Filhos do Olimpo- Continuação de A Filha De Todos
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Percy Jackson
Quíron estava em uma reunião particular com Melany enquanto eu e Nico ficamos sentados em um sofá do lado de fora.
—Quando foi a última vez que viu Melany ter esse tipo de reação?- perguntei. Nico respirou fundo, nós dois sabíamos a resposta . De qualquer forma eu queria ouvir, ainda tinha um resquício de esperança de que o que eu havia visto não fosse verdade. Ele poderia ter visto... afinal ele era o marido dela, talvez fosse comum e eu não soubesse.
—Gaia! Foi a última vez... e a primeira quando se sentia enganada pelos deuses. –disse Nico olhando para o nada completamente catatônico. Era o que eu temia ouvir...mas precisava.
—O que está acontecendo Nico? O que está deixando Melany desta maneira? Ou devo perguntar quem?— Meu cunhado suspirou, era como se ele quisesse soprar todos os problemas para longe com aquele ar preso em seus pulmões... não deu certo. Ele se voltou para mim.
—Ares!- respondeu- Ele nunca aceitou a presença de Melany no Olimpo, mesmo quando ainda não era a Rainha dos Deuses.
—Isso nós sempre soubemos!- falei. Ele estreitou os olhos com raiva.
—Acontece que dessa vez conseguiu apoio. Só não sabemos de quem, nem mesmo Melany consegue ver.
—Como isso é possível? Ela é a única com acesso a todas as possibilidades da fonte!- falei. Os olhos de Nico se arregalaram, ele estremeceu e desviou o olhar.
—É... a fonte!- Nico passou as mãos pelo cabelo claramente tenso- Seja como for, ainda não sabemos quem é, e isto, com toda certeza está despertando em Melany algo que há muito estava adormecido.
—E o que seria?- perguntei apesar de temer a sua resposta.
—Aquilo que todos os deuses temiam na filha que criaram!
Melody
Eu e meu irmão arrumamos nossas coisas com tudo que julgávamos de extrema importância e nada mais, peso era algo que poderia nos atrasar, e tempo era algo muito valioso. Cada segundo contaria quando nossos pais descobrissem que saímos do acampamento. Partiríamos na madrugada, o horário que nos daria uma vantagem até se darem conta de que partimos, no dia seguinte acordariam os campistas mais tarde por conta da presença dos Reis do Olimpo no acampamento. Minha mãe insistia em deixar os campistas descansarem durante mais tempo em sua presença.
E agora, estávamos tentando descansar e relaxar o máximo possível para termos um bom retorno durante a escapada. Eu tentava ler um livro em grego, mas não conseguia me concentrar, estava com o coração palpitando forte no peito. Meu irmão afiava suas flechas com uma atenção exagerada... nenhum de nós se sentia confortável.
Três batidas na porta me despertaram de meus pensamentos. Levantei para abrir a porta. Uma força do hábito devo dizer. Mostrar nossas habilidades para os outros campistas estava fora de cogitação, já chamávamos muita atenção por sermos quem éramos. Eu poderia ter manipulado o ar e feito a porta se abrir sozinha, mas como eu disse... estava fora de cogitação. Na verdade não estava nem um pouco empolgada para receber visitas, o que me faz questionar quando estive empolgada para receber qualquer visita.
Abri a porta lentamente sem me preocupar realmente com quem nos aguardava do outro lado.
—Nossa é incrível como o ânimo de vocês é contagiante.- suspirei agoniada. Era só o que me faltava.
—Não estou nem um pouco afim de conversar Eric então seja breve. O que você quer? Onde está aquele seu amiguinho sátiro, Alan?- Eric suspirou.
—O pai dele pediu autorização a Quíron para que eles tirassem umas férias em família!- revirei os olhos.
—Bem, acredito que Grover mereça passar um tempo com o filho e Junípter. –engoli em seco- Passar um tempo com a família! Você deveria fazer o mesmo.- ressaltei começando a fechar a porta e dar as costas para Eric.
—Espere, o que está havendo?- Eric segurou meu pulso e empurrou a porta enquanto me puxava para perto de si. Ele segurou meu queixo e ergueu meu rosto permitindo que me olhasse nos olhos.- O que está te deixando tão aflita, Melody?- algo cresceu dentro de mim, um sentimento que queimava todas as vezes que ele se aproximava de mim, e que só fazia com que eu o odiasse ainda mais. Trinquei os dentes com raiva. O empurrei com força, suas costas bateram com um estrondo alto contra o beiral da porta. Ele gemeu e fez uma cara de dor por poucos segundos... para a minha insatisfação.
—Mesmo aflita essa sua parte definitivamente não muda! –disse ele se afastando lentamente do beiral. Bufei.
—O que você quer, Eric? Diga de uma vez.- meu tom de voz já se elevava ao nível de minha raiva. Ele suspirou e ergueu o pulso olhando para o relógio de ouro com números em grego.
—Vim ajudar!- respondeu.
—Ajudar?- perguntei confusa.
—Sim.- respondeu de imediato. Eu o encarava sem compreender, ele colocou as mãos nos bolsos da frente calça jeans escura e esperou.
—Mas o que?- deixei escapar finalmente. Eric revirou os olhos e ficou impaciente. Rangi os dentes, como se ele tivesse esse direito.
—Ora, dá para explicar para ela parceiro?-falou Eric com a expressão impaciente voltada para Perseu. Olhei para meu irmão no mesmo instante. Podia sentir a raiva subindo até meu rosto enquanto compreendia.
—O que ele quis dizer com isso?- perguntei apesar de minhas suspeitas. Perseu largou as flechas se levantou e colocou as mãos na cintura, ele se preparava para uma discussão.
—Precisamos dele, Melody! E você...-ele apontou para Eric- Não é meu parceiro!
—Precisamos dele para que? Em?! Vamos, Perseu Di Ângelo, me diz!- Eu já estava gritando.
—Ele foi o último filho de Atena antes de entregar o trono para Annabeth, e é o melhor semi-deus em estratégia que conhecemos... ao menos é o melhor do acampamento. Se não conseguirmos o que queremos com Poseidon, precisaremos de um plano B, e é aí que Eric entra!-explicou meu irmão em tom autoritário. Cinco minutos mais velho e ele age como se fossem cinco anos. Revirei os olhos para ele, sabia como ele odiava quando fazia isso.
—Eu sou boa em estratégias!- falei- Nós definitivamente não precisamos dele.- meu irmão riu sarcástico, não sentia um pingo de humor em sua voz.
—Ah, claro maninha, você é ótima mesmo, tão boa que a pegadinha no banheiro do acampamento nos rendeu três semanas limpando estrume de pégasos. Ainda tento tirar aquele cheiro horrível das minhas roupas... sem discussão! O Eric vai com a gente!- Eric tentava abafar uma risadinha atrás de mim. Rosnei para meu irmão com ódio. Minha mão voou direto no pescoço de Eric sem nem mesmo olhá-lo. Pude ouvir ele começar a sufocar. Meu irmão deu de ombros e voltou a cuidar das flechas. Voltei-me para Eric e apertei ainda mais sua traquéia, as palavras saíam como facas por entre meus dentes. Antes fossem mesmo facas, pelos deuses como eu queria matá-lo naquele exato momento.
—Não nos atrase!— ele assentiu rapidamente sem hesitar e eu o soltei. Eric começou a tossir violentamente. Respirei fundo tentando me acalmar e pensar com clareza. –Nos encontre uma hora antes do sol nascer. E garanta que esteja preparado... não quero que morra antes de desvendarmos o que está havendo com nossa mãe.- Eric recuperava o fôlego com dificuldade, ele caiu sentado no chão.
—Já experimentou perguntar a ela?- Já estava pronta para atacá-lo de novo quando Perseu me puxou pelo braço para ficar atrás dele. Como chegou tão rápido?
—Se ela não nos contou antes de nos mandar para cá, com toda certeza não será agora que ela irá nos contar. – respondeu meu irmão antes que eu desse uma voadora nesse panaca.
—Se houvesse uma possibilidade mais fácil acha que não teríamos pego? Não somos tão burros, filho de Atena!- gritei.
—Fale baixo, Melody!- alertou meu irmão.
—Tudo bem! Tudo bem!- Eric ergueu as mãos em defesa- Sinto muito! Só foi uma sugestão.- bufei.
—Saia daqui, Eric!- ele suspirou e se levantou. Eric abriu a porta mas não foi embora, permaneceu lá parado de costas para mim. Vi seus ombros arriarem e seus dedos se estreitarem até ficarem brancos na maçaneta da porta.
—Eu sinto muito, Melody!- Senti meus olhos embaçarem. Peguei um jarro vazio e o lancei em sua direção com toda força. Ele se quebrou em milhões de pedaços em suas costas um pouco abaixo da nuca. O sangue começou a jorrar dos vários corte. Ele não disse mais nada, simplesmente fechou a porta e se foi.
—Sabe... se a gente for realmente trabalhar juntos, você não pode permitir que essas dores do passado sigam viagem com a gente. Tem que parar de remoer as dores do passado. E vamos Melody, por favor... você sabe que na verdade a culpa nunca foi dele. –As lágrimas em meus olhos escorreram.
—Isso não importa!- disse ofegante. Meu coração disparava como se tivesse corrido uma maratona.
—Então pare de agir como se importasse.
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