Fight Like A Girl

1 The Biggest Dream


Capítulo 1 — O Maior Sonho

A pequena Buttercup de seis anos vislumbrava o canal de esportes na televisão, onde rolava muita pancadaria às nove horas da noite, todos os sábados. Ela e suas irmãs não podiam assistir nada muito violento para a idade delas, mas Buttercup sempre teimava e assistia.

– Por Deus, Buttercup! Você não me ouve nunca? – dizia seu pai, colocando as mãos na testa. – Sabe que não pode assistir a essas coisas!

Com a maior cara de pau do mundo e sorrindo com os dentes separados, ela olhou fundo nos olhos do pai e disse, com sua voz meio rouca:

– Um dia, eu vou ser que nem eles.

O Professor se desesperou. Não queria que a filha seguisse aquele rumo. Mas desde sempre ela fala que quer ser uma lutadora. E é mais teimosa do que uma mula, não adianta tentar fazê-la mudar de ideia...

Aos treze anos, ela continuava com aquela ideia de lutar profissionalmente, para o desespero de seu pai. Ele apenas queria que ela fosse uma garota normal da sua idade, exatamente como as irmãs. Enquanto Blossom estudava no quarto e falava de garotos, Bubbles se maquiava e comprava roupas novas. Mas para Buttercup, aquilo não fazia sentido. Ela simplesmente não se encaixava. Desde sempre, foi diferente. Não queria ganhar bonecas de Natal, e sim, skate, bola, patins. Não queria maquiagem, queria videogame. O que ela mais odiava é dizerem que ela parecia um garoto só por não estar nos “padrões” femininos.

– Pode esquecer dessa ideia de lutar, mocinha! – o Professor continuava a repetir, todos os anos.

– Pô, Professor! Não é justo! – resmungava a morena, com muita raiva.

O tempo passou um pouco e agora, com 17 anos e quase alcançando a independência, ela tentou pedir ao pai novamente. Este agora estava bastante debilitado pois fumou muito na juventude. Ela achava que ele não se importaria de sua filha lutar já que não tinha muito tempo de vida.

– Ô, pai – chamou ela. Era difícil que não chamasse a atenção, estava com um corpo cheio de curvas. – Posso pedir uma coisa?

– Depende – respondeu Utonium, acendendo um cigarro, mesmo com a reprovação das garotas.

– Eu quero lutar – era muito chato ter que repetir mil vezes a mesma coisa, mas ela não desistiria do que acreditava.

– Quantas vezes eu vou ter que dizer que não?!

De repente, Butter bateu o pé e tirou o cigarro da mão dele abruptamente.

– E quantas vezes vou ter que dizer pra você não fumar? Tá com o pé na cova e não larga essa merda! – explodiu ela.

– Mais respeito comigo! – dito isso, o homem começou a tossir com força, ficando sem ar. Assim que parou de tossir, ele caiu no chão, deixando a filha horrorizada.

– Pai? PAI! – ela se ajoelhou para checar o pai, mas este não respondia, tampouco respirava. – Não tem graça, pai!

Utonium faleceu de câncer de pulmão que estava em estágio avançado, sem nunca antes ter sido diagnosticado. Mas não tinha sido por falta de aviso das filhas.

Buttercup se sentiu culpada pela morte do pai, pois ele faleceu falando com ela, ou melhor, discutindo uma questão antiga. Mas mesmo com tantos NÃOs, ela não iria desistir. Nem a morte do pai foi capaz de impedi-la.

Aos dezoito anos de idade, quase dezenove, iria se matricular em uma academia de luta perto de sua antiga escola, chamada Kick Warriors School. Morava sozinha em um apartamento e mesmo que as irmãs fossem suas vizinhas, ela gostava de ter sua própria companhia. Diferente de suas irmãs, não estava fazendo faculdade por opção própria. Blossom estava fazendo direito e Bubbles estava cursando moda.

Assim que chegou na academia para fazer a matrícula, todos os que estavam lutando lá – todos homens – pararam o que estavam fazendo para fitar a estranha. Buttercup começou a ficar desconfortável.

– Então, Buttercup – dizia o dono da academia, com sorriso simpático. – Seja bem-vinda à nossa academia!

Os garotos que ali estavam começaram a fazer comentários sobre ela, como quem diz “Essa menininha vai lutar aqui? Não aguenta o tranco…” Cerrando os punhos, a garota conseguiu se conter, mas não foi nada fácil. Eles falavam exatamente como o falecido pai.

– É um prazer conhecer vocês também – disse ela, sorrindo, na maior cara de pau.

Todos ficaram com cara de tacho, enquanto ela foi bela e formosa para casa já com o contrato em mãos. Ela sabia que tinha que aguentar comentários maldosos, mas não sabia que seria TÃO rápido.

“Ah, homens têm cabeça de bosta mesmo.” – Foi o que ela pensou, deixando a academia para trás.