A poeira dançava graciosamente no ar, envolvendo as pedras e pedaços de madeira jogados no chão.

A grande e grossa porta de madeira abriu-se com estrondo, espalhando sujeira por todos os lados. Um homem alto e jovem passou por ela e subiu nas pedras, soltando pedrinhas menores que rolavam e batiam no piso duro fazendo barulho.

Uma mão pálida e magra ergueu-se em meio aos destroços, procurando algo em que se agarrar. O jovem pegou a mão e puxou com força. Aos poucos um braço envolvido em um terno empoeirado e rasgado surgiu, seguido pelo corpo de um homem tão magro e pálido quando sua mão.

Cortes sangravam pelo seu rosto fino e a raiva faiscava em seus olhos que se revolviam em muitas cores como um arco-íris turbulento. O homem empurrou o outro e terminou de erguer-se, caindo sentado sobre o entulho. Ele passou os dedos sobre o cabelo negro e olhou para o jovem, que o encarava de olhos arregalados.

-E então? – perguntou tentando manter a calma na voz, que parecia misturada a um rosnado.

-Fugiram, senhor. – murmurou o jovem cruzando os braços atrás de si.

-Desgraçados! – berrou o homem, atirando uma pedra de encontro à porta.

-Faremos o possível para...

-Não. Vocês são todos uns inúteis, tanto que nem conseguiram impedi-los de fugir. – resmungou o homem cerrando os punhos – Deem um jeito de trazer Nihal de volta, e encontrem aquele maldito traidor.

-Sim, sen...

-Espere. – o homem ergueu a cabeça, o olhar enlouquecido – Primeiro, eu quero a garota.

O jovem estendeu a mão para o homem, sua expressão era de puro espanto.

-Mas Senhor...

O homem gritou e afastou o jovem com um tapa, erguendo-se sozinho e meio cambaleante.

-Eu quero a filha de Apolo! – berrou, toda sua fúria acumulada ali – E quero agora!