Filha da guerra
9 08. Exemplo • Jacob Black
14 de Setembro de 2000 — 10:30
Mansão da Família Black | Zona Sul de Seattle, Washington
O jorro de água gelada do chuveiro não fora suficiente para arrancar o veneno do meu sangue. A ressaca moral queimava mais do que a dor de cabeça cavalar, mas a visão do olhar de desprezo de Renesmee era o que realmente corroía as minhas entranhas.
Eu estava parado no centro do salão de treinos no subsolo, descalço, vestindo apenas uma calça de moletom cinza e com os punhos enfaixados em tiras de pano branco. O ar ali embaixo era frio, denso, cheirando a poeira, mofo e ao metal enferrujado dos halteres jogados ao canto.
Paredes de pedra bruta sem reboco, iluminação fraca vinda de duas lâmpadas amareladas penduradas por fios descascados. E no topo do pequeno mezanino de ferro cortado por correntes, a galeria de observação.
Nesta casa, o álcool não era uma fraqueza tolerada. Na máfia, um Chefe que perde o controle dos próprios sentidos na frente de reféns e subalternos coloca em risco a autoridade de todo o clã. E Billy Black não se tornara o líder absoluto da Zona Sul por ser um pai complacente. Ele era o Capo porque era implacável, cirúrgico e porque a lei da família sempre esteve acima do próprio sangue.
O som das rodas metálicas da cadeira do meu pai ecoou de forma rítmica e gélida pelo piso de concreto áspero. Ao lado dele, posicionados nas sombras como sentinelas de pedra, estavam Quil e Embry, de rostos fechados, lábios comprimidos e mandíbulas travadas em puro desconforto.
E logo acima, na galeria do mezanino, flanqueadas por dois guardas armados, estavam as testemunhas exigidas pelo código do clã: Claire, com o rosto pálido e sem vestígio da ironia da manhã, roendo a unha do polegar; Rosalie, encolhida em um canto, tentando cobrir os olhos; e Renesmee. Ela me encarava do alto com o peito subindo e descendo em um ritmo acelerado, as mãos apertando a grade de ferro com tanta força que as pontas dos seus dedos estavam brancas.
— Um líder que não consegue governar a si mesmo não tem o direito de governar homens — a voz de Billy cortou a penumbra. Era grave, retumbante, destituída de qualquer afeto paternal ou piedade. Ele parou a cadeira a três metros de mim. — Você humilhou o nome dos Black hoje cedo, Jacob. Expos a nossa casa ao ridículo diante daqueles que deveriam nos temer e respeitar. Chegou cambaleando como um cão sarnento na frente da sua noiva e dos nossos convidados.
Permaneci rígido, queixo erguido, os braços estendidos ao lado do corpo, o peito nu exposto ao ar gélido do subsolo. Sem protestar. Sem pedir desculpas. No nosso mundo, se você erra, paga o preço sem piscar.
— Cinco chicotadas de couro cru trançado — decretou Billy, o tom frio como o aço de uma lâmina recém-amolada. — Para que o calor da dor te lembre da responsabilidade que carrega. E para que todos nesta casa vejam que ninguém... nem mesmo o meu filho, está acima da lei.
Apontei o olhar para a galeria. Renesmee deu meio passo à frente, debruçando-se ligeiramente sobre a amurada. Pude ver o pavor cru surgir em seu rosto quando Paul, o guarda de confiança mais brutal do meu pai, um sujeito de dois metros de altura com uma cicatriz profunda cruzando a bochecha, deu três passos à frente. Ele desenrolou um chicote de couro trançado, pesado, com pontas duplas reforçadas por nós de marinheiro. O som do couro chicoteando o ar frio fez o silêncio do recinto parecer ainda mais ensurdecedor.
— Ajoelhe-se — ordenou o meu pai, a voz sem um pingo de hesitação.
Não vacilei. Dobrei os joelhos e apoiei as mãos enfaixadas no chão de concreto frio e pedregoso, curvando as costas e travando cada músculo, cada fibra dos meus ombros. Respirei fundo pelo nariz, fechando os olhos e fixando a mente no vazio absoluto.
O estalo do couro cortando o ar foi o único aviso antes do inferno.
ESTALO.
A primeira chibatada rasgou a pele no topo dos meus ombros como uma barra de ferro em brasa. O som da carne sendo aberta ecoou pelas paredes de pedra. Um urro contido travou na minha garganta, fazendo as veias do meu pescoço e dos meus braços saltarem como cordas. O impacto fez meu corpo tremer, e senti o sangue quente e espesso expelir de imediato, escorrendo em fiadas rápidas pelas minhas costas.
Do alto do mezanino, ouvi um arfar abafado de horror. Era a voz de Renesmee.
— Pai, por favor! — o grito de Claire ecoou lá em cima, trêmulo, antes de ser calado pelo braço do guarda que a impediu de se aproximar.
ESTALO.
A segunda veio cruzada de baixo para cima, rasgando diagonalmente a carne já exposta. A dor explodiu no meu cérebro em uma onda de puro fogo. Soltei um rosnado alto, gutural, fechando os dentes com tanta força que senti o estalo da minha mandíbula e o gosto amargo e metálico do sangue da minha própria bochecha, cortada por dentro pelos meus molares. As minhas mãos enfaixadas espremeram o concreto áspero, arrancando poeira e pedregulhos com as unhas.
— Continue — mandou Billy, sem sequer piscar.
ESTALO.
O terceiro golpe atingiu exatamente o centro das minhas costas, arrancando um pedaço de pele e fazendo o sangue espirrar no chão de concreto, a poucos centímetros das minhas mãos. A minha visão ficou turva por um segundo, coberta por um véu vermelho e preto. A queimação era tão intensa que parecia que alguém jogara ácido fervente sobre a minha pele aberta.
Lá em cima, Rosalie soltou um soluço horrorizado, escondendo o rosto no pescoço da filha. Mas Renesmee continuava ali, cravada na balustrada. Os olhos castanhos dela estavam dilatados de puro pavor, as mãos tremendo violentamente contra o ferro frio enquanto ela assistia à brutalidade explícita da cena.
ESTALO.
A quarta chicotada atingiu a lombar, rasgando a pele logo acima do cós da minha calça. O impacto fez os meus cotovelos dobrarem por um milésimo de segundo, quase me fazendo bater o peito no chão. Forcei cada gota de energia do meu corpo para me erguer de volta, os braços tremendo sob o peso do meu próprio corpo, o suor frio misturando-se com o sangue abundante que lavava meu tronco e pingava ritmadamente no concreto.
— A última — anunciou Billy, a voz assustadoramente calma.
Paul ergueu o braço com força total, usando o peso do corpo para desferir o golpe derradeiro.
O último açoite pareceu cortar até a espinha. O couro trançado afundou na carne viva, rasgando o que restava de pele intacta nas minhas costas. Um grito abafado de dor pura escapou pelos meus dentes fechados. O impacto me jogou para a frente, mas inclinei o pescoço para trás, encarando o teto escuro enquanto o ar sumia completamente dos meus pulmões.
O silêncio que se seguiu no subsolo era sepulcral. O cheiro de sangue quente e ferrugem impregnava o ar.
Lentamente, usando cada fração do meu orgulho e da minha força física, comecei a me levantar. Os músculos das minhas pernas queimavam, a dor nas costas rasgava a minha consciência a cada milímetro de movimento, mas recusei-me a pedir ajuda. Apoiei os pés no chão, endireitei o tronco e fiquei de pé. O sangue descia grosso, encharcando a cintura do meu moletom e escorrendo pelas minhas coxas.
Encarei o meu pai de frente. O peito subindo e descendo como uma fornalha, os olhos vermelhos e pesados de dor, mas sem soltar uma única lágrima.
Billy observou a carnificina nas minhas costas, a poça de sangue no chão e, em seguida, sustentou o meu olhar. Houve um lampejo rigoroso e cruel de aprovação no fundo dos olhos do velho Capo. Ele demonstrara quem mandava, mantivera a disciplina da casa e provara a todos que a máfia dos Black não perdoava fraquezas.
— O castigo está pago — declarou Billy, girando a cadeira de rodas em direção à saída. — Lave o sangue e volte aos seus deveres, filho.
Quando o guarda abriu a grade da galeria para liberar as mulheres, o som de passos apressados ecoou pela escada de ferro. Renesmee não esperou ser conduzida. Ela desceu os degraus de metal em disparada, ignorando o guarda que tentou segurá-la.
Ela apareceu no salão de treinos respirando fundo, o rosto pálido como cera e os olhos fixos na poça vermelha ao meu redor e nos retalhos de carne sangrenta nas minhas costas.
— Meu Deus... — sussurrou ela, a voz embargada pelo choque, dando dois passos hesitantemente na minha direção.
— O que você tá fazendo aqui? — rosnai, a voz falhada, rouca e coberta de dor, sem me virar totalmente para ela. — Volte para o seu quarto, Renesmee.
Ela ignorou meu comando. Olhou diretamente para Billy, que parara a cadeira de rodas perto da porta de saída para observar a cena.
— Ele precisa de cuidados médicos imediatos — declarou Renesmee, a voz ganhando uma firmeza impressionante apesar do tremor no corpo. Ela olhou para o velho Capo sem abaixar a cabeça. — A carne está aberta. Se isso não for limpo, desinfetado e costurado agora mesmo, ele vai ter uma infecção grave ou entrar em choque térmico. Eu estudo Enfermagem, Capo Black. Eu sei exatamente o que precisa ser feito. Deixe-me cuidar dos ferimentos dele.
Tranquei a mandíbula, tentando dar um passo à frente.
— Eu não preciso de uma médica... e muito menos de você — cortei, a voz ríspida, o suor queimando nos meus olhos. — Eu sei cuidar de mim mesmo. Quil, me arranja uma garrafa de álcool e...
— Cale a boca, Jacob — a voz de Billy cortou a minha fala, fria e imperiosa.
O velho Capo girou a cadeira ligeiramente, avaliando o olhar determinado de Renesmee. Ele viu na proposta da garota algo além da medicina: viu a oportunidade perfeita para consolidar o vínculo entre nós dois, forçando a minha noiva a encarar de frente as feridas e o sangue do homem com quem se casaria.
— A garota tem razão — decretou Billy, encarando-me com severidade. — Você já sangrou o suficiente por hoje para bancar o orgulhoso. Rosalie e Claire vão para os seus quartos. Quil, leve a caixa de primeiros socorros de emergência, suturas e antissépticos para o quarto do Jacob.
— Pai, eu não quero... — tentei rebater, a raiva travando a minha garganta.
— É uma ordem do seu Capo, Jacob — sentenciou Billy, o olhar gélido me paralisando. Ele olhou para Renesmee uma última vez. — Faça o seu trabalho, garota. Garanta que o meu filho esteja inteiro até amanhã.
Billy acenou para que os guardas o acompanhassem e saiu pelo corredor do subsolo.
11:15
O cheiro acre de antisséptico e gaze esterilizada aos poucos tomava conta do meu quarto, misturando-se ao odor metálico de sangue fresco.
Eu estava sentado na beirada da cama de costas para a porta, com as mãos apoiadas nas coxas e os dentes cravados no lábio inferior. Cada respiração funda fazia minha pele esticar, enviando ondas de dor dilacerante por toda a extensão da minha espinha. A bacia de inox com água morna repousava na mesa de cabeceira, junto com a maleta de primeiros socorros que Quil deixara antes de sair e bater a porta, deixando-nos completamente a sós.
O silêncio no quarto era denso, quebrado apenas pelo crepitar da lareira e pelo ruído suave dos passos de Renesmee.
Ouvi o som da água sendo agitada quando ela mergulhou uma compressa de gaze limpa na bacia e a espremeu devagar. Senti a presença dela se aproximar pelas minhas costas. O ar ao redor pareceu esquentar.
— Isso vai queimar — avisou ela, a voz baixa, limpa e surpreendentemente profissional, desprovida da hesitação ou do tremor de horas atrás.
— Apenas faça o seu trabalho — respondi, a voz rouca e gutural, mantendo o olhar fixo no chão de madeira. — Não preciso de avisos.
O primeiro toque da gaze úmida contra a carne viva no topo do meu ombro fez todos os músculos do meu tronco se contraírem no mesmo segundo. Um rosnado baixo e doloroso escapou da minha garganta, e minhas mãos espremeram o edredom da cama com tanta força que senti o tecido estalar.
Renesmee não recuou. Ela manteve a mão firme, limpando o sangue pisado e a poeira do subsolo com movimentos suaves, precisos e contínuos. A frieza e o controle técnico de uma estudante de enfermagem sobrepunham-se à fragilidade do ambiente. Ela ia descendo a compressa centímetro por centímetro, lavando cada uma das cinco marcas profundas que rasgavam minhas costas.
— Você devia ter tomado uma anestesia local antes de eu começar a limpar — comentou ela devagar, trocando a gaze encharcada de vermelho por uma nova. — A sujeira do chão do subsolo entrou nos cortes. Se eu não esfregar para tirar cada resíduo, vai infeccionar.
— Eu não preciso de anestesia — fechei os olhos, travando a mandíbula enquanto ela pressionava o antisséptico diretamente sobre o corte central. O álcool puríssimo queimou como um maçarico aceso sobre a minha carne. — Siga em frente.
Ela soltou um respiro pesado contra a minha pele, e o ar quente da respiração dela nas minhas costas causou um arrepio involuntário que fez os pelos do meu braço se arrepiarem.
— Vocês são loucos... todos vocês — disse Renesmee, a voz carregada de uma indignação contida enquanto pegava o porta-agulhas e o fio de sutura cirúrgico. — O seu próprio pai autorizou um massacre desse nas suas costas por causa de um episódio de bebida. Ninguém no mundo civilizado trata um filho, ou um líder, dessa forma.
— Isso não é o “mundo civilizado”, Renesmee — respondi, rindo fraco, uma risada sem humor que me fez arfar de dor. — Isso é a máfia. O meu pai fez o que um Capo precisava fazer. Se ele abrisse uma exceção para o próprio filho, a autoridade dele ruiu. Quil, Embry, Paul... nenhum deles me respeitaria como chefe se eu não pagasse pelo meu erro com a mesma moeda que qualquer outro pagaria.
Senti a ponta da agulha perfurar a borda da pele aberta na minha lombar para dar o primeiro ponto de sutura. Pressionei os dentes com força, sentindo uma gota de suor frio escorrer pela minha testa.
— E você acha isso normal? — questionou ela, puxando o fio com habilidade, dando o nó cirúrgico e cortando a sobra com a tesoura. — Acha normal quase se deixar matar para provar um ponto de honra?
— Eu acho que é o preço do poder — declarei, sustentando a dor a cada entrada e saída da agulha. — O sobrenome Black carrega o comando desta cidade. Se eu fraquejar, se eu parecer vulnerável por um segundo que seja, os Cullen ou qualquer outro clã rival caçam a mim, ao meu pai e a todos dentro desta casa. Incluindo você e a sua mãe a partir de agora.
Renesmee parou as mãos por um breve segundo. Pude sentir a hesitação dela atrás de mim.
— Eu não pedi para fazer parte disso — disse ela, o tom de voz descendo para algo mais íntimo e amargo, recomeçando a fechar o segundo corte.
— Mas aceitou a aliança ontem à noite — lembrei, mantendo a voz firme. — E o que você viu lá embaixo no subsolo é exatamente a estrutura que vai garantir que o Royce nunca mais encoste um dedo na sua mãe. A mesma violência que te assusta é a violência que vai te proteger.
Ela não respondeu de imediato. Concentrou-se no trabalho, dando ponto por ponto com uma destreza impressionante. Aos poucos, a queimação insuportável deu lugar a uma dor abafada e localizada. A firmeza dos dedos dela contra a minha pele, o cuidado meticuloso com que ela limpava o excesso de sangue e a proximidade do seu corpo criavam um contraste avassalador com a brutalidade de tudo o que acontecera.
Quando terminou de dar o último ponto no rasgo mais profundo das minhas costas, Renesmee cobriu toda a extensão com ataduras largas de gaze e fixou com fita médica.
Ela deu um passo para o lado, tirando as luvas descartáveis e colocando-as na bandeja com um suspiro longo.
— Pronto — declarou ela, limpando as mãos com uma toalha limpa, a voz demonstrando o cansaço e a tensão acumulada. — Os cortes foram limpos e suturados. Deixei os antibióticos na mesa. Você precisa tomar a primeira dose agora.
Lentamente, virando o tronco com cuidado para não esticar os pontos novinhos, fiquei de frente para ela na beirada da cama. O meu peito nu subia e descia devagar, e os meus olhos escuros travaram nos dela.
Renesmee tentou dar um passo para trás para guardar o material, mas eu fui mais rápido.
Ignorando a fisgada pontiaguda de dor que rasgou minhas costas, estendi o braço direito e passei a mão pela cintura dela, segurando-a com firmeza indiscutível. Antes que ela pudesse protestar ou recuar, puxei-a para frente com força e decisão, acomodando-a de vez em cima do meu colo.
— Jacob! — exclamou ela, assustada com o impacto repentino, apoiando as duas mãos nos meus ombros nus para não cair, os olhos arregalados fixos nos meus. — Você ficou louco? Os seus pontos vão abrir!
— Deixe que abram — rosnei baixo, a voz rouca, profunda e perigosamente arrastada contra o rosto dela.
Minha mão subiu pela cintura dela, espalmando-se nas costas do seu suéter e colando o corpo dela ao meu tronco quente. O contraste da maciez dela contra a minha rigidez me fez perder o resto do juízo. Renesmee prendeu a respiração, o peito acelerado batendo contra o meu, e vi o reflexo da própria hesitação e do fogo nos olhos escuros dela.
— Você devia me odiar pelo que viu no café da manhã — murmurei, os lábios a milímetros dos dela, sentindo o aroma doce da pele dela se misturar ao cheiro do antisséptico. — Mas subiu até aqui e cuidou de mim com as próprias mãos.
— Eu fiz o meu trabalho como enfermeira... — sussurrou ela, a voz falhando ligeiramente, embora não fizesse menção real de se levantar do meu colo.
— Mentirosa — decretei, um sorriso sombrio surgindo no canto da minha boca.
Antes que ela pudesse retrucar, selei a boca dela com a minha.
Não foi um beijo calmo. Foi uma explosão de posse, raiva e alívio reprimido. Puxei a nuca dela com a mão livre, afundando os dedos nos seus cabelos macios e aprofundando o contato sem pedir licença. Minha língua invadiu a boca dela de forma dominante, quente e faminta, tomando cada espaço com uma autoridade que fez Renesmee soltar um suspiro abafado contra os meus lábios.
O corpo dela estremeceu por inteiro no meu colo. Por um segundo, senti ela tentar resistir, mas logo a tensão nas mãos dela cedeu, e os dedos de Renesmee se agarraram aos meus ombros nus, apertando a minha pele com força enquanto ela correspondia ao beijo com a mesma intensidade e entrega impetuosa. O calor da boca dela queimava mais do que as chibatadas do meu pai, anestesiando qualquer rastro de dor física nas minhas costas.
Quando desfiz o beijo devagar, mantive nossos rostos colados, as respirações descontroladas misturando-se no espaço estreito. Renesmee estava com os lábios avermelhados, entreabertos, e as bochechas coradas, me encarando com um misto de choque e desejo que ela já não conseguia mais esconder.
— A partir de hoje, noiva... — murmurei contra a pele da bochecha dela, a voz rouca de puro desejo, mantendo a mão firme na sua cintura no meu colo — ...você é a única pessoa que tem o direito de tocar nas minhas feridas.
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