Filhos da Noite
2 Capítulo 2 - Filhos da Noite
Notas iniciais
Ainda durante aquela mesma noite, em alguma das ruas escuras e desertas de New States, Hex e Arthur estavam caminhando e conversando sobre os detalhes do que havia ocorrido.
— O seu upload está bombando nas redes sociais, tem muita gente falando que está indo comprar um celular novo! — disse Arthur enquanto observa o celular e expressa um sorriso carismático em seu rosto.
— Era essa a intenção.
Ao virarem em uma curva, chegaram a uma rua sem saída, com apenas algumas latas de lixo, uma cabine telefônica bem antiga, e alguns cães que estavam apenas dormindo ali.
— Chegamos, acabei de cadastrar o seu código, veja se não perca!
Instantaneamente chegou uma mensagem no celular de Hex que informava quatro dígitos "4518" e aparentemente iria mudar nos próximos 30 segundos. Ele nem sabia como teria chegado aquela mensagem, porque ainda não tinha dado seu número de telefone para Art, mas deduziu que o hacker já tivesse pegado enquanto caminhavam.
— Art o que é isso?
Antes que o rapaz pudesse dizer algo, foram interrompidos por um barulho, e ao olharem para cima viram um drone todo equipado com caixa de som e microfone e tinha estampado um urso amarelo na parte de baixo.
— Arthur, você está atrasado! Você poderia fazer o favor de marcar uma reunião e seguir o horário marcado? — disse uma estranha voz que emitia do drone — E quem é esse? É o novo recruta?
— Sim, já estamos entrando, e vou apresentar ele para você.
O drone circulou o garoto e foi descendo até passar pela sua bunda e chegar perto de sua região íntima.
— Hey, o que você está olhando? — Disse Hex.
— Você escolheu bem Arthur. — Disse a voz novamente. — Mal posso esperar para ver ele pessoalmente.
O drone então se afastou e o rapaz negro entrou na cabine e depois de alguns segundos o chão da cabine começou a descer. Aquilo parecia algo de filme de espionagem, mas ele imaginou que a senha que ele recebeu iria ser para digitar na cabine, pensou o quanto clichê era isso. Depois de entrar e digitar a senha que recebeu, o chão começou a descer e enquanto descia ele via vários canos de água.
Ao chegar lá embaixo, parecia que tinha entrado em um barracão gigante, cheios de equipamentos tecnológicos, cabos por todo o chão, uma máquina de café que parecia ter pelo menos uns cinquenta anos, peças de computadores espalhadas por todos os cantos, livros de registros, e vários ventiladores, pois o ambiente em que se encontrava aparentemente era muito quente. Quando saiu da plataforma ela subiu novamente para voltar ao seu lugar de origem e Art estava ali esperando ele com aquele mesmo sorriso no rosto.
— E aí? O que achou do lugar?
— É bem legal! É bem grande, porém o calor aqui é meio insuportável.
— Infelizmente não podemos arriscar de colocar ar-condicionado aqui, por isso que temos vários ventiladores.
— Entendi. — disse meio desconfortado
— Mas no seu quarto tem, então pode ficar tranquilo.
— Meu quarto não tem não. — Afirmou Hex — Não tenho dinheiro para isso.
— Ah, eu não digo o da sua casa, eu digo o seu quarto aqui, todos nós temos quartos. Você vai perceber que ter um segundo lugar para dormir às vezes é muito útil — Naquele momento Hex ficou surpreso, não esperava que iria ganhar um quarto e ainda com ar-condicionado — Bom, deixa sua mochila em algum canto para eu te apresentar para a galera.
Ainda achando aquilo tudo muito rápido, ele decidiu manter a mochila nas costas. Então se aproximaram de uma mesa onde uma garota de cabelo preto e com algumas mechas roxas que aparenta ter uns vinte e quatro anos, estava vestida por baixo com uma camiseta com manga comprida listrada de preto e branco e por cima uma outra camiseta de cor preta que deixava seus ombros visíveis, na parte de baixo vestia uma saia quadriculada de vermelho e preto com um cinto de couro preso na cintura e para fechar utilizava um coturno.
— Desculpa a demora. — Disse Art.
— Demora é o meu caralho! Você está no mínimo cinquenta minutos atrasado, tem um pessoal que já até foi dormir! Só tem eu e os gêmeos acordados.
— Foi mal Pyt, vamos deixar a reunião para amanhã mesmo. Deixa-me te apresentar o novo recruta. Esse é o Hex.
Ao olhar para o rapaz, com um olhar perverso encarava a região abaixo do seu abdômen.
— Meu nome aqui dentro é Python, mas pode me chamar de Pyt. — Ela estendeu a mão.
— Hex. — A cumprimentou — como assim seu nome aqui dentro?
— Todos temos apelidos aqui dentro. — Disse Arthur — Como eu faço mais trabalho de busca e fico mais tempo nas ruas meu nome aqui é GPS. Fazemos isso para caso algum dia de algo errado aqui eles não vão poder especificar por qual crime cometemos.
— Entendi, quando irei receber o meu? — Perguntou ansioso
— Assim que encontrarmos um! — Então Arthur começou a gargalhar como se fosse uma piada incrível. — Voltando, a Pyt é responsável pela parte de programação e assistência remota com o drone.
— Legal.
— Venha vamos conhecer os gêmeos.
Então caminharam para um local onde havia vários veículos e equipamentos que Hex nunca tinha visto antes e não fazia ideia de para que serviam. Até que chegaram em uma mesa que tinha dois rapazes idênticos que aparentam ter uns trinta anos, altos, de cabelo ruivo e comprido, estavam vestindo botas e apenas um macacão daqueles de jardineiro, deixando exposto todos os musculosos braços que ambos tinham. Os dois estavam com os olhos presos na tela do computador. Quando se aproximaram viram que ambos assistiam um vídeo onde mostrava vários números passando rapidamente pelo monitor.
— Vocês dois não cansam de ver esse vídeo? — Perguntou Art com indignação.
Os dois se viraram e responderam ao mesmo tempo.
— Não, nem um pouco. Olá Hex! Seja bem-vindo.
— Como sabem meu nome?
— Pyt acabou de mandar mensagem para nós!
— Ah, entendi e vocês são?
Então falaram separadamente:
— Eu sou o ponto. — disse o irmão da esquerda.
— E eu sou a vírgula. — disse o irmão da direita.
— Ah, já entendi, ponto e vírgula, aposto que o pessoal no dia a dia deve confundir vocês.
— Até que não. — responderam juntos — é só observar nossas costas. Tem uma tatuagem indicando quem é quem.
— É sério isso? — Perguntou com estranheza.
— Sim! — Naquele momento os dois homens ficaram nus bem na frente dele e se viraram de costa, mostrando a tatuagem. — Viu?
— Vi bem mais do que eu queria. — falou como se estivesse insatisfeito.
— Hora de ir, vou te mostrar o seu quarto. — disse Arthur.
Em um lugar além do galpão, havia uma sala com diversos containers, alguns ficavam empilhados em cima um do outro, todos tinham portas digitais que necessitavam de um cartão para entrar. O rapaz começou a remexer nos bolsos e então entregou um cartão vermelho com um chip para o rapaz.
— Olha o seu é aquele vermelho ali. Fique à vontade, amanhã conversamos. Se precisar de qualquer coisa o meu é aquele galpão fúcsia. E seja bem-vindo ao nosso time.
Quando entrou no quarto viu que era maior do que esperava, porém parecia que ninguém limpava o lugar há muito tempo, havia uma cama, uma mesa para colocar o computador, várias tomadas, uma cafeteira, um criado mudo, um armário e um porta-retratos eletrônico. Como já estava cansado, apenas colocou sua mochila aos pés da cama e se deitou, após refletir sobre a noite maravilhosa e os amigos que conheceu, se virou e dormiu quase instantaneamente.
Fale com o autor