Rapidamente soltei Ward e olhei para trás, em direção à porta do quarto. Vi Peter Parker com o rosto corado, provavelmente envergonhado por ter visto nos beijando.

— Oi Peter. O que foi? – perguntei tentando disfarçar também.

— Ah... É que... O senhor Stark... Ele... – Peter gaguejava e ficava cada vez mais vermelho.

— FALA LOGO, CARALHO! – Ward falou alto, impaciente, assustando-o.

— Tá! – suspirou. – O senhor Stark está convocando o Ward para uma reunião amanhã de manhã, as nove e a senhorita, é para encontrar o senhor Strange na sala para irem treinar.

— Toda essa enrolação para falar isso? – perguntou Ward arqueando uma das sobrancelhas.

— Desculpem... É só isso mesmo! – ele afirmou sem graça e saiu de lá ligeiramente.

— Ward! – dei-lhe um tapa no peito. – Pra que falar assim com o garoto?

— Desculpa Vick... – ele me encarou com um olhar sexy. – É que o Stephen sente ciúmes da gente e só de ouvir seu nome já fico com raiva! Ainda mais sabendo que você vai ficar a sós com ele!

Eu ri com a cara de cachorrinho molhado do Grant. Com ciúmes ele ficava mais gato ainda! Mesmo eu rindo, ele se manteve sério, então pulei em seu colo, bati a porta atrás de nós e o beijei.

Depois, Ward me deitou na cama, onde vagarosamente tirou minha calça e começou a apertar minhas coxas.

P.O.V. Peter Parker:

Após a cena que vi entre Ward e Gelardino, cheguei à conclusão que eles estão ficando ou quem sabe namorando... Mas tem algo nesse cara que me incomoda! Ele não me parece de confiança... Acho melhor eu conversar com o senhor Stark! Afinal, quem é mais perito em mulheres?

Caminho até a sala onde vejo o senhor Stark conversando com o Doutor Estranho. Antes que eu os interrompa, resolvo ouvir um pouco do que se trata a conversa...

—... Você não devia confiar nele! – Strange fala. – Ele não me parece totalmente confiável! – Parece que estão falando do Ward, se for, tem alguém que concorda comigo!

— Deixe de besteira Stephen! A verdade é que você está com ciúmes da Victória com ele! – senhor Stark ri.

— Claro que não! – Stephen aumenta um pouco o tom de voz.

— Não minta para mim, Stephen! Percebo no seu olhar que você sente algo pela garota... – senhor Stark tenta arrancar a verdade.

— Sabe o que é, Tony, ela tem algo que me lembra a Bianca... – Bianca? Quem é Bianca?

— Bianca Bergamo? Você ainda acha que foi o culpado por perdê-la? -questionou o senhor Stark.

— Eu fui o culpado, Stark! Nós nos apressamos, fizemos sexo antes do tempo certo e depois ela sumiu! A culpa foi minha! Eu a apressei! – ouvi os passos do Doutor Estranho de um lado para o outro na sala.

— Pare de pensar assim Stephen! – ouvi Stark caminhar em direção ao Strange. – Se fosse assim, todas as mulheres que eu fiquei, fugiriam de mim também!

— Você nunca vai me entender Tony! – Doutor Estranho bufou e caminhou até as escadas. Tratei de me esconder o mais rápido possível, grudei-me no teto do corredor. Vi Stephen passar com uma cara emburrada, entrou em seu quarto e bateu a porta.

Logo, desci para conversar com o bilionário, que tomava um gole de whisky em um copo caro.

— Oi senhor Stark!

— Fala aí Garoto-Aranha! – ele nunca aprende meu nome!

— Senhor Stark... Sabe o Ward?

— Sei!

— Eu não confio nele!

— Outro! – revirou os olhos.

— Como assim? – me fiz de desentendido.

— O Doutor Estranho também não gosta dele!

— Huuuum, se o senhor Strange não gosta dele, o senhor deveria ter um pé atrás... Afinal o mago lê mentes, vai que ele leu algum pensamento maligno do Ward!

— Ele teria me falado! – senhor Stark me olhou com as sobrancelhas curvadas. – Eu acho! – suspirou e tomou mais um gole de sua bebida.

— Pense nisso, Senhor Stark! Boa noite! – subi para meu quarto e o deixei pensativo, encostado nas costas do sofá com o copo na mão.

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No dia seguinte:

P.O.V. Stephen Strange:

Fiz alguns breves estudos dos poderes mágicos de Victória. Por algum motivo, quando ela ficou assustada, aquela árvore apareceu! Não consegui entender o por quê, mas vamos descobrir isso hoje! Sem contar que seus olhos ficam amarelos, o que me parece a manifestação do espírito mágico nela.

Vejo-a descer as escadas rindo alto com Ward ao seu lado. Fechei meus punhos com raiva, mas não deixei transparecer. Logo que ela me viu com a face inexpressiva, desfez o sorriso:

— Bom dia Stephen! – cumprimentou-me séria e lhe dei as costas, para pegar meu café.

— A educação passou longe, hein! – o maldito Ward riu após seu comentários sarcástico e soquei a mesa.

— Victória, vamos logo treinar? – perguntei ignorando o outro completamente.

— Preciso tomar café!

— Você toma na S.H.I.E.L.D.! Vamos! – saí andando em direção a porta. Olhei de canto, a vi beijar Grant e me seguir.

Chegamos à sala de treinamentos totalmente em silêncio. Ela estava realmente com uma cara de poucos amigos.

— Fico feliz que esteja toda bravinha para meu lado. Agora quero que se concentre em seus poderes! – falei um tanto sarcástico para irritá-la.

— Achei que você ia me treinar... – retrucou.

— Estou fazendo isso... – aproximei-me dela. Nossos corpos estavam bem perto um do outro.

— O que pensa que está fazendo? – perguntou.

— Defenda-se! – ordenei enquanto uma espada apareceu em minha mão. Apontei a espada para seu peito.

— Não acredito que vai fazer isso! – deu de ombros.

Aproximei-me dela e dei uma volta ao redor de seu corpo. Puxei-a por trás e coloquei minha espada em seu pescoço:

— O que está rolando entre você e o Ward?

— Não é problema seu! – replicou.

— Vou perguntar mais uma vez... – encostei a espada mais perto ainda de seu pescoço. – O que está acontecendo entre você e o Ward?

— Naquela noite você brochou... Então resolvi dar uma chance a ele! – falou com certo desdém, o que me fez apertar mais ainda a espada em seu pescoço.

— Não brochei... Apenas percebi que você não passa de uma ninfeta!

— DO QUE VOCÊ ME CHAMOU? – gritou e eu a soltei para que me encarasse.

— NINFETA! – retribuí no mesmo tom de voz. – N-I-N-F-E-T-A! NINFETA! – soletrei e dei ênfase na palavra.

Ela apertou os dedos contra as mãos. Seus olhos começaram a ficar amarelos. Finalmente eu havia conseguido irritá-la. Logo, a árvore gigante apareceu e seus troncos me envolveram como braços, levantando-me do chão.

Cortei o braço da árvore com minha espada e pude ouvir uma espécie de grito de dor vindo dela. Mas Victória, segurou seu braço também. Era como se ela sentisse o mesmo.

Com a ponta da espada, espetei a árvore. Victória se contorceu, tocando sua barriga.

— É isso! A árvore é como um alter-ego! – exclamei para mim mesmo. – Victória, o que mais consegue fazer com seus poderes?

— Eu não sei! Nem sabia da existência desses poderes! – respondeu ainda curvada.

— Pense em alguma coisa... Qualquer coisa!

— Um buraco negro? – perguntou e não entendi por que ela pensou justo nisso.

Mas incrivelmente, seus olhos de amarelos ficaram negros. A árvore sumiu e deu lugar a um enorme buraco negro que começou a sugar todos os objetos da sala para dentro. Inclusive a mim e à ela. Sorte que conseguimos nos segurar a um ferro preso na parede.

— VICTÓRIA, PENSE EM OUTRA COISA! PENSE EM OUTRA COISA! – eu gritava enquanto me esforçava para me segurar.

— Um hambúrguer! – afirmou, mas nada mudou.

— OUTRA COISA! – gritei.

— Uma cadeira! – falou em desespero e o buraco negro continuou lá.

— OUTRA COISA, RÁPIDO! – continuei gritando desesperado. Meus dedos estavam começando a escorrer com o suor das mãos.

— EU NÃO SEI! NÃO CONSIGO PENSAR EM NADA! – gritou, apertando os olhos, tentando se concentrar.

Meus dedos não aguentaram mais e escorreguei. Senti meu corpo ir em direção ao buraco negro quando Victória pronunciou:

— ÁGUA!