Filha da guerra
42 40. Recaída • Renesmee Cullen
— Eu nunca machucaria você... nem eles — a voz de Jacob falhou, num murmúrio embargado que parecia carregar o peso de todo o caos que já havíamos passado. — Eu te amo, Nessie — Eu pensei ter ouvido, mas só podia ser um delírio. Ele nunca falaria aquilo pra mim.
A promessa anterior dele ecoou no silêncio do quarto, selada pelo olhar escuro e desarmado que ele mantinha cravado no meu. O pavor que um dia senti daquela presença deu lugar a um nó denso no meu peito.
Ele se deitou de lado, sustentando o próprio peso sobre um dos cotovelos para não pressionar a minha barriga de quatro meses. A mão grande e quente dele subiu até a barra da minha camisa de pijama, tirando a peça por cima da minha cabeça com um cuidado quase reverente, como se desembalasse algo extremamente frágil. Em seguida, livrou-me do restante das roupas, cobrindo-nos com o edredom pesado.
O contato direto da pele dele contra a minha me fez soltar um suspiro trêmulo. Jacob inclinou-se e começou uma trilha de beijos calmos e profundos: primeiro na minha testa, depois na ponta do nariz e, finalmente, na minha boca. A língua dele pedia passagem com uma delicadeza inacreditável, explorando cada espaço num ritmo calmo, envolvente, arrancando a pouca resistência que me restava.
Enquanto seus lábios desciam pelo meu queixo e contornavam o meu pescoço, a mão dele repousou com firmeza sobre a curva arredondada do meu ventre. Ele manteve a palma ali por um longo tempo, acariciando a pele macia com o polegar, conectando-se aos filhos antes de deslizar os dedos para a minha cintura e me guiar para o centro do colchão.
A forma como Jacob se uniu a mim foi diferente de tudo o que eu poderia antecipar. Não havia a urgência impetuosa ou a fome dominadora do homem que comandava o submundo de Seattle. Ele entrou em mim com uma cautela extrema, pausando a cada milímetro para checar a minha reação, colando a testa na minha enquanto ajustava o próprio corpo ao meu com um cuidado cirúrgico.
Quando o movimento cadenciado e calmo começou, uma onda intensa de calor se espalhou pelo meu corpo. Jacob manteve o controle absoluto dos seus impulsos, movendo-se num ritmo lento, profundo e incrivelmente carinhoso. O peitoral largo dele roçava o meu com suavidade, e a respiração quente cortava a penumbra.
Ele interrompeu o movimento por um segundo, mantendo-nos unidos, e roçou os lábios nos meus, olhando no fundo dos meus olhos com uma vulnerabilidade transparente.
— Eu te amo, Nessie — repetiu ele, a voz rouca, falhada e carregada de uma emoção tão crua que pareceu fazer o ar do quarto estalar. — Eu te amo tanto que chega a me rasgar por dentro.
As palavras caíram sobre mim como um choque elétrico. Minha respiração travou na garganta e meus olhos se abriram em sobressalto na penumbra.
Ele me ama?
O homem que me arrancou da minha família, que ditava as regras com punho de ferro e exalava perigo por onde passava, estava ali, totalmente despido de orgulho, declarando amor puro no meio da madrugada. A surpresa me paralisou; eu nunca tinha imaginado ouvir aquela confissão vindo dele.
Jacob percebeu o choque no meu olhar. Longe de se fechar ou demonstrar contrariedade, ele soltou um suspiro calmo e selou um beijo demorado nos meus lábios.
— Não precisa dizer nada — sussurrou ele contra a minha boca, voltando a se mover num ritmo fluido, suave e devoto que me fez fechar os olhos e me entregar completamente àquela noite.
A respiração de Jacob tornou-se mais densa, roçando quente na curva do meu pescoço enquanto a intensidade do momento começava a subir de nível. Eu sentia cada músculo dos ombros e dos braços dele rígidos pelo esforço consciente de sustentar quase todo o próprio peso no colchão, garantindo que o meu ventre de quatro meses continuasse inteiramente livre de qualquer pressão.
Aos poucos, o ritmo calmo e cadenciado começou a ganhar um impulso mais firme, mais profundo. Não havia vestígio daquela pressa agressiva do passado; era um aumento de ritmo ditado pela entrega, uma cadência fluida e envolvente que fazia o meu corpo inteiro responder em ondas de calor. A mão dele, que antes apenas repousava na minha cintura, espalmou-se com mais firmeza nas minhas costas, puxando-me para mais perto a cada estocada calculada.
— Nessie... — o meu nome saiu da garganta dele como um rosnado contido, baixo e rouco, abafado contra a minha pele.
Puxei o ar com dificuldade, entrelaçando os meus dedos nos cabelos curtos e macios da sua nuca. O atrito constante, aliado ao cuidado quase cirúrgico com que ele me guiava, arrancou de mim um gemido manchado pelo prazer, reverberando no quarto silencioso.
Sentindo a minha resposta, Jacob intensificou os movimentos, mantendo as investidas contínuas e profundas, mas ajustando o ângulo do quadril com uma precisão impressionante. O peitoral largo e quente dele roçava o meu com suavidade a cada avanço, enquanto a sua outra mão desceu para a minha barriga, cobrindo o volume arredondado dos nossos filhos com um toque firme, protetor e incrivelmente afetivo.
— Você tá bem? Pede se eu precisar parar... — sussurrou ele entre arfadas curtas, pausando por uma fração de segundo para buscar os meus olhos na penumbra, demonstrando uma preocupação constante que me desarmava por completo.
— Não para... por favor, Jacob — pedi num fio de voz trêmulo, apertando os seus ombros largos.
Aquele pedido foi o suficiente para fazê-lo perder a pouca reserva que restava. Ele voltou a se mover com mais energia, acelerando o ritmo numa dança perfeitamente sincronizada de corpos. Cada estocada dele, cada toque carinhoso e cada beijo desesperado depositado nos meus ombros e na minha clavícula me levavam mais perto do limite.
Eu nunca imaginei que a força bruta daquele homem pudesse se traduzir em tanto cuidado. Quando a onda final de prazer nos atingiu, Jacob prendeu o ar, escondendo o rosto na curva do meu pescoço e mantendo o ritmo firme até que o último espasmo atravessasse nossos corpos, nos selando numa entrega pura e inesquecível na metade daquela noite.
— 09h:00min AM
Abril os olhos devagar, sentindo o corpo mole e dolorido de um jeito bom, quente pelo edredom. A outra metade da cama estava vazia, mas o lençol ainda mantinha o cheiro limpo do banho de Jacob e o rastro da noite anterior.
O barulho seco de louça estalando perto da porta me fez sentar rápido no colchão, puxando o cobertor contra o peito para cobrir minha nudez.
Sue Clearwater estava parada ao lado da mesa de apoio. Sobre os braços, ela segurava uma bandeja de prata reforçada com xícaras de porcelana, um bule, frutas cortadas e pães.
— Sue? — chamei, a voz rouca de sono, ajeitando o cabelo bagunçado. — Não precisava se dar ao trabalho de trazer o café aqui em cima...
Sue nem se deu ao trabalho de sorrir. O olhar dela era gélido, varrendo o quarto bagunçado, as minhas roupas espalhadas pelo chão e a minha omoplata descoberta antes de travar no meu rosto.
— Eu não estou trazendo, Cullen. Estou retirando — disse Sue, a voz seca como palha. — Subi aqui há quase duas horas para entregar o café da manhã reforçado que o Jacob exigiu pessoalmente que a cozinha preparasse antes de ele descer para o escritório. Você estava apagada feito uma pedra. Agora a comida está fria, o suco esquentou e o café perdeu a graça.
A forma ríspida como ela falou me fez franzir a testa. O tom não era de uma funcionária ou de alguém preocupada com o meu bem-estar; era puro desprezo velado.
— Eu estava cansada, Sue. Não sabia que tinha horário fixo para comer na minha própria casa — respondi, o orgulho ferido me fazendo erguer o queixo, embora ainda me sentisse vulnerável enrolada naquele edredom.
— Sua casa? — Sue soltou um riso curto, amargo, ajeitando a bandeja nos braços com violência. — Você devia ter mais modos, Cullen. Ficar deitada nua até o meio da manhã enquanto a casa inteira trabalha, agindo como se fosse uma rainha mimada... O Jacob tem obrigações, tem homens para comandar, e você só dá trabalho e dor de cabeça. Se fosse a minha filha...
— Se fosse a sua filha, o que, Sue? — a voz grave de Jacob cortou o ar como o estalo de um chicote.
Ele estava parado sob o batente da porta. Vestia uma camisa social preta com as mangas dobradas até os cotovelos e calça de alfaiataria. A expressão no rosto dele era pura fúria contida, os olhos escuros cravados na mulher mais velha com uma periculosidade que fez o ar do quarto congelar.
Sue travou no mesmo segundo, empalidecendo ao perceber a presença dele.
— Jacob... eu só estava dizendo que o café esfriou...
— Eu ouvi exatamente o que você estava dizendo — interrompeu Jacob, caminhando para dentro do quarto com passos pesados e calmos. A postura dele exalava a autoridade indiscutível do Chefe dos Black. Ele parou ao lado da cama, posicionando-se como uma barreira entre Sue e mim, e colocou uma das mãos sobre o meu ombro coberto, num gesto claro de proteção e posse. — Deixa eu te lembrar de uma coisa, Sue. Para você não cometer o erro de esquecer de novo.
O tom dele era baixo, mas carregado de um veneno letal.
— A Renesmee não é uma hóspede, não é uma mais uma prisioneira e muito menos deve satisfações da vida dela a você ou a qualquer pessoa desta casa se não a mim — declarou Jacob, encarando Sue nos olhos até a mulher abaixar a cabeça. — Ela é a minha esposa. É a mãe dos meus filhos e a senhora deste território. Se ela quiser dormir até o meio-dia, nua na minha cama, ela vai dormir. E se a comida esfriar, a sua única obrigação é trocar a bandeja sem dar um pio.
Sue engoliu em seco, a mandíbula rígida de humilhação, mas sem coragem de dar uma única palavra de volta.
— Leva essa porcaria fria daqui — ordenou Jacob, a voz fria e cortante. — E manda a cozinha preparar outra bandeja completa. Quero tudo fresco e quente aqui em cima em dez minutos. Se eu ouvir você levantar o tom de voz para a minha mulher mais uma vez, Sue, eu coloco você e as suas coisas na rua antes do almoço. Fui claro?
— Sim, senhor — murmurou Sue, com a voz trêmula. Ela deu meia-volta rapidamente e saiu do quarto, fechando a porta com cuidado extremo atrás de si.
O silêncio voltou a imperar no ambiente. Jacob soltou o ar devagar pela boca, a rigidez do seu rosto se desfazendo à medida que ele se voltava para mim, seus olhos escuros varrendo meu rosto com uma doçura que só pertenciam àquele quarto.
Fale com o autor