Notas iniciais
Não quero me abrir Vou guardar tudo para mim Mas ele me salvou do terror. O que faço?

Fantástico.

Era como eu defino o tal jardim. Mas confesso que não estou muito 'acreditada' nessas coisas. Anjos. Eles realmente existem,e eu tô caída por um deles.Mas de uma coisa eu tenho absoluta certeza: não posso admitir isso,nem a ele e nem a ninguém.

A carroça continuou vagando pela estrada escura enquanto as pessoas olhavam para mim como um porco no meio de tigres. Eu estava de boca aberta olhando alguns rapazes robustos com sua asas lindas nas costas, e ficava imaginando como seriam as dos Phill.

–Por aqui madame!- disse o gentil cavalheiro de quem eu acabará de pensar. Ele estava todo educado comigo,ou era simples delírio meu?

Seguir o jovem de vestes casuais até um compartimento,uma cabana por assim dizer,no meio de três arvores rosas. A cabana emanava calor fazendo com que todo frio adquirido durante a viagem fosse embora(fazendo com que até Phill voltasse a sua cor normal). A cabana era simples,portando uma mesa redonda no centro(acho que de reunião) e a cozinha,com talheres e panelas sobre a pia.Havia uma escada que dava aos cômodos de cima(o qual ainda não sei o que é).

–Sr. M! Sr. M! Cheguei! Eu trouxe a garota!- berrou Phill. Garota? Pensei que depois de tudo que passamos,ele...pera,não passamos nada. São coisas da minha cabeça. Está tudo tão confuso que devo está imaginando coisas e mais coisas.De repente a única luz de vela que tinha no centro da mesa e que por um motivo muito misterioso iluminava quase todos os cantos se apagou. Senti um forte arrepio. Houve um uivar dos ventos entrando por algum canto das janelas que deviam habitar os cômodos de cima. Eu estava com medo, mas não a ponto de gritar e pedir colo. Phill se pôs atrás de mim e lá continuou até a luz da única vela se ascender. Mais que depressa tombei para trás ao ver aquela figura humana de capa marrom caída ao chão,cabelos meio alaranjado, e com as botas em cima da mesa olhando para mim. — Essa então é a quinta escolhida?- sua voz. Era totalmente angelical,com um toque de melancolia e tristeza. — Panda, ótimo trabalho.-continuou- Leve ela aos aposentos na cabana 3/6,depois haverá um lanche sob o luar com roda de fogueira aberta a todos para a apresentação dessa jovem moça,cujo nome é Karenlyn,se não me engano?-. Primeiro: Panda? Que apelido é esse? Segundo: Como ele sabe o meu verdadeiro nome(,o qual meus pais escolheram esse nome para homenagear uma amiga deles que os juntou)?

Fiz um 'sim' com a cabeça pois não queria admitir meu medo ali. A luz da vela apagou e ascendeu num pique de talvez uns dez segundos,tempo suficiente para o "mago" desaparecer. — perguntas mais tarde- disse Phill rindo — vamos bebê, vou te amostrar "seus aposentos reais"- por que sempre sinto ironia em seu tom de voz? Estava tudo tão distante na minha cabeça,eu devia estar em casa.Meus pais! O que eles devem estar fazendo agora?Na polícia?Nos bombeiros?Eles devem estar desesperados a minha procura. Pobres senhores Mclean. Sua filha vai para a floresta com um rapaz e os deixa em pleno estado de preocupação.Isso se soma com o fato de eu estar numa floresta,ao luar,com desconhecidos. Minha cabeça vai estourar. Todo pensamento negativo e preocupante deixam de se pesar sobre minha cabeça assim que ele me toca. O panda segura minha mão e bota delicadamente a outra em meu rosto,e isso bastou para que meus olhos e pensamentos se direcionassem a ele. — vamos a sua cabana,e lá te conto um pouco do que está acontecendo. Na roda, você irá ser apresentada.- disse ele calmamente sem ironia nenhuma em sua voz.Ele me puxou pelo braço,e me levou a cabana 3/6. Aparentemente,pareia um banheiro. Pensei que ele estava me arrastando para o banheiro para me dar uns...NÃO! Ele não iria fazer isso,e não fez. As cabanas,por fora,tinham pouco espaço e realmente pareciam banheiros químicos de madeira,mas ao abrir a porta, eu vi um mundo lá dentro. Era gigante. Havia dois sofás,uma mesa grande,nenhuma Tv,nem aparelho digital,uma escada para os dormitórios(sim,dormitórios com 's' no final...querendo dizer que não teria privacidade nenhuma naquele lugar).

– Eu poderia dormir aqui com você,mas eu tenho meu próprio dormitório. 6/9. Se sentir saudades...ou precisar desvendar o cubo mágico...é...isso...- notei que ele ficou sem jeito de falar com uma garota. No início ele foi confiante,mas desandou legal.- hum...tudo bem. Por que panda?- foi a única coisa que conseguir falar. Não queria que ele fosse embora. Não agora.-ah,isso? Todos os emanadores tem um símbolo animal. O cai logo o panda.Não que e transformo em um,mas basicamente, é meio que isso- ele riu. Não sei o que ele quis dizer com esse final. Ele tem um mistério, e tenho que ver qual é.

O panda(adoro chama-lo assim) saio da cabana, foi então que subi para o dormitório. O Meu era o 6°(basicamente foi assim,o 1° estava escrito ocupado e assim sucessivamente,menos o 6°). Havia roupas no armário,roupas minhas e isso eles terão de explicar. Como foi submetida a uma roda de fogueira,vesti minha camisa xadrez quase de sempre e uma calça jeans rasgada nos joelhos. Meus cabelos de meio ruivos estavam quase apagando o brilho. Em cima da cama estava uma espada curta,do tamanho de uma espada de esgrima,ainda na bainha e com uma carta em cima.Nela,estava escrito:

"Treine filha,o mundo vai precisar de sua coragem,a mamãe te ama tá?

Filha,aqui é o papai,na abra esse envelope até que descubra toda a verdade. Essa espada é uma lembrança minha e da sua mãe. Fique com os anjos :)"

Vou fazer como eles querem. Pelo menos isso vou fazer por eles. Eles sabem onde estou,e por quê não vieram me buscar?Me sinto traída.Agora estou sendo egoísta. Sentei na cama com a espada na mão.Olhando o luar. Sem entender muito bem o que está acontecendo comigo hoje,ontem...desde que ele se foi. Ele. Voltou em minhas lembranças. Desculpe não ter lembrado de você antes,me perdoe. E pela primeira vez lágrimas escorrem de meus olhos. Onde você está?Eu vou te achar. Prometo.Levantei e desci as escadas correndo. O frio agora já não tornava meu corpo tão gelado. Foi só então que me toquei que estava usando o casaco do panda. Ele era marrom,de pelos,quentinho,e cabia perfeitamente nas minhas silhuetas. Não é que esse moço ama mesmo gordinhas. Prendi a espada dada pelos meus pais na minha calça de roqueira juvenil. Calcei minha bota marrom combinando com o casaco e sai.

Não foi tão difícil chegar a fogueira porque ela era bem chamativa.O difícil mesmo foi chegar. Na verdade nem cheguei. Por que? O fato ocorrido foi mais aterrorizante que eu imaginava.

Assim que postei meus pés para fora da cabana,ouvir um uivar. Não. Não era dos ventos como da cabana do sr. M,era um uivar de lobo. E estava perto. Podia sentir. Não dei a mínima e continuei andando. Foi aí que dei importância.- Corram!- gritou um menino de,mais ou menos, 12 anos.Até pensei que fosse brincadeira. Até ver o mesmo menino ser enforcado do nada. ele foi erguido no ar,parecia que correntes imaginárias pegaram o jovem,e sem nenhuma pena,começaram a puxar. Dava para ouvir seus gritos agonizantes. Gritos que deu a origem de todo furdúncio.

De repente me puxaram. Era o panda.Ele estava com uma camisa do Batman(bem fora de moda) e de bermudão.Ainda estava com a touca cinza do dia de aula.-vamos,não era pra acontecer isso,mas...- a voz dele falhou como se ele quisesse chorar. O que teria acontecido?
Ele me puxou e me botou nas costas.A intenção?Não sei ao certo,só sei que ele se locomoveu mais rápido assim.

Uma névoa pesava no Jardim.Gritos de dor e agonia estavam por toda parte. Eu via corpos de crianças mutiladas no chão. Meninas enforcadas em arvores. Espadas no chão. E vi uma cena muito forte.Enquanto Phill me carregava,um amigo dele se juntou a nós. Ele era forte e estava sem camisa,tinha uma tatuagem de asas nas costas.Ele andou junto com a gente durante um tempo,até um...-Gárgulas,o que fazem aqui?-gritou o robusto jovem. O ser estava coberto por um manto preto,sua cara era cinza e seus olhos vermelhos. Ele riu, e de suas costas,asas negras,sem penas...como de estátuas gárgulas emergiram. Um pavor controlado tomou conta de mim. Ele sobrevoou e pela posição,iria nos atacar. Phill me jogou para fora dos limites de vista de uma coisa pior,mas eu vi.

O jovem amigo fez de suas tatoos surgi asas. Asas de um anjo. Enquanto Phill fazia alguma coisa com as mãos. Assim que o jovem e a gárgula se colidirão,uma luz tomou conta do local. O que eu devia fazer era correr. Era o que o panda diria,mas para onde eu olhava,pessoas sem cabeça,jovens sendo controlados e matando seus amigos,sangue jorrando peles cantos.Pessoas lutando pela vida já tirada.Aquilo era o Jardim do Éden?

Um gárgula me achou.Ele me perseguia,cada passo meu era dois dele.E junto dele,surgiram mais dois.Pronto.Estou morta praticamente.Uma menina de aparentemente 15 anos se pôs no caminho.-vocês não vão machuca-la!Ela é uma de nós...Parem!vocês também eram!Cadê a Luz em vocês?- um discurso tão lindo,entre choros,mas lindo,em vão.Enquanto um mordeu seu pescoço,outro arrancou-lhe o braço esquerdo. Um grito e desespero ocupou o local. Tudo que eu queria era acordar daquele pesadelo.O terceiro gárgula surgiu em minha frente.Sua cara de maldade,cinza,com uma cicatriz igual do coringa nas laterais da boca.Era meu fim. Eu senti seu hálito,sua mão apertando o meu braço,o cheiro de carne e sangue atrás de mim. Eu ia morrer. Ele ia fazer o que tinha que ser feito,como fez com a menina atrás de mim. Meus olhos não se moveram enquanto estava sendo apertada.Enquanto meus pés não se mexiam.Ele se aproximou dos meus ouvidos. Era minha garganta que ele queria,mesmo não sendo um vampiro,eu notava isso.

Meu coração acelerou quando ele disse:

"..."

Notas finais
O que tem demais no panda? Talvez...pode ser seu animal favorito a partir de agora.