Filha de um Estranho - Duas Temporadas
9 Do que você tem medo?

P.O.V. Autora:
Stephen começou a beijá-la lentamente, porém em sincronia com sua língua. Ela sentia suas mãos percorrendo por cada canto de seu corpo e arrepiava-se. Era como se as mãos dele fossem projetadas para lhe causar prazer em cada dobra, cada parte de seu pequeno corpo. Stephen apertou sua cintura, o que a fez soltar um gemido abafado pelos lábios dele encostados nos dela.
Victória sentia-se pronta para encará-lo e há muito não tinha uma noite de amor com alguém, afinal seu primeiro e único namoro, já fazia muito tempo que havia acontecido. A garota começou a esfregar suas mãos por dentro da camisa do doutor, acariciando-lhe as costas e puxando-a para fora de seu corpo. Stephen não era musculoso como um Super Soldado (olha a referência!), mas naquele momento despertava o desejo dentro de Victória, que estava sedenta em tê-lo dentro de si.
Ela beijou-lhe parou por um momento de beijá-lo e encarou seus lindos olhos verde-azulados. Sorriu maliciosa e o deixou confuso. Depois, apenas encaminhou os lábios pelo pescoço do mago e beijou-o vagarosamente, cuidadosamente, que o proporcionou os mesmos arrepios que há pouco ela sentira. Ela desceu os lábios percorrendo todo seu tronco, até chegar ao final de sua barriga.
Victória preparou-se para tirar o cinto dele, quando sua mão a interrompeu:
— Por favor, não faça isso!
— E por que não, Doutor? – ela o encarou confusa.
— V-Você chegou hoje aqui. Não acho justo nós transarmos sem praticamente nos conhecermos.
— AH, VAI SE FODER! – ela gritou e o empurrou, jogando-o contra o freio de mão do carro, o que fez o veículo dar uma pequena movimentada.
— Está vendo o que fez? Quer nos matar? – perguntou Stephen um tanto irritado e se posicionando no banco do motorista corretamente para dar partida. – Vamos fazer o que viemos fazer, vai! Vou te levar de volta para a torre! – ela bufou e se ajeitou no banco, recolocando o cinto de segurança.
Strange acelerou o carro e deu partida. Rapidamente chegaram à torre e o caminho todo Victória não o encarou, ficou fitando a rua, como se estivesse com raiva. Ela ia entrar, pegar suas malas e procurar um hotel para dormir, afinal, não queria encarar nenhum do Vingadores após os eventos da festa, entretanto, sentiu seu braço ser puxado com força e foi forçada a ficar com o corpo colado no corpo de Stephen:
— Dorme comigo! – Ela não entendeu muito bem se aquilo era um pedido ou uma ordem.
— O quê? Depois daquela cena que você fez no carro? – ela sentia-se indignada.
— Desculpe... Procure entender meu lado, vai! – ele acariciou o rosto dela. – Olha, você não vai ter onde ficar... E já que não quer ver os Vingadores amanhã, você dorme no meu quarto e eu te teletransporto direto para a base do Phill Coulson, eu garanto!
Ela arqueou as sobrancelhas e ponderou bem sobre a proposta. Mas reconheceu, que naquela hora da madrugada, nenhum hotel ceder-lhe-ia um quarto. Então aceitou, mas lhe propôs uma condição:
— Não quero que ninguém saiba que dormi com você! – ele apenas assentiu e a guiou até seu quarto.
— Você vai precisar de um pijama, né?
— Eu uso o mesmo desde que fui para aquela desgraça daquele orfanato... Seria bom trocá-lo! – ela deu de ombros e sorriu sem graça.
— Não seja por isso... – ele entregou a ela uma de suas camisas velhas. – Vai servir, afinal você é PEQUENA!
Aquele adjetivo soou para ela como uma ofensa, mas preferiu não retrucar. Apenas pegou o pijama estrangulando-o com os olhos e entrou no banheiro para se trocar.
Ao sair, viu o doutor apenas com uma camisa branca e uma cueca preta deitado na cama, com uma perna erguida e a outra esticada. Antes que ela pensasse em falar qualquer coisa, ele se expressou:
— Tem lugar pra mais um... – sorriu maliciosamente e ela retribuiu.
Deitou-se ao lado dele e virou de costas para não encará-lo.
— Será que não mereço nem um beijo de “boa noite”? – ele perguntou ao pé do ouvido dela, apoiando-se em suas costas.
— Não... Apenas um “muito obrigada!”- ela retrucou com desdém.
— Quer se cobrir? – ele levantou o cobertor em direção a ela.
— Eu nunca dormi descoberta! É como se o cobertor fosse uma capa protetora de todos os meus medos! – ela sorriu com seu próprio pensamento bobo.
— Permita-me! – ele pediu gentilmente e envolveu a ambos com as cobertas. Depois deitou-se na mesma posição que ela, formando uma concha. – Eu entendo essa sensação... Mas do que você tem medo?
— De ficar sozinha pra sempre! – só de pensar nisso ela sentia uma tristeza apertar e corroer seu coração.
— Isso nunca vai acontecer... Depende de você se abrir para novas pessoas! – ele acariciou-lhe os cabelos.
Victória não respondeu mais nada e Stephen também não insistiu. Preferiu continuar apenas sentindo suas madeixas louras entrelaçando-se em seus dedos, enquanto percebeu a respiração dela ficar mais profunda e aos poucos adormecer.
— Tenha uma boa noite, pequena! – ele cochichou, dando um beijo no rosto e adormeceu logo em seguida.
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Victória acordou com o barulho de seu celular tocando alto. Nele, haviam as poucas lembranças que havia juntado de sua mãe e sua babá, as únicas pessoas com as quais se importou um dia. Olhou no visor e apareceu um número desconhecido, tratou de sentar-se na cama para atender, mas sentiu sua cabeça sendo espremida por uma forte enxaqueca, bem como seu estômago dar cambalhotas. Era a ressaca!
Recompôs-se e atendeu:
— Alô, quem é?
— Noite boa, né senhorita Gelardino?! – era a voz de Phillip Coulson.
— Oi Senhor Coulson, me desculpe, acabei dormindo aqui mesmo!
— Ok, eu já imaginava! – ela o ouviu rir contidamente do outro lado da linha. – Venha para cá, preciso que você conheça a base da S.H.I.E.L.D. e sua treinadora!
— Tudo bem Coulson, logo mais estarei aí!
— Ótimo, não demore! – ele ordenou e nem a esperou responder, simplesmente desligou, deixando-a amofinada.
Tratou de chamar Stephen que já se mexia bastante na cama. Cutucou-a várias vezes, porém, ele só resmungava frases inaudíveis e sequer olhava para ela.
— Stephen... – chamou em tom de voz normal. – Stephen! – chamou-o como se cantasse seu nome. – STEPHEN! – gritou e o chacoalhou com força, que o fez despertar estarrecido.
— Porra, pra que tudo isso? – ele perguntou com certa fúria.
— Desculpe, Coulson ligou e disse que me quer na S.H.I.E.L.D. o mais rápido possível!
— Tudo bem, tudo bem! Deixa só eu fazer minha higiene...
— Mas anda logo! – ela observou sua bunda enquanto ele passava caminhando lentamente, perdido, em direção ao banheiro. Deu uma mordida de leve nos lábios, mas logo lembrou-se de sua dor de cabeça e teve flashes do que aconteceu na noite passada entre Ward e ela.
— Porra... – falou para si mesma. – Por que só lembro do que rolou como Stephen por completo e do Ward só lembro flashes? – indagava-se a si mesma, até que resolveu se trocar ali mesmo, enquanto o banheiro estava ocupada.
Após um tempo Stephen saiu do banheiro e ela bateu palmas gritando “ALELUIA!”, pois parecia que ele havia passado a eternidade lá.
— Ah, qual é, você vai chegar lá em segundos! Este é como se fosse o tempo para você se arrumar...
— Anda logo, doutor! – ela o apressava, enquanto ele procurava seu Olho de Agamotto.
— Está preparada para passar por dimensões enquanto se teleportar? – ele perguntou com certa ironia.
— Nada vai ser mais doido que o dia de ontem na minha vida! – ela deu de ombros e o abraçou.
Ele disse algumas palavras que para ela soaram estranhas e repentinamente, viram-se dentro de um local com paredes obscuras e uma grande águia desenhada ao final de um corredor.
— Não foi tão ruim assim, foi? – Stephen perguntou e ela sorriu.
Antes que pudesse responder, foram surpreendidos por um homem negro de sobretudo preto e um tapa-olho, que os saudou:
— Doutor Estranho, Agente Gelardino, é um prazer imenso em vê-los!
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