Filhos do Olimpo - A Nova Guerra!

3 Capítulo 3 – E NEM CHEGAMOS AO MEIO DIA.


Notas iniciais
As coisas se complicam, a verdade nem sempre é a melhor das bençãos. Profecias, novos amigos, novos romances, nova vida. Absorver tanta coisa em tão pouco tempo... Só desejo boa sorte aos semideuses dessa história.

Quem eu sou? O que farei daqui para frente? Onde estou?

“Meu quarto na minha casa em Nova Iorque era incrivelmente largo. Grandes janelas que tinham uma grande vista do Upper East Side, e também para o Central Park. Quadros de arte sobre mitologia, meu pai sempre me fizera estudar sobre o assunto. E depois de conhecer minha professora preferida a Srta. Lara Agiacis. Ela sempre falava sobre os deuses, sobre os monstros. E a agora eu sabia o motivo. Havia uma lareira, uma cama de casal king size, meu closet, minha escrivaninha, minha mega TV com vídeo games e minha bateria (o que ajudava muito em concentrar e focar minha energia, graças ao meu déficit de atenção). Bem, eu não estava no meu quarto”.

Sou um Herói em treinamento, sou filho de Afrodite. Estou no Acampamento Meio-Sangue Muita coisa acontecera nas últimas horas. Eu conhecera minha mãe, que realmente era especial, eu diria: divina. Quantos garotos de 15 anos você conhece que tem uma mãe como deusa? Bem, estou no Acampamento Meio-Sangue com a família da minha mãe; Por assim dizer. Eu conheço vários adolescentes como eu... Filhos de pais divinos.

“Eu estou deitado? O que acontecera? Eu me lembro algo sobre Adamas, algo sobre a Asa de Prata. Lembro de Mary filha de Athena; Aaron, filho de Zeus; Genevieve, filha de Íris e a Oráculo do acampamento; e a linda loira que era minha irmã Centuriã romana, Hanna, filha de uma parte de minha mãe, ou algo assim. A última coisa que eu me lembro é da transformação. Não. Eu jantei com meus irmãos do Chalé 10 e depois eu fiquei com muito sono. A minha memória acaba aqui. Seria bom acordar...”

Acordei em um quarto com cores pastéis em salmão e rosa. E sinceramente, eu achava difícil de acreditar que meus irmãos tinham tão bom gosto como afirmavam ou acreditam que tinham. Passei a mão no rosto, e estranhamente meu cabelo estava perfeitamente arrumado, sem hálito matinal; estranhamente eu tinha gosto de menta na boca. E eu não cheirava a lençóis e cobertores improvisados de um acampamento, eu cheirava ao meu perfume favorito. Eu realmente estava impressionado com a durabilidade do que meus irmãos chamavam de “Benção de Afrodite”.

Em casa, eu geralmente acordava após meio-dia. Aparentemente, não poderia continuar com esse habito na Colina Meio-Sangue, meus irmãos conversavam, arrumavam o quarto, se arrumavam, fofocavam por todo quarto. Éramos vinte campistas no chalé dez, seis rapazes e catorze moças.

“Sério isso, Mãe?”

Olhei meu relógio/arma mortal divina, e percebi que ainda eram sete da manhã. Sabendo que era tão cedo, eu não sabia se naquele momento Asiméniamílo, era um relógio ou uma arma mortal. Ninguém divino ou não acorda a essa hora.

Deitei mais uma vez colocando minhas mãos em meu rosto, afinal o sol entrava pelas janelas como em comercial de margarina. Escutei duas meninas discutindo. Melody Moore discutia com Barbra Baxter. Até onde eu escutara, Melody que era apaixonada por cinema defendia que a arte era a real beleza, enquanto Barbra só dizia que a Fama era a única coisa que importava. Respirei fundo pedindo por paciência. Senti minha cama mudar de nível, alguém tinha acabado de sentar nela. Olhei por baixo da minha mão. Era um rapaz mais velho e mais alto. Tinha uma beleza latina, sua pele era morena e meio dourada. Tinha aproximadamente seus dezessete anos, tinha uma barba charmosa no rosto em tom castanho, com cabelos negros lisos meio-ondulados. Um brinco em sua orelha. Ele era atlético e muito atraente, olhos cristalinos em mel-dourado. Já tinha visto ele antes, na noite anterior ele organizara todos no chalé 10. Seu nome era Valentin Rivera. E assim como todos ali, naquele Chalé, ele era meu meio-irmão, mas diferente de todos ali, ele era o Conselheiro do Chalé.

“O que dizer de Valentin? Ele era meu irmão mais velho. Olhos sedutores e seu brilho latino o deixava ainda mais charmoso. Seus olhos tinham um ar cansado, mas cintilantes. Vestia jeans claro, e a camisa do acampamento. Cortada nas mangas. Um crucifixo e um olho grego no peito. Sua voz era melodiosa e doce?”

Valentin segurava uma rosa, ele a cheirou e jogou-a em cima de mim.

— Bom dia, irmãozinho. – disse olhando para mim sorrindo. – Seja bem-vindo ao seu novo lar. – ele pegou um caderninho e começou a anotar algumas coisas.

“Não sei se era impressão minha, mas acho que as folhas de papel em que ele escrevia também eram perfumadas. De certa forma, eu parecia ter caído no mundo da Barbie ou no da Hello Kitty”.

— Ah, oi. – disse me sentando na cama segurei a rosa sem-graça e agradecido. Sabia que a rosa era o símbolo da nossa mãe. E de certa forma eu sabia que Valentin só queria ser amigável.

— Sei que é o seu primeiro dia aqui, mas isso não é desculpa para você não se por na vida do acampamento. Tomei liberdade para planejar o seu dia com algumas atividades para que possa melhorar suas habilidades. Afinal, um novo rapaz no Chalé 10 é realmente revigorante. Essas meninas transformam esse lugar numa casa de bonecas.

— Leu meus pensamentos. – disse olhando Valentin. – Mas ahm, Valentin né? O que quer dizer com atividades? – perguntei ainda confuso pelo sono e peguei a folha que ele gentilmente me passou.

— Bem, você tem que treinar. É um herói em treinamento, apesar de não sermos. – disse olhando em volta. – um exemplo de heroísmo. Somos responsáveis por cuidar de algumas coisas aqui. Sabe, Irmãozinho, não existem muitas expectativas para um Rapaz de Afrodite. Somos tidos como efeminados, delicados, frescos, esnobes e não muito hábeis.

— Por que diz isso Valentin? – perguntei me sentindo incomodado. Segurei a Asa de Prata em meu peito.

— Não me leve a mal. Dominique, Thomas e eu temos tentado mudar essa imagem. Mas tudo parece ser tão difícil, ninguém nos leva muito a sério. – Ele olhou meio pensativo para a folha que ele escrevia. — Bem, Nicholas, Nós somos vistos como crianças mimadas do mundo grego. Filhos de Artistas, modelos ou como você empresários. Não somos os que vão para a guerra, não ganhamos medalhas ou missões. Ajudamos com os Cavalos Alados, somos bonitos e damos aconselhamentos estéticos. É tudo que podemos fazer... Tudo que nos permitem fazer. Deixamos o mundo um lugar mais bonito. – disse sorrindo de forma de conformidade. Uma triste conformidade. A alegria que emanava de Valentin esmaeceu.

— Mas não precisamos ser assim, não é? – eu, como ele, queríamos mudar isso. Eu poderia ver que eu e ele seriamos bons irmãos.

— Sinceramente, Nicholas. Depois do que vimos ontem... – ele me olhou com esperança. — Bem, Não que vá se tornar um grande herói, mas... Mamãe escolheu você. Então aconteça o que acontecer... Deixe seus irmãos orgulhosos.

Ele terminou o assunto. – E só para que entenda Nicholas, muitos farão você desistir. Não costumamos ser os melhores heróis como os brutamontes de Ares, ou os queridinhos dos três grandes. Mas... Você tem uma Adama, e isso quer dizer alguma coisa.

Eu fiquei de alguma forma, pressionado, eu não me senti um inútil, um bonequinho Ken dentro da embalagem, supérfluo e desnecessário. Valentin tinha quebrado a idéia de ser um bonequinho. Ele era visivelmente um Dom Juan, sua lábia motivacional teria funcionado comigo? Eu fiquei pensativo. Ele tinha depositado as esperanças em mim. Ele queria que eu me juntasse aos outros filhos de Afrodite para mudar a fama. Ele percebeu isso, sorriu e me deu uma camisa laranja limpa. Ele piscou e sorriu, ele já estava indo embora quando parou e olhou para trás.

— Filhos de Morfeu sonham, filhos de Demeter plantam, nós encantamos... Mas sabe, existem muitas maneiras de encarar o encantamento. – disse ele sorrindo encantadoramente.

Valentin se distanciou vistoriando o Chalé e falando com outros dos nossos irmãos. Ele brigou com Justin Lake que estava todo suado, e com June Harley que estava vestida com uma roupa que não combinava muito.

— Realmente, interessante... Esse lugar parece tão... – digo pensativo.

No beliche de frente uma menina com uns seis anos sorriu para mim. Estava abraçada a um ursinho branco surrado com um coração, com uma inscrição simplória de “I Love you”. A menina sorriu, se levantou, veio até mim e me deu um abraço forte.

— Bem-vindo, Nicho! Posso te chamar assim, não é? – disse a menina de grandes olhos cor de céu.

Era a garotinha mais encantadora desse mundo. Vestia um pijama rosa com flores, loira com cabelos perfeitos separados por duas marias-chiquinhas. Lábios rosados e rosto corado.

— Me chamo Charlotte Caroline Susan Smith. — disse ela sorrindo como se pronunciasse seu nome em um concurso de beleza mirim.

“Que com certeza ganharia sem nenhum esforço.”

— Oi Charlotte, que nome grande e bonito. – disse sorrindo para ela. Eu estava totalmente encantado pela pequena, até que me dei conta que ela era minha irmã também. O que realizara meu sonho de ter uma irmã mais nova a quem cuidar.

“O.K! Até hoje nunca tinha sonhado em ter uma irmãzinha. Mas a idéia parecia ótima agora.”

— Você conheceu a mamãe? – perguntou balançando as perninhas, seus pés não tocavam ao chão.

— Sim, acho que sim. E você? – perguntei ainda encantado, sorri ajeitando uma Maria-chiquinha que caia pelo seu ombro.

— Não, eu não. – disse ela triste abraçando o ursinho branco e fazendo biquinho.

— Bem, acho que você vai conhecer ela logo. Acho que ela quer ficar muito bonita para conhecer a filha mais bonita dela. Sabe, ela até falou em luzes. E se eu for comparar nossos irmãos com a Mamãe, diria que ela é bem vaidosa. Ela quer ficar pronta para te conhecer. – disse a ultima parte quase em sussurro em tom sério.

Ashley Thompson que estava perto escutou e praguejou um: “Vai sonhando!” saindo de perto tirando a máscara de sono e saiu e rumo ao banheiro.

— Acha mesmo que sou a mais bonita? – perguntou a pequena Charlotte com os olhos arregalados.

— Ah, claro. Com certeza! E então Charlie, posso te chamar assim, não é?

Ela sorriu, e deu de ombros como se tivesse envergonhada. Aparentemente ninguém naquele chalé dava muita atenção para Charlie por ser muito nova ainda para as fofocas quentes, ou as maquilagens. Eu olhei para ela e segurei sua mãozinha.

— E o seu pai, ele fala muito da mamãe? – tentei não ficar chateado pelo fato de nossa mãe não ter tirado um tempinho de suas luzes para fazer uma visita a pequena Charlie, o que ela estava esperando? O Sweet Sixteen dela ou um bando de líderes de torcida malucas do Tártaro atacar ela.

— Eu... – ela apertou ainda mais forte o ursinho. – Eu não conheci o papai.

Meu coração gelou e se quebrou. Nós tínhamos o mesmo tipo de destino: Tanto Charlie, Valentin, eu e todos os semideuses éramos filhos renegados.

“Pais ausentes? Tente pais que não estão nem no mesmo plano que você e você não pode acionar a justiça para obrigá-los a fingir que gostam ou se importam”.

— É verdade. – disse outra menina que chegara e sentara ao lado de nós. – Charlotte chegou aqui há uns dois anos, o pai dela foi morto por Lestrigões. E se uma equipe de busca não tivesse acidentalmente achado ela, ela não estaria aqui. – disse a jovem asiática com cabelos negros impecáveis. Parecia uma daquelas J-Pop divas, mas com um sorriso bondoso. — Prazer, sou Candice Kahn. Foi muito gentil de sua parte dar atenção a Charlie. – disse ela sorrindo.

Candice colocou Charlie mais perto dela e começou a desfazer as marias-chiquinhas, ela pegou uma escova de cabelos e começou a pentear os cabelos da menininha.

“Candice Kahn era uma jovem muito adorável de descendência Chinesa. Olhos asiáticos, rosto fino, esbelta, cabelos que passavam da linha da cintura, brilhosos como cobalto. Boca pequena e traços de porcelana”.

— Bem, ela é minha irmã, não é? E não imagino como poderia ser diferente. Ela é uma graça. – disse sorrindo para as duas. Para mim tudo era muito óbvio.

— Você é diferente Nicholas, posso ver através da Benção de Afrodite. As pessoas aqui são um pouco egoístas demais, egocêntricas, e qualquer coisa com ego na frente. – sorriu ela. – Eu tenho cuidado da Charlie, perdi minha família e sei o que é se sentir sozinha. Valentin é legal, mas ele é muito ocupado e apesar do jeito malandro é muito perfeccionista e está sempre se esforçando cento e dez porcento em manter tudo limpo e perfeito e ainda tentando colocar todo mundo nos treinamentos. Enfim, se precisar de ajuda... Conte comigo. – disse ela terminando de arrumar os cabelos de Charlie. — Charlie por que não vai tomar banho, temos que tomar café, se apresse. – disse com a voz meiga lhe dando um beijo no rostinho dela.

Charlie assentiu rindo e me deu um abraço forte. E eu senti que todos os meus problemas se desfaziam como açúcar na água. Assim que ela saiu de meu abraço. Nada pareceu tão bonito naquele chalé, quanto o pequeno gesto de verdadeiro amor. Charlie sabia mais do Amor verdadeiro do que metade daqueles meus irmãos.

— Candice, parece que agora Afrodite tem três filhos a quem se orgulhar. – disse segurando sua mão.

Ela me sorriu.

— Bem, bem-vindo. – disse ela indo para o banheiro atrás de Charlie. Até que parou e olhou para trás. – Sabe, acho que Valentin está certo. Você é a esperança dessa casa de Plástico. Porém, não se sinta pressionado, Nicholas. Seu charme está na sua naturalidade. – disse ela antes de partir.

Eu olhei em volta analisando meu novo mundo. O chalé 10 era arejado e com uma fragrância doce que se espalhava pelo ar. O chão é todo feito em mármore branco polido e suas paredes são de cor rosa pastel com ilustrações de uma revoada de cisnes e em algumas colunas, as centrais, há ilustrações de rosas que expelem a fragrância que impregnava o ar. Os beliches tinham a parte da madeira entalhada belamente com figuras de pombos e cisnes em um voo gracioso. Os lençóis, colchas, cortinas e fronhas dos travesseiros eram todos feitos dos mais belos tecidos combinados em cores harmônicas. Não existia ali preferência por cores, e sim na beleza que cada uma exibia em uma combinação dita perfeita com outra. Nas paredes, próximas a cada beliche existiam um espelho de tamanho razoável.

“Era um mundo perfeito até demais. Como Candice falara. Um mundo muito Plástico”

Sentei-me peguei algumas roupas e me dirigi ao banheiro masculino do chalé. Ao adentrar ao local, percebi alguns dos meus companheiros e irmãos se aprontando. Realmente éramos poucos e o que tornava as coisas bem mais tranqüilas no banheiro masculino.

“No banheiro feminino, escutava-se canções, brigas, choros, TPM, barulho de secador e etc. Imagine 14 meninas adolescentes dividindo um banheiro”

Dirigi-me a um chuveiro e tomei banho. Tinha separado um jeans azul surrado, um tênis, e a camisa nova do acampamento. Mas assim que eu colocava a jaqueta de couro minhas roupas mudavam, e lá estava eu mais uma vez com uma calça jeans preta de marca de uma loja do Olimpo, coturnos negros, com a camisa laranja do acampamento. Desisti depois de três tentativas, o que estava divertindo muito meus meio-irmãos. Justin Lake que antes estava todo suado, já tinha tomado banho e se arrumado. Justin tentou me ajudar, ele jogou água em mim, mas dois passos que eu dava e minhas roupas estavam impecáveis, secas e alinhadas.

“Benção de Afrodite... Cuidado com o que acha que é sempre perfeito.”

Depois de me explicarem que a benção da minha mãe durava alguns dias, eu segui para o pavilhão principal para tomar café. E como de costume fazíamos as oferendas na pira olímpica para os deuses e seguimos para nossas mesas. Não deixei de reparar que algumas pessoas me olhavam. Voltei à mesa do chalé 10, entre Ashley Thompson que conversava com Benjamim Levroy sobre sua rotina de 2 horas e meia de hidratação de pele. Como eu poderia ser filho de Afrodite e não em interessar por aquelas coisas? Eu realmente não dava a mínima para aquilo. Meus dias sempre seriam assim?

Lancei meus olhos para as outras mesas. As pessoas nas outras mesas pareciam se divertir bastante. Na primeira mesa vi um grupo reduzido de campistas havia três para ser mais exato. Eles pareciam apreensivos e preocupados. Todos com olhos verdes piscina, e cabelos negros. Mal conversavam comiam sem prestar atenção. Estavam na mesa dos filhos de Poseidon.

Na segunda mesa, havia mais campistas uns vinte ao todo, todos alegres e bonitos. Percebi que não comiam carne de nenhum tipo, mas sim frutas e cereais. Podia jurar que tinha visto uma das meninas fazer uma plantinha em um vaso dar pêssegos rosados. Era uma menina robusta, negra e com um sorriso contagiante.

Na mesa ao lado da deles, eu vi o menino de ares angelicais, mas com o sorriso lascivo e despudorado. Riam e brincavam alto. Estava entre seus irmãos de cabelos levemente cacheados, o jovem simulava uma dança sensual com um cálice de suco de laranja. Os outros riam alegremente admirando e aplaudindo, assim que ele derramara o líquido da taça na boca, vi o líquido da taça tremeluzir e se transformar em algo que não era suco de laranja.

“Talvez vinho, gin, vodka ou até mesmo whiskey. Era alguém que não devesse ser subestimado”

Não muito distante, ocorria uma selvageria na mesa próxima. Mutilavam e rasgavam um pequeno cordeiro inteiro assado. Brigavam e se empurravam para ver quem pegava a maior parte. Mas logo, pararam de brigar quando a menina de trança, estilo Lara Croft, vestindo bermuda do exército chegou. Aquela eu conhecia, era Verônica Kyller. Assim que ela chegou, a selvageria deu uma pausa, todos a respeitavam na mesa. Os irmãos separaram a melhor parte do cordeiro para ela.

“Filhos de Ares, Verônica era a mais intimidadora e a mais bela entre os brutamontes do seu chalé. Havia dezessete jovens em volta da mesa. Era perceptível a diferença entre o Chalé de Ares e Afrodite. No chalé de Ares, com exceção de Verônica e outras quatro meninas, o resto da prole de Ares era cheia de brutamontes com mais de 1.90 de altura. Até os mais novos eram quase da minha altura. Musculosos e bombados. Eram mais soldados que campistas.”

Verônica caminhou elegante e imponente até seu lugar de chefe durona na cabeceira da mesa. Ela se sentou e olhou para os outros, dois garotos mais novos serviram ela. Assim que ela começou a comer, os meio-irmãos filhos de Ares voltaram às disputas.

Perto de nós, uma mesa estava vazia. Levei meu olhar para a próxima. Ao nosso lado, outra bagunça estava instaurada. Os filhos de Hefesto comiam, discutiam planejamentos e apetrechos, entre comida, porcas, parafusos e rosquinhas doces. Reconheci Timothy Keynes, na mesa ele parecia concentrado, discutia com uma menina negra com fartos cabelos da mesma cor do café, era muito bela. Os dois estavam planejando algo juntos. Assim que ele percebeu que eu mirava, ele sorriu e piscou voltando à atenção para os projetos. Achei um ato presunçoso, mas admito que não me senti tão incomodado.

“Timothy tinha aquele ar sarcástico, presunçoso e quente. Um dos rapazes e moças entre vários ali que chamavam muito atenção.”

Sorrindo olhei para as outras mesas, na maior e mais multicultural mesa estavam os filhos de Hermes. A maior mesa do acampamento. Uns 25 campistas. Eles não tinham uma característica única que os definisse tão bem, a não ser os olhos espertos e o jeito que poderia bater a carteira de todos. Na mesa localizei Sebastian que ralhava com outro rapaz de sorriso largo e com jeito de encrenca. Senti algo no exato instante que o vi. Eu já tinha visto, na cidade, em uma dessas milhares de Starbucks. Ele era o rapaz que eu vira no Starbucks quando tudo começou. Ele estava lá em Manhattan. Estaria ele em outra missão? Mas antes disso. Um flash veio a minha mente.

“Eu estava na fila com Kevin Lowecrash, meu melhor amigo. A Starbucks não estava cheia. Kevin e eu sempre pedíamos a mesma coisa. Um Cappuccino Venti, e dois donuts. Estava distraído quando Aquele rapaz de chapéu Fedora entrou. Ele me lançou uma piscada. Kevin como meu melhor amigo percebera que trocávamos olhares me jogou o Donut e eu me distraio, quando dei por mim lá estava o rapaz com outro Donut para mim. Ele sentou sem ser convidado e deixou o telefone. Ajeitou o chapéu e saiu. Eu até ligaria, mas perdera o telefone dele.”

Ele fora o primeiro rapaz que eu flertara na vida. E o destino tinha o levado ali. Eu não queria que ele percebesse que eu estava olhando. Então desviei o olhar para outra mesa.

“Que meus irmãos não me ouçam, mas aquele Chalé tinha pessoas mais bonitas que o famoso Chalé da deusa da beleza”.

Continuei vendo as outras mesas, e o que era aquilo perto de nós? Uma mesa cheia de garotas lindas e rapazes altos e fortes. Parecia um comercial de bronzeadores, na praia durante o springbreak. As meninas lindas com cabelos dourados, ou cheio de mechas, com sorrisos impecáveis e rostos perfeitos. Os rapazes eram musculosos e tinham uma beleza singular.

Eu era novo no acampamento, e entendi o que a minha possível predestinação para romances rápidos e fogosos se dava pelo meu sangue. Estava em meu DNA. Minha mãe se casara forçada com Hefesto. Mas mesmo ela tivera vários romances extraconjugais. Minha mãe era a deusa do amor, do sexo, da luxúria e da beleza. Minhas inclinações para namorar sempre foram muito difíceis. Eu até me apaixonava, mas com o tempo as coisas perdiam a graça. Eu sempre buscava aquela excitação do começo de um namoro. Aquilo me deixava em alfa. Mas desde que chegara no acampamento, escutei algumas conversas um pouco intimidadoras.

***

Deixe-me explicar o que tinha entendido com meus meio-irmãos, de acordo com a conversa de June Harley e Tracy Marks. Filhos de Afrodite tem um fardo pesado, devem satisfazer seus egos sendo lindos e sedutores, encantar alguém e depois quebrar seu coração. Era como um rito de passagem, elas faziam bolões comigo o novo assunto do chalé 10, caso esse rito não fosse cumprido, o feitiço voltaria contra o feiticeiro e o filho de Afrodite se apaixonaria por aquele que não pode ter. Essa era quase uma maldição, chamavam isso de “Amor de Narciso”.

“De acordo com as aulas da Srta. Agiacis, Narciso era um belo rapaz. Narciso cresceu, e se transformou um jovem bonito, que despertava amor tanto em homens e mulheres, mas era muito orgulhoso e ninguém conseguia quebrar a sua arrogância. Até as ninfas se apaixonaram por ele, incluindo a Ninfa Eco que o amava incondicionalmente, mas o rapaz a menosprezava. As moças desprezadas pediram aos deuses para vingá-las. Para dar uma lição ao rapaz frívolo, a deusa Afrodite o condenou a apaixonar-se pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própria beleza, Narciso deitou-se no banco do rio e definhou, olhando-se do espelho d’água. Depois da sua morte, Afrodite o transformou numa flor, narciso”.

Assim sendo, o “Amor de Narciso” acontece quando um filho de Afrodite não quebra alguns corações a partir do momento que chega no acampamento em tributo a Narciso e Afrodite. Caso isso ocorra, ele ou ela cai de amores profundamente por alguém que não pode amar, e nunca vai ser correspondido.

“Assim como seu próprio reflexo”.

June Harley apostara que eu cairia de amores e Tracy Marks que eu faria alguém se apaixonar por mim em breve. Na hora eu achei que era pura tolice, eu sempre fui mulherengo e nunca me apaixonara de verdade. Se eu ficasse na minha, eu não machucaria mais ninguém e não seria amaldiçoado pelo “Amor de Narciso”.

***

Olhei mais uma vez para mesa ao lado, eu vi dois lindos rapazes que conversavam. Um era alto e muito musculoso, moreno, cabelo espetado, a perfeição física. O outro era branco de olhos verdes juvenis, sorriso provocante e beleza estonteante. Como os irmãos, todos na mesa eram lindos, mas os dois se sobressaiam de longe.

“Talvez, os rapazes mais bonitos da Colina Meio-Sangue”.

O problema é que eu não era muito fã de rapazes, achá-los atraentes era um problema que eu já conseguira controlar. O que estava acontecendo comigo, desde que eu chegara ao acampamento era que meu desejo se intensificara. Ambos os sexos me chamavam atenção. Parecia que ter consciência que era filho da deusa do Amor me fazia ficar mais incontrolável. A vontade era de pular no lago gelado.

Desviei o olhar para outra mesa rapidamente e vi Genevieve com sete de seus irmãos. Eu não sabia ao certo que pensar da prole de Iris. Todos eram bem diferentes um do outro. Ao mesmo tempo em que via Genevieve a menina meiga e frágil sorrindo comendo Maçã eu via um cara negro, alto, forte, com dreadlocks e um desenho de um arco-íris tatuado no braço. Mas pareciam se dar todos bem.

Meu olhar foi mais uma vez a multidão e nem tão distante vi o outro rapaz que me salvara. Cabelos elegantemente desarrumados, covinhas nos sorrisos, magro e mais alto que eu. Pele branca, olhos azuis eletrizantes e um sorriso magnético. Lembrava dele do outro dia, o melhor Esgrimista do Acampamento, filho do chefão do Olímpo. Vestia camisa laranja como todos, assim como pulseiras de Spike e calça jeans azul elétrico. Conversava com um rapaz de cabelos negros, da mesma altura, e com olhos tão elétricos quanto. Um deles era Aaron Venturi e o outro deveria ser seu irmão.

“Aaron Venturi era digno de ser filho de Zeus. Não que fosse o rapaz mais belo dali, mas sua aparência e personalidade eram eletrizantes. Magnético. Ele tinha uma aura azul e dourada que me fazia confiar nele. Tinha um jeito de líder nato. Forte e Atlético. E um sorriso envolvente”.

O café se seguia, então vi um grupo de campistas se aproximar, pareciam cansados. Levavam um estandarte azul com uma coruja, todos vestidos com jeans, camisa laranja e armadura, com ombreiras e peitorais, Assim como elmos e protetores de braço, pernas e alguns com uma malha de ferro. Alguns estavam suados, outros com aparência de famintos. Meninos e meninas entre os seis e dezessete anos. A frente vinha Mary. Ela não estava suada, vestia um bustie de malhação azul, calças cargo camufladas também do exército e coturnos, cabelos presos em um rabo de cavalo, boné para frente branco e azul, portava duas espadas que fez questão de guardá-las na bainha. Proteção mínima. Eles desfilavam em fila. Todos com os olhos cinzentos, alguns com cabelos da cor de palha, e outros com cabelos castanhos. A única diferente era Mary, com cabelos negros como carvão com mechas azuis. Seu rosto era altivo e ela tinha uma aura em volta de si, era uma aura complexa de se identificar.

“Mas se eu tentasse traduzir seria como uma mensagem em neon azul, dizendo: SEM CHANCE, INALCANÇÁVEL”.

Não percebi de imediato, mas o grupo de Mary estava sendo seguido por um grupo menor de dez campistas diferentes. Usavam uma combinação excêntrica de vestes roxas, e calças jeans e partes de armadura romana. Todos estavam igualmente alinhados em fila carregando escudos e gládios. Um deles também carregava um estandarte roxo e uma águia dourada. À frente dos Romanos estavam dois campistas que estavam com uma armadura diferente e longas capas vermelhas e túnicas brancas.

O rapaz era alto, excessivamente branco.

“De acordo com o vídeo do acampamento achava que os Romanos vivessem na Califórnia. Ele deveria ser um pouquinho bronzeado”.

Forte e atlético. Cabelos cerrados, e curtos quase ao estilo militar em cor de louro escuro. Tinha uma fisionomia séria e um seu queixo anguloso o deixava ainda mais sério, o que chamava atenção era o furinho no queixo. No braço musculoso a sigla SPQR com sete linhas horizontais abaixo.

A jovem ao seu lado, eu reconhecia. Era a linda loira que eu descobrira que também era minha irmã. Hanna Morgenstein, Centuriã da terceira Coorte, primeiro batalhão. Filha de Vênus. Percebi a mesma tatuagem em seu braço. SPQR com cinco linhas horizontais abaixo. Estava aparentemente cansada, mas linda ainda. Carregava seu arco dourado, seus cabelos estavam presos, o que permitiu que algumas sardas iluminassem seu rosto, dando um charme juvenil.

“Era impressionantemente como era parecida com nossa mãe.”

Hanna estava séria, até o rapaz alto fazer um comentário que a fez sorrir, e então a imagem de guerreira se desfez, dando lugar a uma amazona da terra da fantasia.

Os dois grupos pararam pareados uma ao outro, o que chamou a atenção de todos os presentes. Talvez, não do Sr. D. Mary cumprimentou o rapaz alto e ele fez uma saudação honrosa. Então olhou para um garoto que segurava o estandarte de Roma. O menino que tinha o elmo grande demais, ele inutilmente ajeitava para que não lhe tampasse os olhos. Ele tirou a bandeira com o brasão de Roma do Estandarte e entregou a um dos irmãos de Mary. Todo o acampamento gritou em vivas e palmas. Eu não entendi muito bem o que acontecia. As pessoas pareciam muito contentes. Os romanos foram convidados a se sentar com os filhos de Athena, mas o rapaz alto e severo olhou para todos os seus companheiros e negou educadamente, se retirando do local. Eu sem saber o que fazer levantei o braço para Hanna, acenando.

Hanna parecia ter me visto, ela comentou algo com o jovem que esquadrinhou o local com os olhos e finalmente me localizara. Ele deu de ombros e partiu com sua equipe marchando firme. Enquanto Hanna desfilava até a mesa de Afrodite, os campistas de Athena comemoravam. Mary parecia ser a única que não comemorava. Ela comia em silêncio. Eu me perguntava como aquela garota poderia ser tão arrogante.

Foi quando tirei meus olhos de Mary que vi Hanna parada a minha frente, ela retirara o elmo e se sentara ao meu lado. Ela sorriu e segurou seu arco e disse algo em latim.

— “Arcum Invictus”— disse ela séria, seu arco dourado iluminou-se e virou um anel na palma de sua mão, ela logo colocou no dedo.

— Wow, Como está Hanna? – perguntei me sentindo familiarizado com ela e impressionado.

— Nem tão bem, não gosto de perder. – disse pegando um suco na mesa.

— Você perdeu o que? – perguntei.

— Bem, Jogos de Tróia é como estão chamando: é uma mistura de Pega Bandeira de vocês Graecus e nós Romanos. Opa desculpe, Eu não deveria ter chamado você disso. – disse sorrindo meio envergonhada.

— Tudo bem, eu sou isso ai que falou. – disse sem me preocupar. – E como foi o tal jogo?

— Bem, Mary que deu a idéia. Nós romanos geralmente temos muito o que fazer, mas aqui vocês estão de férias. Construímos coisas, desconstruímos coisas. Estamos cansados de fazer nada. Então Mary, sugeriu o jogo.

— E como foi? A julgar pela sua cara e a comemoração... Vocês perderam. – digo olhando para ele.

— Perdemos, sim. O bosque deu vantagem a vocês não estamos acostumados a tal terreno. E os filhos de Athena vieram com uma força maciça de guerra. Perdemos o estandarte. Gerrard está revoltado. O rapaz que estava tomando conta foi pego em uma armadilha muito primária. – disse ela virando o anel nervosamente. Talvez pensasse no jogo.

— Entendo. Então, você tem um anel mágico que se torna Arco. Show, mas e as flechas? – perguntei interessado, estava achando tudo muito interessante em Hanna.

— Bem, olhe aqui. – disse me mostrando o anel. – Parece um anel do humor hippie, mas quando eu o aciono, ele se transforma no Arco Dourado, chamado Amantvictus. Ele não precisa de flechas.

— Como assim? – perguntei, mas dificilmente nada mais me surpreendia.

— O anel de humor muda de cor de acordo com o que estamos sentindo. O Amantvictus produz flechas de energia de acordo com o que eu sinto. Flechas Vermelhas ou de Calor, quando estou com raiva. Quando estiver amando, flechas rosa para dar euforia. Flechas azuis quando estiver calma, o que causa o efeito de paz. Quando estiver triste, flechas negras o que deixa a pessoa também triste. Quando estiver em perigo e concentrada, flechas verdes que são físicas como flechas comuns, e quando estou alegre flechas laranja, que são fechas de fogos de artifício. E flechas douradas quando meu coração estiver tomado de adrenalina, são flechas Fuminata. Destroem o alvo reduzindo a pó. – disse ela.

— Acho que entendi. Quem te deu? – perguntei inocentemente pensando ser um presente de nossa mãe.

— Eu herdei. Vênus deu esse arco a meu irmão do Acampamento Júpiter, Ele foi o primeiro Pretor, filho de Vênus: Alecssander Morgenstein, ele era o melhor centurião de todos. Morreu ano passado em uma missão. – disse ela olhando o anel como um tesouro, vi a pedra do anel ficar negro. Ela estava triste.

— Eu sinto muito. – disse realmente triste, afinal ele também seria meu irmão.

— Sente? – perguntou com uma voz amarga. — Ele estava à procura disso. – disse ela pegando meu pulso e me mostrando o relógio.

— Asiméniamílo?!— perguntei espantado.

— Sim, exatamente. Desde Heitor, Paris e Enéias, nenhum filho ou Legado de Vênus foi Pretor de Roma, ou de Nova Roma. Alecssander estava muito orgulhoso de ser um filho de Vênus, o primeiro Pretor do gênero. Seria mítico ele empunhar a famosa Argentum Malum, é como a chamamos. Até outro dia eu achava que ela era uma lenda. Meu irmão morreu tentando achar essa maldita espada.

— Então foi por isso que queria que ela fosse sua. – disse meio triste sentindo meu pulso ficar pesado, eu me sentia usurpando algo importante de alguém.

— Eu queria honrar a memória dele. – disse ela meio triste. – Ele não era como você, ele era meu irmão por parte de mãe e de pai. Amantvictus era dele, presente de Vênus para ele. Ele nunca perdeu, é uma replica para Semideus do arco de Cupido, nosso meio irmão divino. Ele era o melhor de todos.

— Eu lamento Hanna, mas eu não roubei nada do seu irmão. Afrodite me deu a espada e a Asa de prata.

— Eu sei, estávamos lá. – disse ela taciturna olhando o líquido de seu cálice. – Vi quando Afrodite lhe deu.

— Como assim? Vocês estavam lá? – perguntei confuso. – Vocês me viram no Central Park? Vocês viram quando as Empousas atacaram?

— Foi. Genevieve, seu oráculo, há duas noites, profetizou que um Anjo de prata chegaria e uma série de eventos subseqüentes iniciaria uma nova guerra. A profecia foi cortada, de acordo com Mary e Anna, Genevieve é muito nova como Oráculo. Ela assumiu a função no ultimo inverno e ela fica fraca quando tem visões. Não sabemos do final da profecia. Nem sabemos se o meio da profecia ou o começo dela. Tivemos essa parte de profecia. – disse ela olhando para a mesa de Iris onde Genevieve parecia contente com algo que alguém acabara de contar.

— Genevieve? Mary? Quem é Anna? – estava ficando confuso. – Calma, foi por isso, estavam em Manhattan. – estava ficando confuso.

— Espera Nicholas, são muitas perguntas. Anna Morgan, filha de Netuno... Quer dizer Poseidon. Sim, Mary a filha de Athena. Bem, Genevieve teve a visão. Sr. Quiron recebeu as cartas do Olimpo, falando sobre alguns semideuses. Quatro semideuses, o menino que está na enfermaria, você e mais dois. Quatro grupos de busca foram organizados. Aqui, na Colina Meio-Sangue é comum missões de três heróis. Parte da profecia era: “O pequeno raio deve ser achado, a maçã de prata instruída, a guia dos sonhos encontrada, e a criança da morte ungida.”.

— Devo acreditar que eu seja a Maçã de prata! E o menino na Enfermaria?

— Marco Dellano é o nome dele, Filho de Zeus. – disse Mary se aproximando. – Desculpe me meter nessa conversa. Só queria que soubessem que ele acabou de sair da enfermaria. Ele só tem nove anos, a mãe e o padrasto foram mortos no ataque no Lincoln Tunnel.

“Lembrei da notícia que vira na televisão quando saia da comemoração da vitória do meu time: Explosão no Lincoln Tunnel, ninguém sabe o que está acontecendo ao certo. Barricadas de carros e destroços estão lacrando os dois lados do túnel. A polícia e os bombeiros estão tentando entrar. Um carro foi arremessado para fora do túnel antes dos destroços misteriosamente lacrarem as entradas. Dois corpos foram identificados no carro, Marilyn Dellano e Fred Woods. O nosso canal conseguiu entrar em contato com Giuliana Dellano, mãe da mulher encontrada no carro. A senhora Dellano disse que Marilyn e Fred estavam indo para New Hampshire para se casar, junto com o casal estava o filho de Marilyn, Marco Dellano que não foi encontrado. Esperamos mais informação”.

— Marco? Marco Dellano é um semideus como nós? Filho de Zeus. Eu vi no noticiário... Eu vi a mãe dele nos destroços do carro. – disse meio em choque.

— Tudo bem, Hartford. Coisas piores acontecem conosco. É o destino de um semideus.

Olhei para a mesa de Zeus e lá estava o pequeno Marco Dellano sendo recebido por Aaron e o outro rapaz. Aaron lhe apertou a mão e o abraçou contente. Dellano caminhava com dificuldade, bandagens na cabeça, braço enfaixado. Mas exibia um sorriso, como se estivesse em um parque e tudo aquilo fosse magia.

— Alguém já contou para ele? Já avisaram a avó dele que ele está aqui? – perguntei triste.

Eu não era tão simpático aos sentimentos alheios, mas meu mundo novo me inspirava sentimentos novos. Marco Dellano e eu viramos semideuses no mesmo dia. Estaríamos no mesmo túnel se eu demorasse no vestiário, se houvesse uma prorrogação.

— Bem, Acho que Quíron já entrou em contato com a avó do menino. Saiu uma nota no noticiário mortal. Giuliana Dellano foi ao funeral da filha, e disse que Marco estava a salvo e de férias, para se acalmar do trauma.

— E os outros dois? – perguntei acordando dos meus pensamentos e voltando a olhar Mary e Hanna.

Mesmo sem querer, Mary e Hanna na minha mesa conversando comigo chamava muito a atenção. Vários campistas nos olhavam e cochichavam. Eliza Thorn, minha irmã, já tinha misturado seu suco com uma baguete cinco vezes.

— Bem, ainda estamos esperando os grupos chegar. O grupo Alpha: Anna Morgan, filha de Poseidon, Brandon Von Drachen, filho de Morpheu e Alex Karev, filho de Apolo foram atrás da pista em Nova Jersey. O grupo Gama: Ethan Crawford, filho de Hermes, Elle St. James, filha de Nemesis, Heather Müller filha de Apolo, – disse Mary parecendo mais nervosa.

— Bem, Tinha vocês que vieram atrás de mim.

— Sim, localizar você foi fácil, Afrodite deu pistas para encontrá-lo. – disse Mary. – Eu e muitos campistas nos voluntariamos a essa missão. Eu, Aaron e Hector iríamos a você. Eu já estava no acampamento e fui para Manhattan é uma das zonas mais perigosas para um Semideus. – disse ela sorrindo. — Vi você naquele dia no Central Park, e já sabia que era você. Fui levada lá a aparições de Afrodite. Contatei Aaron, que estava chegando à Nova York. Ele veio de Boston. O último a se juntar foi o Hector.

— Mas e você Hanna? Você é aluna da Temperance Willard? – perguntei lembrando do uniforme de roupas que ela vestia.

— Na Colina Meio-Sangue é comum os heróis saírem em três. Mary é a mais experiente, Aaron queria ir numa aventura depois de um semestre inteiro na escola militar, e Hector estava entediado em Rhode Island. – disse Hanna olhando os dois companheiros.

— Mas, quando Hanna que é nossa convidada ouviu a palavra Maçã de Prata, ela achou que seria uma pista para a Espada que tanto procurava. Ela nos seguiu, e nos ajudou incógnita, mesmo que tenha nos botado em perigo. – disse Mary mais como uma crítica.

— Eu não sou de Nova York, eu sou de Klamath Falls, Oregon. Na verdade, sou de Nova Roma. Acampamento Júpiter.- Hanna percebeu que Mary a olhava. – E McCain, não me olhe assim. Eu só fiz o que deveria fazer... Vocês e essas superstições graecas. – desdenhou Hanna.

— Como é que é? – Mary a fuzilou com os olhos e se pôs em uma postura ofensiva.

Eu levantei e separei as duas.

— Vocês querem parar! AGORA! – disse alto e firme.

Não sei o que aconteceu, mas nesse exato momento todo o pavilhão de jantar se calou e se aquietou. Durou um minuto e todos começaram a piscar voltar a ter os olhos focados. Todos olharam para mim e voltaram a conversar e tomar conta das suas vidas. As duas, porém respiravam fundo.

— Como usou seu charme em mim? – perguntou Hanna. – Eu não sou afetada por charme.

— Charme? – eu não entendia. Hanna usara a palavra Charme como se fosse uma coisa. Um poder. As duas meninas estavam prontas a sacar armas. — Esqueçam isso, parem de brigar. Quero saber o que aconteceu naquele dia! Sentem-se e continue Mary, por favor.

— Bem, fomos atrás de você como já tinha dito... E por que eu me calei? – parou ela ficando confusa. – Bem, Hanna nos seguiu e vimos quando a mulher misteriosa no parque, que era Afrodite, te entregar a Adama e a Espada. Localizamos as Empousas e o Minotauros na escola. Não podíamos nos meter, não sem causar um escarcéu. A névoa não seria tão eficaz. Mas estávamos te seguindo de perto. – explicou Mary.

— Eu queria ver até onde você valia Nicholas, mas merecer a honra da Argentum Malum, eu queria saber por que Vênus pessoalmente viera em seu favor. Pedindo para que três semideuses muito mais capazes e valiosos arriscassem o pescoço por você. – disse ela alterada. – Por que você merecia de mão beijada a espada que por direito pertencia a Alecssander, um guerreiro, um Centurião, um Pretor, um filho de Vênus de verdade. Não um filhinho de papai mimado e que pertence à casa de verão das Barbies. – disse ela apontando para os meus irmãos na mesa que pararam e começaram a cochichar.

Hanna se levantou, vi seu anel ficar vermelho sangue. Ela agarrou seu elmo e saiu dali. Mary respirou fundo e olhou Valentin que estava com uma torrada na boca e sem reação. Valentin piscou e então voltou à consciência pediu que todos começassem seus afazeres e que o show tinha terminado. June Harley e Tracy Marks lançaram olhares mortais, Charlie e Candice também partiram, Charlie segurou minha mão e sorriu. Colocou a mão no meu rosto. E com sua vozinha disse: Vai ficar tudo bem, irmãozão. – e saiu saltitando até dar a mão a Candice.

— Devo, pedir desculpas Hartford. Quando ela me contou sobre o irmão, e o achamos. Bem, eu deixei as coisas saírem do meu controle. Além disso, queria muito que você pudesse se defender sozinho. Provar que merecia a honra de ser visitado pela sua mãe. Para muitos de nós, isso é só um sonho que nunca vai acontecer. Sua mãe me deu pistas claras até demais que era você quem eu deveria procurar. Eu vi sua mãe lhe dando presentes, e depois te visitando. E não duvido que ela tenha alertado Quiron sobre você. Queria também ver o que te fazia tão especial, e eu só vi um mauricinho medroso. – disse era com severa sinceridade.

“OUCH!”

As palavras da Mary machucaram, eu me senti mal e engoli em seco. As palavras eram duras. Ser um filho de Afrodite era uma honra para mim. Mas eu não sabia responder o porquê ter sido escolhido. Eu só queria mostrar que eu era diferente dos fofoqueiros e egocêntricos irmãos. E sabia que poderia ser. Valentin, Candice e Charlie me provavam isso.

— Acho que entendo, Mary. Mas mostrarei do que um filho de Afrodite é capaz. – disse me levantando da mesa.

— Calma, eu não quis ofender. É que... – começou ela.

Nesse momento uma trombeta tocou. Todos no lugar olharam para o alto da Colina. Quatro personagens vinham descendo em direção a todos. Todos estavam muito felizes e muitos até batiam palma. Três campistas que havia visto antes sozinhos e desanimados deram vivas e assobiaram acima de todos. Gritavam o nome de Poseidon e Anna Morgan a plenos pulmões.

Anna Morgan era uma jovem realmente imponente. Tinha seus dezesseis anos. Ela era branca, porém bronzeada, e cabelos negros, eram lisos e charmosos como ondas calmas. Como se ondas do mar noturno batessem nas rochas. Seu corpo era magro e atlético. Vinha descendo a colina vestida de jeans e camiseta preta. Brandia dois forcados ninja ao céu por retornar da missão. Olhos azuis claro eram da cor do mar do Caribe. Ela vinha segurando a mão da menina a quem eles tinham ido buscar. Uma menina que parecia querer chorar a qualquer hora, fraca, magra que ficava ainda mais sem-graça perto de Anna.

Brandon Von Drachen vinha caminhando com dificuldade era ajudado por Alex Karev. Assim que Anna vira Mary ao meu lado. As duas se aproximaram e se olharam firmemente. De perto pude perceber que em seu pescoço tinha uma concha azul rachada. Ela largara a mão da jovem que escoltava. E se aproximou de Mary sorrindo.

— Cumprimos nossa promessa. Estamos juntas de novo. – disse Anna com um jeito dominante e alegre.

— Parece que sim. Seja bem vinda, Ostra! – disse Mary com um raro sorriso.

— Seja bem-vinda, Nerd. – disse Anna que largou o tridente no chão e puxou Mary pela cintura as duas olharam uma para outra.

Anna sorriu e a beijou intensamente, acho que aproveitando que Quiron e Sr. D, já não estavam no refeitório. Todos aplaudiram. Alex e Brandon foram ajudados por seus colegas de chalé. Eu observei o beijo das duas. Eu não percebera, mas o menino que Mary identificara como Hector estava ao meu lado. Ele tinha me salvado naquela noite. Hoje estava ali assobiando e batendo palmas para as duas.

— Hey, isso é normal, cara. – disse ele sem olhar para mim.

— Como assim normal? – perguntei.

— Bem, somos gregos. Antigamente, era muito comum isso. Homens e mulheres terem relações com amigos do mesmo sexo. Pensei que fosse filho de Afrodite deveria entender dessas coisas. – disse ele parecendo se divertir. – Era realmente comum. Até mesmo as deusas “virgens” serem acompanhadas, banhadas, tocadas por damas de companhia. — disse Hector olhando para a mesa que deveria ser de Ártemis. – E mesmo o todo poderoso Zeus, caiu de amores por Ganimedes. Ou mesmo o playboy mor do Olimpo que se apaixonou por Jacinto e outros por ai. Amor livre, em Athenas e em Esparta era comum o relacionamento entre homens e mulheres. Mas o casamento ai é outra coisa. Até para nós, casamento é coisa de casal. Fica a dica... – disse Hector piscando e saindo de perto.

Então os aplausos e a comemoração que se seguia pela volta do grupo de heróis foram calados por um grito feminino. Todos correram, os mais novos foram parados pelos Conselheiros de seu chalé. Eu corri com os outros, parei ao lado de Mary e Anna. Perto do topo da Arena estava Genevieve branca como se tivesse visto um fantasma. No centro da Arena uma massa de trevas diminuía até dar lugar a uma fumaça espessa, quando ela foi enfraquecendo todos viram que ali jazia um rapaz e três corpos. Corremos e alguém ao meu lado deixou escarpar os nomes.

— Ethan Crawford, Elle St. James e Heather Muller!!! — a jovem do Chalé de Hefesto falou chorando.

— Ethan!!! – gritaram Sebastian e os outros irmãos.

— Heather!! – lamentou Taylor do chalé de Apolo segurando a irmã morta nos braços.

Os irmãos de Elle não foram até ela. Eles sacaram as espadas e armas contra o rapaz no centro. Estava vestido de negro, era branco, cabelos negros lisos, uma barba espalhada pelo rosto bem cortada, tinha seus dezesseis anos, parecia assustado e a ponto de desmaiar. Parecia atordoado e mais perdido que eu quando acordei no acampamento. Os irmãos de Elle do chalé de Nemesis o seguraram, mas ele desfaleceu.

Ray Rushmore preparou sua espada para matar o rapaz. Mas Genevieve correu e se pôs no caminho da espada. Abriu os braços e encarou o filho da vingança. Para uma filha do Arco-íris, até que aquela garota era valente. Taylor e Sebastian se levantaram ao lado de Genevieve. Nesse momento, sua visão perdeu o foco.

“Crianças do Olímpo, o mal ressurge de tempos primordiais. Os deuses já sabiam, e aqui lhes avisa. A primeira tentativa de juntar os lados opostos é justa, e sem ela tudo passará a nada, a tentativa é válida, catorze filhos do Olimpo grego levantarão armas portando as glórias dos deuses. Oito filhos de Roma a eles se juntarão portando a força do Império. O pequeno raio deve ser achado, ele escolherá a Águia Fuminata, a maçã de prata deve ser instruída, o anjo a portará até a última chama se apagar, a guia dos sonhos encontrada, uma viajante aparecerá em glória a Hera. A criança da Morte será ungida no rio Estige para assim o mal aprisionar. A glória dos deuses está em perigo, foram perdidas por três atos de traição...” – soou a voz da profecia por todo anfiteatro.

“Os dias de verão nunca mais seriam os mesmos”.

Os olhos de Genevieve voltaram ao foco para se fechar e seu corpo despencou, mas com a sorte do destino, Taylor a segurou. A profecia tinha sido lançada assim como minha sorte. Eu estava no meio daquilo tudo. Quem seria o recém-chegado? Mal meu dia tinha começado, e o mal espreitava antes do almoço. Olhei no meu relógio, e marcavam ainda dez e meia da manhã. Toda aquela informação, e nem tínhamos chegado ao meio-dia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.