Filhas das Trevas
7 07 - Atração fatal
Notas iniciais
Gwyneth estava caminhando há quatro horas sob o sol escaldante de Protegat. Desde que saiu da casa de Violet não encontrara sinal de civilização, até agora. Sabia que estava nos limites da próspera cidadela Dwin.
Com sua visão treinada e afiada, Gwyneth pôde detectar uma pensão cento e trinta metros adiante. Encontrar pessoas poderia ser perigoso. Afinal, passados alguns meses desde a vingança pública que realizou no vilarejo, onde nascera, seu retrato falado estaria espalhado por todos os reinos.
Todas as autoridades já saberiam que ela, Gwyneth, era uma Gato Negro e pior, por ser filha da atual Lua Vermelha, a grande candidata a ser o próximo receptáculo das trevas. Além disso, os Gatos Negros, que possuíam espiões por toda parte, poderiam ficar sabendo que Gwy sobrevivera.
Aparecer em um lugar com muitas testemunhas era um risco, mas a garota renegada precisava de informações para planejar seus próximos passos, precisava de comida e de um lugar minimamente confortável para passar o resto da tarde e a noite, Gwyneth sabia que não estava com a saúde recuperada por completo, apesar de ter teimado o contrário com Violet.
Resolveu enterrar seu arco e flechas por ali, antes de se aproximar da pensão, para não levantar suspeitas. Estava muito cansada e decidiu que iria fazer perguntas, se inteirar dos assuntos dos reinos, no dia seguinte pela manhã. Precisava dormir para recuperar todas as suas forças.
***
Naquele mesmo dia os Cavaleiros dos Reinos, juntamente com a princesa, estavam reunidos em Dwin. Henry, Daniel e Lyra foram os últimos a chegar, já no final da tarde, por terem vindo de Diviti, o reino mais distante do ponto de encontro.
Dwin fora uma aldeia que cresceu com o comércio próspero. Por ser uma região fronteiriça, poderia ser cenário de tensões e disputas territoriais, e foi por um longo período há muito tempo. Hoje era uma das cidadelas mais importantes de Protegat devido a sua localização. Era vizinha de Puriton ao norte, de Vis ao sul, das Terras Livres a leste e comercializava com os habitantes dessas três regiões.
Por ser a alta temporada do comércio, todas as estalagens de Dwin estavam praticamente lotadas. André conseguiu alugar um quarto impecável na melhor das pensões da região, contudo, foi necessário despender-se de quase todo o ouro que possuía. O que restou deu apenas para reservar um dormitório comum, em uma pensão lamentável.
Os estalageiros de Dwin só alugavam quartos com pagamento adiantado e quando o demais Cavaleiros chegaram com uma quantidade maior de proventos, havia apenas colchões e tendas de acampamento disponíveis para locação.
Henry esperava que Dwin fosse o local para um repouso confortável antes da dura viagem até Filontes. Se decepcionou, mas ficou aliviado que ótimas instalações estavam garantidas para Lyra, Daniel também dormiria no quarto para garantir a segurança da prima e princesa. Dahlia ficaria com o outro quarto alugado. Os demais, assim como Henry, ficariam cada um em uma tenda.
***
Gwyneth dormiu por algumas horas e já se sentia completamente bem. Resolveu adiantar seus planos e foi até a taberna mais agitada para ouvir as últimas notícias. Não podia acreditar no que ouviu.
“Os Cavaleiros e a princesa de Diviti estão aqui? Encontraram uma forma de matar Lua Vermelha e estão em busca da mesma para aniquilá-la? Preciso chegar mais perto deles para averiguar! Não vou conseguir nada usando armas, mas… Como os Cavaleiros são homens, com exeção de uma, eu sou mulher e posso usar outras armas para fazê-los falar. Só preciso saber em qual taberna eles estão.”
***
Henry nunca foi um grande farreador, como seus companheiros de luta, porém, depois de duas cansativas missões seguidas, precisava relaxar, beber e se divertir um pouco.
“Quem sabe, escolho uma mulher para aquecer minha tenda? Não pedi a mão de Lyra em casamento até então, ainda sou um homem solteiro e, pela alta temporada, Dwin está cheia de mulheres disponíveis.”
Henry e os Cavaleiros homens, com exceção de Daniel que era parcialmente comprometido e atual vigia de Lyra, foram para a taberna mais aclamada de Dwin.
***
“Homens são tão previsíveis! Evidente que viriam para a taberna com o maior número de prostitutas! Vou fingir ser uma delas, não precisarei fazer nada além de embebedar um deles para que o sujeito abra o bico. Assim que conseguir minhas informações vou embora.”
Depois de alguns minutos, o príncipe percebe ser o único do grupo sem uma acompanhante. Passaram muitas moças perto dele, todas tentando agarrá-lo, e nenhuma delas despertou o interesse do herdeiro Cayla até que ele viu… A ruiva, no mínimo, poderia ser considerada estonteante, curvas sinuosas, lábios carnudos, andar lento e sensual.
Henry nunca tinha ficado pronto, excitado, apenas ao olhar alguém. Aquela mulher causara uma combustão instantânea em todas as partes do corpo dele. Ela era sexy, misteriosa, com um olhar desafiador e estava andando em sua direção.
“Acredito que achei minha acompanhante! Muita sorte a minha ter esperado!”
“Ele tem um olhar intenso! Este príncipe é bonito mesmo e tem um corpo perfeito! Acho que não vou embora logo depois de conseguir as informações... Talvez eu possa usufruir daqueles músculos.”
André é o único Cavaleiro, além de Henry, que nota a aproximação da moça e também fica embasbacado com a mulher mais incrível que já vira. Quoa, no mesmo instante que se viu querendo aquela mulher, desistiu. Primeiro, porque estava acompanhado. Segundo, e mais importante, percebeu o magnetismo entre o príncipe de Protegat e ela.
Gwyneth chegou ao destino, a mesa ocupada pelos Cavaleiros dos Reinos. Parou em frente a Henry e com toda sua impetuosidade se apresentou.
– Olá meu príncipe! Me chamo Pietra! Posso pedir vossa permissão para acompanhá-lo durante vossa estadia em Dwin?
Henry não encontrou as palavras, apenas acenou com a cabeça, concedendo a permissão. Gwyneth sentou-se no colo do príncipe e o surpreendeu ainda mais. Minutos, e muitas carícias bem íntimas, depois Gwy percebeu que Henry bebera praticamente nada.
– Percebi que vossa majestade quase não bebeu.
– É verdade, não sou de beber muito. Quase nunca o faço, e quando faço é sempre em pouca quantidade.
“Não contava com essa! Terei que procurar indícios da verdade no quarto em que ele está hospedado.”
– Se já terminou por aqui… Por que não vamos até seu quarto? Nosso tempo será muito melhor aproveitado lá, apenas nós dois.
Henry se levanta imediatamente, despede-se de seus amigos e guia Gwyneth, para ele Pietra, até a tenda. Ao ver que o príncipe não está hospedado em um quarto, a sobrancelha esquerda de Gwy se levanta, demonstrando confusão.
– Não chegamos a tempo de conseguir melhores instalações. — Responde Henry, sem ser perguntado, ao perceber a expressão questionadora da garota.
– Mas você é o príncipe herdeiro, porque não usou seu título para exigir seus direitos?
– Eu não acho justo. Não tenho o direito de tomar o que quero apenas por ser príncipe. Além do mais, já dormi em locais muito piores por conta da minha missão de proteger os reinos, estou acostumado com o chão duro e friagem.
Henry, ao notar a expressão de surpresa de Pietra, não sabe a razão, ficou orgulhoso de si mesmo.
“Nunca fiquei deste modo! Eu não deveria ficar desta maneira por conta de uma garota dessas! O que ela fez comigo?” — Pensa o rapaz.
“Ele pisoteou nas minhas primeiras impressões, humildade e honra são características que eu não esperaria de um príncipe que viveu cercado de privilégios. Este Henry não é como eu imaginava. Eu me sinto muito atraída por ele, até demais, e como nunca antes!” — Admite Gwy para si mesma.
Gwyneth entrou prestando atenção em cada detalhe do local. Para Henry, o ato significava apenas a curiosidade da moça por ser a primeira vez que visitava a privacidade de um príncipe. Mas na verdade, ela estava procurando por indícios e informações. Não encontrou nada em sua inspeção superficial.
“Droga! Vou precisar esperar, assim que ele dormir poderei começar a procurar direito.”
Ao se virar, Gwyneth perdeu a respiração e o compasso dos batimentos por alguns segundos. Henry havia tirado a túnica que vestia, estava com tronco e braços desnudos, musculosos e suculentos.
A visão dele, sem parte das vestimentas enquanto lavava o rosto com a água de uma bacia, a deixou completamente quente e acesa. Parte da água, que ele jogava no rosto, caia sobre o peito perfeito dele e seguiam até o cós da calça.
“Ele sabe o quanto é atraente? Eu quero percorrer o caminho destas gotas, e ir um pouco mais além!”
O príncipe pegou uma toalha para enxugar-se; Gwyneth, que via a cena em câmera lenta, sem perceber soltou um gemido; Henry, que até então estava alheio aos olhares da moça, ouviu aquele gemido e no mesmo instante foi dominado pelo desejo urgente.
Em um rompante Henry se virou para Gwyneth e a atacou, a beijou intensa e duramente. A mulher não recuou, respondeu com a mesma intensidade no colo dele e com as pernas ao redor da cintura do homem, as mãos dela tomavam o tórax dele, seus cabelos, nuca e depois arranhavam-lhe as costas.
Ele era forte, conseguia beijá-la, apalpá-la, sugá-la, mordê-la e beijá-la, enquanto a segurava usando apenas os braços. Braços que ela ali, naquele instante, achava ser a melhor coisa do mundo.
Ela queria tirar o resto da roupa dele, averiguar se o que estava por baixo daquela peça também era perfeito. O príncipe estava com os mesmos pensamentos. Naquele instante, vê-la nua era o único objetivo de vida dele, poderia morrer depois de ter aquela mulher.
Ambos tiveram seus anseios realizados. A noite foi regada a paixão, entrega e prazer. Só pararam porque a exaustão tomou conta dos dois, dormiram profundamente, entrelaçados e Gwyneth com a cabeça sobre o peito de Henry.
Só acordaram, pela manhã, com os gritos desesperados e nervosos de Umbo que empunhando sua alabarda entrou na cabana de Henry, seguido por André, Teles e Peter, os três também armados e alertas.
.
Fale com o autor