Notas iniciais
Imaginem que essa da capa é Paola Gelardino!

— Ok, ok... – Ward pigarreou e eu me soltei de Coulson. – Já podemos ir?

— Claro... Mandem noticias da Daisy, por favor! – eu pedi ao Coulson pouco antes de me despedir.

Caminhamos todos em silêncio até chegarmos a uma nave gigante que eles chamam de quinjet.

Grant carregou minhas malas como um bom cavalheiro e as guardou para mim. Acomodamos-nos e eu coloquei meus fones de ouvido. Não queria falar com ninguém. Queria apenas refletir. No meu celular, com quase nada de tecnologia, afinal havia sido dado por minha mãe há cinco anos, coloquei para tocar um bom e velho rock ‘n’ roll: Led Zeppelin – Stairway To Heaven.

Esta música me lembra de minha mãe. E eu me concentrava em interpretar com cuidado cada um de seus trechos enquanto observava o céu pela janela do quinjet:

Há uma dama que acredita que tudo o que brilha é ouro

E ela está comprando uma escada para o paraíso

E quando chega lá ela percebe que, se as lojas são próximas

Com uma palavra ela consegue o que veio buscar...

Aos poucos, algumas lembranças surgiram em minha mente. Uma delas era muito feliz: Minha mãe, em um dia de folga dela, chamou Jessica e me levaram para passearmos no canal de Veneza. Que vista maravilhosa! Que tranquilidade! Naquele dia a paz e a alegria reinava em seu rosto. Ela estava linda, com seus longos cabelos loiros e seus olhos azulados. É realmente inegável que puxei os traços dela! Não sei como meu pai é... Mas eu sou a minha mãe em miniatura!

Depois de cruzarmos todo o rio, fomos a um restaurante chique, onde comemos muito. Minha mãe me fazia cócegas na barriga enquanto esperávamos a comida e Jessica fazia caretas para mim. Acho que eu tinha uns oito anos na época.

Naqueles tempos, eu não pensava que minha mãe não me amava, naquela época eu nem sabia o que era S.H.I.E.L.D.! eu só sabia que minha mãe trabalhava muito ao ponto de passar várias datas comemorativas longe de mim. Entretanto, eu era compreensiva e naqueles tempos, a única coisa que eu perguntava era sobre meu pai.

Inclusive, neste dia, ouve um episódio que aflorou minhas dúvidas sobre meu pai!

Flashback on:

Vi o garçom servir o vinho para minha mãe e lhe jogar um sorriso charmoso. Era um homem bonito, loiro, de olhos negros, alto e forte.

— Huuuuuum, dona Paola arrasando corações! – brincou Jessica enquanto caí na gargalhada.

— Pare com isso Jessica! – ela advertiu com o rosto corado enquanto riamos.

— Acho que a pequena Victória ia gostar de ter um papai, não é mesmo? – Jessica olhou para mim, enquanto minha mãe ficou extremamente séria.

— Mãe, por que eu não tenho pai? – ela fuzilou Jessica com o olhar.

— Porque a mamãe não tem tempo nem para ela, imagina para cuidar de um homem?

— Mas homens dão trabalho?

Ela riu com minha pergunta.

— De certa forma... Sim!

— Puxa, então nunca quero ter um homem para mim! – falei sem ter muita noção daquilo, o que as fez caírem no riso.

— Mas o garçom poderia ser seu pai, né, Vick? – Jessica continuou provocando minha mãe.

— Eu queria mesmo ter um pai de verdade! – suspirei triste e cruzei os braços na mesa, apoiando minha cabeça neles.

Vi minha mãe chamar a atenção de Jessica, mas logo o garçom bonitão voltou e serviu um pouco de vinho para minha mãe e para minha babá. Enquanto ele deixou para minha mãe um guardanapo com o número de telefone dele.

Lembro que depois Jessica continuou causando com minha mãe que se sentiu envergonhada e parecia um tomate de tão vermelha que estava. Eu só ria e me divertia com tudo aquilo.

Flashback off.

Aquelas lembranças provavelmente me fizeram sorrir, pois vi Peter, o Homem-Aranha sorrir me olhando. Ele também estava de fone e tiramos ao ver a cara de bobo alegre um do outro.

— Oi! – Ele me cumprimentou pela primeira vez naquele dia.

— Oi! — Ri com a cara de bobo dele.

— Está ouvindo algo engraçado?

— Não... Pelo menos não acho Led Zeppelin engraçado. – Rimos.

— Vi seu sorriso aí com cara de boba! – fuzilei-o com o olhar.

— Boba? Quem está com cara de bobo é você! – rebati e ele apertou os olhos fingindo estar com raiva.

— Boas lembranças? – perguntou.

— Sinto saudades dessas! – dei um longo e triste suspiro. – E você?

— Na verdade, ri da sua cara de BOBA – deu ênfase só para me irritar. – Mas, gosto de ouvir música e olhar pela janela. Fico me sentindo num videoclipe triste!

Eu ri com a comparação dele. Realmente, era assim que me sentia quando ouvia música e lembrava das coisas boas da vida. Era como se estivesse em um videoclipe melancólico.

— A vida não podia estar mais louca para mim do que agora que descobri ter superpoderes! – afirmei tentando mudar de assunto.

— Normal... Eu quando descobri ser um, também fiquei assustado! Mas lembre-se: Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades!

Processei por um tempo aquela frase:

— Vem cá, já vi isso em um filme! (N.A. R-E-F-E-R-Ê-N-C-I-A!)

— Sério? Meu tio Ben que me falou isso pouco antes de morrer! – Vi a tristeza em seu olhar.

Esse garoto tem algo semelhante a mim!

— Você tem namorada? – perguntei tentando animá-lo.

— Não... Só uma garota da escola, Betty Brant, que eu sou a fim dela, mas ela nem se importa comigo!

— Huuum... Já pensou na técnica do desprezo?

Ele riu com minha pergunta.

— Como vou desprezar alguém que sou apaixonado?

— Difícil... Mas não impossível! Já usei essa técnica com meu ex!

— Mesmo no orfanato você conseguiu namorar?

— Não... – inclinei meu corpo mais para frente. – Esse daí durou só dois meses! Foi um pouco antes de completar 13 anos!

— Começou cedo, hein! – ele brincou e lhe dei um pequeno chute.

— Pois é... Perdi meu BV com ele e o que recebi em troca foi um par de chifres!

— Uh! – ele exclamou. – Prefiro ficar na sofrência do que pensar que estou sendo traído!

— Tenha certeza que é muito melhor! – dei de ombros e ele riu.

— Pessoal, atenção! – chamou T’Challa. – Iremos pousar! Já chegamos à base dos Vingadores!