Filhos do Olimpo - A Nova Guerra!
2 Capítulo 2 – FAMÍLIA É FAMÍLIA.
Notas iniciais
Capítulo 2 – FAMÍLIA É FAMÍLIA.
Líderes de Torcida Gostosas... Correção, líderes demônio gostosas de Torcida... Acho que ainda não, Líderes de Torcida do Demônio. Elas tentaram me matar. Garras de bronze luzindo na escuridão, cortando o ar. As garras estavam prontas para me matar e arrancar minha vida. Senti meu coração ser arrancado do meu peito. Sangue jorrou do meu peito e eu senti o frio da morte me preenchendo e o quente da minha vida se esvaindo. Sabia que estava em um sonho.
O sonho e a lembrança se misturaram. Senti a adaga fria da Empousa em meu pescoço, ela queria que os meus quatro defensores abaixassem armas. A jovem de cabelos negros e armadura, o jovem alto de olhos eletrizantes, o rapaz de sorriso embriagador e a linda loira arqueira.
Minha mente ficou turva, senti meu corpo gelar. Cai nas sombras. Minha cabeça doía e acordei de sobressalto. A quantidade de luz do local me cegou, estava ofegante, suava frio. Não reconheci o local, não era o St. Marie Hospital de Manhattan. Eu parecia estar em um alojamento, uma enfermaria. Um lugar até meio precário para se estar.
Esfreguei as palmas das mãos nos olhos, me acostumei ao local apesar de estranho. Estava vestindo minha jeans, e uma camisa laranja. Em volta da minha cabeça uma atadura. Percebi o relógio no meu pulso, no meu peito a asa prateada me dava conforto sem explicação aparente. Afinal, não tinha sido tudo um sonho. Respirei fundo. Minha boca estranhamente tinha gosto de mousse de maracujá, era meu doce preferido. Eu tinha que saber onde eu estava, por que tinham me atacado, eu tinha que saber o que tinha acontecido, eu tinha que saber quem me salvara, e principalmente quem trocara a minha roupa. Levei a mão até a atadura e a retirei. O corte em minha testa já tinha desaparecido. Mas eu sentia como se estivesse ali.
Algo estranho aconteceu quando me preparava para levantar. A pena prateada em meu pescoço luziu. Assim, uma estranha e paradoxal presença familiar inundou o local. Os cheiros de madressilvas, violetas, lavanda e rosas se espalharam pelo local. Olhei a minha volta, e quando dei por mim uma moça ruiva, alta e bela colocou a mão na minha testa. E ela era deslumbrante, por algum motivo eu não me senti sexualmente atraído, era algo como tudo aquilo que havia faltado na minha vida inteira. Não era a Srta. Lara Agiacis.
— Olá, meu anjo. — Ela sorriu para mim. – Parece que aquelas bruacas do abismo te pegaram de jeito – sua voz era doce e seu sorriso gentil.
Ela se sentou na cama, cruzando as pernas sensualmente.
— Entendo que esteja sem palavras meu anjo, mas é isso. Tudo vai ser diferente daqui por diante. E aqui é a sua nova casa. Pedi que avisassem ao Rick... Que você está vivo e que vai ficar um tempo com a família da sua mãe... — fez uma pausa jovial ajeitando os longos cabelos que ficavam loiros à medida que ela os tocava. As sardas charmosas sumiram de seu rosto. E seus olhos antes verdes num piscar de olhos ficaram azuis como os meus. Eu sabia... Era minha mãe.
Não sei por que eu não chorei. Aquela mulher estonteante era minha mãe. Não era uma modelo, era ainda mais bonita que eu imaginara. Eu não tinha como descrever o quão linda e perfeita era ela.
— Mãe? – foi a única coisa que saiu da minha boca.
— Sim, anjo. Já estava na hora de nos encontrarmos. Eu nunca o deixei para falar a verdade, estive sempre por perto meu filho.
— Como assim mãe? – perguntei confuso.
Logo as imagens das várias conquistas do meu pai me perpassaram a mente. Todas lindas modelos que sorriam para mim, e piscavam o olho da mesma forma. Eu não sabia como, mas sabia que todas aquelas mulheres eram ela disfarçada. Ela parecia ler o que estava em minha mente. Ela sorriu de forma maternal e segurou minha mão.
— Mas, eu lamento dizer meu filho, que a hora da diversão acabou, está na hora de você finalmente ser quem você é. Mas quero que descubra tudo em seu tempo. – disse ela beijando minha testa. A dor do ferimento da noite anterior sumiu como se nunca tivesse existido.
— Tenho tantas perguntas. Nem sei por onde começar. – disse olhando para ela.
— Meu anjo, eu lamento, mas a conversa terá que ficar para depois. Marquei para fazer umas luzes com a Circe. Aquela bruxa tem jeito para coisa. – disse ela. – Não é fácil ser uma deusa, nem poder divino acaba com pontas duplas. – disse com um sorriso indescritível. Eu senti como se todos meus problemas fossem ínfimos, afinal pontas duplas realmente eram mais graves.
Ela se levantou, estava vestida como uma enfermeira sexy, o que achei meio inapropriado, afinal aquela era minha mãe. Corei violentamente, quando ela apertou minha bochecha. Ela bateu na testa e voltou a me olhar.
— Não se preocupe Nich, você está em casa. Essa é sua família também. Ah... Isso em seu pescoço se chama: A Asa de Prata. Ela é um presente meu. Foi feito especialmente para você, vai precisar dela, e quanto à espada, ela se chama Asiméniamílo. Tudo será explicado logo, filho. Agora, deixa mamãe ir. Preciso falar com as musas sobre as cores desse Verão-Outono, esses estilistas não podem mais fazer moda com estampa de bicho. É uma Ca-tas-tro-fe. – disse ela parecendo realmente chateada.
Ela se levantou e quando pisquei, ela não estava mais lá. Olhei o relógio em meu pulso, eram oito da manhã. Deitei minha cabeça e uma lágrima involuntária rolou meu rosto. Todo aquele tempo tão perto e tão longe. Minha mãe era linda. Sorri e adormeci. Nem cheguei a sonhar e um grupo de vozes já me despertou. Um grupo de pessoas entrou no local, um rapaz alto carregava um menino. Sentei para ver melhor. Era um garoto de no máximo dez anos, estava com o braço cortado e metade do rosto ensangüentado. Vi a jovem que me salvara na noite anterior, boné para trás, cabelos pretos. Vestia a mesma camisa laranja que eu e um short jeans. Outra jovem adentrou o local, vestia uma armadura avermelhada, um elmo espartano. Reconheci como garota pela voz. Ela gritava, e adentrou ao local tão ou mais calma que um estrondo de rinocerontes.
Ela retirou o elmo. E uma trança caiu às costas, cabelos loiros avermelhados. Ela se virou e me deparei com olhos felinos, diria, leoninos. Era bonita, mas ela irradiava algo agressivo. Outro rapaz a seguia e tentava retirar-lhe a armadura. Ela o derrubara, e começava a discutir com a garota de mechas no cabelo.
— Mary! Robinson e Johnson eram minhas responsabilidades! – gritou ela estressada.
— Verônica! Calma! Você só está atrapalhando entrando aqui nervosa. O que houve? – perguntou a outra menina que encarou Verônica de armadura como se nada a abalasse. Mesmo com calma, a tal da Mary tinha ordem em cada palavra e tom da voz.
— Fomos pegos no túnel Lincoln. Três Fúrias e Quatro Minotauros. – disse ela se acalmando. – Perdemos o Christopher e o Eric. Tudo por causa desse fedelho. Eu quero ver se esse parvo está bem! Custou a vida de dois ótimos homens do meu chalé.
Escutar seus nomes me fez gelar. Christopher Robinson, ele era o capitão do Lincoln High Academy.
***
Eu e Christopher Robinson apertamos as mãos. Ele desenhou com os lábios. “Cuidado” e saiu para os vestiários.
***
Ele tentara me avisar que algo ruim aconteceria. A garota tinha falado que tinham sido pegos no Lincoln Tunnel. O acidente que eu ouvira falar na TV. Quatro Minotauros? Eram aqueles caras estranhos que jogavam basquete brutalmente. Mas eles não pareciam não humanos. Lembrei que tinha visto através de seu disfarces. Olhei para Verônica, ela respirava nervosamente e percebi seus olhos lacrimejarem. Quando percebeu que eu estava olhando, me encarou.
— Ta olhando o que, Popstar? – disse agressiva olhando diretamente nos meus olhos e saiu empurrando outros dois rapazes a porta. – Vamos Bridge! Vamos Grant!
A jovem de boné me olhou e desviou o olhar, mirou o menino deitado com cautela. Enquanto outros três meninos cuidavam do menino que choramingava. Ela me chamou e saiu pela porta. Sem saber por que logo a segui.
Ela me esperava do lado de fora. Assim que saí do quarto de enfermaria nossos olhos se encontraram e por um motivo eu sorri. Ela logo, se mostrou séria.
— Bem, você é o Nicholas Hartford né? Ou posso te chamar de molenga? – perguntou saindo andando pelo corredor.
Antes que me desse à chance de responder ela me guiou para um escritório cheio de quinquilharia, onde dois homens conversavam. Homens por assim dizer. Um era meio gordinho e parecia mal-humorado, lembrou-me de certa forma o jovem da noite anterior que me salvara. Vestia uma camisa havaiana e bebia coca diet. O outro homem estava em uma cadeira de rodas, não, ele estava montado a cavalo.
“Opa! Ele era metade cavalo”.
Balancei a cabeça e olhei com mais atenção, o cara era um centauro. O cara da Coca me ignorou, e o centauro me cumprimentou com os olhos.
— Bem- vindo, Sr. Hartford. Já avisei ao seu pai, que você ficará conosco durante o verão. Ele já sabe da sua condição, e pela nossa surpresa ele foi até bem compreensivo quanto a tudo.
— Minha condição? – perguntei.
— Desculpem ele, ele é meio lento. – disse a jovem de boné.
— E qual de vocês não é, Senhorita Marina? – disse com desdém o homem gordo da Diet Coke.
— Mary, senhor D. – disse ela revirando os olhos.
— Que seja Marilyn. Então, você ainda não deve ter visto o filme do Acampamento. Vamos direto ao assunto. Você é um semideus... Ehhhh, parabéns, senhor Nicodemos. – disse fingindo entusiasmo e com um tom perversamente irônico na voz.
— Nicholas? – disse corrigindo. – Que? Um Semideus?
— Sim, você é filho de uma deusa. – disse Mary as minhas costas. – Como eu, ou como todos nesse acampamento. Todos somos semideuses, não vai se sentindo especial.
— Eu entendo que está acontecendo muita coisa. Mas nossa! – comecei.
— Você vai compreender tudo logo Nicholas, Mary leve-o para ver o vídeo de Orientação. – disse o Centauro.
— E depois o leve para o Chalé 11, esse daí não é meu. E a mãe dele deve reclamá-lo até o jantar, como diz a Lei Secular. Até o jantar talvez... – disse o homem nada simpático. – Por favor, Quiron assine esses papéis para recebermos logo a Legião e...
Passaram-se duas horas quando finalmente o vídeo de Orientação acabou. Minha cabeça doía com tanta informação. Em menos de três horas meu mundo tinha dado uma volta de 360 graus. Eu estava no Acampamento Meio-Sangue, onde meu diretor era o Dionísio, meu conselheiro era o Centauro Quiron. E minha mãe, protótipo de Barbie, era uma deusa Grega. Pensei em algumas coisas, mas será possível? Aquilo era demais para mim. Mary parecia se divertir com a situação.
— Sei que parece muito. Mas logo se acostuma, você é filho de uma deusa, e até o jantar ela te reclamará. Todos os deuses mais cedo, ou mais tarde reclamam os filhos no dia que eles chegam aqui. É uma lei Secular, estabelecida por um antigo filho de Poseidon que fez os deuses prometerem e...
— Você foi reclamada? – perguntei ainda meio aturdido e querendo que ela calasse um pouco a boca.
— Claro, sou filha de Athena. – disse Mary orgulhosa. – Você tem idéia quem seja sua mãe? Alguns de nós temos indícios mesmo antes de chegar aqui.
Mary não estava tão sexy hoje, mas ainda assim linda. A camisa laranja escondia o corpo definido, o boné para trás lhe dava ares de moleca, mas o shortinho jeans salvava a composição, exibindo belas pernas. Ela era uma filha da deusa da Sabedoria, senhora da batalha estratégica e de vários inventos. E eu suspeitava que minha mãe fosse a Barbie Malibu do Olimpo.
Mary me mostrava o acampamento. Na verdade era um belo lugar, eu vi jovens por todos os lados, assim como sátiros, dríades, ninfas aquáticas, cavalos alados... Como quase todo acampamento com certeza. Enquanto andávamos, percebi como todos a conheciam. Ela era cumprimentada e elogiada por todos. Vi a jovem de agora pouco vestindo uma versão diferente do uniforme do acampamento. Verônica vestia bermuda cargo camuflada do exército, em tons vermelhos. A camisa laranja cortada, ou rasgada a moda pitbull, mostrava o ventre atlético e os braços musculosos. Ainda com a traça no cabelo, a única coisa que poderia ser considerado maquiagem e dava leveza e um tom de mistério, eram os olhos delineados ao lápis negro, que deixavam seus olhos verdes felinos. Era bonita, mas perigosa isso era visto sem qualquer exibição de força, talvez, nem precisaria derrubar dois garotos armados com espadas sem muita dificuldade. Verônica e alguns rapazes a sua volta vestiam uma fita preta, amarradas ao braço, na testa, ou amarradas a roupa.
Mary deve ter percebido que eu olhara.
— Aquela é Verônica Kyller. Filha de Ares, ela é uma boa campista, mas muito impulsiva. Ela perdeu dois irmãos ontem à noite. Eric Johnson e...
— Christopher Robinson. – Completei.
— Você o conhecia? – perguntou ela curiosa.
— Conheci ontem à noite. – disse pensando que o rapaz poderia estar vivo se Mary e sua equipe fossem defendê-lo ao invés de mim.
— Sabe, ontem, quatro equipes saíram para buscar novos campistas. Senhor D, recebeu algumas cartas do Olímpo, falando sobre filhos de deuses que tinham sido esquecidos de serem reclamados. Você era um deles. Christopher estava em missão, assim como nós. Ele só não conseguiu sobreviver a dois ataques seguidos de um Minotauro. – disse ela triste.
— Minotauros? E sobre isso de ser esquecido? – perguntei meio incomodado.
— Minotauros... E sim, a maioria de nós vem para cá muito novo, não duramos muito sem treinamento. Monstros nos rastreiam e nos matam, assim como fizeram com Christopher e Eric. Onze é idade limite praticamente. É quando o cheiro de um semideus se torna mais forte e chama atenção dos monstros mais próximos. Quatro equipes saíram, e sabemos como enganar, desviar e sabemos de rotas mais seguras. Mas devido ao deslocamento dos Romanos para cá os monstros estão bem agressivos e famintos se espalhando por Manhattan.
— Onze anos é o limite. Monstros por toda Manhattan. – falei para convencer a mim mesmo.
— Você, por algum motivo já tem 15 e sobreviveu até agora sem vir para cá e sem ser reclamado. Sem nem um fauno te rastrear e trazê-lo ao Acampamento. É assim que chegamos aqui.
— Talvez eu seja especial. – disse sorrindo e meio convencido.
— Ou talvez, dispensável. – disse ela seca. – Se nem um Sátiro conseguiu te rastrear.
— Mas agora estou aqui... – falei meio incomodado.
— Mas agora, está aqui. Você é tão perspicaz. – disse ácida, mas com um sorriso enorme.
Continuamos o caminho até encontrarmos, o rapaz da noite anterior. Vestia a camisa do acampamento, pulseiras de spikes e uma bermuda. Continua com o sorriso confiante e atraente, e os elétricos olhos azuis. Estava conversando com uma menina magra e esbelta, cabelos castanhos. Linda e com um ar muito inocente. Eu não sei se foi impressão minha, ou seus olhos pareciam variar de cor a luz do sol. O rosto da menina corou.
— E ai novato? Espero você amanhã para sua primeira aula de espadas. Nem sempre estaremos lá para salvá-lo. – disse o rapaz que continuou o caminho.
— Ah, claro. – disse meio sem-graça. – Obrigado pela ajuda ontem.
— Não foi nada, cara. Você era a missão, e te trouxemos em segurança. Isso é que importante.
— Obrigado. – disse.
— Olá, Nicholas. É um prazer... – a menina pegou minha mão. — Caso esteja se perguntando sobre sua mãe, é você tem toda razão, e ela vai te reclamar hoje, não se preocupe. – disse docemente.
— Obrigado. – respondi meio que automaticamente.
— Aaron, Quiron quer falar com você. – disse Mary para ele.
— Já estava indo vê-lo Mary. E depois você tem que fazer a inspeção de Cabines.
— Pode deixar. Tive que ir acordar o dorminhoco. – disse falando de mim.
— Eu ainda estou aqui. – disse sorrindo e Gene e Aaron riram.
— Vai se acostumar com a Mary, cara. – disse ele. – Vamos Gene? Até mais tarde, pessoal.
Eles tomaram o caminho em uma conversa que envolvia um Pégaso e um trasgo. Antes de sumirem caminho à casa grande onde eu estava. A menina de olhar doce se virou e gritou. – Se quiser saber sobre a Asa de Prata procure o Timothy do Chalé 9. Ele pode ajudar... Parece que você não é mais a única Mary. – disse rindo com o rosto corado e continuou caminho com o rapaz de olhos azuis elétricos.
Mary, o apresentou também.
— O que ela quis dizer com “Você não é mais a única Mary’?– Vai saber logo... Aqueles são Aaron Venturi, filho de Zeus, e um dos nossos melhores Esgrimistas. E a menina é Genevieve Bounevuelle, filha de Íris, e também Oráculo do Acampamento.– Zeus? Oráculo... Ah claro. Tudo muito normal. – disse avaliativo.– Acostume-se, e depois se quiser te levo ao Chalé do Timmy, o que ela quis dizer com Asa de prata?– Bem, eu acho que ela se referiu a isso. – disse mostrando o meu cordão prateado com o pingente de prata.
Mary olhou por um tempo, mas nada falou. Ela colocou a mão no peito. Fiquei pensativo. Um oráculo, Genevieve falara sobre minha mãe, não havia mais dúvidas. Eu era realmente filho da Patricinha Mor. A maior Heartbreaker mitológica. Preferi não proferir seu nome em voz alta. Não por vergonha. Mas sem pressão, eu tinha conhecido uma filha de Athena, uma filha de Ares o senhor da guerra, o filho fodão de Zeus que era um ótimo esgrimista e a oráculo de Delfos. Ser filho da bonequinha de luxo mitológica não parecia lá grande coisa.
Quando chegamos à região dos chalés, havia muitos chalés. Os doze principais e outros mais em volta. Mary me dirigiu até o Chalé 9, o chalé de Hefesto onde o tal Timothy estaria. Era um chalé negro, com várias chaminés. Eu poderia jurar que um barulho de ferro contra pedra vinha lá de dentro. Mary adentrou o local, e mesmos os filhos do deus ferreiro pareciam respeitá-la. A menina de olhos cinzentos era mais interessante que eu pudera imaginar. Ela caminhou entre as camas até o fundo onde parecia uma oficina de trabalho. Vários adolescentes e crianças trabalhavam em algo, discutiam e conversavam.
O tal, Timothy. Estava vestindo uma bermuda marrom, com a camisa amarrada no cinto. Exibia um corpo forte, um rosto muito bonito e sarcástico. Cabelos meio rebeldes, castanhos e meio loiros. Tinha um sorriso descarado, e mexia em alguma máquina.
— Ora, Ora! Quem temos aqui. Mary McCain e... Desculpa não fomos apresentados ainda. – disse ele estendendo a mão meio suja de graxa.
Eu não sabia o porquê, mas um calor emanava dele.
— Nicholas Hartford. – disse lendo sua aura.
— Prazer, sou Timothy Keynes. E então, Sr. Nick nome-complicado e Srta. Mandona, o que posso fazer pelo casal? – perguntou em tom divertido.
Eu e Mary nos entreolhamos. – Casal?
— Bem, Gene disse que você poderia responder algumas perguntas dele. Eu tenho que ver algumas coisas do meu chalé. Até mais tarde Nicholas. – disse era saindo altiva.
E lá estava eu com Timothy.
— Sempre a Mary, Tio D, pode achar que manda em nós. Mas Mary assusta mais que ele, e seus irmãos do chalé de Athena dizem que ela é bem pior, comanda aquilo com punho de ferro. – disse rindo. – Então, o que posso fazer por você, Nick?
— Ahm. O oráculo disse que poderia me explicar isso. – disse tirando o cordão de prata e entregando a ele. Sem o cordão me senti nu, quis tirar da sua mão suja de graxa e colocar de novo.
Timothy segurou, analisou. Escutou, praguejou em grego. Não me pergunte como eu sabia disso. Fez estalos com a língua colocou um monóculo.
— Cara! Eu não acredito. Já achava que só a Mary tinha. Que as outras eram lendas!! Que maneiro. Você tem uma Adama. – disse ele rindo. – Uma adama real.
— Adama? – aquilo nada me dizia.
— Sim, exatamente. É chamada de Adama, ou, Glória. Imagino que você tenha sido escoltado pelo grupo da Mary, até aqui.
“Escoltado? Eu fui salvo.”
— Sim. — falei.
— Bem, Mary, é única de nós que possui uma. De acordo com os mitos do acampamento há cinqüenta anos o Oráculo de Delfos falou sobre poderosas vestimentas de batalha que os Deuses deveriam se preocupar em fazer. Adamas seriam presentes dos deuses a alguns filhos. É uma vestimenta de guerra feita de pó de estrela, um elemento místico, Adamantium e Oricalco, os metais de Atlântida e um metal mítico como Ouro Imperial, Bronze Celestial, Ferro Estígio ou Prata Lunar. Com um acionamento de voz, esse objeto se transforma em uma vestimenta de guerra. Até hoje só a Adama de Athena tinha sido achada.
— Se elas são raras. Como pode afirmar tão certamente que essa é uma Adama? – disse a ele.
— Bem, primeiro. Eu estudei a Adama de Mary e conheço armas místicas e mágicas. Além disso, as Adamas foram feitas pelo meu pai Hefesto em parceria com a benção de um deus. Por isso, também chamam de Glória. – disse Timothy que estava fascinado pelo objeto.
Eu me lembrei da noite anterior:
“Ela girou o boné e segurou seu pingente de coruja que abriu os olhos e as asas. Uma luz a cercou. Ela gritou. — Promakhos! Athena!!”
A vestimenta de amazona que cobriu seu corpo. Sexy, porém mortal. Ela possuía uma Adama, se Timothy estivesse realmente certo, ela não era qualquer uma. Mary tinha vários atributos.
— Então, eu também possuo uma Adama. É um presente da minha mãe. – disse mais para mim do que para Timothy.
— É o que parece, Nick. – disse o rapaz, que sorriu. – Mas aposto que não sabe acionar ela.
“Touché”
Segurei a Asa de Prata, mais forte. Minha mãe pessoalmente tinha me entregue aquilo. Senti-me idiota por ter ficado envergonhado por ser filho dela. Percebi que Timothy me olhava o que me acordou dos meus pensamentos.
— Como sabe tanto dessas Glórias, dessas Adamas? – perguntei recolocando o cordão da minha Adama no meu pescoço.
— Bem, como eu disse meu pai as fez. Existe uma para cada deus. Vi alguns esboços no último verão. Foi assim que eu descobri que Mary tinha uma. A Adama de Athena. Meu pai é meio bagunceiro como todos nós aqui. – disse em tom brincalhão.
— É... – disse rindo concordando que o local me deixava meio nervoso com tanta bagunça. – Sabe algo disso, se chama... – disse mostrando meu relógio.
— Asiméniamílo. A maçã de Prata. Ela está perdida a séculos – completou Timmy lendo a inscrição nela. – “Ao mais belo”, realmente você é bonito, mas acho que não é para tudo isso. – disse rindo.
— Engraçadinho. – disse.
— Cara, essa aqui é a Espada da Tríade Troiana. Paris, Heitor e Enéias. Paris, o juiz que pediu em casamento Helena; Heitor, o príncipe troiano mais valente de todos, e Enéias aquele que levou os troianos que sobraram da guerra de tróia para Itália. É uma espada Grega, mas consagrada para um Romano. – ele franziu a testa. – Como foi que a achou? – disse Timothy.
— Estranho, você estar aqui e não no Acampamento Júpiter. – disse a jovem loira da outra noite. Ela entrou desfilando no Chalé 9.
Ela não estava mais como uma patricinha da escola particular. Vestia um uniforme roxo, que se lia Acampamento Júpiter. Os cabelos estavam soltos cascateando as reluzentes ombreiras da armadura. Uma armadura reluzente mínima com três medalhas no peito. E uma longa capa vermelha.
— Bem, Essa espada é chamada assim por ter sido feita de uma Maçã de Prata. – disse a jovem que era altiva e elegantemente formal.
— Esse Chalé realmente está cada vez mais como o Chalé de Hermes qualquer um entra. – disse Timmy rindo.
— Ela pertence ao um Romano. – disse a loira sem se abalar.
— Explique-se. – disse escondendo o pulso com o relógio.
— Ela é chamada assim por ter sido feita por uma maça dos jardins de Diana. Uma maça dourada foi jogada a Minerva, Vênus e Juno.
— Athena, Afrodite e Hera... — disse Timmy em tom de tédio voltando a mexer em um aparelho.
— Que seja, nessa maçã dourada havia a inscrição “Á mais Bela”, o que gerou toda a guerra de Tróia. Então para tentar ajudar os troianos, Vênus pegou um pomo prateado no jardim de Diana e transformou nessa espada. Dando a Paris que conseguiu raptar Helena, foi passada a Heitor que derrotou o primo de Aquiles, e levou Enéias a Itália.
— Isso não quer dizer que seja de um Romano. – disse Timmy finalizando a conversa.
— Não, mas ela pertence mais a nós que a vocês. – disse a jovem.
— Desculpe, mas quem é você. – perguntei à loira.
— Sou Hanna Morgenstein, Centuriã Oficial responsável pela Terceira Coorte. Consagrada em missões especiais por três vezes. Filha de Vênus. Portanto, merecedora dessa Espada. – disse ela um tanto confiante demais jogando o cabelo. Ela tinha um olhar frio e um sorriso lascivo e impassível. Uma mecha ruiva apareceu, caindo em seu rosto.
— Filha de Vênus? – fiquei confuso. Ela era minha...
Ao longe uma trombeta tocou.
— Opa, hora do almoço. Hanna! E você pode ser general ou Centuriã lá da casa da mãe de Júpiter, mas aqui seus títulos não passam de um blá-blá-blá tedioso. – disse Timothy colocando a máquina para funcionar e limpando as mãos em uma bacia de água. Pensei que ela fosse arrancar a cabeça dele. Ela se virou e foi indo embora.
Eu segui Timothy e Hanna assim como alguns filhos de Hefesto. Eu sabia que a conhecia de algum lugar ela parecia muito comigo, algo na aura dela lembrava a mim mesmo. Ela percebeu que eu estava olhando, e me encarou e sorriu, colocando a mexa ruiva junto com os cabelos dourados. Ela lembrava a moça que viera me visitar mais cedo.
Chegamos ao pavilhão de jantar As mesas eram cobertas com uma toalha de mesa branca de franjas, uma grande fogueira ao centro. Vários campistas de camisa roxa e laranja se juntaram em algumas mesas. Vi um grupo de metidos conversando. Desviei o olhar. Juntei-me ao chalé de Hermes. Pelo que Timmy e Mary me disseram tinha que me juntar a eles até ser reclamado. Havia várias crianças e jovens lá, um rapaz veio me receber.
Ele era alto, magro e com um olhar carismático. Bonito e tinha uma beleza que lembrava elfos travessos e zombeteiros. Este era Sebastian Smythe. Ele se apresentou e sorriu-me.
— Você é o novato? Prazer. Espero que não seja um dos meus irmãos de mão leve. Sou líder do meu chalé.
— Sim, acho que não. Meu pai é humano, minha mãe que é divina. – disse sorrindo.
— Entendo, ainda bem. – disse com um olhar travesso.
Sentei-me a mesa com vários outros campistas de Hermes. Eles falavam e riam. Jeffrey Runner ao meu lado me ensinava como bater carteira, usando seu irmão mais novo Damon Henderson. De acordo com Jeffrey ele era o melhor em bater carteiras de todo acampamento. Ele falava aquilo com orgulho. O pobre Damon perdia dez dólares sem nem perceber. Sebastian deu um tapa em Jeffrey dedos-leves Runner, e devolveu o dinheiro para Damon.
— Você tem que ter cuidado com alguns irmãos meus. Eles são meio Cleptomaníacos. Fazem por pura diversão. – disse Sebastian tentando se explicar.
— Acho que tudo bem, Sebastian. – digo rindo de Jeffrey que passava a mão na cabeça sentindo a dor do tapa, mas já de olho na próxima vítima. Ele só esperava Sebastian se distrair.
Sebastian me instruiu a fazer um prato e ir até a fogueira e fazer uma oferenda aos deuses e minha mãe. Fiz como todos ali. Fomos até a mesa principal escolhemos o que queríamos e entrei na fila da fogueira. Quando chegou a minha vez, respirei fundo e joguei parte da minha comida no fogo. Rezei a minha mãe. Afrodite, eu sabia que era filho dela. Eu não tinha que sentir vergonha. Eu não precisava ser reclamado, ela viera me ver pessoalmente, eu a reclamava como minha mãe.
Foi nesse momento que todos me olharam. Um Símbolo rosado surgiu acima da minha cabeça. Uma pomba com uma rosa entre o bico. “AFRODITE!” gritaram ao longe. Eu me senti bem. Mas não foi só isso.
“Aphrodite Urânia, Afrodite Divina”
Quando pensei no poder da palavra “mãe” a asa de prata, a Adama em meu peito luziu. Uma luz me cobriu. Todos me olhavam meio espantados.
Uma vestimenta de guerra me cobria o corpo por cima de uma túnica branca. Era uma veste prateada com grandes asas de dois metros de envergadura, uma coroa de louros prateados surgiu na minha cabeça, eu calçava sandálias. A Asiméniamílo estava em minha mão.
Estava sem-graça e olhei para Hanna. Ela sorriu meio confusa e pronunciou em latim “Ângelus”. Mary desviou olhar em sua mesa. Eu conhecia poucos ali. A Adama se recolheu, virou apenas o pingente prateado no meu peito a armadura de prata sumiu. Eu não estava mais vestindo apenas a camisa laranja. Estava com uma jeans preta, botas, uma jaqueta de couro com um desenho de asas brancas encardida nas costas. E meu cabelo estava perfeito até demais.
Vêronica ao longe gritou: POPSTAR DIVA! Filho de Afrodite!!!.
O refeitório explodiu em risos. O que me fez rir também afinal eu estava vestido como se fosse membro de uma boyband. O jantar seguiu, olhei ao céu e agradeci minha mãe. Tudo estava normal, na medida do possível. Ela tinha me aceitado como eu a aceitara. Fui sentar a mesa junto com meus irmãos, Olhei em uma mesa improvisada Hanna que me sorriu. Eu tinha uma irmã, eu tinha um lugar que eu começava a me sentir bem. Mas todos ali eram meio que minha família agora. Meu futuro agora era com eles.
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