Filhos da Noite

1 Capítulo 1 - Recrutado


Em algum lugar de New States (antiga Nova York), as ruas estavam desertas naquela noite. O lugar estava habitado apenas por gatos que miavam ininterruptamente e uma pessoa com capuz vermelho que estava pichando o muro. Porém, nessa rua, podia encontrar a TICAN, que era um dos data centers do governo mundial onde armazenava diversos dados privados que ninguém poderia acessar.

Hex, um jovem de 17 anos, com suas roupas agarradas feita de um tecido biosintético e um boné preto com o logo de alguma empresa gamer e uma mochila irada com vários penduricalhos, caminha lentamente em direção a entrada do prédio.

Parados na entrada, dois guardas do tamanho de armários, cheios de músculos e carregavam duas pistolas elétricas, que provavelmente apagariam qualquer um que encostasse. O jovem então tirou do seu bolso o celular e com a tecnologia desenvolvida pelo garoto ele abriu então um aplicativo que permitia acessar a rede social de qualquer um que não tivesse uma senha com segunda autenticação. Ao analisar a rede social do primeiro guarda, pode perceber que os dois que estavam ali conversando eram mais do que amigos, e sim amantes! Porém um deles já era casado. Agora ele já sabia exatamente como entrar no prédio.

Começou a fingir que estava correndo e se aproximou da porta do prédio, onde os dois seguranças de cara já quiseram barrar ele.

— Hey, onde você pensa que vai? — Disse o primeiro guarda.

— Tem alguém ali no final da rua tentando pular o muro, só queria informar.

— Vou lá verificar, você cuida aqui da entrada — disse para o outro guarda.

Após o primeiro guarda ter saído, o segundo encarou o rapaz, porém com o pouco tempo que tinha foi logo iniciando a sua artimanha contra o guarda.

— Na verdade eu vim aqui a mando de sua mulher.

— Você conhece a Mi? O que ela quer?

— Eu sou só um amigo, ela me disse que era para avisar você que suas malas iriam ficar para fora essa noite, já que você e seu amigo estão bem apaixonados, acho que você deve ter deixado alguma conversa aberta na sua casa.

Com um olhar de desespero ele saiu correndo. Deixando a entrada livre para Hex.

Ao entrar, algumas câmeras de segurança estavam filmando o saguão, novamente ele tirou o celular do bolso e entrou em um outro aplicativo que permitia congelar a imagem das câmeras por trinta segundos. Tempo mais que o suficiente para ele atravessar aquele lugar.

Chegando em uma sala bem escura, finalmente estava dentro da área onde estavam localizados os data centers. Então colocou sua mochila no chão e tirou o seu notebook e alguns pendrives com sinal bluetooth que encaminhavam sinais para a sua máquina.

— Vamos ver o que eu posso encontrar aqui. — Depois de digitar alguns comandos, apareceram várias informações em sua tela. — Não preciso dos nudes de nenhum funcionário, mas achei os dados de alguns cartões de crédito e... Bingo! Esse contrato com o GM pode ser interessante para o mundo ver o que acontece aqui dentro. Vamos carregar isso para a internet.

No contrato dizia:

"Todos os funcionários devem se submeter ao GM, tendo em vista que quinze por cento de qualquer lucro gerado por eles dentro ou fora da empresa deve ser encaminhado para a empresa.

E cada funcionário deve inserir chips nos celulares de todos os integrantes da família, para que a empresa possa vasculhar seus dados pessoais para verificação de nenhuma forma de difamação possível."

Quando o arquivo terminou de carregar, um sinal sonoro e luzes vermelhas se ativaram. Ele já tinha tudo que queria, bastava apenas sair dali. Ao olhar bem para o ambiente, pode perceber que havia um duto de ar que encaixaria perfeitamente em seu corpo esguio. Sem pensar muito pulou logo de cara e quando se deu conta estava no telhado do prédio.

Dos lados havia alguns prédios menores e como seu treinamento de parkour estava em dia, decidiu pular por eles para poder chegar ao chão.

Depois de algumas manobras e saltos, ele finalmente pousou em uma rua que ficava entre dois prédios. Respirou profundamente e colocou seus fones de ouvido, mas ao dar o primeiro passo à frente uma mão pousou em seu ombro.

Ao se virar, viu aquele mesmo homem que estava pichando o muro na rua da TICAN. O rapaz tirou o capuz e Hex, pode observar mais de perto essa pessoa. Era um homem de provavelmente uns vinte e seis anos, com a pele negra, olhos bem profundos, cabelo raspado e utilizava um brinco em apenas uma das orelhas, ao olhar bem a sua face não parecia que estava com raiva nem nada do tipo.

— Olá, me chamo Arthur, mas todos me chamam de Art. Cara, eu vi o que você fez hoje e foi incrível!

— Oi, como assim você me viu? — Ele então abriu a mão e havia uma espécie de robô aranha — Uau! Isso é um minirrobô?

— Sim, uma das pessoas da minha equipe criou ele para invadir o data center, porém você foi bem mais rápido que ele.

Hex, ficou com as bochechas rosadas, não esperava que fosse receber um elogio por fazer algo errado.

— Qual é seu nome?

— Hex — disse ainda envergonhado.

— Hex, quer se juntar a minha equipe? A gente se chama "filhos da noite", pois só agimos enquanto os outros já estão dormindo e fazemos coisas como a que fez hoje.

Hex sorriu para ele e disse:

— Ok, me mostra a galera.