou me casar. –Adam avisava a Parker durante uma ligação de celular-.

—Ca-ca-casar? –Parker gaguejou do outro lado do celular. –Não acha que está sendo precipitado? Acabou de conhecer a Cindy.

—Ela é a mulher dos meus sonhos, Parker! Não há motivos para esperar. Além do que... Ela está grávida.

Parker ficou mudo no telefone.

—Parker?

—Eu fico feliz por você, Adam. Se você estiver feliz, eu estarei feliz.

—E eu quero que você seja meu padrinho. Eu amo você, cara e quero que esteja presente em cada momento da minha vida, você também é família.

Ficou mudo, enquanto lágrimas escorriam

—Parker?

—Também te amo, Adam e eu aceito com todo prazer. –Abafou o choro. –Eu só preciso desligar agora porque estou revelando umas fotos...

—Tudo bem, até depois.

Parker sentia-se ridículo, pois já sabia que nunca teria uma chance com o amigo, contudo ainda tinha um fio de esperança de algum dia o amor platônico ser retribuído. Esperança despedaçada. Ele era tão carinhoso, seus abraços eram tão calorosos, sempre pensava: “Ele não abraça qualquer um desse jeito”. De qualquer forma, só queria vê-lo feliz, isso era o mais importante. E agora seu pensamento mudou para: “O mundo não é gay”.

Fim do flashback

Durante os dias que passaram após a explosão, Parker tinha lembranças constantes de Adam, de momentos marcantes que permaneceriam em seu coração até o fim de sua vida, pelo menos até quando ela durasse.

Em Greenhill quase não havia aluno, a grande parte decidiu antecipar a sua saída da universidade sem interesse de colar grau.

Como alguém que caminha para a toca do leão, Parker circulava pela universidade sozinho, mesmo sabendo que era arriscado.

—Vamos, estou esperando por vocês! Hitler pelo menos não era uma bixona medrosa como vocês! Se acham tão homens ne? E não tem coragem de pegar um homossexual sozinho!

Após os xingamentos, algumas presenças ocultas pelo local, decidiram revelar-se e é claro, todos eles estavam cobertos para não serem reconhecidos.

—Já era hora. –Disse Parker apertando algum botão de seu relógio. –

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—Ele deu sinal! –Disse Dylan olhando para o sinal surgido na tela de um notebook. Acompanhado dele estava Liam e Brand. –Vocês também serão capazes de acompanha-los pelo celular de vocês.

—Esse idiota! O Que ele ta pensando?! –Resmungou Brand-.

—Existem duas equipes táticas reservas em volta da universidade que impedirão que qualquer um saia, principalmente os suspeitos das fotos. –Explicou Liam-.

—Eu vou ficar aqui no carro em contato com vocês através dos comunicadores. Não deixe que nada aconteça ao meu amigo, por favor.