Filha de um Estranho - Duas Temporadas
2 A novata

“Ok, respira Victória!” – pensei comigo mesma.
— S.H.I.E.L.D.? O que querem comigo? – perguntei dando dois passos para trás e me mantendo na defensiva.
— Está tudo bem Victória! Eu conheci sua mãe... – O homem deu dois passos para frente aproximando-se de mim.
— NÃO FALA DA MINHA MÃE! – gritei nervosa. Por que ele tinha que me lembrar dela?
— Olha, se acalme por favor senhorita Gelardino... Eu só vim te oferecer um emprego! – O homem falava com um tom fraternal, mas a pessoa fria que eu havia me tornado me impedia de amolecer para ele.
— EMPREGO??? QUER QUE EU TERMINE A VIDA COMO MINHA MÃE??? – eu ainda estava enfurecida.
— Victória... Você está saindo de um orfanato agora, como vai viver sua vida sem um emprego? Além do mais, a S.H.I.E.L.D. irá te ajudar a descobrir quem é o seu pai... O que me diz?
Quando aquele homem falou a palavra “pai” meus olhos azuis se arregalaram e brilharam mais que uma pedra de topázio. Naquele momento senti o gelo do meu coração derreter-se um pouco, finalmente eu teria a chance de conhecer quem seria o único homem que foi capaz de amar minha mãe. O único homem que a fez sair um pouquinho do mundinho de espiã ultrassecreta e viver uma vida comum. Eu preciso conhecê-lo e saber como ele fez isso!
— Tudo bem... Vou buscar minhas malas! – afirmei com um sorriso e Coulson sorriu de volta assentindo.
Entrei no orfanato, terminei de colocar algumas coisas em minha mala e a última quase me fez chorar: uma foto de minha mãe comigo no colo. Ela sorria abertamente e eu chorava em seus braços. Eu devia ter cerca de dois ou três meses quando esta foto foi tirada. É uma das poucas fotos que tinha com minha mãe... Eu nunca tive festa de aniversário, nem nunca tive minha mãe presente na escola no dia das mães, nem nas reuniões de pais ou festinhas de alguma comemoração. Ela sempre viveu pra essa merda de S.H.I.E.L.D.! E agora eu, estou fadada a isso também... Mas é por uma boa razão... Assim espero!
Sequei uma lágrima insistente que escorreu pela minha bochecha, segurei a mala e voltei para a saída do orfanato. Não me despedi de ninguém lá. Não tinha consideração por ninguém, bem como ninguém sentiria minha falta, então, simplesmente saí sem olhar para trás.
Chegando à parte de fora, dei de cara com um homem extremamente bonito, tinha cabelos e olhos negros e um jeito de boneco da Barbie. Ele logo se apresentou:
— Muito prazer Victória Gelardino, meu nome é Grant Ward! Permita-me levar sua mala... – disse-me pegando a alça da mala que estava em minha mão direita e caminhou até um carro todo preto, semelhante a um camburão da polícia.
Eu fiquei parada só observando até que Ward olhou para trás e percebeu que eu não o estava seguindo:
— Ei, quer desistir ou vai vir conosco? – falou ao longe.
— É pra eu entrar nesse camburão?
— Não é um camburão... – ele riu debochando de mim. – é um veiculo totalmente blindado e protegido!
— Ah, tá... – fiquei totalmente sem graça e senti meu rosto queimar, provavelmente, devido eu ser extremamente branquela, minha pele ficou vermelha como um tomate.
Caminhei em direção ao veículo, entrei e me sentei no banco de trás, onde vi uma garota de pele parda, com cabelos castanhos escuros curtos, que me olhou sorridente:
— Oi, você deve ser Victória Gelardino!
— Oi... Sim... – respondi envergonhada. Eu não era muito de falar, afinal vivi os últimos cinco anos na solidão.
— Meu nome é Daisy Johnson, sou uma agente de operações especiais da S.H.I.E.L.D! – ela afirmou ainda com os dentes trincando num sorriso.
— Ah, legal... – fiquei sem jeito e não retribuí o sorriso. – Mas por que agente especial?
— Digamos que ela faz algumas coisinhas que outros não fazem... – informou Coulson desviando os olhos da direção e piscando para nós.
— COULSON, CUIDADO!!! – gritou Ward.
Mas já era tarde. Nosso carro bateu em uma... Criatura gigante semelhante a um rinoceronte?
Enfim, esse rinoceronte das trevas se irritou por batermos em sua perna e resolveu pegar o nosso carro na mão.
Ok, eu nem chorei, só fiquei tremendo!
Ele arrancou o teto do carro e fazia um barulho monstruoso semelhante a um ruído com a boca. Coulson e Ward atiraram neles, eu continuei sentadinha e me escondendo atrás do banco da frente para que ele não me visse e Daisy... Cadê ela?
— CRIATURA IDIOTA! É HORA DE TREMER UM POUCO!!! – ouvi a voz de Daisy lá embaixo, gritando para a criatura que a olhou mais enraivecido.
Ela esticou sua mão, apontou para ele e fez a terra tremer. Sério, eu disse que a garota fez umas ondas saírem das mãos dela, fazendo a terra tremer! Este tipo de coisa nunca aconteceu aqui, não na Itália!
O monstro, com o tremor, começou a pender para o lado e deixou o carro conosco dentro despencar. Naquele momento eu pude sentir a morte passar pelos meus olhos, só que eu não contava com a ajuda de um super-herói ali presente. Sim, os Vingadores estavam lá, com sua nova equipe reformulada após a Lei de Registro!
— Homem-Aranha! – expressou Coulson sorridente para o homem de roupa azul e vermelha que nos enrolou em sua teia e nos impediu de estatelarmo-nos no chão.
— Não contavam com minha astúcia! – disse brincalhão.
Ele nos colocou no chão, sãos e salvos:
— Está tudo bem com você? – ele perguntou vendo minha expressão de pânico.
— Acho que sim! – sorri sem graça.
— Fiquem longe daqui, por favor, se o Rhino cair pode machucar um de vocês! – orientou-nos e obedece quem tem juízo, logo nos afastamos da batalha.
Homem de Ferro atirava com seu propulsor na cara da criatura, enquanto Máquina de Combate lançava lhe mini mísseis, Visão, usava a pedra amarela em sua cabeça para atirar no peito da criatura, enquanto Homem-Aranha o envolvia com a teia usando a ajuda do Pantera Negra para lhe prender por completo, Daisy finalizou causando um último tremor que o derrubou no chão.
Rhino se contorcia até que Doutor Estranho se aproximou e usou uma pedra que o fez desaparecer dali. Depois, os heróis fizeram um high five e se aproximaram de nós:
— Olá Coulson! – cumprimentou Homem de Ferro. – Olá a todos vocês! Espero que tenham gostado do show...
— Só a novata não curtiu muito! – disse Ward olhando para mim e eu abaixei a cabeça.
— Sabe, aqui na Itália pelo menos, não são todos os dias que enfrentamos super vilões...
— Ah, me desculpem, esse erro foi meu! Tentei transferi-lo para outra dimensão, mas infelizmente viemos parar aqui! – Doutor Estranho fez uma cara de “fodeu” encarando Coulson que o fuzilou num olhar.
— Espero que deem conta dos destroços depois... – Coulson ordenou sério para eles mostrando o caos que a cidade havia se transformado.
— Ah, tudo bem, pode deixar... – Homem de Ferro tentou contornar as coisas. – E o que fazem por aqui?
— Viemos recrutar essa garota... – Ward veio ao meu lado e apoiou o braço nos meus ombros.
— Seja bem vinda à S.H.I.E.L.D.!!! – exclamou Stark levantando o capacete e pousando com a armadura de frente a mim.
— Obrigada... Mas por favor, me digam que cenas como essa de hoje não são comuns! – tentei descontrair e fiz todos rirem.
— Vá se acostumando... Você vai para Nova York conosco e lá é bem comum esse tipo de ataques! – informou Daisy me encarando e passando a mão em frente aos meus olhos para tirar uma mecha de cabelo que caia em meu rosto.
— Oh, meu Deus! – exclamei.
— Fique calma, os Vingadores irão te proteger! – Homem-Aranha afirmou me dando um abraço que friamente retribuí. Como eu disse, não estou acostumada com gestos de carinho.
— Bem, como nosso carro foi destruído vamos precisar pedir para a May nos buscar em um quinjet! – disse Ward.
— Não será necessário... – Stark apontou para cima onde Pantera Negra pairava com uma aeronave gigantesca. – Venham conosco, daremos uma carona! – sorriu e colocou o capacete de volta.
A nave pousou no chão e nós subimos e assentamos. As cadeiras eram uma do lado da outra, todas na cor preta. Sentei-me ao meio de Ward e Daisy. Homem-Aranha, Doutor Estranho, Homem de Ferro e Máquina de Combate sentaram de frente conosco e começaram a conversar com Coulson, Daisy e Ward.
Doutor Estranho encarava-me muito, não tirava os olhos de mim e eu não conseguia entender o porquê disso, porém havia algo nele que me chamava atenção, me encantava.
Fale com o autor