Filhos da noite 2 – Sozinha

8 Capítulo 7 - O QUE É VERDADEIRO E O QUE NÃO É?


Encontrei com Nora e Vee comendo donuts. Me joguei em uma cadeira ao lado de Nora e pedi um donuts para mim também.

— Scott convidou Nora para uma batalha de bandas. — Vee falou e eu lancei um olhar para Nora.

— Que coincidência, por que Tyler também me convidou. — Murmurei.

— Quem é Tyler? — Vee perguntou.

— Você aceitou? — Nora perguntou.

— Sim. — Falei.

— Mas e o Ben?

— Nós estamos dando um tempo.

— Espera! — Vee falou. — Estou perdendo tudo. Você e Ben estão dando um tempo? — Assenti. — Por quê?

— Por que sim. — Respondi e dei de ombros.

— E quem é esse Tyler afinal? Como você já conheceu alguém tão rápido.

— Eu conheço Tyler desde que era pequena. Seu pai trabalha na fazenda do papai.

— Ai meu Deus! O Tyler graveto?

— Acho que ele vai superar suas expectativas, Vee.

— Ele mudou? Ele está gostoso? Ai meu deus.

— Nora Grey? — Nos viramos para um dos empregados da padaria.

Era uma mulher chamada Madeleine.

— Desculpe-me, você é Nora Grey?

— Sim. — Nora respondeu e ela entregou um envelope a Nora.

— Isso é pra você.

— O que é isso?

— Um cara acabou de entregar e pediu para dar a você.

— Que cara? — Vee perguntou.

— Ele já saiu. Ele disse que era importante que Nora recebesse esse envelope. Achei que ele era seu namorado. Uma vez um cara trouxe flores para entregarmos a sua namorada. Ela estava na mesa no canto de trás. — Ela apontou e sorriu. — Eu ainda me lembro.

Franzi a testa tentando encontrar algo em sua mente, mas só o que consegui encontrar era os comandos. Ela estava sendo usada por alguém como uma marionete, eu só não sabia por quem. Vasculhei em sua mente o rosto da pessoa, mas ela não pensava nele.

Quem quer que fosse sabia que eu podia ler mentes.

Nora abriu o envelope e encontrou um papel e um grande anel.

— Tem certeza que isso é para mim? — Nora perguntou.

— O cara apontou diretamente para você e disse “dê isto a Nora Grey”, você é Nora Grey, não é?

Nora foi puxar as coisas de dentro do envelope, mas Vee a parou.

— Sem ofensa gostaríamos de um pouco de privacidade. — Vee pediu a Madeleine que se afastou

— Quem vocês acham que ela é? — Nora perguntou.

— Eu não sei, mas tive arrepios quando ela entregou a você. — Vee falou.

— Vocês acham que foi Scott? — Nora perguntou e me encarou.

— Eu não sei. O que tem dentro do envelope? — Vee se aproximou para olhar.

— Não sei. — Respondi.

Nora puxou um anel de homem feito de ferro no local da pedra havia um carimbo de uma mão erguida em um punho apertado.

— Que, em... — Vee se calou.

Nora puxou o papel que havia escrito: ESTE ANEL PERTENCE À MÃO NEGRA. ELA MATOU SEU PAI.

Vee levantou da cadeira e Nora e eu a seguimos. Saímos da padaria e usamos as mãos para tapar os olhos do sol. Não tinha nenhum rosto familiar. Suas mentes eram tranquilas. Pessoas aproveitando o verão.

— Você acha que isso foi uma piada? — Nora perguntou.

— Eu não estou rindo. — Vee falou.

— Se for. — Murmurei. — De muito mal gosto.

— Foi Scott? — Nora perguntou.

— Talvez. Ele estava aqui afinal.

— Ou Marcie? Uma brincadeira? Talvez.

— Se for ela, o olho roxo que eu fiz no domingo vai ser pouco com que farei agora. — Murmurei. — Ela não pode ser tão cruel a esse ponto... Na verdade ela pode sim.

— Mas ela não tem cabeça para planejar isso. — Nora murmurou.

— Vamos investigar ao fundo isso. — Vee falou voltando para a padaria e procurando por Madeleine.

— Eu não vi nada na mente dela. — Falei para Nora antes de entrarmos na padaria. — Era comandos de alguém. Como uma marionete.

— Precisamos conversar. — Vee falou para Madeleine quando nos aproximamos. — Como o cara se parecia? Baixo? Alto? Cabelos castanhos? Louro?

— Ele estava usando um chapéu e óculos escuros. Por quê? O que havia no envelope?

— Você terá que fazer melhor que isso. O que exatamente ele estava usando? Tinha algum logotipo de time no seu chapéu? Ele tinha barba?

— Eu não me lembro. — Ela gaguejou e sua mente tentava lembrar, mas a lembrança não vinha. — Um chapéu preto. Ou talvez marrom. Eu acho que ele estava vestindo calça jeans.

— Você acha?

— Venha. — Nora falou pegando Vee pelo braço. — Ela não se lembra. — Nora encarou Madeleine. — Obrigada por sua ajuda.

— Ajuda? — Vee perguntou. — Ela não foi útil. Ela não pode sair por aí pegando envelopes de caras estranhos e não se lembrar da aparência deles depois.

— Ela achava que ele era meu namorado. — Nora falou e Madeleine assentiu.

— Isso e eu sinto muito! Pensei que era um presente! Tinha algo ruim no envelope? Você quer que eu chame a polícia?

— Nós queremos que você se lembre de como o psicopata parecia. — Vee resmungou.

— Jeans preto! — Madeleine falou. — Eu me lembro que ele usava um jeans preto. Quer dizer, estou quase certa que ele usava.

— Quase certeza? — Vee perguntou.

— Chega Vee! — Falei a empurrando para fora da padaria.

Nora me ajudou.

— Querida, eu sinto muito sobre isso. — Vee falou depois de esfriar a cabeça. — Eu deveria ter olhado primeiro dentro do envelope. As pessoas são tão estúpidas. E quem lhe mandou esse envelope é o mais estúpido de todos. Eu ficaria contente em ser uma estrela ninja se eu pudesse.

Nós chegamos as ruas estreitas do calçadão.

— Escute, preciso falar com você. — Nora falou baixinho para Vee. — Ontem pensei ter visto meu pai. Aqui no cais. — Vee olhou para Nora depois me lançou um olhar em silencio. — Era ele Vee. Era ele.

— Criança...

— Eu acho que ele ainda está vivo. O funeral do meu pai foi de fachada. Talvez tivesse sido um erro, um mal-entendido e ele não teria morrido naquela noite. Talvez ele estivesse sofrendo de amnésia e é por isso que ele não voltou para casa. Talvez alguma coisa o esteja impedindo. Ou alguém...

— Eu não sei como lhe dizer isso. Mas ele não vai voltar.

— Então como você explica o que eu vi? — Nora começou chorar.

— Era outra pessoa. Um parecido com o seu pai.

— Você não estava lá. Eu o vi.

Vee balançou a cabeça.

— Não faça isso.

— Não vou desistir dele. Não até eu saber a verdade. Eu tenho que descobrir o que aconteceu naquela noite.

— Não, você não vai. Deixe a alma do seu pai descansar. Mexer com isso não vai mudar o passado, não vai trazê-lo de volta.

— Eu tenho que concordar com Vee. — Falei. – Acredite, não mexa com isso. Eu mais do que ninguém sei o que é querer alguém de volta. Mas não adianta, Nora. Temos que aceitar que a vida é assim. Um sopro. — Segurei sua mão. — Tenho um convite. — Sorri. — Meu recital vai ser no sábado à noite. Consegui alguns ingressos. Eu sei que não é o que vocês gostam. Mas eu gostaria que estivessem lá me dando apoio. Eu não tenho mais ninguém.

Nora me abraçou.

No sábado à noite eu estava mais que nervosa. Estava entrando em combustão. Eu estava com uma blusa de tecido leve meio transparente com renda branca no busto e nas mangas, o decote era fechado. A saia era cintura alta preta com detalhes de botões na frente e 3 laços pequenos. Não era reta, mas também não era rodada. Era com renda preta também e batia um pouco a cima dos joelhos.

Calcei um sapato Oxford preto de salto agulha. Tinha feito uma trança cascata nos cabelos. E uma maquiagem simples, composta por rímel preto e um brilho coral quase transparente. Nada muito chamativo.

Andei de um lado para o outro no camarim. Como eu gostaria de estar comendo chocolate agora. Ou comer qualquer coisa para essa ansiedade passar.

— Você precisa se acalmar. — Quase cai com o susto.

Tropecei e me apoiei na parede. Lancei um olhar para Ben parado atrás de mim.

— Quer me matar do coração?

— Desculpe. Eu vim tentar te acalmar. — Ele se aproximou e me abraçou. — Você está tão linda. — Ele sussurrou sorrindo.

— Obrigada.

— Recebi seu convite.

— Que bom.

— Mesmo sem convite eu não perderia por nada isso. — Ele murmurou. — Você vai se sair muito bem.

— Como pode ter certeza?

— Por que você nasceu para isso, Nikki. Eu vejo a paixão e sinto ela quando você toca. Então entra lá e arrebenta.

— Obrigada. — Falei sorrindo e ele beijou meus lábios delicadamente depois se afastou.

— Estarei lá. Se caso você sentir um pouco de medo me olhe e eu transmitirei toda a força que eu puder a você.

— Obrigada, Ben. — Murmurei e ele sorriu antes de se afastar.

Fui chamada ao palco e respirei fundo. Me sentei no banquinho e apoiei meu violoncelo entre as pernas. Lancei um olhar para a multidão. Vi Nora, Vee e tia Blyte sentadas sorrindo ao lado de Simas. E lá no fundo além de Ben também estava Patch. Sorri para eles.

A música começou e eu respirei fundo antes de fechar os olhos.

Comecei a tocar. Sentindo aquela leveza. Aquela sensação ótima saindo de mim.

Cada nota que saia eu me sentia mais leve. Mais feliz.

Quando acabei e abri meus olhos todos aplaudiram de pé. Eu levantei e fiz uma reverência em agradecimento depois sai do palco.

Quando fui finalmente liberada e encontrei com o pessoal na rua eu tinha um enorme sorriso no rosto. Patch tinha ido embora, mas Ben ainda estava ali e lançava alguns olhares de ódio ao Simas.

Nora e Vee correram para me abraçar e eu sorri.

Pela primeira vez em muito tempo eu me senti mais do que feliz. Eu me senti relaxada. Acho que era o fato de saber que era um dever cumprido. Foram meses de ensaios constantes.

E eu sabia que tinha arrebentado.

Tia Blyte me abraçou depois foi a vez de Simas.

— Parabéns.

— Obrigada, Professor. Obrigada mesmo.

— Sempre vi talento em você. — Ele sorriu. — Espero que você continue tocando quando as aulas retornarem. E nunca deixe de ensaiar.

— Não deixarei. — Falei.

Ele se despediu de todos e foi embora. Ben se aproximou e me abraçou beijando minha bochecha.

— Parabéns, Anjo. — Ele sussurrou.

— Ben. — Tia Blyte chamou. — Nós vamos para casa. Você quer se juntar a nós?

— Eu adoraria, Sra. Grey. — Ele falou sorrindo e segurando a minha mão.

Lancei um olhar para ele.

"Só hoje Anjo, só por hoje não me afaste de você!"

Assenti entrelaçando nossos dedos.

O jantar foi simples, mas estávamos todos felizes. Ben conversou alegremente com tia Blyte.

Eu mal conseguia distinguir a verdade da mentira. E era isso que mais me apavorava, eu nunca sabia se tudo o que ele havia me contado era realmente verdade.

Ainda mais que eu sonho todos as noites com aquele maldito pesadelo em que ele tenta me matar.

Notas finais
N.B.: Eita, eita, eita. Será que ele já teve que matá-la com as próprias mãos?? Curiosa estou. Todo esse ciúme faz meu ranço por ele permanecer. Kakakaka bjs bjs. Fhany Malfoy N.A.: Espere pelos próximos capítulos! Bjs. CM Winchester