Filha da Eternidade - Parte III
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Irriel
Eu era o único preso na delegacia. O policial Morrison dormia na cadeira a minha frente e eu tentava fazer o mesmo na cama dura da cela. Minha mente tentava digerir tudo que estava acontecendo. Saraí não confiava em mim, ela não me contou seus planos. E Lukiel e Arghaus, a deixaram se entregar como se ela fosse um animal. Eu não sabia se sentia raiva dela ou dos dois imbecis. E agora Scarlet me entregara à polícia, ela estava com medo, eu poderia entender.
Fechei os olhos. E imaginei Sara ao meu lado. Eu a amava como nunca pensei que alguém poderia amar. Nas últimas horas eu só conseguia pensar nela e em como minha existência era uma droga quando Saraí não estava ao meu lado. Entreguei-me ao sono pensando em seu rosto.
ᴥ
— Irriel? — ouvi a voz doce de Saraí.
Abri os olhos e ainda estava na cela da delegacia. Sara estava parada ao lado da minha cama e seu rosto estava molhado por causa das lágrimas. Levantei-me e a abracei com força e depois a beijei. Eu sentia falta de seus lábios, do calor do seu corpo...
—Você está bem? — segurei seu rosto triste entre minhas mãos.
— Me desculpe — ela disse voltando a me abraçar.
— Eu vou te tirar daí — falei olhando eu sem rosto.
— Preciso terminar isso — ela disse determinada — Deixe-me terminar.
—Eles estão te torturando?
— Não mais — Sara disse e aquilo soou verdadeiro.
Voltei a beijá-la. Eu sabia que ela não estava ali de verdade. Só poderia ser um sonho e eu deveria aproveitar ao máximo o meu tempo com ela.
— Isso é um sonho? — ela perguntou.
— Não sei — respondi sorrindo — Mas isso não importa. Estamos juntos.
— Eu te amo — Sara sussurrou.
— Eu te amo mais — respondi e a abracei.
ᴥ
Não sei se era sonho ou não. Mas quando acordei consegui sentir o perfume de Sara no ar. Era como se ela estivesse ali no meio da noite. Eu sabia que ela conseguia ver o passado e o presente, Merl me dissera isso uma vez. Contudo, eu estava tão desesperando em vê-la que não me assustaria se meu cérebro tivesse me pregado uma peça.
Já era de manhã e o policial Morrison não estava mais roncando na cadeira. Ele abriu a cela e permitiu que alguém entrasse, era Scarlet. Seu rosto estava inchado. Ela parou no meio do espaço e ficou me observando.
— Desculpa — ela disse baixo.
— Tudo bem — eu estava irritado com ela, mas entendia seus motivos.
— Você chamou um advogado? — ela perguntou.
Havia me esquecido. Teria que chamar o Dr. Washington, um amigo de longa data, ele também era um caído. Mas diferente da maioria, ele aceitou a condição humana e se integrou. Especializou-se em direito e virou um dos melhores advogados criminalistas que o mundo já viu.
—Posso chamar um amigo do meu pai — ela disse sem graça.
—Não precisa —respondi rapidamente — Obrigada, Scarlet.
Ela olhou para o policial Morrison e ele abriu a porta.
— Gael está com você? — perguntei. Ela não poderia ficar sozinha.
— Sim — ela disse e saiu.
Estava sozinho novamente. A única coisa que vinha a minha cabeça era o meu sonho com Sara. Ela não parecia bem, se aquilo fosse verdade eu teria que tirá-la de Sheol a qualquer custo.
No meio da manhã, eu liguei para Washington. Ele demorou duas horas para aparecer e se colocar a par da situação. Wash era um caído que, além de trabalhar como um humano normal, também gostava de curtir a eternidade em muitas festas. Eu saia muito com ele antes de me empenhar em encontrar Saraí.
— Vou te tirar daqui, Irriel — Wash disse com seu sorriso convencido. Ele sabia que era o melhor advogado da região e isso fazia toda a diferença.
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