Filha de um Estranho - Duas Temporadas
30 A revelação
Notas iniciais

Depois de Daisy e eu dançarmos muito e agitarmos a festinha, tivemos que dar uma pausa para nos refrescarmos bebendo alguma coisa. Fomos ao bar, onde pedi uma água e ela optou em tomar uma cerveja.
— Miga, já disse que você é demais? – ela questionou sentando-se de frente comigo.
— Você que é... Agora você e eu seremos parceiras de rolê hein! – brinquei com ela que riu.
— Nossa, a única coisa que está faltando para nós são uns boys magia, hein! – ela comentou.
— Quem disse que preciso de homem para curtir? – questionei de forma esnobe.
— Huuuum, nem se esse homem tiver cabelos negros com algumas mechas brancas, tiver olhos azuis e dominar as artes místicas? – apertou os olhos para me encarar enquanto dava um gole em sua bebida.
— Ele não tem olhos azuis! – afirmei e ela riu erguendo as mãos em sinal de “calma aí!” – Ele tem olhos verde-azulados... Olha, preciso te confessar que desde que cheguei aqui, esse homem me tira o fôlego com tanta beleza... – falei baixinho para que somente Day ouvisse. – O problema é que ele não me quer! – dei de ombros.
— Ele não sabe o que está perdendo! – Day passou as mãos em meus cabelos.
— Mas e você... Já está na hora de arrumar um cara para você, não acha? – arqueei uma das sobrancelhas, tomando um gole de água.
— Primeiro preciso esquecer Ward! – afirmou com tristeza em seu olhar.
— Ei, se alegre! Vou providenciar isso para você agora mesmo! – afirmei examinando o salão em busca de um par para Day. Encontrei um alvo.
Tomei toda minha água, forcei-a para que terminasse logo sua bebida, cruzei nossos braços e arrastei-a até Matt que estava em um canto, bebendo, solitário.
— Olá de novo, senhor Murdock! – cumprimentei-o e ele sorriu. – Esta é minha amiga Daisy Johnson... Você já deve ter ouvido falar dela, também é conhecida como Tremor! – ela estendeu a mão para ele, que mesmo não enxergando, retribuiu. – Day, este é Matt Murdock, o Demolidor!
— Ah sim, eu já o conheço! – sorriu sem graça.
— É um prazer conhecê-la, senhorita Johnson! – Matt sorriu. – Gosta de whisky? – ele perguntou com uma garrafa na mão.
— Gosto sim, mas preciso pegar um copo...
— Deixa que eu pego! – interrompi. – Fique aí conversando um pouco, eu já volto! – usei isso como desculpa para deixar meu shipp sozinho. Sim, eu já shippo os dois!
Caminhei devagar para pegar o copo, dei uma enrolada, parando para conversar um pouco com T’Challa sobre um assunto aleatório. Depois, fui entregá-lo ao casal que já parecia estar se dando bem... Riam alto e conversavam sem parar.
— Trouxe o copo! – afirmei na maior cara de pau chegando por trás de Day.
— Um ano depois... – ela brincou. Mostrei a língua e saí para deixá-los a sós.
Voltei à sala de jogos, onde os rapazes ainda disputavam para ver quem acertava mais bolas no buraco. As únicas mulheres eram Bobbi, que estava com Clint e Wanda, que conversava com Stephen. Estes tinham os dentes trincados em um sorriso, pareciam se divertir. Resolvi não estragar, então fui procurar Coulson.
Coulson estava no meio do salão dançando com May a música do Dirty Dancing — Time Of My Life. Ele ergueu a chinesa nos braços, fazendo com que todos os ovacionassem. Se isso fosse um baile que tivesse Rei e Rainha, com certeza Philinda venceria. Sim, criei outro nome de shipp, será que isso é doença?
Já que eles estavam ocupados, decidi que ia andar pelo salão e puxar conversa com quem aparecesse primeiro. Enquanto andava por lá, vi de longe em um cantinho, Steve com as mãos entrelaçadas na cintura de Natasha e ela com uma mão em seus cabelos loiros e outra em seu peitoral dando um beijo de cinema. Romanogers! MEU SHIPP, NINGUÉM SAI!
— Vick! – uma voz me chamou enquanto eu explodia de felicidade por dentro ao ver o beijo do casal feliz. Olho para trás e vejo Peter.
— Oi Peter, o que foi?
— Está sozinha? – pergunta com o rosto levemente corado.
— Huuum, estou! – olho e aponto para Day e Matt.
Ele ri.
— Venha cá, estamos falando assunto de homens, mas você pode entrar na roda! – disse pegando em minha mão e me arrastando até uma roda formada por T’Challa, Scott, Sam, Visão e Peter.
— Cheguei! Do que estão falando? – perguntei brincalhona.
— De basquete, você gosta? – Sam perguntou.
— Não gosto, mas posso me intrometer! – ri, fazendo com que todos fizessem o mesmo.
Depois de um longo tempo conversando, fomos interrompidos, quando Coulson tendo uma expressão séria em seu rosto me chamou para falar comigo em particular.
Fiquei preocupada e resolvi ir com ele para a parte de fora do salão, onde ele começou a falar:
— Desculpe interromper sua festa, é que o diretor ligou e disse que depois de mais de uma semana, deixando o HD com os documentos de sua mãe sendo analisados pelo mecanismo de busca da S.H.I.E.L.D., conseguimos descobrir quem é seu pai...
— E QUEM É MEU PAI? – interrompo-o imediatamente, falando alto.
— Não sei, ele disse que amanhã me entregará os documentos para que eu faça uma análise, depois eu te chamo para revelar!
Apenas aceno positivamente com a cabeça. Coulson volta para a festa, então o sigo e volto para a rodinha dos meninos. Porém, meu pensamento estava distante, não consegui ouvir uma palavra sequer do que falavam.
Mais algumas horas depois, já era hora de irmos embora. Eu dormiria na base dos Vingadores, pois não sabíamos se a H.Y.D.R.A. não tentaria me capturar novamente e ficando na S.H.I.E.L.D. seria muito mais arriscado.
Stark me guiou até meu quarto, emprestou-me novamente roupas da sua ex-namorada e deitei-me, entretanto, não conseguia dormir.
Fiquei por um bom tempo fitando o teto, lembrando de coisas da minha infância, momentos que passei com minha mãe e Jessica. Resolvi ouvir um pouco de música, até que depois de algumas faixas tocadas, adormeci.
Acordei pela manhã assustada com meu celular tocando nos meus fones de ouvido, atendi a ligação e era Coulson me chamando para finalmente fazer a revelação que eu mais esperava em meses.
Troco-me rapidamente, faço minha higiene pessoal, desço as escadas e todos estavam tomando café. Pego uma maçã e saio correndo em meio aos questionamentos de todos, porém não os respondo.
Chego na porta da base e vejo Stephen se preparando para abrir um portal para se teletransportar.
— Quer uma carona? – ele me pergunta.
— Você também vai para a S.H.I.E.L.D.? – replico.
— Coulson disse que quer falar comigo... Disse que ia te chamar também!
— Exato! Vamos! – caminho apressada e ele nos teletransporta.
Chegamos à porta da sala de Coulson. Batemos na porta e ele sai com uma expressão séria.
— Doutor Estranho, Agente Gelardino! – cumprimenta. – Entrem, por favor! – abre a porta e nos orienta a sentarmos.
Vejo um notebook ligado em cima da mesa, projetando várias imagens de minha mãe numa tela gigante, inclusive imagens dela morta.
Coulson entra, senta de frente conosco e antes que pudesse falar qualquer coisa o interrompo:
— Coulson, por que o Doutor Estranho está aqui? Eu preferia conversar em particular com você!
— Agente Gelardino, coloquei nosso programa para fazer uma análise da vida de sua mãe nove meses antes do seu nascimento, essa pesquisa feita nos apontou que ela fez uma viagem à Londres em missão para a S.H.I.E.L.D., só que nesta missão ela conheceu um homem, com o qual passou tórridas noites de amor...
— Coulson! – o interrompo levantando-me e apoiando os braços na mesa, irritada. – Para de enrolar! Quem é meu pai?
Ele dá um longo suspiro, bate com os dedos na mesa e me encara mais sério do que já estava:
— Seu pai é Stephen Strange, o Doutor Estranho!
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