No domingo passei o dia terminando meus deveres de casa e antes das 7 resolvi me arrumar para sair com Tyler.

Eu não tinha falado nada com Ben sobre isso. Era só uma batalha de bandas. Ele não poderia ficar preocupado com isso. Escolhi um vestido estampado de rosa e branco, cinto rosa e uma sandália preta com pedras em cima.

Me encarei no espelho e quase vomitei. Era muito rosa.

Mas o look tinha ficado bom. Tyler bateu na porta logo depois então não teria tempo de trocar.

— Oi. — Falei.

— Nossa.

— Muito rosa, né?

— Não. Ficou bom.

Peguei minha jaqueta booster preta para quebrar um pouco o look "Marcie" e peguei meu celular. O dinheiro estava no bolso da jaqueta.

Não iria levar bolsa até por que não sabia onde era esse lugar.

Assim que entrei no carro de Tyler ele me entregou uma carteira de identidade falsa.

— Coloquei seu nome, mas troquei o sobrenome.

— Ok. — Falei.

— Tranquila?

— Sim. — Falei sorrindo.

Tyler dirigiu pelo centro de Coldwater até o oposto da cidade. Ele parou em frente um armazém de tijolos cheio de ervas daninhas. Havia uma longa fila de pessoas na frente da porta. As janelas tinham sido tapadas por papel preto e a cima da porta havia uma placa de neon escrito: THE DEVIL'S HANDBAG.

Nós descemos e fomos para a fila. Entramos e o local estava lotado.

— Eu vou procurar a minha banda.

— Você toca em uma banda? — Perguntei.

— Por diversão. — Ele beijou minha bochecha e se afastou.

Estava distraída olhando em volta quando ouvi os pensamentos de Nora. Eles invadiram a minha cabeça em um pedido de socorro. Caminhei para fora do local sabendo que eu poderia entrar a hora que quisesse já que eu tinha um carimbo no pulso.

Corri na rua tentando encontrar Nora até que a encontrei com Vee.

— Nora! — Falei me aproximando e ela me veio me abraçar.

— Pensei ter visto meu pai novamente. — Ela falou e Vee nos abraçou.

— Criança...

— Eu sei. Ele não era real, não era real. — Ela repetiu.

— Você quer falar sobre isso?

— Vamos voltar para o Devil's Handbag. — Nora falou depois me encarou. — Você já estava aqui?

— Sim. Eu vim mais cedo.

— Com quem você veio? — Vee perguntou.

— Com o Tyler.

Nós viramos a esquina e Vee segurou o pulso de Nora.

— É quem estou pensando?

Na metade do quarteirão de cima Marcie estava subindo em um carro. Usava uma micro roupa. Quando o carro virou a esquina reconheci o jipe de Patch.

— Minha nossa do circo de horror. — Vee sussurrou. — Acabei de ver isso? Eu realmente acabei de ver a Marcie entrar no Jipe do Patch?

— Sim. Você viu. — Murmurei.

— Foi só eu ou vocês conseguiram ver o fio-dental vermelho dela por debaixo do vestido?

— Aquilo não era um vestido. — Nora se apoiou na parede.

— Eu estava tentando ser otimista, mas você está certa. Aquilo não era um vestido. Aquilo era um tomara-que-caia esticado para baixo até a bunda ossuda dela. A única coisa que impede que ele volte para sua cintura é a gravidade.

— Acho que vou passar mal. — Nora falou e Vee ajudou ela a sentar na calçada.

— Respire fundo.

— Ele está saindo com a Marcie.

— A Marcie dá. — Vee falou. — Essa é a única razão. Ela é uma vaca. Uma rata.

— Ele me disse que não havia nada acontecendo entre eles.

— Patch é muitas coisas, mas honesto não é uma delas.

— Isso eu tenho que concordar com Vee. — Murmurei e Nora me encarou.

— Isso não é culpa sua. — Vee falou. — Ele foi o canalha que tirou vantagem de você.

— Eu preciso ir pra casa.

— Não, você precisa entra lá e se divertir. — Falei.

Nós viramos para o prédio bem na hora em que um carro policial parou perto da entrada da boate.

Detetive Basso avançou entre as pessoas e mostrou seu distintivo para o cara depois entrou no local.

— Uau. — Vee falou. — Aquele é um policial?

— Sim, ele é velho demais então nem pense nisso. Eu quero ir pra casa. Onde você estacionou?

— Ele não parece ter muito mais que trinta. Desde quando trinta anos é velho demais?

— O nome dele é Detetive Basso. Ele me interrogou depois do incidente com o Jules na escola.

— Basso. Gostei disso. Curto e sexy exatamente como o meu nome. Ele te revistou? — Nora a encarou e eu tentei não rir.

— Não. Ele me interrogou.

— Eu não me importaria de ser algemada por ele. Só não diga isso ao Rixon.

— Vamos. Se a polícia está aqui algo de ruim vai acontecer.

— Ruim é o meu nome do meio. — Vee passou o braço pelo braço de Nora e a arrastou até a entrada do prédio.

— Vee...

— Tem provavelmente duzentas pessoas dentro. Está escuro. Ele não vai te selecionar na multidão, mesmo se ele se lembrar de você. Provavelmente ele já esqueceu de você. Além do mais, ele não vai te prender você não está fazendo nada ilegal. Bem, fora todo o negócio da identidade falsa, mas todo mundo faz isso. E se ele realmente quisesse prender todos nesse lugar ele teria trazido reforços. Um policial não vai controlar essa multidão.

— Como você sabe que tenho uma identidade falsa?

— Você está aqui não está?

— Como você planeja entrar?

— Do mesmo jeito que você.

— Você tem uma identidade falsa? Desde quando?

— Rixon não serve só para beijar. Venha, vamos entrar. Sendo a boa amiga que você é, você nem pensaria em me pedir para sair escondida de casa e violar os termos do meu castigo por nada. Especialmente quando eu já liguei pro Rixon e ele está a caminho.

— Cinco minutos, mas é só isso.

Fiquei na fila com elas depois só mostrei meu carimbo para o cara antes de entrar.

Fomos direto até o bar pintado de preto com banquetas de metal e luzes no teto. Nós nos sentamos.

— Identidade? — O cara do bar pediu e Vee balançou sua cabeça.

— Só uma coca diet por favor.

— Eu vou querer uma cherry coke. — Nora falou.

— Nada por enquanto. — Respondi.

Vee se inclinou para Nora e eu.

— Viu isso? Ele pediu para ver as nossas identidades. Isso não é incrível? Aposto que ele queria saber os nossos nomes, mas estava com vergonha demais para perguntar. — Ele encheu os copos e os deslizou pela bancada os parando bem na frente delas. — Esse é um truque legal! — Ela gritou e ele mostrou o dedo do meio para ela.

Eu gargalhei.

— Ele era baixo demais para mim de qualquer jeito. — Vee falou.

— Sim. Acredito. — Falei.

— Você viu o Scott? — Nora perguntou.

— Uh-oh. Adivinha quem acabou de entrar? Marcie Millar, ela mesma. — Virei para encarar Marcie.

— Achei que ela tinha ido embora! — Nora resmungou. — O Patch está com ela?

— Negativo.

— Estou calma. Consigo lidar com isso. É bem provável que ela nem nos veja. E mesmo que ela veja não vai vir conversar. Provavelmente tem alguma explicação deturpada para ela ter entrado no Jipe dele.

— Exatamente como tem uma explicação deturpada para ela estar usando o boné dele?

Nora colocou as mãos no bar e girou. Marcie estava mesmo usando o boné do Patch. Apertei meu nariz. Como ele poderia ser tão idiota?

— Eu vou matá-la. — Nora falou virando para encarar o bar.

— É claro que você vai. E aqui está a sua chance. Ela está vindo direto para cá.

No segundo seguinte Marcie mandou o cara ao meu lado sair do banco e ela sentou. Ela tirou o boné e balançou o cabelo depois pressionou o boné no rosto.

— Ele não tem um cheiro maravilhoso?

— Ei Nora o Patch não estava com piolho semana passada? — Vee perguntou.

— O que é? — Marcie perguntou. — Grama recém-cortada? Um tempero exótico? Ou talvez... Menta?

Nora baixou o copo com força fazendo a bebida respingar no bar.

— Isso é bastante ecologicamente correto da sua parte. — Vee falou para Marcie. — Reciclar o lixo velho da Nora.

— Lixo gostoso é melhor que lixo gordo. — Marcie falou.

— Engorda isso. — Vee falou pegando sua bebida e jogando em Marcie.

Mas alguém bateu em Vee fazendo a bebida atingir nós 4.

— Olha o que você fez! — Marcie resmungou pulando da banqueta.

— Esse vestido é um Bebe! Você sabe quanto custa? Duzentos dólares.

— Não vale mais tanto assim. — Vee respondeu. — E não sei do que você está reclamando. Aposto que você roubou de uma loja.

— É? E daí? O que quer dizer com isso?

— Com você o exterior reflete o interior. E o exterior é barato. Nada diz “barato” como roubar de lojas.

— Nada diz “gorda” como um queixo duplo. — Marcie rebateu e Vee estreitou os olhos.

— Você está morta. Você está me escutando? Morta.

Estava perdida na conversa quando meus olhos focaram para a porta onde Ben estava entrando e conversava com uma mulher. Uma loira. Ela era linda. E ele estava sorrindo para ela.

— A propósito Nora, achei que gostaria de saber. Patch me disse que ele terminou com você porque você não era vadia o bastante. — Voltei a realidade quando Vee bateu sua bolsa de mão na cara de Marcie.

— Por que isso? — Marcie gritou e Vee bateu do outro lado.

Marcie cambaleou para trás, mas estreitou os olhos.

— Sua pequena...

— Parem! — Nora gritou erguendo os braços.

Todos estavam nos escarando. Até mesmo Ben estava me encarando.

— Vamos todas simplesmente recuar. — Nora falou. — Vee vá pegar o Neon. Te espero do lado de fora.

— Ela me chamou de gorda. Ela merece morrer. Você mesma disse. — Vee falou.

— Como você planeja me matar? — Marcie perguntou. — Sentando em mim?

Vee pegou sua bebida e mirou para jogar em Marcie que se virou para correr, mas na pressa tropeçou na banqueta caída e tombou no chão. Nora e eu fomos para segurar Vee, mas só eu consegui até por que Marcie chutou o joelho de Nora a derrubando no chão. Marcie sentou em cima dela.

— Isso é por roubar o Tod Bérot de mim na quinta série. — Marcie falou socando Nora no olho.

Eu não sabia se pulava em cima de Marcie ou ficava olhando o Detetive Basso vindo na nossa direção.

— Tod Bérot? Do que está falando? Isso foi na quinta série!

— E isso foi por colar aquela foto minha com uma espinha gigante no queixo na página da frente do eZine ano passado!

— Não fui eu!

— E isso é por causa da vagabunda da sua...

— Você é louca!

— Chega! — Empurrei Marcie de cima de Nora.

Ela levantou enquanto eu ajudava Nora a levantar. Marcie agarrou uma bebida e jogou em nós.

— Olho por olho. Você me humilha, eu te humilho.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa Nora socou a mandíbula de Marcie e ela tentou fugir. Nora foi tentar ir até ela, mas Patch a ergueu do chão enquanto a levava para fora. A multidão começou a gritar "Briga, briga, briga". Marcie ficou em pé e mostrou o dedo do meio para Nora.

Agora era a minha vez.

Notas finais
Oie gente! Esse capitulo era para eu postar na véspera de Natal, mas não consegui. Queria dizer Feliz Natal atrasado. E Feliz Ano Novo adiantado. Boas festas. Aproveitem. Se divirtam. E deixe tudo de ruim para trás quando o ano novo começar. Bjs. CM Winchester.