Filha de um Estranho - Duas Temporadas

11 Primeiro dia na S.H.I.E.L.D. - Parte 2


— Foi ela! Foi a novata! – Ward apontava para mim que estava sentada em um canto da sala com a cabeça entre as pernas. Eu sentia medo!

— Victória? – Stephen ergueu uma das sobrancelhas assustados e vi seus sapatos caminharem até mim. – Victória, por favor, olhe para mim!

Com lágrimas nos olhos e o peso da culpa sobre meus ombros, levantei a cabeça devagar e o encarei. Ele parecia assustado. Ao fundo, vi Coulson e May verificando o pulso de Daisy que estava fraco.

— Ela estava com os olhos amarelos antes disso acontecer! E não é a primeira vez que algo estranho acontece com a presença desta garota, na festa, quando Daisy deu o ataque de ciúmes, ela só parou porque Vick transmitiu seu medo para ela, o que a fez assustar e sair correndo! – Ward explicava tudo para Strange, enquanto eu continuava assustada.

— Vai ficar tudo bem, ok? – Stephen encostou sua mão esquerda gelada em meu rosto. Em meio ao meu pranto, apenas assenti. – Precisamos conversar com o Stark sobre isso... – Ele estendeu sua mão para que eu me levantasse.

Andamos em silêncio pelos corredores da S.H.I.E.L.D. enquanto Stephen tentava ligar para Stark, mas sem sucesso. O telefone apenas chamava e ninguém atendia. Coulson e May levaram Daisy para um centro médico dentro da própria organização. Enquanto Ward e Fury foram para a sala de reuniões conversarem sobre qual seria meu destino. Eu ainda estava preocupada. Sentia como se a vida de Daisy estivesse se esvaindo pelas minhas mãos.

—ALÔ? – gritou Stephen tirando-me dos devaneios enquanto ouvi a conversa dele ao telefone.

— Oi, Stephen? – a voz do outro lado perguntou. Era Rhodes.

— O Stark está aí? – Stephen perguntou enquanto me encarava com o telefone colado ao ouvido.

— Ele estava aqui comigo, me ajudando na fisioterapia. Por quê?

— Venham para a base da S.H.I.E.L.D. Rápido, tem que ser urgente! Todos vocês!

— M-mas por quê? – Rhodes perguntou confuso.

— Apenas façam! – o Doutor bateu o telefone e bufou.

Saiu andando sem nem trocar uma palavra comigo e eu apenas o segui. Entramos na sala de reuniões onde estavam Fury, Ward, May, Coulson, uma mulher branca de cabelos curtos e uma loira.

— Victória, sente-se, por favor! – pediu Coulson com tom fraternal, porém seu olhar era preocupado enquanto me estendia uma cadeira.

— A Daisy vai morrer? – ignorei o gesto dele e cortei quaisquer formalidades com minha pergunta.

— Não... Mas ela passou perto... Por culpa sua! – A mulher de cabelos curtos se pronunciou.

— Não fale assim com ela Maria! – Ward protestou e ela rolou os olhos. – Aposto que ela nem sabia dos superpoderes dela...

— SUPERPODERES? – interrompi indagando com a voz alta.

— Bem... É... – Grant começou a gaguejar.

— Você domina magia! – exclamou Fury com as mãos cruzadas e os cotovelos apoiados na mesa – Precisamos saber do que você é capaz!

— MAGIA? – eu continuava falando alto em meio ao caos que se formou na minha mente. – Eu nunca fiz nada disso...

— Nós sabemos! – Stephen apoiou sua mão em cima do meu ombro, próximo ao meu pescoço. – Queremos saber como e por que os seus poderes só se liberaram agora!

Eu não sabia se chorava, se gritava, comemorava ou me matava! Até que a mulher loira resolveu quebrar o clima tenso:

— Bem-vinda ao clube! Aqui tem muitos inumanos...

— Quem são esses? – eu me mantinha tensa e séria.

— São caras tipo a Daisy... – ela tentou me explicar.

— Bobbi, — May a chamou. – Ela não deve ser inumana... Temos que descobrir como ela adquiriu esses poderes!

— Não há histórico de que Paola mexia com magia, né? – Bobbi perguntou.

— Não... A Paola era uma agente como qualquer outro, treinada em luta e estratégias! – Coulson afirmou.

— Você também conheceu minha mãe? – perguntei e ela apenas afirmou com a cabeça. – O que pretendem fazer comigo? O mesmo que fizeram com ela? – eu comecei a chorar de novo em desespero.

— Não... – Stark surgiu do nada com os Vingadores por trás dele. – Você vai se tornar uma Vingadora!

— O que? – Fury levantou-se rapidamente da mesa indignado. – Ela não teve treinamento nenhum de luta e estratégia! Ela é uma agente da S.H.I.E.L.D. e precisa de treinamento com um Gestor Supervisor!

— Acho que temos a solução para o problema! – Stark olhou para T’Challa que o encarou de volta. – Aqui está nosso professor de artes marciais! – bateu no ombro do Pantera Negra que apenas sorriu. – E aqui – Tony caminhou até Estranho e apoiou o braço em seus ombros. – temos o professor que vai ensiná-la sobre a magia! – Stephen não pareceu gostar muito da ideia.

— E aqui – Grant apontou para si mesmo fazendo com que todos o olhassem. – está o Gestor Supervisor dela!

— Ótimo! Isso! – Stark aplaudiu sarcástico.

— Acham que é simples assim? – Coulson indagou nervoso. – Eu preciso dela para minha equipe!

— E você a teria... se ela não tivesse potencial de ser uma super-heroína! – Stark bateu no ombro de Coulson a fim de confortá-lo.

— Fury... – Maria chamou-o e ele apenas afirmou com a cabeça.

— Perfeito! Temos o aval do caolho, então, Grant Ward, Victória Gelardino... Sejam bem-vindos aos Vingadores! – Quando Stark terminou de falar aquilo meu coração queria saltar para fora do peito.

Nunca me imaginei tendo superpoderes. Eu estava sem reação, inexpressiva. Enquanto eles me parabenizavam.

— Arrume suas malas, amanhã já começaremos o seu treinamento! – T’Challa me orientou e eu fiquei ainda um tempo ali, parada, processando a mensagem.

Ward me puxou pelo braço para irmos arrumar nossas coisas. Eu o segui como se tivesse sendo arrastada. Sentia-me fora de órbita.

P.O.V. Stephen Strange:

Enquanto Ward arrastou Victória para fora dali, foi a oportunidade que tive para atacar Stark:

— Você é louco ou o que? A garota é novata! Ela pode prejudicar a nossa equipe!

Ele apenas revirou os olhos e começou a argumentar:

— Primeiro de tudo: Estamos desfalcados! Desde que o senhor certinho dos dentes perfeitos com sua turminha resolveram ir contra as leis, ficamos com uma equipe reduzida. Para piorar a nossa cavalaria, — Stark olhou para May que o fuzilou com os olhos. – Natasha resolveu se bandear para o lado deles. Segundo: a única que sabia de magia, Wanda Maximoff também ficou do lado anti-registro, ou seja, talvez seja importante ter mais alguém com poderes mágicos em nossa equipe para nos ajudar a salvar o mundo! Terceiro: ela é novata, mas vai ser treinada pelos melhores! Eu confio em você, confio no T’Challa e confio no Ward, portanto, para mim, vocês irão se sair muito bem. Mais algum questionamento Estranho?

Realmente, os argumentos de Stark eram extremamente convincentes. Apenas fiquei quieto e preferi que T’Challa nos contasse como faria o estudo da aquisição dos poderes dela e qual tipo de super-heroína ela era. Naquele instante, lembrando-me do que Fury falou sobre a ameaça dos inumanos, aproveitei para contar aos outros sobre o exercito de inumanos, o obelisco e a H.Y.D.R.A.

Após ouvirem tudo que Fury e eu sabíamos sobre a historia, os presentes ficaram boquiabertos.

— Então temos que tomar cuidado com a Victória... se ela for inumana, a H.Y.D.R.A. irá buscá-la! – tirei minhas próprias conclusões e eles entenderam meu raciocínio.

Começamos a discutir sobre os possíveis planos da H.Y.D.R.A. quando fomos interrompidos por Victória e Ward que traziam suas malas:

— Estamos prontos! – afirmou o agente.

— Coulson... – Victória colocou a mala no chão e se dirigiu diretamente para ele. – Promete que mesmo eu não ficando aqui, você não vai desistir de achar meu pai?

— Mas não é Tony Stark? – ele perguntou lembrando-se da revelação que Tony fez na festa do dia anterior e que estava presente em todas as manchetes de jornais.

— Ah, poupe-me Coulson! – Stark riu. – Você acreditou? Era só para me promover! Ela pode até ser... Mas não que eu saiba! – deu de ombros.

Coulson me voltou o olhar novamente:

— Eu vou achar seu pai, eu prometo! – afirmou convicto enquanto Victória o abraçou contente.