Filhos do Olimpo - A Nova Guerra!
1 Capítulo 1 – O DESPERTAR, ONDE TUDO COMEÇA
Caí.
Minha cabeça rodava e eu não sabia se era o ferimento da minha cabeça ou o cansaço. Cai na grama orvalhada em algum lugar do Central Park. A minha cabeça corria um filete de sangue de um corte. As luzes a minha volta piscaram. Correra quarto quarteirões, estava meio tonto e esse corte na minha testa latejava. Vi vultos escuros cortando a luz da lua me cercando, as risadas se espalharam como se fossem hienas me cercando, como eu desejava que fossem hienas. Eu olhei o escuro da copa das árvores, e vi presas brilhando. Levantei-me com dificuldade e as risadas ficaram mais altas. Estava cercado. Eu só conseguia pensar como as coisas tinham sido diferentes naquele dia de Junho.
***
Acordei.
“Meu nome é Nicholas Hartford, moro na cidade mais cosmopolita do mundo, na cidade mais populosa dos Estados Unidos. Apenas 8.405.837 habitantes, humanos não sei. Habitantes com certeza. Acabei de completar quinze anos, e sou filho único, até onde eu sei. Meu pai é um empresário famoso. Seu nome é Richard Hartford III, ele é de uma dinastia de empresários ricos e famosos. Fez sua própria fortuna com 18 anos, apareceu na Forbes logo aos 20 anos. Eu sou, sempre fui, diferente do meu pai, enquanto ele está perto de ganhar um prêmio de Empresário do ano, bem eu estou mais próximo de ir para um reformatório.”
Levantei-me da cama, estava com preguiça, pois era o último dia de aula. Tive um sonho estranho, e por mais que eu forçasse a me lembrar nada fazia muito nexo. Esqueci de tudo, a única coisa que me lembrava era uma maçã prateada e o sorriso de uma bela menina. Caminhei até o banheiro tomei banho e me troquei. Vestia apenas tênis, calças de corrida, e camiseta branca, coloquei o boné e fui até a cozinha da minha casa.
“Moro no coração de Manhattan, Upper East Side e meu pai nunca está em casa, é o primeiro a sair e o último a chegar. A última vez que ficara mais de meia-hora com ele fora na Ação de graças, há uns dois anos. Então, praticamente eu fazia o que eu queria. Quem cuidava de mim eram Alfred Meyers, meu motorista e amigo, Jessy Makintoshi a minha (...). Bem, meu pai e ela dizem Assessora, eu digo babá. É ela que me livra das enrascadas, não posso a chamar de amiga, as vezes poderia jurar que ela queria me ver preso. E a doce Dona Lola. Eu aprendi espanhol com ela. Lola Cruz era a mulher mais próxima de uma mãe que eu tinha. Mas sabia que ela, apesar de gostar de mim, tinha sua própria família, e que às vezes me via como pobre menino rico. Ela tinha mais pena de mim do que amor maternal”
Ao passar pela cozinha sorri para Alfred e Lola e disse que iria correr. Correr no central Park sempre me fazia pensar, esclarecer as coisas. Passei pelo lobby atravessei a rua e estava no Central Park. Coloquei os fones no ouvido e com passos rápidos e ritmados comecei a correr, a adrenalina fluía e a sensação era ótima. As atividades físicas me deixavam mais atento. Correr, hipismo, baseball, todas atividades físicas eram ótimas para ministrar meu Déficit de atenção e Hiperatividade. Eu quase não tinha mais lapso, e até gostava de ler, se o assunto me agradasse eu poderia terminar um livro facilmente em duas semanas.
O vento fresco cortava meu rosto, e tive uma pequena sensação estranha. Enquanto corria, tinha a sensação que iria perder algo. Balancei meu rosto e uma sensação percorreu minha coluna. Parei, olhei em volta, e as árvores vergaram ao vento. Era um dia de Julho, as férias de verão começariam finalmente a liberdade. Mais dois dias era o que eu tinha que aguentar na escola. O central parque não parecia diferente, mas tinha uma sensação que estava sendo observado. Parei olhei em volta, pássaros cantaram e eu parecia sozinho sem olhos aparentes me vigiando, mas a sensação persistia. Recoloquei os fones a música que tocava no meu X-Phone 7, era de uma banda Antiga chamada “Imagine Dragons”, Demons.
Meu coração estava acelerado e respiração ofegante, então minha visão entorpeceu. Uma estátua próxima parecia me encarar. A escritura em grego antigo que eu não conhecia pareceram dançar perante meus olhos. Estava meio tonto, ao olhar podia jurar que eu saberia ler: “Aphrodite Urânia, Afrodite Celestial”. Eu balancei a cabeça mais uma vez e olhei com atenção. As letras voltavam a ser gregas e irreconhecíveis. Sequei o suor da testa. Continuei correndo. Não estava pensando mais em meu pai e sim, minha mãe.
“Sobre minha mãe. Eu nunca a conheci. Em todo apartamento não existia uma única foto. Todos os empregados começaram a trabalhar em casa depois que ela se fora. E meu pai dizia que era a mulher mais linda que já existiu e por isso não se casava de novo. Em uma entrevista para um Talk Show, perguntaram quem era a mulher atrás dele. Ele falara de uma mulher especial, que depois de estar com ela, nenhuma outra mulher seria suficiente. Arrancou aplausos e suspiros da platéia totalmente feminina. Porém, eu sabia que aquilo era mentira. Muitas vezes em viagens de verão, eu o vira em companhia de uma modelo diferente. Todas modelos, eram lindas e estonteantes. Loiras, morenas, asiáticas, ruivas, negras e latinas. Era até estranho, todas tinham um sorriso lindo e familiar, e sempre que passavam por mim piscavam”
Eu pensava em minha mãe. Seria ela modelo também? Às vezes, buscava em revistas de moda uma que lembrasse minimamente a mim. Eu alimentava minha imaginação sobre uma mulher que nunca quisera saber de mim.
“Muitos diriam que eu era um garoto problema. Meu pai já estava acostumado comigo, e ele pagava a senhorita Jessy para limpar minhas besteiras. Ele achava que eu era daquele jeito por causa da minha mãe. E não era de todo errado. Lembro de uma vez que fui preso e acusado de perturbar a ordem no zoológico no Central Park. Eu jurei mil vezes que eu não tinha feito nada, mas não poderia dizer a verdade. Não me julgue, tente convencer seu pai e a polícia que uma gang de arruaceiros de dois metros tinha tentado comer os lobos. Estávamos na limusine e Jessy falava ao telefone tentando apagar qualquer relação com o nome Hartford e o ocorrido. Meu pai massageava a têmpora, e olhou para mim cansado, começou a falar, e parecia triste e decepcionado”.
***
Toda vez que eu fazia errado eu já estava esperando uma briga como de costume, mas o silêncio incômodo se estabelecia. Ele respirava fundo, mexia no cabelo com elegantes mechas grisalhas. Ele era um empresário rico e famoso que mal conseguia controlar o filho de 13 anos.
— Nicholas, por quê? Você tem que parar com isso. Já é a sétima vez só esse trimestre. – respirou fundo e me encarou. — Nicho, ela te ama onde estiver, você não precisa tentar chamar atenção de sua mãe, aparecendo na mídia com escândalos e vandalismo.
— Ela foi embora, você não liga. Você não quer saber dela. – digo olhando para a janela.
— Ela não foi embora por sua causa. Ela foi embora por que ela tinha que ir. – disse ele ainda cansado, respirou fundo e ele mesmo pareceu pensar nela.
***
“Desde que tinha onze anos comecei a infringir algumas normas, ele parou de falar dela. Às vezes, eu acho que essa mulher linda e encantadora nunca existiu. Lembro de perguntar das características de minha mãe, e ele sempre desconversava. Mas ele sempre falava que de certa forma eu o fazia lembrar ela. Não sei como isso seria possível, sou quase um clone do meu pai quando mais novo. A não ser pelos cabelos e os olhos mais claros”.
Passei a mãos nos cabelos, e coloquei os óculos escuros. O sol das primeiras horas do dia estava se levantando. O parque estava ficando mais cheio. Eu cruzaria o parque, tomaria café na minha cafeteria preferida e iria andando para escola. Não estava cansado mas diminui o ritmo.
“Como explicar que tipo de pessoa eu sou? Bem, sou um rapaz quase normal de quinze anos. Se você considera que passo de escola em escola, apesar de meu pai ainda pagar professores particulares, por cauda do meu Déficit de atenção e da dislexia. Na escola apesar de ser popular, me pergunto sempre se aquele é meu lugar. As pessoas parecem ser tão sem-graça, tudo tão monótono. Sou do tipo de rapaz que as pessoas sempre olham duas vezes. Modéstia a parte não tenho problemas com as meninas, e às vezes, nem com os meninos. Mas depois de conquistá-los, e seduzi-los tudo perde a graça. E não me entenda mal, não é proposital. Uma vez me apaixonei por uma menina linda chamada Emily Waldorf, uma das meninas mais lindas e mais ricas de Manhattan e eu tive, um certo, trabalho para fazê-la ceder. Mas depois de conseguir o que queria... eu simplesmente desencantei. Depois de seduzir metade da escola, incluindo o corpo de alunos, o corpo de docente e até o corpo da diretora, eu fui expulso e comecei a ir de internato em internato. Seduzir, já não era o bastante eu comecei a usar minha lábia para conseguir o que eu queria. Foi assim que arrumei tantos problemas. Como convencer uma senhora rica a me tornar seu único herdeiro depois de um jantar de sorrisos e palavras vazias. Bem, eu consegui meu primeiro bilhão assim. Nem preciso dizer que meu pai, não aprovou isso. Outras vezes eu só queria curtir mesmo, convenci uma promotora pública que lambada era uma ótima ideia no meio de um tribunal”.
O X-Phone preso a minha cintura, tremeu. Passei o dedo sobre o display e vi que era uma mensagem. Passei o dedo e a mensagem se abriu.
“Cara! Não vou para escola hoje, estou embarcando para o Acampamento hoje as duas, espero que você tenha ótimas férias. E bom jogo hoje a noite. Hawks x Titans é um clássico. GO! TITANS! Marque uma cesta por mim amigo!”
“O único amigo verdadeiro que tinha no Instituto West Astoria, era Kevin Lowecrash. Ele era um rapaz bonito e muito inteligente, e aparentemente ele achava todas as minhas histórias muito engraçadas. Ele não era rico, tinha bolsa de estudos. Sempre que fazíamos algo de errado, fazíamos juntos, mas ele tinha o talento de não se encrencar. Quando eu estava com ele conseguia escapar perfeitamente. Para todos, eu o corrompia. Kevin tinha ido para o Acampamento de Verão e eu estava sozinho, até para o jogo de basquete do colégio. Gostava de competir, e entrei no time por causa de Kevin. Éramos os TITANs de West Astoria Institute e os Hawks do Lincoln High Academy eram nossos maiores inimigos”.
Estava tão distraído que acabei trombando com alguém enquanto eu corria, lia a mensagem e pensava em Kevin. A queda pareceu pior do que o normal, fiquei tonto. Olhei para frente e a minha frente havia uma bela menina, ela não tinha caído. Estava de pé olhando para mim. Ela me olhou com a sobrancelha erguida. Era uma linda menina, vestia mini-short e uma camiseta azul folgada com um top branco por baixo. Cabelos negros e presos em um rabo de cavalo em um boné. Ela continuou a correr, mas ela deu uma ultima olhada antes de seguir seu caminho.
Sai do outro lado do Central Park e caminhei até o Starbucks mais próximo, peguei meu X-phone e liguei para Alfred me pegar, estava a duas quadras de casa, pedi que levasse meu uniforme, eu tomaria banho e me trocaria na escola. A fila como sempre estava quilométrica, respirei fundo meio impaciente. Escutei a porta se abrindo e vi um rapaz lindo se aproximar, parecia com pressa. Deveria ser turista ou estava pronto para viajar. Com mochila nas costas, ele compunha um visual bem estranho: Tênis de corrida, calças jeans rasgadas, camisa e um chapéu Fedora com um broche. Algo naquele rapaz me chamava atenção. Tinha um sorriso magnético e um olhar de perigo.
Depois que peguei meu café olhei em volta procurando o rapaz, ele estava saindo pela porta. Fui atrás dele sem saber o porquê e quando olhei a rua não havia sinal dele. Como isso era possível. Alfred me mandou uma mensagem dizendo que ia me encontrar nas escadarias do Metropolitan, por que onde eu estava não tinha como parar a limusine. Eu cheguei as escadas e nem precisei esperar quando me dirigi a Limusine vi uma linda jovem que tomava sorvete no topo das escadas. Estava sentada e com um uniforme formal como o meu. Pelo uniforme ela estudava no Temperance Willard, uma escola próxima aquele local só para meninas. Camisa branca, saia xadrez estilo Oxford, gravata grená, e terninho. Uma mochila nas costas e cabelos presos em um arco. Uma loira belíssima que eu não conhecia, e estranhamente me encarava. Ela sorriu e ergueu a sobrancelha como se me desafiasse. Alfred seguiu caminho. O transito seguia normalmente, e via as ruas que mais gostava ficando para trás West Astoria Institute não ficava em Manhattan, nenhuma escola da Ilha me aceitava mais. Passando pela quinta Avenida tentando achar o melhor caminho para o Lincoln Tunnel, paramos em frente a Grand Central Terminal, olhei pela janela e outra pessoa que me chamou atenção. Um rapaz alto e bonito parecia ter chegado de viagem agora. Olhos eletrizantes, mochila nas costas, boné para trás. E um sorriso confiante. Apesar de o garoto ser muito bonito e chamativo, não fora isso que me fizera ficar pensativo. O rapaz conversava com uma menina de cabelos negros e rabo de cavalo. Era a mesma menina que eu teria esbarrado na minha corrida mais cedo. Uma buzinada me fez desviar o olhar e quando olhei de novo, eles já não estavam lá.
“É incrível o que se pode recordar quando estamos prestes a morrer. Minha mente me fazia recordar o que eu fizera naquele dia até estar pronto para morrer”.
Como eu estava recordando, era um dia normal de Junho. Eu estava no internato no West Astoria Institute, para crianças super ricas e problemáticas. As aulas tinham sido tediosas. Depois do almoço estava na sala comum de descanso. Estranhamente o lugar estava vazio. Muitos dos ricos alunos comiam fora do colégio em restaurantes chiques. Apesar dos convites, eu preferi ficar lá na escola sozinho. Mandei mensagens para meu pai e Kevin, mas nenhum dos dois me respondera. A última aula do dia tinha sido de Literatura Clássica, e apesar de tudo contra era minha aula preferida. A professora Lara Agiacis.
“A professora Lara, devia ser estrangeira por causa do nome e do sotaque. Além do mais, os Estados Unidos não eram um lugar de professoras lindas. Ela era uma mulher linda, mas linda mesmo. Qualquer cara prestaria atenção nela, alias, não prestar atenção nela era quase um crime. Era ruiva com cabelos volumosos, sardas enfeitando o nariz e um pouco das bochechas. Olhos claros como mel, quase amarelos. Esbelta e um corpo de fazer inveja. Sempre bem humorada, sempre cordial. Engraçado que todas as escola que eu ia, ela vinha. Ela disse que queria me ajudar com meus transtornos de Déficit de Atenção, mas com ela eu não tinha nenhuma falta de atenção. Ela até dava aulas particulares e isso me acalmava. Era como da família, ter ela ali era bom. O que eu poderia dizer? Uma boa professora, uma professora boa”.
A aula seguia muito interessante sobre os deuses gregos. Ela explicava sobre como Zeus era o todo poderoso do Olimpo, e como Hades era temido, e mesmo Poseidon era incrivelmente talentoso em destruir as coisas. O sinal tocou e todos íamos saindo. Os meninos beijavam as mãos da jovem professora, que mais parecia uma aluna. Eu fiquei para trás sempre era o último, abraçava Lara com carinho e seus abraços sempre me deixavam mais feliz. Ela passou a mão no meu rosto.
— Nicholas, preciso lhe falar. – disse ela sorrindo, mas percebi que algo triste passou sua imagem de alegria eterna.
— Sim, senhorita Agiacis. Fiz alguma coisa? – perguntei com medo de ferir-lhe de algum modo.
— Absolutamente não, Nicho. Eu apenas... Tenho que dizer que vai ser nosso último ano juntos. Na verdade essa foi nossa última aula. – ela disse segurando minhas mãos.
— Mas? Como assim? Srta. Agiacis o que houve? Eu não quero que seja o último.
— Não é uma escolha sua; Nicholas. Eu só quero me despedir. Eu acompanhei seu crescimento desde que tinha sete anos. Mas agora, precisa de outros professores. – disse ela beijando meu rosto e saindo dali.
Corri atrás dela e ela me olhou triste.
— Nicho, apenas tome cuidado. A verdade. Tudo começa hoje. Tome cuidado e um dia quem sabe nos veremos de novo. – disse piscado e indo embora pelo longo corredor.
Estava sem pai, sem amigo e sem professora particular. Como queriam que eu me comportasse nesse verão. Estava desolado. Pensava na sensação de perda que eu sentia. Mais perto da hora do jogo, eu me vesti com alguns colegas de time, e coloquei o uniforme dos Titans, vermelho e branco. Não via a hora de tudo acabar e ir para casa, e pensar o que ia fazer o resto das minhas férias solitárias.
Eu quicava a bola indo para o ginásio. Estava chateado e entediado, por assim dizer. Quando um grupo de líderes de torcida bem safadas passaram por mim no corredor entre risinhos. A primeira vista achei estanho líderes de torcida no West Astoria. Elas passavam rebolativas, duas lixavam as unhas outras retocavam a maquilagem. Elas olharam para mim e continuou seu caminho a capitã delas com o uniforme um pouco diferente sorriu lambeu os lábios, eu ri. Ela continuou seu caminho. Quando acordei do transe, eu lembrei que nossa Escola não tinha Líderes de torcida, achei que elas poderiam ser do Lincoln High. Antes de virar o corredor, a capitã loira me olhou como se pudessem rasgar minhas roupas.
“Logo mais tarde, eu saberia que ela queria rasgar minhas roupas e minha carne.”
O time entrou em quadra. Olhei em volta em busca de rostos conhecidos que eu realmente me importava. Lola e Alfred não estavam lá. Estranhei que Jessy também não estivesse, mas não lamentei. Era a final do Campeonato entre escolas, era o final do semestre. E ninguém tinha se disposto a vir. Algumas meninas que corriam atrás de mim me cumprimentaram, os caras vazios e interesseiros me cumprimentaram como se fossemos os melhores amigos. Minutos antes de o jogo começar, eu recebera uma mensagem de Kevin.
“Arrase as Águias! Nicho!!! GO! TITANS!! E não esqueça da minha cesta.”
O jogo estava competitivo e muito brutal, dois colegas de time caíram depois de uma trombada com o outro time, um deslocou o ombro e o outro quebrou uma costela. E o juiz não fazia muito. Percebi que o capitão do outro time estava confuso e ele mesmo brigou com os colegas de time. Christopher Robinson gritava com os colegas que não lhe deram a mínima atenção. Percebi que ele se controlava para não socar a cara de um deles. Havia uma torcida para Christopher, três caras grandalhões e do tipo de academia assim como o próprio Christopher. Ele marcou três bolas a na nossa frente, abrindo uma vantagem de nove pontos. Os quatro jogadores do outro time eram violentos demais. Em um lance rápido poderia jurar que vi chifres enormes em um deles. E o piercing no nariz do outro parecia mais um elo para touros. Joe e Joel gêmeos do meu time marcaram e conseguiram empatar. O jogo seguia muito arisco, mas nos últimos momentos consegui pegar a bola e jogar para cesta. Dediquei o arremesso meu amigo Kevin. Via a bola circulando o aro, e desejei que ela caísse dentro, mas tudo dizia que ela cairia fora, Estiquei o braço querendo esticar minha mão e empurrar a bola para dentro. Mas não pude ver se era ponto um dos gigantes do outro time me acertou em cheio.
“Minha cabeça doía e cai. Eu estava zonzo, e eu não sabia se eu estava lembrando ou se estava no presente, jogado em algum lugar do Central Park. Não desmaiei, as luzes me cegaram, vultos corriam a minha volta”.
Fui erguido e comemoravam a vitória dos Titans do West Astoria. A última cesta do jogo. Comemoramos. Eu e Christopher Robinson apertamos as mãos. Ele desenhou com os lábios. “Cuidado” e saiu para os vestiários. Depois de um banho, eu mandei uma mensagem para Alfred. Eu ia comemorar com o meu time em uma pizzaria da Quinta Avenida. Comemoramos e já estava anoitecendo. Me despedi dos amigos não amigos e paguei a conta. Antes de sai, um informativo especial interrompia a programação.
Repórter ao vivo: Explosão no Lincoln Tunnel, ninguém sabe o que está acontecendo ao certo. Barricadas de carros e destroços estão lacrando os dois lados do túnel. A polícia e os bombeiros estão tentando entrar. Um carro foi arremessado para fora do túnel antes dos destroços misteriosamente lacrarem as entradas. Dois corpos foram identificados no carro, Marilyn Dellano e Fred Woods. O nosso canal conseguiu entrar em contato com Giuliana Dellano, mãe da mulher encontrada no carro. A senhora Dellano disse que Marilyn e Fred estavam indo para New Hampshire para se casar, junto com o casal estava o filho de Marilyn, Marco Dellano que não foi encontrado. Esperamos mais informação.
Eu estava meio transtornado. Eu passara pelo Túnel Lincoln há poucas horas, nada estanho parecia estar acontecendo. Andava a 5TH Avenida e adentrei no Central Park para cortar caminho. Tentei ligar para Alfred, mas ninguém atendia. Era o último dia de aula, e eu caminhava solitário entre as arvores. Então vi mais a frente Lara Agiacis, vestida com um vestido semitransparente branco e sorrindo, estava descalça e correu. Eu queria saber o que estava acontecendo e fui atrás dela.
O céu parecia adormecer em tons laranja flamejante. Perdi Lara de vista, chamei sue nome. E uma revoada de pombas passou por mim. Defendi-me com os braços. Até que percebi um cheiro impregnar o ar, cheiro de rosas. Estava parado na frente da estátua que vira hoje mais cedo. Aquela que em meus devaneios se chamava Afrodite Celestial. Parei de súbito olhando o local. Roseiras de rosas vermelhas estavam trançadas nas árvores e a estátua. O perfume impregnava o ar com vários tons delicados e caros, entre as rosas e um Chanel. As asas de pombas brancas me acordaram de uma sensação nostálgica. Balancei a cabeça como se estivesse perdendo algo, por causa do déficit de atenção.
Em um banco próximo, uma senhora que alimentava os pombos e me sorriu, ela estava vestida com um vestido longo cheio de rosas estampadas e um chapéu elegante. Era uma idosa, mas muito bonita, com seus cabelos grisalhos. Olhos elegantes e azuis como cristais. Ela não parecia normal, mas afinal era Nova Iorque, quem era normal naquela cidade? Não consegui ver seu rosto por que a aba do chapéu lhe escondeu, mas ela se levantou e se aproximou de mim. Ela colocou em meu pulso. Estranhamente o relógio era bem masculino, mas de um jeito até refinado demais. No lugar da marca, lia-se: “TROYAN”. Ele poderia ser usado por um corredor, ou até um empresário como meu pai. Ela beijou minha mão e se distanciou. Rindo e dizendo algo em uma língua que tive dificuldade de reconhecer. Então ela pareceu se lembrar de algo e me jogou algo.
Com um reflexo inexplicável peguei no ar, abri a mão e vi uma Asa Prateada em uma corrente Estranhei o fato, e olhei em direção da mulher e não havia mais ninguém ali. Era ainda mais estranho, com que freqüência, estranhos distribuíam relógios caros e correntes de prata na rua?
O perfume de rosas foi substituído por algo pútrido. Levantei-me olhando em volta. Já era noite, a rua estava vazia. Olhei o novo relógio no meu pulso e vi que já passava das Oito. O que acontecera durante duas horas. Eu me ergui olhando em volta e as luzes do postes piscaram, instintivamente segurei a asa prateada, sem nem saber o porquê. As rosas e roseiras apodreceram. E meu instinto que geralmente me levava a fazer besteiras me mandou correr, e foi o que eu fiz. Mal cheguei à esquina e já estava cercado. Um bando de líderes de torcida sorridentes com pompons na mão. Realmente, poderia ser um bom começo para um filme pornô adolescente, se não fosse às presas que saiam de sua boca, e as asas coriáceas de morcego nas costas delas. Elas riam. Eram as líderes de torcida que estavam no jogo de basquete. A garota que tinha sorrido para mim se aproximou e me atacou com garras. Eu me esquivei, mas ela acertou a medalha do campeonato no meu peito. Ela guinchou e deu mais um ataque que acertou minha testa cortando. E tudo que eu fiz foi correr o mais rápido que podia.
E foi assim que cheguei onde estou. Caído em algum lugar do Central parque, ferido, e cercado de vadias com asas malignas, presas de javalis e garras de águia. Eu as escutei falando. – Morra filho de...! – Elas queriam me matar, e tinha algo a ver com meu pai, ou minha mãe.
***
Uma delas me jogou no chão. Sobre a luz de um poste próximo, eu vi a pele cinzenta e os olhos vermelhos sangue. Ela estava de pé sobre meu peito, me analisando.
— Você parece muito com a vadia da sua mãe. Menos um lixo do Olímpio. – disse ela se preparando para me decapitar com as garras reluzentes.
A morte me convidava para um beijo detestável e frio. Quando eu já estava desistindo, eu senti o peso da líder de torcida saído de mim.
Abri os olhos e vi dois garotos e duas garotas me protegendo. A garota que liderava o grupo era linda. Tinha uma aura de liderança. Cabelos negros, com umas mechas azuis. Olhos cinzentos e tempestuosos, um corpo lindo. Estava vestindo uma jeans azul, tênis All-Star, uma camiseta branca que evidenciava seus seios avantajados, na mão duas espadas de tamanho médio. E sobre a cabeça um boné virado para trás. No pescoço uma corrente com uma pequena ave no peito. Ela deveria ter a minha idade. Ela se virou e olhou para mim, ela revirou os olhos. E naquele momento eu soube que não deveria deixá-la nervosa. Naquele momento eu a reconhecera. Era a garota que eu tinha esbarrado mais cedo, era a garota na frente da estação de New York.
A segunda garota era igualmente bela. Ela irradiava algo diferente. Parecia que eu a conhecia de algum lugar. Cabelos loiros passando um pouco dos ombros. Um Arco-Dourado na mão, se eu na visse derrubando duas lideres do Inferno de Torcida. Era a menina que eu vira nas escadarias do Metropolitan tomando sorvete. Ainda vestia o uniforme da Temperance Willard. Ela não estava mais com os cabelos soltos, e sim um rabo de cavalo. Eu até acharia que ela era uma das patricinhas daquele colégio. Mas duvidava que qualquer uma daquelas meninas vergaria um arco de tal forma e acertaria duas bruxas aladas.
O rapaz a minha direita era alto, atlético e muito bonito também. Cabelos arrepiados um sorriso convidativo e travesso. Olhos azuis elétricos. Ele estava com uma espada mais pesada que irradiava um brilho azul da mesma intensidade dos seus olhos. Vestia jeans azuis, uma camisa larga preta de uma banda de rock dos anos 20. Ele era o rapaz que vira conversando com a menina de mechas azuis, na frente da Grande Estação Central. Com uma espada longa na mão ele cortou uma das asas dela com um corte rápido.
O outro rapaz era mais novo. Era bonito, e tinha um Q, muito divertido. Cabelos cheios e lisos que se ondulavam como um anjinho. Tinha um sorriso inocente até demais, o que eu sabia que era perigoso. Ele vestia calça jeans, camiseta e uma jaqueta. Em sua mão um cetro que parecia uma lança com algo enrolado nela. Ou minha visão estava me enganando ou aquilo parecia cachos de uvas com vinhas.
O que eu vi depois parecia coisa de filme adolescente de espião. Era uma ação muito bem coordenada. A garota loira com arco ficou perto de mim e atirando nas malucas da torcida do demônio. Ela atacava e acertava quem se aproximasse de nós. – Hey, não se preocupe. Logo, estará tudo acabado. – disse o garoto mais novo com um sorriso confiante. A loira apenas desdenhou com os olhos.
O rapaz mais novo se postou atrás de nós. Ele girava e empalava quem se aproximasse demais. Seus comentários pareciam mordazes demais para um garoto que não deveria ter mais de uns doze anos. Ele me olhou e vi um brilho vinho em seus olhos. – Hei, mesmo com esse corte feio ainda está lindo, cara. – disse rindo com uma piscada antes de empalar duas meninas. Ele saltou girou o bastão e com ataques precisos destruiu mais uma maluca demoníaca.
Já seguro, eu olhei para os outros dois. Estavam sincronizados, e pareciam bem experientes no que faziam. A jovem liderava com ordens e movimentos incríveis. Ela girou no ar em uma cambalhota perfeita e atingiu duas no ar, com dois outros movimentos decepou duas cabeças. Ela brandia suas duas espadas com precisão.
Ela viu o rapaz destruindo mais duas. Mas ainda sobravam quatro, e eram as mais fortes. Ela girou o boné e segurou seu pingente de coruja que abriu os olhos e as asas. Uma luz a cercou. Ela gritou. — Promakhos! Atenae!!
Quando a luz deixou seu corpo, uma malha de ferro, composta por uma armadura a lá, amazona sexy surgiu. Ela ajeitou o elmo, e sacou mais firme as duas espadas. Ela continuou se defendendo de ataques e toda vez que a chance surgia ela golpeava. Defendia com a direita e atacava com a esquerda. O outro rapaz era veloz e forte. Percebi quando ele chutou uma vadia alada, que girou no ar e lhe atacou com a bocarra aberta. Ele segurou a pulseira de Spikes que abriu rapidamente um escudo grego. Quando por um instante se desconcentrou o cheiro de ferro me veio. Ele brandiu a espada que faiscou e fez duas meninas virar pó. O rapaz não tinha visto, mas ainda havia outra vadia demônio e estava prestes a atacar, a garota de malha e armadura sexy correu com os cabelos ao vento desviou do rapaz. E cravou o coração da última líder de torcida.
Bem, pelo menos eu achava que era a última. A líder das Líderes de torcida do Inferno acabara de desarmar o menino com a lança e derrubara a loira que estava de costas. Ela me pegou pelo pescoço os mandando largar as armas, dizendo que só queria a mim. Foi quando algo em mim foi acionado. Eu não poderia aceitar a morte. Eu não seria uma vítima, aquelas pessoas tinham me defendido sem, ao menos, me conhecer. E aposto que se me conhecessem não iriam me salvar. Por instinto e por que uma voz em meu coração e mente. Bati no meu pulso e o relógio sumiu virando uma espada longa de lâmina prateada com uma inscrição que dizia “Ao mais belo”. Achei meio cruel a brincadeira, mas como eu não estava pensando e sim agindo. Dei uma cotovelada no monstro e lhe enfiei a espada no peito dela, para sua surpresa. Ela virou pó negro e sumiu. Cai de joelhos apoiando-me na minha espada.
Os quatro se aproximaram de mim, foi quando cai mais uma vez. Estava tonto, estava sonolento. Desacordado.
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