Filhos do Éden - O Jardim & A perdição
1 Narração de Karen... entrada ao Jardim
Era um dia comum, não vejo muita graça mas nesse mundo desde que...ele se foi. Estava como de costume, indo para o colégio, sem prestar atenção em absolutamente nada. Não vi quando veio, só sentir um vento muito rápido passar por mim. Uma moto. Minha mãe sempre fala que sou meia...desatenta...é, sim, sou muito desatenta, confesso. Por sorte aquela moto não me atropelou...ou foi azar?
Os dias sempre demoravam a passar e isso era muito chato, ainda mais por e estar na escola. Meus dias escuros começaram, não sei agir sem ele. Mas tenho que ser forte. Estufo o peito e entro na sala de aula. “– calma” — penso “-é o segundo ano, logo vem o terceiro, óbvio, e assim terminamos logo isso” -. Costumava pensar assim quando os dias pareciam muito perturbadores. Eu apenas, na sala de aula e em toda vida, existia. “- Karen?!” – chama o professor. Me torno o centro da sala e isso é muito difícil de acontecer. Mas não é nada demais, só chamada. Minha voz sempre falha na hora de responder a chamada. “-Merda” – penso. Porque sempre acontece isso?Como imaginado, o dia demora uma eternidade para terminar e assim que acaba, desejo ir direto para casa. Estou contornando a esquina do bairro Messin (um pouco perto de minha casa), quando avisto dois rapazes. Eles estão discutindo, e eu não quero atrapalhar, então me escondo atrás de um poste. Porque me escondo? O que eu desejo é simplesmente passar, mas se eles tentarem algo? Se me arrastarem para o beco e ...NÃO! ...não irei pensar nisso. Estava tudo no meu controle mas, esqueci de algo valioso, um dos motivos para que eu não me envolva em aventuras perigosas e etc ... tenho um simples problema de coração. Que em situações meio...digamos, criticas... ele acelera. Estava tentando manter o absoluto controle de tudo, quando vi aquilo. Algo inusitado aconteceu em meio a discussão intensa daqueles rapazes. Um fogo azul surgiu e eu pude ver d’onde veio o foco. Ao ver aquilo, qual a primeira reação nossa(mulheres) ao ver uma coisa inusitada? Gritar (bom, no meu caso é minha reação). Um deles viu, e sumiu do nada. O outro por sua vez, sorriu para mim. Um sorriso torto, em meio de tanta coisa acontecendo comigo, eu fiquei sem jeito (e lá é hora de isso acontecer?). A única coisa que conseguir fazer foi correr. E corri, até chegar em casa. E lá repousei (na verdade, desmaiei, só acordei no outro dia). – Só mais cinco minutos – foi a primeira coisa que falei ao ver que estava no chão, junto com os travesseiros e o lençol, foi quando eu pulei, e vi que estava atrasada. Atrasada para ir ao melhor lugar do mundo... o colégio (se ligou na minha ironia né? Sou boa nisso). É meio difícil se arrumar quando se está atrasado (não é?). Mas fiz a proeza em menos de 10 (rápidos) minutos.Flash.Era o que eu devia me chamar, pois conseguir chegar no “inferninho” antes do sinal tocar indicando que os alunos deveriam estar em suas respectivas salas de aula. Mas uma surpresa me aguardava naquela sala de aula. Estava sentado na mesa dele. Usava touca e podia ser considerado um esquisito, um otário, para o resto da sala, mas ele até, para um evento nerd, teria um estilo foda. Eu o conhecia, ele estava discutindo com o outro cara ontem, ele me deu um sorriso torto. Ele estava ali agora. — O que será que ele está fazendo aqui? – sussurrei.Ele me olhou (meu Deus! Ele me olhou! Ele olhou para mim Jesus!!!). Passei todo período da aula de história olhando para frente (claro!), enquanto o esquisito estava lendo. O sinal tocou, agora indicando que devíamos ir para o refeitório. Enquanto ele se arrumava a mochila, eu sentir a necessidade de falar aquilo, então explodi:– Eu vi você ontem. Eu vi o que seu amigo fez. O que são vocês? – diferente de ontem, eu me senti seguro... perto daquele rapaz. Mas o eu isso teria haver? Quando dei por mim, meu professor estava atrás de mim. Me encarando ( ou encarando o esquisitão), quando eu ouvir a voz do rapaz a minha frente, quase pulei. – Eu acho que ela sabe demais tio, ah, prazer, meu nome é Phill e adoro baixinhas marrentas – Foi o suficiente para que eu ficasse vermelha.Sim, eles são parentes. Eu que cheguei atrasada na escola e não vi a apresentação do Phill. Mas nunca pensei que uma baixinha, gordinha, fosse ser vista por um nerd misterioso. O professor me pegou pelo braço e me puxou a sua frente. Me olhou, e assim pude ver que seus olhos eram azuis... não! ...eram vermelhos. Os olhos deles mudavam de cor constantemente me deixando tonta e minhas pálpebras estavam caindo e um forte sono me acompanhou. O que estava acontecendo? Onde foi parar tudo? O que me restou foi uma escuridão, até ouvir a voz amigável dele me puxando para a consciência. – Bela adormecida? — dizia ele sem ironicamente. Abri os olhos ainda desconfiada por não saber onde estava, vi um puxar de carroça, foi então que percebi que estava numa estrada escura de terra e que a frente havia luz, não de lâmpadas, mas sim de tochas. Arvores mortas abitavam a floresta, o luar tornava tudo sombrio. Phill estava de branco, fora de sua cor normal, já que ele era negro. Foi então que notei que o casaco dele estava comigo. Um cavalheirismo talvez? – onde estamos? — indaguei. – eu quero saber onde estamos?!!?- repeti (falei tão rápido que não deu tempo dele responder). – indo ao encontro, um encontro único e gratificante- responde ele meio sem graça. Eu virei para ver se via algo foi então que avistei o que ele dizia ser “gratificante”. Umas coisas estavam voando. Coisas grandes. Apertei os olhos para ver o que eram... foi quando vi algo inusitado. Meu coração não deu nenhum estalo, continuou calmo (para minha surpresa), mas meus olhos não estavam acreditando no que viam... eram pessoas. Pessoas com asas. Pessoas com asas voando. Pessoas com asas fazendo acrobacias. Foi então que aquela mão, em toque com meu corpo, que me levou a dar um suspiro. Veio acompanhada de um sussurro, que me deu um arrepio. Ele estava praticamente me agarrando por trás. – eu amo gordinhas, tem onde aperta- é o que pensei que ia sair daquela boca de mente poluída (talvez). Mas o que pensei estava errado. Ele simplesmente disse algo que me deu arrepio (não aquele que daria caso ele falasse o que tinha imaginado).
– Bem vinda ao Jardim do Éden!- disse rindo
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