Filha da guerra
12 11. Mafiosos • Renesmee King
De volta ao salão principal, a música clássica da orquestra parecia abafada pelo zumbido contínuo das conversas. Mas para mim, a atmosfera agora tinha outro peso. O encontro com Bella no banheiro ainda fazia meu pulso acelerar, mas o braço de Jacob, firme e possessivo ao redor da minha cintura, era uma ancoragem brutal que não me permitia recuar.
À medida que caminhávamos pelo tapete aveludado, Jacob, Rebecca e Solomon se moviam como uma unidade perfeita. Eu não era mais apenas uma garota de dezoito anos surpresa com o luxo; eu era a noiva do Chefe dos Black, e todos naquele salão pareciam saber disso.
— Preste atenção, morena — murmurou Jacob perto do meu ouvido, a voz grave e o hálito quente raspando na minha pele. A mão dele na minha cintura apertou ligeiramente, inclinando meu corpo para o dele. — Esta noite não é sobre o caridade do prefeito. É sobre quem manda nesta cidade. Vou te mostrar com quem dividimos o poder.
À nossa esquerda, perto de uma das colunas de mármore e cercado por homens de olhar vigilante, estava um homem de meia-idade com cabelos castanhos curtos e uma postura austera. Ao lado dele, conversando com um taça de uísque na mão, estava a própria Bella Swan, que me encarou do outro lado do salão com um olhar venenoso.
— Aqueles são os Swan — disse Solomon em tom baixo, mantendo o sorriso diplomático enquanto inclinava sutilmente o rosto na minha direção. — Controlam o porto e as rotas de entrada pelo mar. O homem no centro é Charlie Swan, o patriarca. Rígido, silencioso, mas cirúrgico. E a garota ao lado dele...
— Eu já tive o desprazer de conhecer — interrompi em um sussurro, sentindo o olhar de Bella queimar na minha nuca.
Jacob desviou o olhar para mim por uma fração de segundo, os olhos escuros estreitando-se com uma ponta de desconfiança, mas Rebecca tomou a frente com fluidez impecável.
— Os Swan são nossos aliados estratégicos, mas a aliança é tênue — explicou Rebecca, ajustando as luvas finas enquanto caminhávamos devagar. — Eles preferem agir nas sombras. Dificilmente começam uma guerra, mas finalizam qualquer uma sem piscar.
Avançamos mais alguns passos até nos aproximarmos do bar principal, onde a luz dos lustres parecia refletir de forma diferente em um grupo de aparência quase irreal. Eram homens e mulheres impecavelmente vestidos em tons sóbrios de cinza e branco. O homem mais velho, de cabelos loiros e feições esculpidas como as de uma estátua de mármore, emanava uma calma quase perturbadora.
— Carlisle Cullen e sua família — apontou Jacob, desacelerando os passos. — Eles comandam a fachada financeira e médica de Seattle. Lavam o dinheiro, controlam os hospitais e as fundações de caridade.
— Carlisle é o rosto civilizado do submundo — completou Solomon, cumprimentando Carlisle à distância com um aceno de cabeça respeitoso, que foi prontamente devolvido pelo homem loiro com um sorriso sereno. — Se você precisar de um médico que não faça perguntas, é para os Cullen que ligamos. Eles parecem santos, Renesmee, mas não se engane. Edward e Emmett, os filhos dele, são tão letais quanto qualquer um de nós.
Senti um arrepio percorrer minha espinha ao observar a sofisticação fria dos Cullen. Eles pareciam intocáveis, calculistas e extremamente elegantes.
Mas o ar no salão realmente pesou quando nos aproximamos da área VIP, um camarote levemente elevado onde a iluminação era propositalmente mais baixa. Lá, sentados em poltronas de veludo vermelho, três homens conversavam em sussurros. O do meio, de cabelos escuros longos e olhos incrivelmente frios, vestia um terno risca-de-giz clássico e segurava uma bengala com cabo de prata.
Jacob parou, e a tensão no corpo dele ficou evidente no aperto da sua mão no meu quadril.
— E ali... estão os Volturi — disse Jacob, a voz descendo para um tom perigosamente gélido. — Aro, Caius e Marcus. Eles são a máfia mais antiga desta costa. Controlam o jogo, a extorsão e a política de bastidores. Se os Swan são os braços e os Cullen são a cabeça, os Volturi são os juízes deste submundo.
— Nós não conversamos com eles a menos que seja estritamente necessário — alertou Rebecca, o tom maternal dando lugar a uma rigidez profissional. — Aro Volturi adora colecionar segredos e fraquezas. Mantenha os olhos longe daquele camarote, Nessie.
Aro Volturi ergueu os olhos na nossa direção. Por um segundo, a visão daquele homem mais velho encarando-me com um sorriso lento e analítico fez meu estômago dar voltas. Instintivamente, dei meio passo para trás, escondendo-me ligeiramente atrás do ombro largo de Jacob.
A reação dele foi imediata. Jacob deu um passo à frente, cobrindo o meu corpo com o seu e cravando um olhar mortal em Aro, cortando o contato visual antes que o patriarca dos Volturi pudesse dizer qualquer coisa.
— Você está comigo, morena — murmurou Jacob, girando meu corpo suavemente para ficarmos de frente um para o outro, seus dedos subindo até o meu queixo e erguendo meu rosto para que eu olhasse apenas para ele. — Ninguém naquele camarote, e ninguém neste salão, encosta um dedo em você. Entendeu?
Olhei para os olhos negros e intensos dele, sentindo o contraste avassalador entre o pavor daquele universo de criminosos e a certeza de que, nos braços de Jacob Black, eu era a mulher mais protegida da cidade.
— Entendi — respondi em um sussurro, o peito subindo e descendo rápido ao sentir o polegar dele roçar os meus lábios com uma posse faminta antes de me puxar de volta para o seu lado.
O ar perto da área VIP ainda estava denso quando vi a figura se aproximar a passos lentos e calculados. Bella Swan vinha na nossa direção, os saltos estalando contra o piso brilhante. O sorriso de canto que ela ostentava deixava claro que a presença dela ali não era por acaso.
Senti meu corpo ficar rígido no mesmo segundo. O desentendimento no banheiro ainda queimava na minha memória.
— Jake — a voz dela veio aveludada, em um tom que exalava uma facilidade quase insolente.
Bella nem se deu ao trabalho de olhar para mim de início. Ela parou a poucos passos de distância de Jacob, inclinando ligeiramente o corpo para a frente de uma forma que deixava transparecer um nível de proximidade que me fez trancar a mandíbula na hora.
— Faz tempo que você não aparece na Zona Norte — continuou ela, deslizando os olhos castanhos e provocantes pelo rosto de Jacob, a mão de unhas bem-feitas ajeitando a alça da própria bolsa com uma preguiça ensaiada. — Aquele nosso último encontro na marina deixou algumas coisas pendentes, não acha? Pensei que você gostasse de resolver seus assuntos pessoalmente.
Um nó apertado se formou no meu estômago. Último encontro na marina? As palavras dela caíram como ácido na minha cabeça. A forma fluida como ela falava, a falta de hesitação no olhar e a clara insinuação de que havia um passado entre os dois fizeram meu sangue ferver.
Ao meu lado, Jacob não se moveu, mas a mão dele, que continuava firme na minha cintura, deu um aperto quase imperceptível.
— Assuntos de negócios se resolvem em mesas de reunião, Bella — respondeu Jacob, a voz seca e gélida, sem dar espaço para a intimidade que ela tentava forçar. — E o meu tempo para a família Swan andou bem limitado ultimamente.
— Negócios... claro — debochou ela, soltando uma risada curta que fez meus nervos estalarem. Só então os olhos dela se voltaram para mim, carregados do mesmo desprezo que usara no banheiro. — E vejo que você arranjou uma distração para ocupar o seu tempo livre. Uma pena. Você costumava ter um gosto mais... maduro.
Uma onda de raiva e ciúme puro e irracional me atropelou. Eu não entendia o motivo daquela reação. Eu repetia para mim mesma, dia após dia, que Jacob era meu carcereiro. Mas ver outra mulher falar com ele daquele jeito, sugerindo um passado sob os lençóis e desafiando o meu lugar ao lado dele, fez algo em mim rugir.
Dei um passo involuntário à frente, pronta para partir para cima dela e retribuir a provocação, mas Solomon interveio antes que o caos se instalasse.
— Isabella — a voz de Solomon veio profunda e impecavelmente polida, cortando o ar entre nós. Ele deu um passo elegante, colocando-se estrategicamente no campo de visão de Bella, segurando sua taça de uísque com uma serenidade mortal. — Acredito que não seria de bom tom criar distrações desnecessárias para o chefe dos Black na frente de toda a cidade, especialmente quando a aliança dos nossos portos depende da estabilidade entre nossas famílias.
Rebecca, ao meu lado, deu um meio passo, ajustando as luvas e encarando a Swan com uma expressão tão gélida e superior que até a iluminação ao nosso redor pareceu diminuir.
— O meu irmão está acompanhado da noiva dele, Isabella — disse Rebecca, a voz doce encharcada de veneno. — Sugiro que você guarde suas nostalgias para quem realmente se importe com elas.
Bella travou a mandíbula, os olhos faiscando de fúria ao se ver encurralada pela postura impecável de Solomon e Rebecca. Ela olhou para mim uma última vez, medindo-me dos pés à cabeça com uma promessa silenciosa de discórdia, e abriu a boca para retrucar.
Antes que qualquer palavra saísse dos lábios dela, o som de passos pesados aproximando-se fez a atmosfera ao nosso redor mudar drasticamente. Solomon e Rebecca ficaram eretos no mesmo instante, e o semblante provocador de Bella murchou ligeiramente.
Um homem de meia-idade, com ombros largos, cabelos castanhos curtos e olhos severos, parou bem ao nosso lado.
— Chega, Bella — a voz do homem veio grave, cortante e sem margem para contestação.
Bella congelou.
— Pai... — começou ela, a compostura balançando pela primeira vez na noite.
— Você está fazendo cena — interrompeu Charlie Swan, sem sequer alterar o tom de voz, mas com uma rigidez que fez a própria filha dar um passo para trás. Ele deu um olhar gélido para Bella antes de indicar com um gesto sutil com a cabeça o outro lado do salão, onde Edward Cullen conversava com alguns empresários. — Vá dar atenção ao seu noivo. O Edward está te esperando perto do camarote dos Cullen e nós temos negócios a alinhar com Carlisle antes do jantar. Cumpra com o seu papel nesta noite.
O contraste entre a arrogância de segundos atrás e a submissão imediata de Bella diante do pai foi avassalador. Ela fuzilou Jacob e a mim com um último olhar envenenado, engoliu a raiva que queimava em sua garganta e assentiu devagar para o pai.
— Com licença — murmurou ela, entredentes, virando-se sobre os saltos e afastando-se em direção a Edward Cullen.
Minha respiração continuava entrecortada. Eu mantinha o queixo erguido, mas o ciúme e a raiva ainda ferviam nas minhas veias. Sentindo a tensão do meu corpo, Jacob curvou a cabeça na minha direção. A mão dele na minha cintura subiu pela minha costela, prensando-me levemente contra o peito dele.
— O que foi isso, morena? — murmurou ele contra a minha orelha, a voz descendo para um tom baixo e perigoso, carregado daquela satisfação sombria de quem sabia exatamente o que eu estava sentindo. — Incomodada?
— Eu não dou a mínima para com quem você fala — sussurrei de volta, ríspida, tentando empurrar a mão dele do meu quadril, embora ele nem tenha se mexido.
— Mentira — sussurrou ele com um sorriso arrogante no canto dos lábios, a língua roçando a curva do meu pescoço. — Você odeia saber que outra mulher já chegou perto de mim. Mas ela é passado, Nessie. É você quem está no meu braço.
Antes que eu pudesse responder, o olhar de Charlie Swan finalmente se voltou para o nosso grupo.
— Black — disse Charlie, a voz rouca e firme, adotando o tom diplomático de um patriarca da máfia.
— Swan — respondeu Jacob, a provocação sumindo da sua postura, dando lugar à autoridade fria e impecável de um Capo.
Charlie desviou os olhos de Jacob e fixou-os em mim.
O olhar dele era denso, analítico e profundamente perturbador. Por um segundo, a expressão dura daquele homem austero oscilou de forma quase imperceptível. A forma como ele me encarava — demorando-se nas minhas feições, na cor dos meus olhos e no meu perfil — trazia uma carga estranha, como se algo na minha imagem tivesse atingido uma memória antiga e esquecida.
Charlie manteve o olhar cravado em mim por mais alguns segundos antes de piscar, como se estivesse se forçando a sair de um transe momentâneo. Ele pigarreou, recompondo a expressão gélida e impenetrável de sempre, e voltou a encarar Jacob.
— Charlie — começou Jacob, a voz descendo para aquele tom grave, solene e impecavelmente velado que ele reservava para os grandes senhores do submundo. — Quero apresentar a você a minha noiva.
O silêncio ao redor de nós pareceu se adensar. Rebecca e Solomon mantiveram a postura impecável, acompanhando a interação com a atenção de quem sabia o peso político de cada palavra dita ali.
— Esta é Renesmee King — continuou Jacob, erguendo ligeiramente o queixo, a voz ressoando com um orgulho sombrio e uma autoridade incontestável. — Filha de Royce King, e a futura senhora Black. Ela assumirá o meu sobrenome em breve e estará ao meu lado no comando de tudo a partir do mês que vem.
A forma como Jacob pronunciou o meu nome — unindo a minha origem dos King à promessa irrevogável de que eu me tornaria uma Black — soou como uma declaração de posse e poder.
Charlie deu um passo lento na nossa direção. O líder da família Swan estendeu a mão na minha direção, o rosto sério, mas os olhos castanhos dele vasculhavam cada detalhe das minhas feições com um fascínio perturbador.
— Renesmee... — disse Charlie, a voz rouca e profunda pronunciando o meu nome devagar, como se testasse o peso daquelas sílabas. — É um prazer conhecer você, garota. Os boatos sobre a sua elegância não faziam justiça.
Hesitei por um milésimo de segundo, mas ergui o queixo com a altivez que Rebecca me ensinara e estendi a minha mão, deslizando os meus dedos finos na mão calejada e firme do homem à minha frente.
— O prazer é meu, Senhor Swan — respondi, mantendo a voz clara, suave e sem o menor tremor, sustentando o olhar dele.
Quando as nossas mãos se tocaram, uma sensação estranha e inexplicável percorreu a minha pele. Um arrepio frio que não vinha de medo ou apreensão, mas de algo antigo, profundo e visceral. O aperto de mão de Charlie era firme, de um jeito inconsciente que fez o meu coração dar uma batida fora do ritmo. Ele não soltou a minha mão de imediato; encarou-me por mais um par de segundos, como se procurasse no meu rosto as respostas para perguntas que ele sequer sabia que tinha.
— King... — murmurou Charlie em tom baixo, quase para si mesmo, antes de finalmente soltar a minha mão com um leve aceno de cabeça. Ele voltou o olhar para Jacob, os olhos agora mais severos. — Você tem uma joia valiosa no seu braço, Black. Garanta que ela seja tratada como tal. A aliança dos King com o seu clã muda o tabuleiro de Seattle.
— Eu cuido do que é meu, Charlie — rebateu Jacob de imediato, a voz cortante e sem margem para dúvidas, apertando a minha cintura contra o seu quadril. — A Renesmee está sob a minha absoluta proteção. Quem olhar para ela, responde a mim.
Charlie assentiu devagar, concordando com a lei não escrita que governava aquele salão.
— Boa noite a vocês — disse o patriarca dos Swan, dando um último olhar demorado na minha direção antes de se virar. — Nos vemos na mesa de negociações na semana que vem, Jacob.
Enquanto Charlie se afastava no meio da multidão, fiquei encarando as costas daquele homem, com a mão ainda formigando pelo toque. Eu não entendia a razão daquela agitação no meu peito.
23:45
O isolamento acústico da limusine preta transformava a tempestade que desabava lá fora em um sussurro abafado. Rebecca e Solomon haviam entrado no SUV logo atrás do nosso, deixando o banco traseiro espaçoso do nosso carro completamente a sós para nós dois. As luzes da cidade passavam como vultos amarelados pelas janelas filmadas, iluminando o ambiente em intervalos ritmados.
Eu estava sentada no canto, tentando normalizar a minha respiração. O encontro com Bella, a reação ao ver Charlie Swan e a intensidade daquela festa ainda ferviam na minha cabeça.
Mas nada disso se comparava ao perigo que estava sentado ao meu lado.
Jacob tirara o paletó cinza-chumbo, jogando-o no banco da frente, e abrira mais dois botões da camisa preta. Ele estava recostado no couro escuro, com as pernas abertas de forma relaxada e dominante. Os olhos negros dele não me deixaram por um segundo sequer desde que o motorista fechara a porta.
— Você passou a noite inteira tentando se distanciar de mim, morena — a voz dele veio grave, rouca e baixa, cortando o silêncio e fazendo meu corpo se retesar no mesmo instante.
— Eu só não queria o seu braço me esmagando o tempo todo, Jacob — respondi, tentando soar firme, virando o rosto para a janela.
A risada baixa e perigosa dele ecoou pelo espaço reduzido.
Sem dar qualquer aviso, Jacob se moveu. O peso do corpo dele projetou-se para a frente e, antes que eu pudesse recuar, as mãos grandes dele seguraram as minhas coxas por baixo da seda do vestido. Com um único puxão firme e sem esforço, ele me deslizou pelo banco de couro, trazendo meu corpo de encontro ao dele até que eu ficasse montada em seu colo, cara a cara com ele.
— Jacob! O motorista... — soltei um ganido assustado, o coração disparando no peito enquanto minhas mãos iam direto para o peitoral quente dele.
— O vidro é fumê, Nessie — murmurou ele, a voz descendo para um tom arrastado e puramente dominador. — Ele só dirige.
As mãos dele subiram das minhas coxas até a minha cintura, cravando os dedos no tecido e me prensando com força contra a rigidez do seu quadril. Prendi a respiração. O contato direto, o calor absurdo do corpo dele e a pressão evidente entre as pernas dele me fizeram perder o ar. A seda fina do meu vestido não oferecia proteção alguma contra o desejo cru que ele exalava.
— Você ficou louca de ciúmes quando a Bella chegou perto de mim — afirmou ele, a boca roçando a curva da minha mandíbula enquanto os dentes dele davam uma mordida leve na minha pele, arrancando um suspiro involuntário da minha garganta. — Ficou furiosa.
— Eu não... eu não fiquei com ciúmes... — tentei mentir, mas o tremor da minha voz me traiu miseravelmente. Minhas mãos, em vez de empurrá-lo, agarraram o colarinho da camisa preta dele, os meus dedos se cravando no tecido.
— Mentirosa — rosnou ele contra o meu pescoço, passando a língua quente no lugar que acabara de morder. — Seu corpo me entrega todas as vezes. Você odeia a ideia de outra me tocar.
Jacob segurou a minha nuca com a mão direita, afundando os dedos nos meus cabelos e puxando a minha cabeça para trás, me obrigando a encará-lo. Os olhos dele estavam negros, completamente tomados por uma fome devoradora. A outra mão dele desceu pelas minhas costas, apertando a minha bunda por cima da seda e me puxando com ignorância para cima dele, fazendo-me rebolar involuntariamente contra o seu corpo.
Um arquejo alto e necessitado escapou da minha boca. O mundo lá fora desapareceu. A garota racional e assustada que jurava odiar a máfia se esvaiu, dando lugar a uma urgência desesperada e proibida.
— Jake... — murmurei, a respiração totalmente entrecortada, os meus lábios a milímetros dos dele.
— Diga que é minha — ordenou ele, a voz tão baixa e possessiva que vibrou direto no meu ventre. O polegar dele pressionou meu queixo, abrindo ligeiramente a minha boca. — Diga, morena.
— Eu sou... eu sou sua — entreguei-me, a derrota soando como o som mais doce do mundo.
Jacob soltou um rosnado baixo e tomou a minha boca em um beijo devastador. Não foi um toque delicado; foi uma invasão faminta, quente e profunda. A língua dele dominou a minha com uma autoridade que me fez gemer contra os seus lábios, o gosto de uísque e perigo inundando os meus sentidos. Minhas mãos abandonaram o colarinho dele e subiram para a sua nuca, puxando-o para mais perto, querendo mais daquele fogo que me consumia por dentro.
Ele deslizou a mão por baixo da barra do meu vestido, subindo pela minha coxa até a borda da minha calcinha de renda. O toque dos dedos calosos dele na minha pele sensível me fez arquear as costas no colo dele, apertando as pernas ao redor do seu quadril enquanto o beijo se tornava cada vez mais selvagem e sem controle. Eu estava completamente enlouquecida por ele, viciada na sensação de ser desejada e protegida com aquela brutalidade.
Quando o carro começou a desacelerar, indicando que estávamos cruzando os portões de ferro da fortaleza, Jacob desfez o beijo devagar. A respiração dele estava tão descontrolada quanto a minha. Os lábios dele estavam avermelhados, e o olhar que ele me dava era o de um predador que finalmente capturara sua presa.
Ele manteve a mão firme na minha coxa, sob o vestido, e colou a testa na minha.
— Hoje à noite você não vai para o seu quarto, Nessie — disse ele, a voz rouca, grave e absolutamente inflexível, dando um leve puxão na minha pele que me fez estremecer inteira. — Você vai dormir no meu quarto. Na minha cama. Comigo.
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