Filha de um Estranho - Duas Temporadas
18 Minha vida está de cabeça para baixo!

O discurso do Coulson sobre Daisy e eu pararmos com nossa rixa, finalmente terminou. Podia jurar que ele falou por umas duas horas!
— Agora quero que peçam desculpas uma para a outra!
— O QUÊ? – falamos alto e em uníssono.
— Quero que vocês se abracem e peçam desculpas. AGORA! – ordenou com a cara fechada.
— Eu não vou pedir desculpas a essa vag...
— EI, DAISY! – Phill gritou, advertindo-a.
— Daisy... – comecei a falar e ela me olhou nos olhos. – Me desculpe, ok? Eu não sabia que você era apaixonada pelo Ward...
— Eu não sou apaixonada pelo Ward! – interrompeu-me e rolei os olhos.
— Daisy, deixe-a falar! – Coulson pediu mais gentil.
— Eu só quero dizer que não sou apaixonada pelo Ward! Eu já fui! – ela insistiu.
— Independentemente! Você me odeia por eu ter ficado com ele e agora nossa relação está mais intensa! – eu continuei a explicar.
— Vocês estão namorando? – perguntou com a maior cara de indignada.
— Estamos! – pronunciei em um quase sussurro.
— Que bom pra vocês, sejam felizes! – bufou e saiu da sala pisando fundo, enquanto Phill correu atrás dela para chamá-la.
Eu fiquei ali por um tempo, em pé, com as mãos apoiadas na mesa. Minha vida está de cabeça para baixo! Agora vejo que tanto tempo no orfanato me fez ficar longe das aventuras deste mundo. O que de certa forma era bom, porque eu não teria que passar por Daisys, Stephens, nem Coulsons...
“Ai que droga!” – penso e soco a mesa.
— Victória! – ouço uma voz baixa e suave me chamar.
Olho na direção da porta e vejo Stephen. Estava com outra roupa, afinal a que usava no treinamento havia ficado ensopada graças a mim!
— Olha Stephen, seja lá o que quer comigo, eu não estou com paciência! – já estava irritada só de vê-lo.
— Eu só ia te perguntar se quer voltar para a base dos Vingadores! Afinal, o treinamento não deu certo...
— Ótimo! Preciso ir, Ward deve estar preocupado! – saí da sala assim que terminei de falar, passando reto pelo mago.
— Ei, — ouvi-o me chamar e logo, surgiu na minha frente, fazendo-me parar bruscamente com nossos corpos colados. – por que você está agindo assim comigo?
— Você me chamou de ninfeta, me questionou sobre meu namoro com Ward, me culpou por ter transformado uma árvore num buraco negro e um buraco negro em água e vem me perguntar por que estou te evitando?
— Primeiramente, — começou a se explicar. – te chamei de ninfeta a fim de te irritar propositalmente para usar sua magia. Segundo: eu não sei como funcionam seus poderes, por isso fiquei tão irritado! Eu sempre consigo saber tudo relacionado à magia! Sem contar que você me deixou encharcado, o que me irritou mais ainda! E terceiro: o Ward não te merece! Você nem o conhece direito, como pode chamá-lo de seu namorado?
— Não é porque você tem o dobro da minha idade que pode mandar em mim ou dizer o que devo ou não fazer! – retruquei ríspida.
— Não posso mandar, mas posso orientar! Acha que seu pai ficaria orgulhoso se soubesse que você está namorando um homem que mal conhece? – quando ele falou aquilo meu coração gelou.
— EU NÃO TENHO PAI! – gritei e vi seus olhos arregalarem.
— Você tem sim... Só não sabe quem é!
— Eu só entrei nessa merda de S.H.I.E.L.D. para isso, mas agora descubro que tenho superpoderes e preciso ser treinada para lutar ao lado dos Vingadores. Aí quando finalmente acho um cara que eu consigo me apaixonar sem sentir medo, vêm várias pessoas contra nosso relacionamento... MINHA VIDA ESTÁ DE CABEÇA PARA BAIXO, ESTOU CANSADA DISSO TUDO! – grito já com lágrimas nos olhos.
— Coulson te prometeu que acharia seu pai, não prometeu? – consenti com a cabeça. – Então tenha certeza, ele vai achá-lo! E sobre o Ward... Só estou dizendo para você ter cuidado... – ele tirou uma mecha de meu cabelo que caía sobre meu rosto, colocando-a atrás da orelha. – Não quero que você se decepcione!
Eu abaixei a cabeça e ficamos em silêncio por um tempo.
— Vamos para casa! – eu pedi referindo-me à minha nova casa, a base dos Vingadores.
Ele sorriu e nos teletransportamos para a porta da base.
— Posso saber o que você estava fazendo na sala do Coulson? – questionou enquanto caminhávamos à entrada.
— Eu estava levando um sermão por causa da Daisy! Ela tentou me enforcar e depois íamos começar a trocar umas porradas, quando Coulson viu e impediu. – Dei uma risada maliciosa.
Chegamos à sala de estar da base e vimos que estava vazia.
— Ué, saiu todo mundo? Sexta-Feira?!
“Olá Doutor Estranho!” – uma voz feminina respondeu e me assustei olhando para o teto, procurando de onde vinha essa voz.
— Essa é a Sexta-Feira, a assistente e secretária particular do Stark! – riu vendo o certo medo que eu sentia. – Sexta-Feira, onde estão todos os Vingadores?
“Foram recrutar a equipe do Capitão Rogers, Doutor Estranho! Não têm previsão do horário que vão voltar!”
— O Ward também foi? – perguntei preocupada.
“Sim, o agente Grant Ward foi recrutar a Viúva Negra acompanhado das agentes Maria Hill e Melinda May... Aliás, senhorita Victória Gelardino, se precisar de mim, pode pedir!”
— UAU! – foi tudo o que consegui expressar percebendo a inteligência de Tony para criar um programa.
— Obrigado, Sexta-Feira! – Stephen agradeceu. – Bem, já que eles vão demorar... O que acha de comermos alguma coisa?
— Eu acho ótimo, estou faminta! – falei com as mãos na barriga. – Afinal, você não me deixou tomar café, né... – levantei uma das sobrancelhas.
Ele apenas riu e fomos para a cozinha preparar algo para comer.
P.O.V. Grant Ward:
Depois de horas de voo, finalmente chegamos ao esconderijo da Viúva Negra. Estávamos apenas Stark, a cavalaria, a chatona e eu no quinjet. Os outros já tinham ido atrás de seus alvos. Parece que Natasha e Steve estavam juntos num galpão escondido de uma antiga fábrica de rosquinhas. O cheiro daquele lugar era delicioso.
Stark vestia uma de suas armaduras, enquanto eu fui só com um colete à prova de balas! Estão querendo mesmo que eu prove minha lealdade à S.H.I.E.L.D....
Adentramos silenciosamente àquela fábrica, portando lanternas para iluminar os caminhos e algumas armas. Afinal, não sabíamos qual seriam as reações dos nossos "amiguinhos"...
— Acho que não tem ninguém aqui! Vamos embora seu rastreador te enganou! – eu pedi para Tony. Admito, estava com medo! Mas May me deu um olhar mortal e fez “shhh...” com o dedo indicador na boca.
A cavalaria encostou o ouvido numa enorme porta e percebemos alguns barulhos de passos se aproximando dela.
De repente, um enorme barulho começa a se fazer atrás da porta e Maria Hill grita:
— SAIA DAÍ, MAY! FOMOS DESCOBERTOS! – com ela gritando desse jeito, mesmo que não tivéssemos sido descobertos, agora seriamos.
Todos pararam de frente à porta em posição de defesa, caso alguém nos atacasse. Quando finalmente se abriu revelando dois rostos muito conhecidos:
— O que vocês querem conosco? – Era Natasha Romanoff. Senti um gelo percorrer minha espinha dorsal e engoli a seco.
— Precisamos de ajuda, a H.Y.D.R.A. está montando um exército! – May explicou.
— E por que não a derrotam sozinhos? – agora era o Capitão América quem revelava a cara. Novamente senti um gelo na espinha.
— Porque eles planejam algo grandioso demais para os Vingadores lutarem sozinhos! – Stark se pronunciou e retirou o escudo com uma estrela das costas. – Pegue, Rogers, esse escudo é seu! – entregou ao Capitão América. Agora que me lembrei, ao final da Guerra Civil, ele havia tomado o escudo por birra pelo Capitão ter defendido o Soldado Invernal!
— NÃO CONFIEM NELES! – uma voz gritou por trás deles e deu um salto no ar, parando de frente conosco. – Os batimentos cardíacos de um deles está mais acelerado que o normal! – não consegui ver o rosto, usava uma fantasia vermelha com chifres.
— Demolidor! – exclamou Stark.
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