Filhas das Trevas

6 06 - A jornada irá começar


Notas iniciais
Nunca sei o que escrever aqui, ainda bem que é opcional!

Dois cavalos, lindos e velozes, e seus cavaleiros chegaram na entrada principal de Diviti. Henry e Daniel diminuíram o ritmo.

– Dan, eu sei que deve estar ansioso por voltar para casa, cansado e louco para deitar em sua cama e mal pode esperar para rever a filha do duque, sua amada Windye. Contudo, preciso de você, alguém da realeza deste reino, ao meu lado para contar ao rei, seu tio, sobre a profecia e sobre o papel da princesa nela.

– Claro que irei!

– Não estou lhe ordenando como seu superior na Cavalaria dos Reinos. Estou pedindo como amigo. Aceite apenas se acredita na profecia, se acredita nesta nova missão e se acredita que faremos de tudo para manter sua prima segura. Preciso de ti a meu lado para mostrar ao rei que tenho um nobre de Diviti, e parente dele, confiante no sucesso da missão.

– Mesmo torcendo não sei se acredito nesta profecia. Porém, sendo verdadeira ou não, eu acredito em você, no seu discernimento e capacidade de liderança. Acredito que não apenas Lyra, mas nós Cavaleiros e os povos de todos os reinos estaremos seguros com você comandando a Cavalaria do Reino! Digo novamente, claro que irei com você!

***

O salão principal do castelo está em silêncio enquanto Leon lê o pergaminho, ao terminar, repassa a profecia para as mãos trêmulas de sua rainha, mãe de Lyra. Durante a leitura da rainha Yeda, Leon se mantém mudo, ponderando sua resposta.

– Quem nos garante a autenticidade deste escrito? Não podemos arriscar a vida de nossa querida e única herdeira por algo sem comprovada procedência. — Yeda é a primeira a se manifestar.

– Eu entendo Vossa Majestade, esta ideia também não me deixa feliz e garanto que não estou confortável fazendo o pedido. Adianto que compreenderei caso neguem minha solicitação.

A rainha entrega a profecia ao conselheiro e erudito do reino, durante a inspeção dele Henry continua.

– Contudo, peço que ponderem, não podemos perder tempo e iniciar a missão após estudar a veracidade do pergaminho. Vocês podem ficar com ele para isso, mas o tempo é precioso. Talvez esta seja a última chance que teremos para acabar, definitivamente, com a sombra das trevas sobre nossos reinos!

De surpresa, Lyra entra no salão. Todos os presentes se curvam perante a linda princesa. Os olhos de Henry se iluminam ao ver sua amada passar como brisa até sentar em seu trono.

– Peço desculpas pela minha entrada não anunciada! Também peço perdão por ter ouvido quase toda a conversa! Entretanto, acredito que tenho todo o direito de estar aqui. Afinal, vocês estavam decidindo algo sobre a minha vida.

– Claro que a perdoamos, minha filha! — Responde Leon. — E você está certa! Como rei e seu pai dou-lhe o aval para decidir por si mesma se vai, ou não, nesta aventura mortal com os Cavaleiros dos Reinos.

– Obrigada, meu pai! Eu acredito que nós, como nobres, com nossas regalias, temos o dever de defender o povo. Qual meu papel como princesa, e futura rainha, de Diviti senão fazer o que estiver ao meu alcançe para garantir a segurança da população?

– Mas minha filha!? — Interrompe Yeda.

– Eu sei minha mãe, muitas são as chances de a profecia ser falsa, ou de eu não ser a herdeira citada. Contudo, devemos fazer o possível para nos livrarmos das Luas Vermelhas e acho que os riscos são aceitáveis.

– Aceitáveis, Lyra?! Fico horrorizada apenas por pensar no que você terá que enfrentar. Cruzar os reinos, passar por terras desoladas, selvagens, ser exposta a perigos mortais e malignos! Não são aceitáveis! Eu te amo minha filha, não posso te perder!

– Eu também a amo, mamãe! E amo nosso legado também, quero fazer de tudo para proteger nosso, seu, reino. Me sentirei honrada e muito feliz se eu puder fazer qualquer coisa pelos reinos. Vendo a senhora e papai aprendi a ser, não apenas uma princesa de boas maneiras, mas uma mulher corajosa.

– Oh! Lyra! Me deixou emocionada e sem palavras! Se está tão certa e tão otimista, como mãe e rainha dou minha benção.

– Não sabe quanto orgulho dá a este velho pai e rei, Lyra! Também dou minha benção!

– Eu concordo, Lyra! Mesmo cavaleiros, tremeriam e recuariam perante esta missão! Já conhecia sua inteligência, força e beleza, todavia nunca imaginei que seria uma princesa que extrapolaria os níveis de coragem.

– Não é um ato que necessite de tanta coragem assim, Henry. Sei que serei bem guarnecida, irei com os melhores cavaleiros de todos os reinos! Além do mais, como nobre, também preciso mostrar confiança na eficiência dos Cavaleiros. Como prima, devo confiar nas habilidades de meu primo, representante de Diviti e dos Hupper na cavalaria. Se eu recusasse, o que nossos povos pensariam de nossos protetores?

– Sinto, pois preciso discordar de algo. Se tratando de alguém sem experiência neste tipo de situação, é muita coragem sim. — Comenta Henry, apaixonado.

– Declaro a decisão! Minha filha, Lyra Hupper, princesa e herdeira única do reino de Diviti, irá com os Cavaleiros dos Reinos até o santuário de Filontes. Sua ida e retorno em segurança caberá aos Cavaleiros e pela honra dos mesmos! — Decreta o rei.

***

– Menina Pietra! Você ainda está ferida, ainda não melhorou totalmente de seus ferimentos! Não deve partir agora!

– Eu agradeço muito Viola, a você e seu marido! Eu sou forte e sua ajuda foi o suficiente. Sabe, poucas pessoas em toda minha vida me ajudaram como a senhora me ajudou. Nunca me esquecerei de sua bondade!

– Pietraaaa! — Brendon, filho de cinco anos de Viola, sai correndo e pula no colo da moça.

– Brendon! Você sabe que a Pietra ainda não se recuperou, quer levar uns tapas?

– Tudo bem Viola! Não tem nenhum problema, eu disse que já estou bem, eu fui muito bem treinada! E eu adorei conhecer o Guerreiro Brendon! Pequeno, eu já estou partindo, que tal um beijo de despedida?

– Não Pietra! Fica com a gente, você pode me ensinar a lutar e atirar com o arco! — Pede o menino com lágrimas nos olhos.

– Você é muito criança para lutar. Quando estiver maior, farei de tudo para voltar e te ensinarei o que sei. Pode ser? Promete que não vai chorar?

– Prometo! — Responde o garoto tentando se recompor.

– Para te deixar mais feliz, lhe darei este presente. Eu mesma que fiz.

Ao ver o pequeno arco e a meia dúzia de flechas feitas de madeira, Brendon mostra o sorriso mais luminoso e impressionante que Pietra já viu. Agora, quem estava com os olhos marejados era a moça.

– Vou treinar! — Grita Brendon já correndo para fora da simples e simpática casa.

– A sua família é incrível Viola! Eu adoraria ter crescido em um lar assim! Eu agradeço muito por tudo, de verdade! Agradeça Brian por mim, ele merece uma esposa como você.

– Pietra, eu já disse para ficar mais um tempo…

– Não posso Viola. Preciso deixá-los o quanto antes para segurança de vocês. Você viu minha tatuagem, sabe o que eu sou, viu meu estado quando Brian me achou, eu estava quase morta. Você sabe que meu nome não é Pietra, menti para mantê-los seguros.

Gwyneth, que se apresentou como Pietra, pega suas armas, arco, flechas, wakizashis e a bolsa com mantimentos e vestuário preparados por Viola.

– Os Gatos Negros, quando souberem que sobrevivi, e eles saberão, virão atrás de mim novamente. Eles têm motivos para quererem acabar com minha vida e de quem estiver comigo, eu os traí, fugi deles. Não comente sobre minha estada aqui com ninguém, e não mencione o fato de eu ter sido dos Gatos para seu marido. Para o bem de sua família!

“E o meu também!” — Esconde a moça.

– Adeus Viola!

– Adeus Pietra!

“Por que tenho a impressão de já tê-la visto antes?” — Se indaga Viola.

Viola, antes conhecida por Madame, hoje está casada com seu sempre amado lorde Brian Dalkan. Brian, devido ao enorme amor que sentia por Madame, fugiu de sua família, largou um matrimônio sem amor, sem filhos e cheio de mentiras, escapou de seu sobrenome e da sociedade que o impedia de viver feliz com a dona de seu coração.

Se tornou Brian Kond, casou-se com Viola, verdadeiro nome dela, mudou-se com a nova esposa para o reino de Protegat. Estavan moravando em um vilarejo não muito longe de Dwin, em uma casa sem o conforto no qual Brian vivia, ele se tornou dono de uma taberna. Ele nunca se arrependeu da escolha.

O casal teve sua felicidade completada após o nascimento do inteligente, ativo, lindo e carinhoso Brendon.

***

“Espero, realmente, que eles fiquem bem.” — Pensa Gwyneth já muito distante da pequena casa.

Notas finais
Idem notas do capítulo!