Filhos do Destino
3 Capítulo 03
– Olá senhora Ruthie! Não esperávamos que voltasse tão rápido! Pode entrar!
– Olá senhora Mary Anne! Pois é, já tinha um rapaz em mente desde quando fui chamada por vocês!
– E posso saber o nome do escolhido? Sou tão curiosa!
– Eu direi senhora Archer, mas não é melhor que sua filha também esteja presente? Vocês precisam estar cientes das qualidade e, principalmente, defeitos do futuro pretendente. Talvez vocês não gostem muito.
– Fiquei ainda mais curiosa! Chamarei Beth, um momento Ruthie, sinta-se a vontade.
***
– Então, não vou precisar descrever muito sobre o rapaz que selecionei. Vocês já devem ter ouvido falar dele, ele é muito conhecido.
– Diga logo senhora Ruthie, deixe de mistérios! Eu estou que não me aguento de curiosidade! — Exclama Mary, mais interessada que Elizabeth.
– O rapaz se chama Jonathan David Cavendish.
– Não! — Diz Mary. — Eu sei que parecemos um pouco desesperados mas este rapaz é um pervertido! Minha Beth não merece alguém tão indigno quanto ele! Senhora Ruthie! Como ousou convidá-lo para cortejar minha doce Elizabeth? Não foi ele o rapaz deserdado pelo próprio pai devido as suas vergonhas?! Beth sofreria muito ao lado deste impuro que muito provavelmente não a respeitará!
– Além do mais, — Completa Elizabeth. — creio que um homem como este, mesmo nas condições adversas que se encontra, não aceitaria se casar com uma mulher como eu.
– Ambas se enganam. Senhora Archer, realmente o rapaz Jonathan possui uma fama ruim e, não as enganarei, tudo que se diz sobre ele é verdade. Contudo, pode parecer absurdo, ele é um homem com potencial para ser honrado e educado. Ele respeitaria sua filha, mais do que muitos homens que são considerados dignos. Confie em mim, vários nobres bem vistos pela sociedade tratam suas esposas, da porta de casa para dentro, como animais.
– E este Jonathan seria diferente? — Pergunta Mary já mais calma e interessada no rapaz.
– Seria! Acredito que ele seja o par ideal para Elizabeth. Mary, Jonathan iria fazer Beth florescer e, em contrapartida, Beth iria fazê-lo deixar de ser alguém prevaricador. E, Elizabeth, ele não só já aceitou cortejá-la, como veio comigo de Norfolk para Londres, está hospedado em minha casa.
– Ruthie, não que esteja desconfiando de suas percepções, porém estamos escolhendo um marido para minha filha. Precisamos conhecer melhor este rapaz.
– Sem problemas senhora Mary, não me sinto nem um pouco ofendida! Aliás, fico muito feliz que sua preocupação com o bem estar de Beth esteja acima das regras, tolas, impostas pela sociedade e acima do que os outros irão pensar. Agora sei o motivo da doce Beth ter uma alma tão pura e encantadora. Desejo muita sorte e felicidade para toda a família Archer, como nunca desejei antes!
– Eu agradeço suas belas palavras senhora Ruthie! Ficamos honrados! Faremos o seguinte, venha amanhã para o jantar e traga o rapaz consigo. Assim poderemos nos conhecer. Até lá explicarei tudo, a minha maneira, para Joseph, ele não vai aceitar muito bem a escolha. Tudo bem para você deste modo, Elizabeth?
– Não poderia ser melhor, mamãe.
***
Na bela sala da impecável mansão dos Archer estão Mary ansiosa, Joseph contrariado depois de saber o nome do pretendente da filha, Teodore faminto, Brigit esperançosa e Beth preocupada. A sineta soa e o nervosismo de todos aumenta. Ruthie e Jonathan chegaram pontualmente.
Elizabeth não podia acreditar. Não pela beleza de Jonathan, já esperava que, devido a sua fama de conquistador e amante, ele fosse um homem muito bonito. O que a surpreendeu foi notar que Jonathan David Cavendish era o homem de seus sonhos, literalmente. Desde muito nova tinha sonhos com o mesmo personagem principal, alguns eram bons, mas a maioria terminava em tristeza e dor.
Ao acordar lembrava-se apenas de partes dos sonhos, das sensações, do nome e da fisionomia de seu amor, Wallace. Enquanto dormia o amava e continuava a amá-lo depois de acordar. Beth mantinha gravada em sua mente a imagem dele e nunca se confundiria. Tinha plena certeza que Jonathan era idêntico a Wallace.
Mesmo antes de Jonathan se apresentar, Joseph foi direto ao ponto.
– Então o senhor está querendo cortejar minha filha querida? Jonathan Cavendish. Conheço seu histórico rapaz. Me diga porquê eu permitiria que você se aproximasse de Elizabeth?
– Senhor, serei sincero contigo. Eu não tenho resposta para sua pergunta. Em seu lugar não permitiria que minha filha se casasse com alguém como eu. Porém sei que estão escassos os pretendentes em Londres, ainda mais para uma jovem acima da idade matrimonial. Posso não ser a melhor opção mas, nas atuais condições, acredito não ser a pior. E eu estou muito focado em fazer isso dar certo, acredito que o senhor esteja ciente, estou em uma situação complicada e tudo o que me resta é fazer que este casamento dê certo.
– Gosto de sua sinceridade. Não suporto babacas, hipócritas e mentirosos. Permitirei que corteje minha filha, ela é quem irá decidir sobre a existência, ou não, do casamento. Beth é uma pessoa introvertida e demora a interagir com alguém novo, conquistá-la será uma tarefa árdua.
– Prometo ao senhor que serei respeitoso com Elizabeth e não usarei de métodos questionáveis ou grosseiros para cativá-la.
– Eu espero mesmo, rapaz. Se quiser continuar como um homem vivo, não machuque ou ofenda minha doce Elizabeth!
***
– Beth, ficou o jantar todo muda! Aposto que está com vergonha de falar com Jonty na presença de papai! — Exclama e expansiva Brigit. — Eu tive uma ideia! Amanhã, com a luz do sol, você pode mostrar o incrível jardim desta mansão para Jonathan, apenas vocês dois. Aí poderão aproveitar para se conhecerem melhor sem os olhares de águia do papai!
Todos sabiam que o silêncio de Elizabeth não foi causado pela rigorosa supervisão de seu pai, era fruto de sua usual reação em situações de socialização. O que ninguém, além dela, sabia era o que estava agravando sua falta de ação. A pessoa que povoava seus sonhos desde a tenra infância, por quem sofria sem saber o motivo durante suas noites idílicas, aquele por quem estava secretamente apaixonada desde muito tempo, o homem que acreditava não existir no mundo real estava a uma pequena distância de si e, por ironia, poderia ser seu futuro esposo.
Percebendo que Beth estava, como sempre, perdida nos próprios pensamentos e não daria nenhuma resposta para a ideia da irmã, Mary interveio na situação, caso contrário a situação ficaria constrangedora.
– Claro que Beth aceita! É uma ótima ideia Bri! Você pode tomar o café-da-manhã conosco Jonathan. E aproveito para fazer outro convite. Os Stonen, uma família muito decente, darão um baile para apresentar a filha à sociedade. Nós, por sermos muito amigos deles, fomos convidados. Jonathan, o que acha de ser o acompanhante de Elizabeth neste baile?
– Eu fico muito grato por ambos os convites! E aceito os dois! Adoraria acompanhá-la Elizabeth! E esperarei ansioso por amanhã!
– Está tudo muito agradável mas é hora de uma velha senhora distinta voltar para casa. Vocês são anfitriões perfeitos! — Diz Ruthie se levantando da poltrona.
– Eu concordo! — Completa o Cavendish.
– Vamos pequeno Jonathan?
***
– A senhora não mentiu quando disse que a garota era tímida. Não ouvi uma palavra sequer dela!
– Eu também estranhei, acredito que a situação a deixou mais retraída que o normal. Amanhã ela estará mais acostumada com sua presença e provavelmente falará mais!
– Eu espero! Embora adore o som de minha própria voz, ficar um encontro inteiro preso em um monólogo seria uma tortura! Agora, estava enganada quando disse que Beth não era bonita. Evidente que não é a mulher mais linda de Londres. Eu a achei bem jeitosa, encantadora!
– Eu sabia que você era o parceiro certo para ela!
– Confesso que esperava me deparar com um desastre da natureza em forma de mulher! — Comenta Jonathan gargalhando.
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