Notas iniciais
Aqui está a continuação que levei anos para reunir coragem e fazer! Espero que eu possa rever alguns antigos leitores que adquiri ao longo de A Filha de Todos mesmo que depois de todos esses anos! E para os novos espero que gostem! Peço o grande favor de que deixem comentários, sejam eles elogios ou críticas. Os elogios vejo como um sinal de estar indo no caminho certo, e as críticas um meio de guiar no que devo concertar! Obrigada e boa leitura.

Melody

Era mais um dia normal no acampamento. Estávamos deitados no Chalé 1, o chalé de Melany. Meu irmão estava agarrado ao meu pescoço enquanto eu olhava para o teto enfeitado com nuvens que se moviam lentamente pelo céu azul.

—Pare com essa cara! Não fique tão chateada se a mamãe e o papai não puderem vir de novo. Muitos dos semideuses não tem a mesma sorte que nós, Melody.- Perseu acordou.

—Sei disso, mas já irá completar três anos que eles não comparecem ao nosso aniversário. Alguma coisa está muito errada. A mamãe não deixaria de vir se não fosse algo de extrema importância. E outra, essa história de sermos semideuses... não é confuso para você? Quer dizer nossos pais são deuses!

—Melody, eles não são deuses. Eles são semideuses que assumiram o trono dos verdadeiros deuses temporariamente. –disse meu irmão.

—Isso não faz deles deuses?- Perseu revirou os olhos e se jogou nos travesseiros.

—Olha não sei! Por que você não pergunta isso para o papai e para a mamãe em?- bufei.

—Isso se eles aparecerem.- falei irritada. Ele deu de ombros.

—Estou com um bom pressentimento!- Meu irmão começou a levantar da cama e se espreguiçou, a samba canção de palhaços toda amassada.

—Você não tem vergonha de usar isso não?- Perseu me deu língua.

—Por que teria vergonha? Só você vai me ver com esse troço mesmo.- um estrondo fez com que meu irmão desse um pulo de susto e eu com que caísse da cama.

—Ai pelos Deuses , Melodyyyyyyy!- Era uma das filhas de Afrodite, a pessoa que mais me fazia querer voltar correndo para o Olimpo mesmo que nua . Ela veio correndo em nossa direção mas parou abruptamente quando reparou na samba canção do meu irmão, que no mesmo instante pegou o travesseiro e bloqueou sua visão. –Palhacinhos, Perseu? –meu irmão começou a ficar vermelho feito um tomate, mordi o lábio fortemente para não rir. Não queria acordar no dia seguinte presa entre uma parede.- Não se sinta constrangido, achei fofo.- Agora era vermelho sangue. Peguei o meu travesseiro e enterrei meu rosto nele em uma tentativa falha de não gargalhar.

—O que você quer aqui, Charlotte?— meu irmão a odeia tanto quanto eu, ela não parava de dar em cima dele depois que descobriu quem eram seus pais. No começo ele até que gostou, mas com o tempo ela não deixava nem ele ir ao banheiro em paz... e não estou falando no sentido figurado. Ela entrava mesmo no banheiro masculino junto com ele. A voz de meu irmão esbanjava puro ódio, pude sentir o chão no qual me encontrava tremer. Charlotte fingiu não perceber, ela focou os olhos verdes em mim.

—Melody, ela é linda, divinamente linda. Sabe, no começo eu não acreditei que você pudesse ser a filha de deuses de ambos os lados e ainda mais que vinham lhe visitar... afinal eu nunca vi a minha mãe e...- Charlotte engoliu em seco. Ela havia sido trazida para o acampamento há três anos.- Enfim ela está aí.

Levei cinco segundos para compreender a notícia que ela havia acabado de me dar.

Mamãe!

Saí correndo do chalé sem me importar com o meu pijama de rosa de bolinhas.

—Melody! Calma, me espera!- a voz de meu irmão já estava longe. Havia um grande alvoroço perto da fogueira, o nome de minha mãe estava no ar, na boca de todos os meio-sangues do acampamento. Empurrei vários deles até conseguir vê-la... vê-la... sendo esmagada pelo meu tio!

—Per... Percy! Acho que já está bom.

—Isso é o castigo por você não ter vindo me visitar nem aqui e nem no palácio. –Meu tio Percy assumiu o trono de Poseidon, mas também vem ao acampamento toda a semana para dar aulas de esgrima para os campistas. Uma risada escapou pela minha garganta. Senti tanta falta de vê-los assim.

Senti uma boca se aproximar do meu ouvido, o arrepio conhecido me sinalizou logo quem era.

—É realmente impressionante como ela chama a atenção onde quer que vá!-lágrimas embasaram a minha visão e eu voltei-me para o meu pai no mesmo segundo. Ele me agarrou pela cintura e me ergueu em um abraço forte que eu correspondi de bom grado. –Aí está a minha pequena guerreira. –A risada da minha mãe veio de trás de nós.

—Nico, ela já têm 15 anos não é mais nenhuma menininha!- Meu pai me colocou no chão bufando.

—É a minha menininha!

—Tenho certeza que a menininha...—disse a rainha sarcástica-...já tem namorado!- meu pai me fuzilou com o olhar, uma sombra negra se expandiu aos nossos pés o que indicava que ele estava furioso.

—Namorado? Que namorado?- dei de ombros, pois nem mesmo eu sabia do que ela estava falando.

Minha mãe começou a gargalhar. Ela ria tanto que chegava a perder o fôlego. Os campistas ficaram todos hipnotizados.

—E você disse que não iria ficar como Zeus!- minha mãe puxou o ar tranquilamente- Não se apavore, meu amor. Melody não tem namorado... ainda!- minha mãe me deu um abraço delicado e acariciou meus cabelos. –Senti sua falta, minha filha!- fechei meus olhos e engoli em seco.

—Eu também senti. –uma lágrima escapou pelo canto dos meus olhos.

—É... mas minha falta ninguém sentiu não é mesmo?- Meu irmão apareceu em meio a multidão de semideuses já vestido. Os braços bronzeados e fortes cruzados, os olhos incrivelmente castanhos quase pretos reluzindo pura diversão. Os cabelos negros, repicados e lisos balançando com a leve brisa de verão. Ele tinha os olhos e os cabelos de nosso pai, mas o jeito brincalhão e o talento natural para pagar micos... bem... isso ele puxou dos Jacksons.

—Você só pode estar brincando?! Como eu poderia não sentir falta do meu filho amado?- meu pai correu em direção ao meu irmão os dois deram um abraço desengonçado e forte. Meu irmão ergueu os olhos lentamente para nossa mãe.

—Mamãe!- um meio sorriso suave brincou nos lábios da poderosa Melany. Ela caminhou lentamente até ele e com lágrimas nos olhos o abraçou –Você cresceu tanto! Ho, quanta coisa eu perdi. – Meu pai repousou as mãos nos ombros de minha mãe.

—Não se culpe, Melany! Você sabe que tentamos estar presentes.- minha mãe acariciou o rosto de Perseu e suspirou.- Meu menino!

—Cuidado, Melany... ele já pode ter namorada!- minha mãe riu da tentativa completamente inútil de meu pai se vingar.

—E ele têm!- Uma voz fina e irritante veio do fundo. Minha mãe ergueu uma sobrancelha para a morena de olhos verdes que se aproximava. –É um grande prazer conhecê-la majestade eu sou a...

—A maldição que com certeza Afrodite jogou na minha vida!- disse Perseu entre os dentes. Charlotte revirou os olhos. Cobri a minha boca com ambas as mãos, meu irmão me fuzilou com o olhar. Eu com certeza acordaria entre uma parede.

—Eu sou a namorada dele!- disse Charlotte orgulhosamente e erguendo o rosto com um sorriso radiante. Minha mãe ficou ainda mais ereta. Meu pai me olhou pelo canto do olho. Era o nosso código de encrenca.

—Ho, claro...Charlotte Watters, filha da deusa do Amor. Você é aquela menina que tentou invadir o Olimpo atrás de Afrodite não é mesmo?- Charlotte arregalou os olhos e engoliu em seco. Os cabelos de minha mãe começaram a flutuar, o tempo mudou instantaneamente! Aquilo me surpreendeu, mamãe não era de se estressar por pouca coisa.

—Você conseguiu quebrar o elevador, destruiu metade do saguão de espera do Olimpo, jogou charme para o meu secretário e agora mente sobre ser namorada do meu filho. –Falou minha mãe rapidamente. Charlotte deu um passo para longe de Perseu. – Sabia que ano passado eu perdi o meu almoço em família por causa da sua proeza? Sua mãe está furiosa com você!- Ela abaixou a cabeça e escondeu o rosto com os cabelos. Meu tio Percy se aproximou de meus pais.

—Sabe... tenho certeza que deve existir uma explicação lógica para essa... bagunça... que iremos discutir mais tarde não é mesmo, Charlotte?!- Charlotte saiu apressadamente do meio da multidão sem dizer uma palavra.

—Melany! Isso foi horrível.- repreendeu o meu pai.

—Você sabe o quanto eu sofri por ter perdido aquele dia, iria fazer dois anos que eu não via os meus filhos e...

—Melany! Ela só queria ver a mãe!- Minha mãe paralisou. Ela encolheu os ombros sob o aperto de meu pai. Seus olhos se voltaram para o local onde Charlotte havia desaparecido.

—O que eu fiz?!

Percy se aproximou ainda mais.

—Tenho certeza que haverá outra oportunidade para você se desculpar!- minha mãe encarou o chão atônita.

Aquilo não era característico dela. O que eu estava perdendo? Pelo o que minha mãe estava passando? Seja lá o que fosse... Percy e meu pai sabiam! Eles puxaram a minha mãe em direção ao grande monumento onde se encontrava Quíron.

Perseu se aproximou de mim.

—Você viu aquilo? Eu nunca a vi daquele jeito! E tudo bem que Charlotte bem que merecia uma boa bronca mas...

—Tem alguma coisa muito errada acontecendo, Perseu! E eu vou descobrir o que é!

—O que está planejando, Melany?- perguntou meu irmão. Um meio sorriso brincou nos meus lábios.

—Que tal uma visita ao vovô Poseidon?- Perseu sorriu.

—Sabe que eu estava sentindo falta daquele deus aposentado?- voltamos nossos olhares para a e rainha frágil que subia a escada.

Seja lá o que estava acontecendo. Sinto que é o motivo para terem nos tirado do Olimpo.

Notas finais
Espero que tenham gostado e não esqueçam os comentários! ;)