Filha de um Estranho - Duas Temporadas
10 Primeiro dia na S.H.I.E.L.D. - Parte 1

— O prazer é todo nosso, diretor Fury! – cumprimentou Stephen, enquanto eu continuava bugada tentando entender do por que aquele home usava um tapa-olho. Um pirata talvez?
— Senhorita Gelardino, sou diretor Nick Fury da S.H.I.E.L.D., — estendeu-me a mão e eu a apertei forte. – tive o imenso prazer de conhecer sua mãe... Paola era uma das minhas melhores agentes e tive a oportunidade de realizar várias missões com ela. – Quando ele falou da minha mãe, meu coração apertou contra meu peito. O que a tornou uma mulher extremamente dedicada à S.H.I.E.L.D. ao ponto de se esquecer de sua vida com a família?
— Estamos procurando a treinadora da Victória, o senhor sabe quem é? – perguntou Estranho cortando meus pensamentos.
— Sei sim, sigam-me, por favor! – Fury fez um sinal de “vem” com as mãos e caminhamos seguindo-o.
Stephen e Fury conversavam algumas coisas que eu não quis prestar atenção, estava fissurada em ver aquelas grandes paredes escura e corredores largos. Ali parecia, de certa forma, o orfanato onde passei os últimos cinco anos. Só que de uma forma diferente, ali havia companheirismo, lealdade, seriedade e um ar familiar ao mesmo tempo.
Enquanto caminhávamos, observei várias salas. Em uma delas vi vários agentes que aparentavam ter a mesma idade que eu atirando em uns bonecos brancos. Surpreendia-me como eles tinham uma mira boa! Em outra, vi agentes lutando artes marciais, o que também me surpreendia, pois eram muito bons, vi até um dar um mortal! Em outra, vi uma reunião de cientistas. O que será que eles estão tramando ou estudando?
Minha distração foi interrompida por Fury:
— Ei, aqui é sua sala! Coulson está te esperando, seja bem-vinda à S.H.I.E.L.D.!
Dei um sorriso involuntário. Eu finalmente teria algo próximo de uma família. Pelo menos, eu acho! Agradeci a Fury e dei um beijo na bochecha de Stephen. Ele sorriu com o gesto e acenou quando eu já estava abrindo a porta.
— Senhorita Gelardino, até que enfim! – saudou-me Phillip com sarcasmo.
— Desculpe, eu realmente não...
— Tudo bem, vamos ao que interessa! – ele me interrompeu e apontou para uma mulher alta de cabelos pretos e olhos puxados. – Esta é sua treinadora, seu nome é Melinda May!
— Victória Gelardino?! É um prazer conhecê-la! Espero que você seja tão bom quanto a sua mãe em luta... – PORRA, POR QUE TODO MUNDO TEM QUE ME LEMBRAR DA MINHA MÃE? QUEREM ME FAZER CHORAR?
— Eu espero chegar aos pés dela! – afirmei e May me guiou a uma sala de treinamentos. Coulson nos seguiu logo atrás com um caderno nas mãos.
Chegando à sala, dei de cara com quem não queria ver: Daisy e Grant! Eles estavam treinando, mas ela parou a me ver e senti uma tremedeira quando vi o olhar fatal que ela me lançou. Não foi uma das tremedeiras causadas por ela, mas sim porque eu estava apavorada com o que ela é capaz! Ward tentou ser gentil e me cumprimentar, mas passei reto por ele e me posicionei para May começar a me explicar alguns golpes.
P.O.V. Doutor Estranho:
Depois de Victória adentrar a sala, Fury disse que queria falar comigo e prosseguimos pelos corredores da S.HI.E.L.D. enquanto conversávamos. Ele havia comentado no momento em que levávamos Vick à sua sala, algo sobre pessoas se transformando e ganhando superpoderes através de uns cristais, mas nada que eu entendesse.
Agora ele disse que achou uma grande ameaça e que queria falar comigo para ver se eu entendia alguma coisa. É, este dia está mais estranho do que eu!
Chegamos à sala de reuniões e Fury puxou uma cadeira para que eu me sentasse. Ele caminhou até um cofre e trouxe uma espécie de pedra azul.
— Esta pedra, senhor Strange, é o obelisco! Descobrimos que é kree e foi a responsável pela transformação da Daisy numa inumana. Só que acontece, que um navio da S.H.I.E.L.D. carregando cristais terrigênesis, com poder semelhante a esta pedra, foi estraçalhado no mar por agentes da H.Y.D.R.A., o que causou uma contaminação das vidas marítimas... – ele fez uma pausa e suspirou. – Agora, existem várias pessoas por aí, transformando-se em inumanos!
Eu fiquei boquiaberto com aquilo tudo. Achava que essa história dos krees eram lendas.
— E por que está contando isso para mim? E por que agora?
— Porque a H.Y.D.R.A. mais que ninguém, tem interesse neste artefato, pois a lenda diz que aquele que possuir este artefato em mãos poderá dominar o mundo! Eu não falei nada antes, pois os Vingadores estavam envolvidos naquela merda daquela Guerra Civil. Mas agora, preciso de toda ajuda possível de vocês para que esta pedra não caia em mãos erradas. E você, Stephen, mais que ninguém, sabe que a H.Y.D.R.A. mais cedo ou mais tarde vai vir buscá-la, você viu este perigo através da sua bola de cristal!
— É o Globo de Agamotto! – corrigiu e Fury revirou os olhos. – Então, você acha que aquilo que apareceu no meu Globo de Agamotto, de uma guerra de inumanos contra humanos é relacionada à H.Y.D.R.A.?
— Quem mais iria querer dominar o mundo com um exército de inumanos?
P.O.V. Victória:
— Victória, concentre-se! – May já estava ficando irritada comigo, pois eu não conseguia me concentrar com Daisy ali, me fuzilando.
— Pode pedir para os agentes saírem, por favor? Não consigo me concentrar com tanta gente me olhando! – pedi e antes que ela falasse qualquer coisa, Daisy caminhou em minha direção.
— Engraçado... Não gosta de ser o centro das atenções, mas fica se pegando com o boy das outras numa festa... Não gosta de ser o centro das atenções, mas entra na festa de braços dados com Stark e se assume como filha dele... Muito engraçado... Curioso, até, eu diria! – ela me encarava erguendo as sobrancelhas e meu coração queria pular pela minha boca com raiva e medo.
— Daisy, deixe-a em paz! – Ward pediu apoiando a mão no ombro dela, que tratou de tirá-la imediatamente e continuou a caminhar até mim, parando de frente comigo.
— Aqui não tem lugar pra nós duas!
— Daisy! – May tentou chamar sua atenção, mas ela continuou.
— Aqui não é seu lugar
— Daisy! – May a chamou novamente e meu coração batia cada vez mais rápido.
— Agora entendo porque sua mãe se dedicava tanto à S.H.I.E.L.D. e pouco te dava atenção. Você só deve ter dado desgosto para ela...
— DAISY, CHEGA! – May tentou gritar, mas Daisy, furiosa jogou uma onda sísmica nela, fazendo-a bater na parede e cair de cara no chão.
— May! – chamou Coulson correndo para ajudá-la, enquanto Daisy caminhou para mais perto de mim, colando nossos corpos.
— Você não tem nenhuma habilidade, não sei por que foi recrutada para cá! Sua mãe poderia até ser uma boa agente, mas você... – riu com desdém. – Você não passa de uma órfã, mal amada.
— CALE A BOCA! – gritei.
— O quê? – ela perguntou.
Senti uma forte pressão na minha cabeça e abaixei-a com minhas mãos grudando em meus cabelos devido à dor.
— EU MANDEI VOCÊ CALAR A BOCA!!! – gritei com uma voz grossa, irreconhecível até mesmo por mim.
Vi o medo aparecer no olhar de Daisy enquanto sua boca escancarou-se:
— Ela tá possuída... Os olhos dela estão amarelos! – ela disse olhando para Ward que também estava assustado.
— Victória, por favor, se acalme! – ele pedia de forma serena.
Mas eu senti certa explosão de raiva dentro de mim. Gritei e de repente uma grande árvore surgiu naquela sala. Não era uma árvore comum, ela se mexia. Seus troncos eram como braços e um destes braços levantou Daisy pelo pescoço, fazendo-a quase perder o ar.
— Meu Deus, alguém traz um machado para eu cortar isso? – Ward olhava aquela cena tão assustado quanto eu que me sentei no chão com a cabeça encolhida entre as pernas.
Coulson pegou um machado que havia ali perto e tentou cortar os “braços” da árvore. Só que ela se esquivava de todos os golpes e cada vez mais apertava o pescoço da Daisy. May saiu da sala e foi pedir ajuda, logo ela voltou acompanhada de Nick e Stephen que expressaram um belo e sincronizado: “PUTA MERDA!”
Doutor Estranho pegou um livro, fez um gesto com a mão e expressou algumas palavras em um idioma desconhecido. A árvore desapareceu e Daisy caiu no chão, completamente apagada, pálida, gélida.
— Isso foi algum tipo de magia! – expressou Stephen encarando a todos que estavam ali na sala.
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